Triste sol, fakenews e ilusões
Triste sol, fakenews e ilusões
Esse foi o pôr do sol na Aldeia Xandó em setembro de 2024, território Pataxó no sul da Bahia. Linda paisagem! Todos (os brancos, incluindo eu) que estavam na Oca Tururim no Festival Caju de Leitores foram tirar foto nesse momento. Exceto os indígenas. Auritha Tabajara, escritora do povo Tabajara do Ceará, estava ao meu lado e disse "que tristeza, não há o que celebrar". Esse tom avermelhado é por conta dos mais de 2 mil focos de incêndio no Brasil.
Raoni Pataxó iniciou a última mesa de debates do Festival alertando sobre a falta de percepção sobre o que vemos, porque nem sempre o que está diante dos nossos olhos é real. Essa e todas as outras mesas estão disponíveis do Spotify ( clique aqui ).
Foi ele, Raoni Pataxó, quem substituiu Ailton Krenak, que pela segunda vez cancelou sua participação no Festival Caju. Nesse ano, fomos atacados por uma associação indigenista que emitiu uma nota absurda dizendo que compactuamos com a invasão da Aldeia Xandó.
Sim, Aldeia Xandó é um território invadido por brancos, em disputa, e que vive uma situação de especulação imobiliária e jogo de interesses. Uma situação muita tensa, que me reserva aqui o direito de não expor nomes e situações específicas.
O Festival Caju de Leitores tem a premissa e o compromisso de levar literatura indígena para crianças indígenas. O vídeo da 3ª edição já está disponível - clique aqui
Fakenews é um nome gourmet para MENTIRA! Tentaram nos atacar, mas saímos mais fortes. Nosso compromisso é com o povo Pataxó, com as crianças, com a educação e com a literatura. Vamos seguir!
Por fim, fica o recado: a política NÃO ACONTECE NAS REDES. Essa talvez seja a grande cortina de fumaça do século 21. Ela acontece na VIDA REAL. A vida real existe e é sempre mais forte. A gente fala muito em fakenews até a hora que somos vítimas de uma. E é aí que a gente vê de fato como esse troço funciona.
12.000 crianças - 12.000 children
Filhos bastardos da diáspora do século 21
Inocentes condenados na sua própria terra
Sem culpa e sem crime
sem passado e sem futuro
Quem vai recolher os corpos sem cova?
Cadáver só fede na Europa
Quem vai acolher os indesejáveis sobreviventes?
Que terra restará para os que insistem em viver?
O sangue dos vivos escorre para o mar morto
2023, 1948
Nota de repúdio não elimina o ódio
Herdeiros do ódio que não é seu
Planta em terra seca não floresce
Não se pode fincar raiz molhando a terra com sangue e lágrimas
Fragmentos de informação deformam
Fragmentos de memória deturpam
Fragmentos contínuos viram espasmo
de uma dor latente
de uma ferida aberta
As crianças palestinas só querem terra para brincar
sem cerca e sem muro
Crianças embaixo de escombros
Esperança embaixo de escombros
Da ingenuidade violentada
Da infância perdida
Do futuro arrancado
Gaza fatiada pelo açougueiro com a caneta na mão
A desumanidade sem escrúpulos em vomitar na cara do mundo
12.000 crianças mortas em Gaza
12.000 crianças assassinadas por Benjamin Netanyahu
12.000 crianças assassinadas em Gaza
PAZ PARA O POVO PALESTINO!
Bastard children of the 21st century diaspora
Innocents condemned in their own land
No guilt and no crime
no past and no future
Who will collect the bodies without graves?
Corpses only stink in Europe
Who will welcome the unwanted survivors?
What land will be left for those who insist on living?
The blood of the living flows into the dead sea
2023, 1948
Note of repudiation does not eliminate hate
Heirs of hate that is not yours
Plant in dry land does not flower
You cannot take root by watering the land with blood and tears
Fragments of information deform
Memory fragments misrepresent
Continuous fragments become spasm
of a latent pain
from an open wound
Palestinian children just want land to play
in no fence and no wall
Children under rubble
Hope under rubble
Of raped naivety
Of lost childhood
From the future ripped away
Gaza sliced by the butcher with pen in hand
The unscrupulous inhumanity in vomit in the face of the world
12.000 children killed in Gaza
12.000 children murdered by Benjamin Netanyahu
12.000 children murdered in Gaza
PEACE TO THE PALESTINIAN PEOPLE!
“Um tigre não proclama sua tigritude, ele ataca”
Wole Soyinka
No dia 13 de julho de 1934 nasceu Wole Soyinka, em Abeokuta, Nigéria. Soyinka é professor e escritor. Foi o primeiro escritor do continente africano e primeiro negro a ganhar um prêmio Nobel de Literatura. Mas esse é o fato menos importante sobre ele.
Wole Soyinka é um gênio que foi alfabetizado aos 4 anos de idade, e aos 8 foi mandado para o que equivale hoje ao ensino médio. Dramaturgo de origem, escreveu mais de 200 peças de teatro, 100 delas encenadas, e mais um tanto ainda não publicadas, fora os vários livros. Apenas 2 foram traduzidos no Brasil. Um se chama "Aké: os anos de infância", escrito em 1981 e só traduzido em 2020.
Wole Soyinka é muito importante pra história do Brasil. Eu nunca soube disso até maio de 2023, porque assim como a imensa maioria dos brasileiros, eu sequer o conhecia. Ele viabilizou a ida de Abdias Nascimento para o FESTAC, festival panafricano que aconteceu em Lagos, Nigéria, em 1977. Para se ter uma ideia: Gilberto Gil tocou nesse festival, o que resultou depois, como influência em letras e sonoridade, no álbum "Refavela". Abdias nessa época denunciava a falácia da democracia racial no Brasil, era boicotado e teve sua ida para o FESTAC dificultada ao máximo pelo regime militar que não queria nem um pouco que ele fosse ouvido. Soyinka ajudou muito a propagar a tese de Abdias que está contida no livro "O genocídio do negro brasileiro", que contrapõe de forma direta o conceito de democracia racial de Gilbero Freyre da década de 30.
Soyinka é também ativista político, embora faça questão de enfatizar que nunca separou literatura e política. É primo direto de Fela Kuti, e assim como o primo músico, bebeu na fonte de Funmilayo Kuti, mãe do Fela, tia dele. Ela formou um grupo de mulheres que derrubou um rei em Abeokuta. Alake, é a designação do rei nessa cidade, uma das cidades mais importantes para o povo iorubá, do qual ele faz parte. Funmilayo é a única mulher a participar da elaboração da constituição do movimento de independência da Nigéria em 1959.
Wole tentou mediar uma negociação durante a Guerra Civil da Nigéria no final da década de 60. Foi preso e passou 2 anos numa solitária. Foi perseguido e caçado por todos os regimes autoritários do país, em épocas diferentes, com direito a cartazes "PROCURADO VIVO OU MORTO" espalhados pelo país. Por todas as lutas de libertação em diferentes frentes, foi amigo de Nelson Mandela até ele partir.
Esse é um resumo muito, mas muito pobre de quem é Wole Soyinka. Pois bem, eu tive o imenso privilégio de filmar esse gênio no Monumento Zumbi na Av. Presidente Vargas no centro do Rio no dia 28 de maio de 2023. Aliás, já repararam que o zumbi ali não é exatamente a figura de Zumbi dos Palmares como conhecemos? Essa representação é, na verdade, uma réplica do Ori Olokum, arte que representa o povo iorubá, e que foi parar ali por vontade do Darcy Ribeiro quando era secretário do Brizola. Mas isso é uma história que envolve Darcy, Soyinka, Carybé e Pierre Verger numa fábula impossível de contar aqui em poucas palavras.
Foto: Mariah Alves
Vivência com Wole Soyinka - Pequena África, Rio de Janeiro - maio de 2023
Esse artigo fala sobre dois mundos. Esse artigo fala sobre a vivência a partir de dois olhares na Pequena África Carioca. O mundos dos brancos e o mundo dos negros.
Ser branca e transitar pela Pequena África, por razões óbvias, tem outro impacto no olhar. Pois dentro da falácia da democracia racial no Brasil, inegavelmente aquele lugar não me traz desconforto. Me traz riqueza, porque quanto mais eu desconstruo e descolonizo o meu olhar, mais eu percebo a riqueza e potência de vida vilipendiada por séculos do crime hediondo da escravidão. O local de chegada de pessoas escravizadas, o maior porto do mundo, sempre me faz refletir o que seria o mundo hoje se esse crime não tivesse sido cometido. A minha escolha inicial por esse mote, essa dicotomia entre o mundo dos negros e o mundo dos brancos para falar da vivência com o professor Wole Soyinka parte desse pressuposto.
Dois mundos. Brasil oficial e Brasil oficioso. “A memória é uma ilha de edição”. Para quem não sabe, ilha de edição é o local de trabalho onde o editor de vídeo se isola para fazer o seu trabalho, que consiste basicamente em retalhar, cortar e colar uma sequência de informações a fim de criar uma narrativa. Narrativa nem sempre corresponde à realidade. Narrativa muitas vezes é o que o editor inventa no seu isolamento. Então, uma matéria jornalística é uma invenção? Uma notícia é invenção? Não, uma notícia é um retrato de um acontecimento do dia que tenha relevância para a sociedade. Mas se eu destinar cinco minutos de um telejornal para informar sobre um tiroteio numa área da cidade e trinta segundos do mesmo telejornal para informar que o governo criou um programa de auxílio para estudantes da mesma área, o tempo é que terá peso na importância do fato em si.
O tempo. A passagem do tempo, a duração dos eventos históricos também muda uma narrativa. Condiciona o olhar de quem vê, assim como na matéria jornalística que dá mais peso pra um fato do que outro. Mas o tempo curto, fragmentado, também condiciona, de acordo com o contexto em que é dito. É da memória de outro tempo, da época em que eu cursava mestrado em Antropologia, em que eu estava mergulhada numa branquitude eurocêntrica, a frase de algum autor que usava o termo supracitado pra se referir a dois brasis. Brasil oficial e Brasil oficioso. Usando esse termo numa narrativa dentro do mote que eu escolhi para esse texto, posso adaptar para “o Brasil não conhece o Brasil”.
Wole Soyinka é importante para o Brasil. Isso é um fato. Mas aqui, dentro do paradigma do país que não conhece a si próprio, podemos dizer que não conhece e si próprio porque não conhece África. Tendo a segunda maior população negra do mundo, o Brasil parece agora lentamente olhar para si mesmo com os olhos da história oculta pela violência colonial, que persiste até mesmo no cotidiano mais prosaico. Como um sábado de sol do Rio de Janeiro onde muitos circulam pela Pequena África sem saber a história do solo aonde pisa. A ressignificação desse espaço como uma área de lazer que volta e meia aparece em publicações de lugares bacanas é o tipo de descaracterização típica do esvaziamento que a branquitude impõe a si mesma e aos demais, e de forma violenta, impõe a muitos negros que hoje se sentem desconfortáveis num espaço que deveria ser de acolhimento. Na violência da ignorância de quem curte o espaço, mas que passa incólume por Wole Soyinka sem ter ideia que quem é aquele homem e o que ele faz ali num sábado de sol. O Brasil que não conhece o Brasil tem conexão profunda com África, e o professor é parte disso. Essa é mais uma dicotomia entre os dois brasis. A miséria da branquitude não faz o mínimo esforço de compreender o que significa aquele espaço, bem característico de quem nunca teve sua forma de estar no mundo questionada. E hoje, num momento em que urge um novo entendimento, ou novas formas de entendimento do que é existir e reexistir, essa miséria é o esvaziamento, em prol do que a branquitude tem pra oferecer para o mundo hoje em termos de narrativa: absolutamente nada.
Professor Wole Soyinka foi muito importante na conexão entre Brasil e Nigéria na ocasião do Festac, festival de arte e cultura negra ocorrido em Lagos, Nigéria, em 1977, recebendo e viabilizando a ida de Abdias Nascimento, que era boicotado por aqui. O governo militar tentou impedir a ida do Abdias pra Nigéria pra fazer a denúncia que ele fazia, a farsa da democracia racial, narrativa apaziguadora e sufocante de vozes que não se inseriam dentro do projeto de país que se desenhou desde a abolição: um país de brancos para brancos. O propósito era o apagamento total da população negra na construção do Brasil do século XX, o tal país do futuro, como sempre se falou por aqui. Abdias não era visto e nem lido aqui, em mais uma das inúmeras e sucessivas tentativas de apagamento.
Então vamos retomar o mote das dicotomias desse texto: Brasil oficial e Brasil oficioso, o mundo dos brancos e mundo dos negros, porque afinal a memória é uma ilha de edição. Então partir da memória fragmentada como ponto de partida para uma narrativa é uma invenção. Minha condição de cineasta me coloca nesse lugar de visão das coisas. O cinema trata disso e trabalha a partir desse ponto o tempo todo. Então o que eu pretendo propor aqui seria como um filme escrito, pela impossibilidade de filmar, através desse artigo a partir de uma certa memória inventada a partir de dois brasis.
A partir dessa invenção e partir do dilema da identidade nacional sobre a qual as ciências sociais se debruçam por muito tempo, a gente escolhe qual país a gente quer inventar. A partir do governo Bolsonaro, o agora Ministro dos Diretos Humanos Silvio Almeida disse numa declaração que diante de tudo que estávamos vivendo, não se tratava de ter que reconstruir o Brasil pós- Bolsonaro, mas sim de construir um Brasil que nunca existiu.
O mundo dos brancos e o mundos dos negros. Essa dualidade se dá no próprio cinema nacional. O Cinema Novo era um movimento de cineastas brancos em sua totalidade considerando os expoentes principais do movimento. O maior nome desse movimento era Glauber Rocha que era baiano, mas branco. O cineasta Zózimo Bulbul esteve à parte disso, era como se fosse outra coisa. Então havia o cinema novo e o cinema negro. Era como se o cinema negro não fizesse parte do cinema brasileiro. A imagem de vanguarda artística que se criou num momento de efervescência cultural no mundo era uma imagem embranquecida, como se o negro brasileiro nunca tivesse feito parte, pelo menos no que trato aqui nesse parágrafo, especificamente o cinema. Abdias Nascimento sempre esteve certo. A falácia da democracia racial também impregnou o cinema brasileiro. Eu, como cineasta, me sinto na obrigação de desconstruir essa imagem escolhendo qual Brasil eu quero construir daqui por diante. E na medida em que forma novas imagens de Brasil a ser criado, seguindo Silvio Almeida, vou também desconstruindo o Brasil que jamais deveria ter existido, e desconstruindo a mim mesma, meu olhar embranquecido por motivos óbvios e que me fez reproduzir o racismo sem nunca ter percebido. O racismo no Brasil não é como nos Estados Unidos. Aqui ele é sutil. Eu sempre ouvi isso. Mas num país onde um homem negro entra num supermercado e sai morto espancado por seguranças, falar que o racismo é sutil só pode ter sido uma narrativa criada por brancos.
Voltemos à Pequena África. Andar com professor Wole Soyinka no Cais do Valongo, dentro da minha própria ilha de edição, me remeteu a duas “cenas” que coloco em sequência na timeline do meu filme-texto que não filmarei. Primeira cena: a dor de todos os meus amigos negros de não saberem de onde vieram, de não ter a chance de conhecer seus descendentes e seus ancestrais, como eu tive. Segunda cena: Wole Soyinka dizendo que “não importa de onde saímos, o que importa é onde vamos chegar”. Quase numa tentativa humilde de vontade e ímpeto de reparação histórica, é quase como seu eu condicionasse o leitor desse texto a um final feliz, onde os afrobrasileiros apenas olhassem pra frente, seguissem sua história, tendo fé e confiança na sua força, força dos seus antepassados, força de quem sobreviveu a séculos de genocídio. Mas não é tão simples assim. Nesse momento, por mais que eu me esforce, meu olhar e minha narrativa se torna limitada porque eu não sinto a dor do vazio de não conhecer meu passado. Eu só conheço bem, muito bem, o esvaziamento de sentido da branquitude que transformou pessoas em mercadorias, e que hoje transforma qualquer coisa em mercadoria.
Corta para: eu me olho no espelho. Sinto um desconforto, não sei bem o que é. Falta alguma coisa... mas agora já está evidente o que falta. Falta o que nem eu e nem os meus podem oferecer.
O passado do Wole Soyinka, assim como o passado da Pequena África, são dois mundos dicotômicos. De um negro africano e dos negros da diáspora. Embora haja um oceano entre eles, a conexão acontece pela perspectiva de onde se quer e se pode chegar: o futuro. Esses mundos e o oceano de trânsitos possíveis de narrativas pós-coloniais se unem numa imagem só de um porto rico e feliz, onde quer tiver olhos de ver pode embarcar, afim de rever e saber seu lugar e sua contribuição na História, pra construir o mundo como ele deveria ter sido, desde o início dessa narrativa.
Estamos em novembro de 2025 e estão acontecendo os jogos da eliminatórias europeias para a Copa de 2026. No senso comum, há alguns anos, nos deparamos com visões como "os africanos da seleção francesa" e falas como "Mbappé é um camaronês nascido em Paris". O senso comum muitas vezes carrega estereótipos e preconceitos sobre os mais diversos assuntos. Então nem sempre podemos ter apenas o senso comum como parâmetro. No entanto, ele indica traços que são replicados em outras áreas de outras formas.
Me impressiona como os narradores e comentaristas (pelo menos no Brasil) fazem um esforço para informar o espectador sobre a origem de jogadores negros das seleções europeias. Adeyemi, jogador alemão, filho de mãe alemã e pai nigeriano, nunca passa batido por isso nas transmissões dos jogos da Alemanha. É quase como se fosse uma justificativa do porquê tem um negro representando a Alemanha. Parece que tem que justificar, explicar, como se não fosse natural ele estar ali. Não há esforço para falar das origens do Vini Jr quando o Brasil joga, embora ele tenha feito o teste de DNA, que vem sendo chamado de teste de ancestralidade, e que indicou que ele tem predominância de ascendência camaronesa. Não sabemos sobre ele, mas sobre o Mbappé sim. Pois o Brasil é miscigenado, mas a Europa não. Será?
Arthur de Gobineau foi um diplomata francês que viveu por um período do século XIX no Brasil e que desenvolveu a teoria que o Brasil jamais seria “civilizado”, era culturalmente “atrasado” por causa da miscigenação. É um pilar do já deposto pensamento do racismo científico. E diante disso, o racismo foi se estruturando de muitas outras formas.
Também em novembro de 2025, Brasil e Senegal fizeram um jogo amistoso, já que ambas estão classificadas para a Copa do Mundo. Não houve esforço em falar das origens de nenhum jogador em campo, mas como os jornalistas e narradores simplesmente desconhecem qualquer coisa que venha de África, para falar sobre os jogadores da seleção senegalesa, eles falavam sempre dos clubes europeus onde os senegaleses jogam ou jogaram. Sadio Mané teve uma carreira brilhante no Liverpool, Nicolas Jackson joga no Bayern de Munique, Antonie Mendy joga no Nice. Porque não é o futebol europeu que elevou seu nível técnico contratando africanos. São os africanos que se desenvolveram na Europa.
Ainda prevalece a visão de que África não existe sem Europa. E no caso específico do futebol, que reproduz de forma fidedigna a estrutura colonial e escravocrata ao ponto da naturalização de ter se tornado um grande comércio de gente (compra e venda de jogadores tratados como peças valiosas ou descartáveis), o Brasil também não existe sem Europa. O resultado disso? A seleção brasileira atual de alto nível técnico, mas absolutamente sem carisma, com “peças” praticamente desconhecidas para o povo brasileiro vindas da Europa que podem ser descartadas a qualquer momento.
O Andreas Pereira, hoje jogador do Palmeiras, é belga. Mas como ele é branco, ninguém se preocupa em falar da origem dele.
Seleção da França na Copa do Mundo de 2018
Fonte: desconhecida
Esse texto é sobre comunicação.
O desfile da Acadêmicos de Niterói no dia 15 de fevereiro de 2026 começou às 22h na Marquês de Sapucaí, mas eu perdi o início por ter ficado mais de 1 hora na fila do setor 12. Setores 10 e 12 entravam por um portão só. Uma fila quilométrica, uma confusão generalizada e NINGUÉM pra orientar. Bagunça com cheirinho de boicote no ar porque a maioria ali queria ver a primeira escola. A frase do homenageado em questão "nunca ousem duvidar da classe trabalhadora desse país" foi mini colocada em prática. O próprio povo organizou a fila. Entramos todos.
Eu só soube no dia seguinte, 16 de fevereiro, que a Globo, única detentora dos direitos de transmissão, atrasou o início da transmissão em 20 minutos, e começou com uma nota lida sobre os processos abertos tentando impedir o desfile. Li por alto que abaixaram o som do povo cantando, mas não sei se procede, embora eu não duvide.
Pra quem não viu: a comissão de frente era uma encenação onde a Dilma aparecia com a faixa, o Temer roubava a faixa, grades cercavam o Lula e emergiu então o Bozo, o presidente palhaço. Depois Lula ressurge com a bandeira verde e amarela e sobe a rampa ao lado do povo. O Jornal Hoje mostrou a comissão de frente em 10 segundos dizendo "a comissão de frente mostrou as diversas sucessões presidenciais".
Na dispersão, o samba se encerrou e o povo continuou cantando à capela, e emendou com o grito no vídeo.
Em comunicação:
O silêncio também fala.
A forma mais eficiente de mentir é dizendo a verdade.
Não é necessário verbalizar algo, basta estar subentendido.