A Estrada Viva é uma rede de associações, designada oficialmente por EV – Liga de Associações pela Cidadania Rodoviária, Mobilidade Segura e Sustentável [ saber + ]

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada 2019


O Dia da Memória tem este ano como tema definido internacionalmente "A vida não é uma peça de automóvel" (Life is not a car part).

A campanha nacional e internacional foi criada para a Estrada Viva e para a Federação Europeia de Vítimas da Estrada (FEVR), pela ilustradora Lucy Pepper e por Luís Escudeiro.



Programa da cerimónia nacional

Informamos que devido às previsões climatéricas desfavoráveis para o próximo domingo em Évora, foi necessário efectuar algumas alterações ao Programa da cerimónia que é agora o seguinte:


Cerimónia Nacional do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada 2019

Data: Domingo, 17/11/2019

Évora

9h30 - MISSA NA SÉ EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DA ESTRADA

10h30 - CONCENTRAÇÃO NA PRAÇA DO MUNICÍPIO / PAÇOS DO CONCELHO

11h00 - SESSÃO SOLENE NOS PAÇOS DO CONCELHO - SALA DOS LEÕES

12H00 - CONCENTRAÇÃO NA PRAÇA DO GIRALDO E INÍCIO DA MARCHA LENTA ATÉ AO JARDIM DA MEMÓRIA

12h30 - CHEGADA AO JARDIM DA MEMÓRIA E DEPOSIÇÃO DAS VARAS

13h00 - ENCERRAMENTO DAS CELEBRAÇÕES


Cartazes nacionais

Spot de vídeo da campanha


COMUNICADO

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada em 2019

Por um reconhecimento público da natureza pandémica da sinistralidade rodoviária, e da necessidade colectiva de adesão ao Programa Visão Zero Mortes.


A chaga da sinistralidade rodoviária em Portugal tem causas infra-estruturais profundas que a universalização da motorização, e as respostas políticas e sociais aos seus impactos, não conseguiram contrariar de forma eficaz. Apesar da redução do número de mortos e feridos graves transcorrida em tempos recentes, graças à renovação das vias rodoviárias, da actualização do parque de veículos automóveis e da melhoria da resposta da emergência médica, são notáveis as dificuldades com que os agentes fiscalizadores, os gestores de segurança rodoviária e o aparelho judiciário se confrontam diariamente devido a uma permanente falta de recursos humanos, financeiros e logísticos. Por outro lado, a ineficácia na implementação dos planos nacionais de segurança rodoviária (PISER2002, PNSR2003, ENSR2007, PENSE2020) evidencia, tanto da parte do poder executivo como do Legislador, uma atitude de sistemática desvalorização da relevância social e humanitária desta pandemia, e um aparente desprezo pelo sofrimento de muitos milhares de cidadãos vítimas de desastres rodoviários.


Nos últimos quatro anos, por razões que as autoridades não parecem saber esclarecer, o número de mortos e feridos graves tem vindo a aumentar por relação aos anos anteriores. É clara a preocupação e até mesmo o desespero de quem se confronta, no terreno, com este grave problema - em grande medida, pela ausência de resposta empenhada por parte das entidades governativas.


É uma simplificação desresponsabilizante afirmar que na sua base estão os comportamentos dos utentes, e uma inefável e improvada cultura de incivilidade rodoviária nacional. Feita a avaliação da evolução do fenómeno da sinistralidade rodoviária e determinadas as suas causas várias, cabe ao Estado e especificamente aos detentores de cargos políticos e aos representantes de órgãos da administração pública, criar um quadro sustentável de aplicação de políticas públicas trans-sectoriais que permita alterar o paradigma actual do modelo de mobilidade rodoviária urbana e trans-urbana. Só assim se poderá garantir, de forma inclusiva e empenhada, a salvaguarda da vida, da segurança e da saúde dos cidadãos, tal como se preconiza nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas:


OBJETIVO 3 - SAÚDE DE QUALIDADE

3.6 Até 2020, reduzir para metade, a nível global, o número de mortos e feridos devido a acidentes rodoviários


OBJETIVO 11 - Cidades e comunidades sustentáveis

11.2 Até 2030, proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos, melhorando a segurança rodoviária através da expansão da rede de transportes públicos, com especial atenção para as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos


Por tudo isto, julgamos urgente que os apelos da Organização Mundial de Saúde e do Enviado Especial das Nações Unidas para a Segurança Rodoviária merecem ser ouvidos e atendidos em Portugal: de forma a tornar possível uma mudança do quadro pandémico da sinistralidade rodoviária é imperioso, por parte dos governos centrais e das autarquias, abraçar sem hesitações o Plano Global para a Década de Segurança Rodoviária e o Programa Visão Zero Mortes. Concomitantemente, e tendo em consideração a natureza do regime constitucional português, apelamos à Presidência da República tomar a liderança neste desígnio que é uma responsabilidade que também incumbe. É esta magistratura aquela que se perfila como a mais vocacionada para promover um diálogo nacional e um quadro de entendimento entre os poderes executivo, legislativo e judicial, e entre a administração central e local, assim como representantes da sociedade civil. Só deste diálogo e deste entendimento comum pode resultar um empenhamento efectivo do Estado e da Sociedade portugueses neste grave problema de saúde pública e na sobrecitada mudança de paradigma da mobilidade rodoviária.


Cremos que a celebração do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada em 2019 é um momento-chave para reivindicar condições para a execução de tal plano de promoção de liderança na área da segurança rodoviária em Portugal, de reconhecimento público da natureza pandémica da sinistralidade rodoviária, e de necessidade colectiva de adesão ao Programa Visão Zero Mortes.


A celebração nacional deste Dia Mundial calha este ano no dia 17/11, próximo domingo (3ª domingo do mês), e terá lugar em Évora.


Estrada Viva, 15/11/2019

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Contributo da Estrada Viva para a Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa 2020-2030

Saudamos o lançamento da Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa - ENMA 2020-2030, que contém muitos conceitos que a Estrada Viva, e seus associados, tem vindo a defender ao longo das últimas décadas em Portugal.

O documento introduz uma visão para mobilidade activa, mais próxima à do resto da Europa e mais adequada aos tempos actuais, tendente à necessária redução da dependência da utilização excessiva dos meios motorizados individuais e transferência modal para o transporte público e os modos activos de deslocação.

Ficamos, no entanto, desapontados pelo facto deste processo não ter sido, até ao lançamento deste documento, aberto à participação da Sociedade Civil. Muitas das lacunas que serão apontadas neste contributo teriam sido evitadas, e este documento de lançamento, só agora aberto à participação mais alargada, teria ficado mais rico e completo, se tivesse havido um mecanismo de consulta regular durante a sua elaboração.

Consultar aqui na íntegra o parecer da Estrada Viva


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COMUNICADO

14 Dezembro 2018

#EnquantoMultamAsVitimas


Esta semana a Divisão de Trânsito de Lisboa da Polícia de Segurança Pública comunicou que iria incidir maioritariamente as suas acções de fiscalização sobre os peões. Na semana passada as acções de fiscalização incidiram sobre o uso de capacetes por parte de utilizadores em bicicletas assistidas por motores eléctricos.

A cada 2 horas, uma pessoa é atropelada em Portugal. A cada 4 dias, uma pessoa morre por atropelamento. Portugal tem dos piores indicadores de segurança europeus para peões e utilizadores de bicicleta (1) - Utilizadores Vulneráveis vítimas, practicamente na totalidade, resultado de sinistros com veículos motorizados. Dito de outra forma, Portugal é dos países mais permissivos em relação ao excesso de velocidade e outras regras básicas de condução segura (2). Numa breve contabilização de velocidades numa avenida da cidade de Lisboa, verificou-se que 95% dos carros circulavam acima do limite de velocidade (50 km/h), sendo que metade circulavam acima de 70 km/h (3). Portugal tem das menores percentagens da Europa de crianças a irem a pé ou bicicleta para a escola (4). O risco rodoviário é um dos factores principais para a falta de autonomia das nossas crianças (5). O estacionamento sobre o passeio e passadeiras é regular e atinge proporções dantescas em certos bairros da cidade, colocando peões em perigo. Um quarto dos condutores não dá passagem aos peões nas passadeiras, quase metade dos condutores observados aleatoriamente passou um sinal vermelho e não fez pisca antes de mudar de direcção (6) - infracções graves que objectivamente colocam em perigo Utilizadores Vulneráveis. A falta de fiscalização de comportamentos de risco leva a um enraizado sentimento de impunidade por parte de demasiados condutores de veículos motorizados potencialmente letais com mais de uma tonelada.

Perante estes factos, facilmente observáveis por todos os cidadãos, em vez de controlar e fiscalizar o perigo na sua origem - demasiados condutores de veículos motorizados e poluentes em excesso de velocidade e sem cumprir as regras básicas de segurança - a Divisão de Trânsito de Lisboa da Polícia de Segurança Pública decide punir as potenciais vítimas.

Multar peões e utilizadores de bicicletas significa inverter prioridades, uma má utilização de recursos escassos e por isso mesmo prestar um mau serviço à cidade e ao país. Quanto menos pessoas usarem meios de transporte sustentáveis e seguros, mais perigosas e insalubres serão as nossas cidades. Punir os Utilizadores Vulneráveis revela deriva institucional e falta de perspectiva estratégica em relação aos impactos que a fiscalização e punição desses utilizadores pode ter em termos da degradação da qualidade ambiental e saúde pública das nossas cidades. O país e Lisboa precisam urgentemente da ajuda da PSP, para um serviço público que realmente faça a diferença e contribua para melhorar a segurança e qualidade de vida de todos.

A Estrada Vida convida a todos os cidadãos a exporem os reais perigos que continuam a observar no seu dia-a-dia, enquanto Utilizadores Vulneráveis. Os testemunhos em forma de vídeos curtos, fotos ou meros textos, publicados com #EnquantoMultamAsVitimas serão a forma da sociedade civil afirmar às autoridades que é urgente mudar de paradigma e fiscalizar o perigo na sua origem: demasiados condutores de veículos motorizados em excesso de velocidade e sem cumprir as regras básicas de segurança.

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(1) ANSR(2) ETSC(3) MUBi(4) ACA-M(5) APSI (6) PRP







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Apresentação do inquérito "Mãos ao Ar Lisboa"

O projeto Mãos ao Ar Lisboa! pretende iniciar um retrato anual da mobilidade escolar - mais especificamente saber que modos de transporte os estudantes do 1º, 2º, 3º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário usam diariamente no seu percurso para a escola. Uma parceria Câmara Municipal de Lisboa / Estrada Viva

maosaoarlx.pt