A partir de ideias conversadas entre grupo, alguns esportes se destacaram por motivos diversos. A diversidade e tradicionalismo nos chamaram atenção e estes são alguns dos esportes que são praticados em Frederico Westphalen.
UNIÃO FREDERIQUENSE
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A TRAJETÓRIA DE UM CLUBE QUE ROMPEU FRONTEIRAS
O União Frederiquense de Futebol, clube pioneiro e profissional, foi fundado em 2010 com o objetivo de eliminar rivalidades locais, surgindo como uma alternativa às complexidades de ingressar profissionalmente nos dois principais clubes amadores do município, Ipiranga e Itapagé.
A decisão de criar uma nova via para o futebol profissional uniu pessoas ligadas aos diversos clubes amadores do município, culminando na formação do União Frederiquense. Enquanto o Ipiranga mantém sua tradição como clube social, e o Itapagé concentra-se no futebol amador de veteranos, o União escolheu o Vermelhão da Colina, estádio locado junto ao Itapagé, como seu lar esportivo, com capacidade para 4,5 mil espectadores.
À frente do clube, o professor universitário e presidente, Edison Cantarelli, lidera a atual diretoria. O União foi filiado à Federação Gaúcha de Futebol em setembro de 2010 e competiu na Divisão de Acesso do Gauchão de 2011 a 2014. Em um marco histórico em 04 de junho de 2014, o clube conquistou uma vaga na elite do futebol gaúcho - o Gauchão - onde participou em 2015. No entanto, segundo o site oficial do clube, a sua jornada na primeira divisão foi breve, regredindo à Divisão de Acesso após alcançar a 15ª colocação entre 16 clubes.
Os autores dessa reportagem, que são acadêmicos, originários de outras cidades e estados, que residem no município de Frederico Westphalen, ao observar o ânimo da sociedade local pelo futebol, ressaltam a notável importância que a comunidade frederiquense dá a esse esporte. A celebração efusiva, expressa por meio de carreatas e confraternizações em estabelecimentos locais, revela o quanto o União Frederiquense se tornou um símbolo na cidade.
Considerações: Apesar da relevância do clube na cena esportiva local, nossa equipe de reportagem enfrentou desafios ao buscar informações diretamente com o União Frederiquense. Durante e após um jogo, tentamos contatar jogadores, a imprensa e os organizadores do clube, mas infelizmente não obtivemos sucesso. Todos os membros do clube alegaram direitos autorais, recusando-se a fornecer entrevistas. Mesmo em tentativas posteriores, servidores e jogadores reiteraram a indisponibilidade, alegando conflitos de agenda e, em alguns casos, não responderam às solicitações.
IMPÉRIO FIGHT
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DANIEL MATTER E O LEGADO DO MUAY THAI
A cidade de Frederico Westphalen viu surgir não apenas um entusiasta do muay thai, mas um verdadeiro pioneiro. Daniel Matter, natural de Seberi, 36 anos, trouxe consigo não apenas a paixão pela luta, mas também a determinação de transformar um hobby em um legado duradouro para as artes marciais na região.
O início da jornada de sua jornada, junto com alguns colegas, era simples: treinar para competições. No entanto, à medida que a habilidade deles ganhavam destaque, a comunidade local começava a se interessar, buscando a orientação do grupo para aprender mais sobre o muay thai. Em 2009, Matter deu um passo ousado ao iniciar as primeiras aulas de artes marciais na cidade, marcando assim, o início de uma acadêmia de artes marciais no município.
“O muay thai, especificamente, fui eu que comecei. A gente começou por pura vontade de competir. A ideia não era nem abrir uma academia, a gente queria competir, ter um espaço para treinar. A partir disso, o pessoal começou a pedir por aulas e a coisa foi acontecendo naturalmente.”, comenta o instrutor.
Além de suas habilidades físicas, Daniel desenvolveu uma abordagem única para o muay thai. Estudante de Filosofia, ele incorporou os ensinamentos do filósofo, físico e matemático francês, René Descartes, em suas técnicas, explorando a interconexão entre a mente e o corpo.
“Eu estudava muito Descartes, que é um autor que estuda a relação entre a mente e o corpo, né? E aí, eu pensando nessa ideia, de relacionar a questão mental com a questão física, eu pensei na arte marcial. E foi aí que eu vi que dava muito certo, você conhecer a mente através do corpo e vice versa.”, ele enfatiza.
A trajetória do lutador não se limitou aos ringues locais. Ele participou de competições regionais, estaduais e nacionais, chegando a se destacar ao representar o Brasil no Campeonato Mundial de Muay Thai na Tailândia, em 2016. Depois de quase ter conquistado a vitória, Daniel retornou à Frederico, fazendo uma breve pausa nos campeonatos para concluir um mestrado. Finalizado os estudos, Matter diversificou suas habilidades ao retornar aos treinamentos e às competições, mas desta vez, no boxe. Chegou a participar de diversas lutas em quadra, mas logo parou.
No decorrer da entrevista, o professor comenta sobre o preconceito que a sociedade brasileira impõe sobre os lutadores. Enfrentar estigmas e desafios é uma realidade que Matter conhece bem. Ele destaca as percepções negativas associadas às artes marciais no Brasil e a necessidade de desmistificar essa visão.
“A arte marcial, pelo menos no nosso país, ela começa de um jeito meio ruim, porque ela começa meio no sentido de vandalismo. A sociedade no geral tem uma imagem ruim da luta. Porque a pessoa acha que vai entrar em uma academia e já vai sair brigando com todo mundo ou coisa do tipo. E não é assim que funciona. Pelo menos não na minha academia. Se tu vai trabalhar ataque e defesa, você vai trabalhar postura e vai respeitar os colegas. É tudo uma educação, sabe? Mas é aquela questão, é aquela imagem que fica do cara brigão, do cara que puxa briga. Infelizmente essa imagem feia do artista marcial em muitos casos é real”, diz Daniel.
A busca por reconhecimento e apoio expande-se até o âmbito do Poder Executivo municipal. Quando perguntado sobre o respaldo da prefeitura, Matter expressa sua preocupação diante da escassez de incentivo financeiro.
“É baixíssimo, para não dizer zero. Parece que tudo gira em torno do futebol, né? A gente recebe mais o incentivo da galera que está em torno da academia mesmo, como amigos e conhecidos. Aí, nesses casos, tu tem um apoio. Por exemplo, o empresário que treina com nós, ele nos ajuda, porque nos conhece e entende que esse é um esporte é um esporte bonito e limpo. Mas no geral é bem pouco. É bem difícil.”, enfatiza.
Abordado sobre a visibilidade que é dada pela comunidade frederiquense às artes marciais, Daniel observa que a comunidade direciona a sua atenção de maneira predominantemente ao futebol. Ele expressa a prevalência desse interesse, dizendo: “Parece que tudo aqui gira em torno do futebol, né? E o pessoal curte, tudo bem, eu também gosto de futebol. Eu gosto do esporte em geral. Mas sim, o pessoal foca muito no futebol. Tem vôlei, tem tantas outras coisas que são legais também, sabe? Parece que fica tudo de um lado só. É uma pena, porque aqui tem excelentes atletas. Estamos meio distantes de tudo, mas a gente sempre está presente.”
O cenário internacional trouxe ainda mais desafios financeiros. Matter também revela a falta de apoio da prefeitura quando representou o Brasil no campeonato mundial na Tailândia. “Eu fui para a Tailândia, a prefeitura não me ajudou em absolutamente nada e foi tudo dinheiro próprio, tudo com ajuda de amigos e família e tudo mais. Porque é custo, né? Fiquei 40 dias lá treinando e participando do torneio”, salienta.
Uma voz importante nessa jornada é Betina, aluna de Daniel. Ela destaca a falta de apoio financeiro do Executivo Municipal. “Eu não vejo muito incentivo assim, da prefeitura”, comenta. Mas encontra encorajamento nas mensagens recebidas nas redes sociais. Natural de Seberi, começou a treinar com 14 anos, e hoje se tornou a primeira lutadora de muay thai na região. Uma inspiração para outras jovens.
“Na luta que eu fiz, eu já tinha recebido muita mensagem de outros professores também, falando que muitas gurias viram a minha luta e meio que se tornaram as minhas fãs. Eu inspirei elas de certa forma, né? Daí eu fiquei bem feliz com isso, enfim. Tem bastante gente que me manda mensagem. Eu não conheço pessoalmente, mas me amam no Instagram, sabe? Sempre me incentivando e falando que estão torcendo por mim, isso é bem legal”, comenta a jovem.
Quando questionada sobre a possibilidade de ter enfrentado algum tipo de preconceito por ser mulher praticante de uma arte marcial em uma região interiorana do Rio Grande do Sul, Betina compartilha que, até o momento, não vivenciou situações de discriminação explícita. No entanto, ela reconhece a existência de preconceitos implícitos por parte da sociedade.
“Nunca cheguei a sofrer nenhum tipo de preconceito nem nada. Mas assim, eu acho que, principalmente sendo mulher, é um esporte que é muito visto como o esporte de homem, né? Tem muito esse negócio de que luta de mulher não é tão interessante, não é tão legal. Eu nunca sofri isso, mas acho que uma coisa é certa, existe sim esse preconceito, justamente por ser um esporte mais praticado por homens. Eu acho que o esporte é para todo mundo, sabe? Sem distinção de sexo.”, pondera Betina.
Em busca de mudanças, Matter enfatiza a necessidade de um diálogo mais efetivo com a administração municipal para garantir o reconhecimento e o apoio adequados às artes marciais na região. “Porque parece que a gente nem existe, né? Se tu não correr atrás, parece que tu tem que ficar mendigando, daí não dá, não tem como.”, disse o professor.
Apesar dos obstáculos, a academia de Matter, a Império Fight, hoje conta com cerca de 50 alunos, que já participaram de mais de 80 campeonatos com aproximadamente 60 vitórias.
CAPOEIRA
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CAPOEIRA EM AÇÃO: A JORNADA DE ADILSON BIALIN EM SEU PROJETO SOCIAL
Nascido em Erval Seco, o professor Adilson Bialin de Lima, de 42 anos, formado em Educação Física, tem se destacado há mais de 13 anos no universo da capoeira. Seu amor pelo esporte e compromisso social o levaram a desenvolver projetos em escolas públicas na região, incluindo a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE ) de Erval Seco e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Palmitinho.
"Desde criança eu gostava de assistir a capoeira, mas naquela época não tinha a oportunidade de fazer as aulas", conta o professor. "Com 16 anos me mudei para Frederico, e foi só aos 28 anos, durante a faculdade, que comecei a praticar o esporte.", explica.
Atualmente, Adilson ministra aulas no Promenor de Frederico Westphalen desde 2017. Sobre o apoio da prefeitura, ele destaca a importância do Poder Executivo para a concretização de seus projetos. "Claro que há incentivos da prefeitura. Se não tivesse, não teria hoje as oficinas, né? Então a gente já tem um trabalho aqui em Frederico desde 2017.", enfatiza Bialin.
O foco principal do trabalho de Adilson é voltado para crianças carentes de comunidades do interior. O projeto de capoeira, idealizado pelo professor em 2016, inicialmente era solo, mas, após três anos, em 2019, ganhou novas oficinas em parceria com a AABB Comunidade. "Eu levei um projeto para a prefeitura em 2016, um projeto solo somente com a capoeira, que eu iniciei em 2017. Depois, em 2019, houve outras oficinas diferentes em parceria com a AABB Comunidade. Então, vem outros parceiros, e esse projeto se estendeu. Mas sempre a prefeitura dando esse suporte", diz.
Sobre a possibilidade de maior apoio da administração municipal, Adilson defende o poder público, enfatizando a colaboração existente. "Hoje a prefeitura tem colaborado bastante, se não, não funciona. Esse projeto já tem se estendido há alguns anos." comenta.
Quando questionado sobre a valorização da capoeira, o professor destaca a triste realidade de que o esporte é mais reconhecido fora do Brasil. “A capoeira é uma arte. É uma cultura nossa e nós temos que levar ela para frente. Quando a gente vê os nossos mestres falando que a capoeira é mais valorizada fora do Brasil do que no Brasil, eles não estão mentindo, porque eles têm uma vivência de 40 a 50 anos dentro da capoeira. Quando o nosso mestre Carcará viajou para mais de 15 países levando a capoeira, ele conta que sempre foi mais valorizado lá fora do que aqui.”, argumenta.
Para proporcionar experiências diferentes aos seus alunos, Adilson organiza viagens para competições em outros municípios, buscando também apoio de empresas privadas locais para custear os custos dessas atividades. Atualmente, o projeto de capoeira conta com cerca de 40 crianças, com idades entre 6 e 11 anos, sendo a participação majoritária de meninos. As atividades ocorrem à tarde, após o período escolar, com o transporte fornecido pela prefeitura.
Em relação à responsabilidade do projeto, Adilson destaca que Frederico e região contam com a supervisão do mestre Lucimauro, enquanto ele coordena os projetos. Todas as atividades têm a supervisão do mestre Paulo Narciso, também conhecido como mestre Carcará, de Lajeado.
PATINAÇÃO
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A MAGIA DOS DESAFIOS E DAS CONQUISTAS DE UM CLUBE EM ASCENSÃO
No mundo da patinação artística, onde a graça e a força se encontram sobre rodas, Patrick, um jovem professor de 29 anos, emerge como um protagonista fundamental. Com uma jornada iniciada aos 7 anos, ele compartilhou conosco sua trajetória desde atleta a instrutor e diretor do Clube Magia de Patinação de Frederico.
Com duas graduações, uma em arquitetura e outra em Educação Física, Patrick destaca o momento decisivo em que sua paixão pela patinação se consolidou durante a faculdade. A opção de dedicar-se integralmente à patinação veio após uma pausa nos treinos, revelando seu desejo de se especializar e tornar-se um técnico de patinação.
Assumindo a liderança do Clube Magia em 2019, Patrick compartilhou como o convite para liderar o clube surgiu após uma troca de professores em 2018. Ele relembra: “O magia tem uma história de 11 anos sem mim e eu assumi depois de 2019. O presidente do clube entrou em contato comigo porque estavam trocando de professor em 2018. Foi uma antiga técnica, minha professora, que não podia ficar trabalhando nos outros anos. E aí ela me sugeriu que eu viesse trabalhar. Foi uma indicação.”, comenta.
Além de Frederico, Patrick também atua em Santa Catarina, onde coordena dois clubes de patinação. Ele destaca a diferença no apoio entre os estados, ressaltando a participação mais ativa da prefeitura catarinense em projetos sociais de patinação. Em contrapartida, o Clube Magia em Frederico, de acordo com Patrick, assume uma abordagem mais elitizada, uma vez que o poder público não interfere, tornando a prática da patinação acessível apenas a quem pode pagar.
“Em Santa Catarina tem os clubes de patinação, que se envolvem mais com a prefeitura. Por exemplo, a prefeitura tem grupos de patinação e aqui em Frederico é um clube particular. Quando a escola é privada ela se torna elitizada, não tem como a gente dizer que não. Aqui em Frederico, eu vejo que por ser um investimento próprio dos pais a gente acaba tendo um resultado maior nas competições.”, disse o professor.
Quanto ao apoio da prefeitura de Frederico, Patrick destaca a assistência em eventos municipais, competições e no aluguel do ginásio Itapagé, embora os custos ainda recaiam em grande parte sobre os atletas e seus pais. “Nós temos um certo apoio da prefeitura. Por exemplo, a programação do nosso tradicional show está dentro do evento Frederico em Luz. A prefeitura ajuda com alguma coisa de transporte quando a gente vai nas competições, ou ajuda no aluguel do ginásio do itapagé quando precisamos nos apresentar, que é um valor bem alto, já que em Frederico não tem um ginásio municipal, que chega a ser uma coisa estranha né. Então a gente tem um certo apoio da prefeitura, mas os gastos dos atletas são deles, e o patrocínio é dos Pais.”, enfatiza Patrick.
Com uma equipe de mais de 100 atletas, cujas idades variam de 4 a 70 anos, Patrick avalia positivamente a aceitação da comunidade frederiquense em relação à patinação. Ele destaca o sucesso do tradicional show do clube, que atraiu mais de dois mil espectadores para o Ginásio Itapajé, destacando a receptividade da sociedade local. “A gente observa que a sociedade de Frederico é bem positiva com o nosso show. Inclusive, nós lotamos o Ginásio Itapajé . O público espera ansioso pelas nossas apresentações. Só pelo fato da gente ter mais de 100 atletas, já é um um motivo pra gente entender que a patinação é bem aceita na cidade”, ressalta o professor.
Patrick revela a esperança e os desafios enfrentados por um atleta prodígio do Clube Magia, natural de Taquaruçu do Sul. Apesar de conquistar o título no campeonato Mercosul, que deu passagem para que no próximo ano, o aluno entre para a classe internacional, tendo a chance, se for bem nas competições, de compor a seleção brasileira em outro país, a falta de reconhecimento olímpico para a patinação artística é uma barreira a mais para conseguir um apoio significativo do poder público.
“A prefeitura não dá nenhum incentivo, eu acredito que se ele for representar o Brasil, vamos ter que pedir ajuda da sociedade. Ele vai ter essa chance porque a patinação artística ainda não foi considerada um esporte olímpico. Ela está na briga há anos, mas ainda não foi considerada. Então nós temos um mundial de patinação artística Sobre Rodas e temos o campeonato sul-americano do Campeonato Brasileiro. Todos esses têm o Panamericano, mas ainda não é um esporte olímpico, então Olimpíadas ainda não não podemos dizer que temos na patinação artística.”, argumenta o técnico.
Patrick também aborda o preconceito enfrentado pelos atletas masculinos na patinação, uma prática que, em sua maioria, é dominada por mulheres. Ele destaca as vantagens naturais dos homens devido à força física e à testosterona mais alta, enquanto lamenta a persistência do preconceito.
“É predominante mulheres que praticam esporte. Eu ainda estou tentando entender o porquê disso. Os meninos acabam ganhando vantagem tanto por conta da força. É a testosterona. Então é natural, o menino tem o hormônio da força, e a patinação é um esporte de força. Até as notas acabam sendo mais altas para os meninos. Em muitos casos, os meninos acabam se destacando, mas existe sim um preconceito. Eu tenho agora esse atleta que vai entrar para o internacional que está no meio de muitas meninas, sabe. Eu acho o preconceito uma besteira, é uma coisa que não deveria acontecer, chega a ser um pecado.”, enfatiza.
Como ex-campeão brasileiro, Patrick destaca a disciplina exigida pela patinação. O professor comenta que na sua época, participou de vários campeonatos estaduais sem o apoio das federações, como por exemplo a Federação Gaúcha de Patinagem e a Federação Catarinense de Patinação Artística. “Hoje tem esses órgãos que acabam ajudando e dando um suporte maior organizando mais campeonatos do que naquela época”, disse.
Aos 15 anos, Amanda Pivete da Silva, aluna do Clube Magia de Patinação, traz consigo uma história que remonta aos seus 5 anos de idade. Inicialmente envolvida com o balé, sua verdadeira paixão pela patinação despertou ao testemunhar um show organizado pelo grupo. Desde então, sua rotina ganhou um ritmo duplo: manhãs dedicadas à escola e tardes de treinos no clube.
Com um sorriso no rosto, Amanda compartilha que essa jornada vai além dos giros e saltos sobre rodas, carregando consigo valiosos aprendizados e princípios que moldaram sua vida. "Eu fiz muitos amigos patinando. Aprendi a trabalhar em grupo e a ter paciência. Não é de uma hora para outra que vai sair um salto, tem que esperar e tem que ter cabeça para fazer esse tipo de coisa. É um esporte que exige muito do corpo, mas também exige a mente", destaca ela.
Após uma animada conversa, Amanda conclui, de maneira enfática, que os patins são mais do que um acessório para ela — são a própria essência de sua vida. "Eu quero ser profissional. O patins é a minha vida, a minha paixão. Se tirar os patins, não sou eu; parece que a gente já nasceu em cima das rodas.", comenta. Uma declaração que revela não apenas uma aspiração, mas uma identidade enraizada pela prática da patinação.
VÔLEI
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O VÔLEI ALÉM DAS QUADRAS: A TRAJETÓRIA DOS ATLETAS DA AABB
Próximo ao centro da cidade, o treinador de vôlei, Eduardo Cerutti, 45 anos, carrega consigo uma história intrínseca ao esporte. Graduado em Educação Física, Cerutti começou a ministrar aulas de vôlei em 1992, na escola Maciel Pedroso. Porém, o desinteresse da comunidade levou-o a deixar a instituição. Em 2018, identificando um ressurgimento do interesse pelo vôlei, ele enxergou uma nova oportunidade.
Junto à professora Niely e sua ex-esposa, Cerutti fundou uma escola de vôlei no bairro Itapagé. As aulas prosperaram até a chegada da pandemia, momento em que a escola perdeu parte de seu ímpeto. O apoio do ex-presidente, Chester Franciscato, foi importante, mas mudanças na gestão da escola resultaram na perda do espaço.
“Na época a escola tinha bastante alunos, até chegar à pandemia. Aí deu uma parada no vôlei. O Chester Franciscato, foi um presente na época e ele deu um apoio muito grande. Depois de um tempo a gente acabou parando e a escola teve um novo presidente com outros objetivos. Ele focou mais no futsal e a gente acabou perdendo o espaço que nós tínhamos.”, comenta o treinador.
Em 2021, Cerutti, em busca de novos horizontes, conversou com o presidente da AABB, Maurício, que prontamente aceitou a proposta de ministrar aulas de vôlei na associação. Desde então, a AABB tem se destacado no cenário local, contando atualmente com 60 alunos. “Começamos pequeno e fomos aumentando e até agora tudo tem dado certo, tem sido um projeto bem legal.”, diz o professor.
Cerutti ressalta a evolução alcançada com o apoio de empresas e da prefeitura, embora destaque a necessidade de mais suporte.“ Desde o início tem uma evolução muito boa, conseguindo apoio de várias empresas e instituições aqui de Frederico. Mas claro, ainda não é o que a gente gostaria.”, enfatiza. A prática do vôlei na AABB é aberta ao público, mas associados desfrutam de descontos exclusivos.
“O vôlei é aberto ao público, mas só quem é sócio tem um desconto. Então vale a pena associar para participar dos treinos e de outras atividades. Tem eventos e torneios que a AABB faz em outros municípios, e nisso você conhece outras cidades. Caso o aluno vá passando em classificatórias, ele pode ter a chance de jogar o Sul Brasileiro. Na premiação a gente vai ganhando troféus e medalhas, mas é tudo pago.”, fala Cerutti.
Um de seus alunos, Bernardo Henrique Szydloski, de 26 anos, compartilha sua experiência desde os primeiros passos no futebol até a dedicação ao vôlei. Com 5 anos de idade já praticava o futebol, mas foi em 2011, nas competições escolares que tinham em sua escola que ele começou a se interessar pelo voleibol. Szydloski conta que certa vez, seus amigos o convidaram para participar da antiga escola que o professor Cerutti dava aula. Bernardo começou a participar dos treinos e foi conciliando os dois esportes, até um determinado momento em que começou a reparar que gostava mais do vôlei do que do futebol. Então foi quando tomou a decisão de largar do futebol, e se associar à AABB. “E desde então, já fazem 12 anos que eu participo dos treinos e das competições”, comenta.
Bernardo comenta que a AABB sempre apoiou os seus atletas. No ano anterior, em 2022, eles tiveram a ideia de formar uma equipe do município junto a AABB, dando o nome de “FVP”, com o intuito de mostrar para a comunidade que os jogadores de voleibol não representam só o clube mas também todo o município em suas competições de nível estadual. Hoje, o grupo FVP conta com 8 atletas ativos. “É um projeto a nível municipal, então a gente busca trazer outras pessoas que não fazem parte do clube para conhecer o esporte. Hoje a gente tem cerca de oito atletas, mas a ideia é poder expandir ainda mais”, enfatiza.
Ele destaca a importância do projeto municipal e a busca por expandir a participação. Mas a dificuldade financeira, no entanto, é um obstáculo para ampliar as atividades.“ A principal dificuldade ainda é a questão financeira conseguirmos implementar mais aulas e comprar mais material, e isso nos impede um pouco de expandir. Para conseguirmos alguma verba pública ou de outros, precisamos apresentar um projeto, e daí depois eles fazem toda aquela parte de licitação que demora, e acaba que não tem muito recurso disponível para o vôlei”, relata.
Ruan Modesti, 22 anos, outro atleta, que também começou a prática do esporte desde criança com o futsal, conta que o pai foi um dos seus maiores incentivadores. Modesti chegou a acompanhar o pai, que também era jogador, em algumas competições de vôlei, e foi aí que a paixão pelo esporte despertou. “Eu lembro que quando era criança, devia ter quatro ou cinco anos, eu ia nos campeonatos com meu pai, ele também era jogador. Me lembro de pegar balsa, ônibus, estrada de chão, eu ir junto com ele porque eu gostava de ver ele jogando”, enfatiza.
Depois de um tempo, Modesti e o pai acabaram se afastando por 10 anos. Ruan já tinha 15 anos quando o pai retornou à cidade, e foi nesse período que o pai começou a incentivá-lo cada vez mais para jogar vôlei. “Ele acabou me incentivando bastante a participar dos treinos, porque ele queria ver o filho dele jogando como ele jogava.”, disse.
Aos 16, ele conhece o vôlei de areia na AABB e começa a praticar. “Depois foi surgindo o vôlei de areia, isso devia ter uns 16 ou 17 anos. Eu comecei tarde ainda. Mas agora, estamos participando bastante campeonatos, esse ano eu acho que já foram uns 25. Eu quero continuar, quero jogar bastante ainda, pela FVP que é ligada aqui com a AABB, e sempre que precisamos de algo, podemos conversar com o Maurício que é o nosso presidente. Ele está sempre muito disposto a nos ajudar”, comenta.
Hoje como jogador e integrante da FVP, Ruan diz que no momento, o grupo está participando das etapas da Liga Gaúcha e do circuito Oeste, onde os campeonatos são realizados nas cidades de São Carlos, Chapecó e Cunha Porã, enfatizando que as maiores dificuldades do grupo é a questão financeira, por mais que tenha conseguido uma ajuda de custo da Secretaria de Esportes.
“A gente acaba gastando bastante com o hotel, a alimentação e as inscrições para as competições que também são pagas. Esse ano eu consegui uma ajuda de custo da Secretaria de Esportes que vai me ajudar a participar dos próximos jogos.”, comenta.
Modesti fala que além dessas competições, o grupo também está se preparando para disputar uma etapa do campeonato Mundialito. Um campeonato profissional com competidores de outros países como Paraguai, Argentina, Uruguai e Espanha
Os desafios também são compartilhados por Taison Jesus Ponte da Silva, 19 anos, que ingressou na escolinha do professor Duda e foi convidado a integrar a equipe da AABB. Silva ressalta as oportunidades proporcionadas pela participação em competições estaduais e a sua preferência pelo vôlei de areia. “Com novas oportunidades, me chamaram para participar na AABB pela questão de campeonatos a nível Estadual”, disse. No último jogo em que disputou no Oeste de Santa Catarina, Taison comentou que conseguiu o terceiro lugar na premiação.
Ao final da entrevista, os atletas brincam sobre as nuances do vôlei de praia em quadra, evidenciando a paixão e os desafios que permeiam os treinos realizados tanto pela manhã quanto à tarde, das 14h às 16h.
SKATE
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DESBRAVANDO O ASFALTO: OS SKATISTAS DE FREDERICO E OS DESAFIOS A SEREM COMPREENDIDOS
Andando pelas ruas de Frederico, encontramos uma skatista de 16 anos, que optou por manter sua identidade em anonimato. Ao aceitar dar uma pequena entrevista, a jovem revelou os desafios enfrentados pelos praticantes de skate na região. Uma menina que conheceu no skate mais do que um esporte, mas um verdadeiro hobby, acidentalmente, compartilhou a sua experiência conosco.
"Todo domingo é sagrado para mim, estou na praça da matriz praticando skate. É meu momento de liberdade, de conexão comigo mesma", comenta. O skate não é apenas uma atividade física para ela; é uma forma de expressão, um modo de desbravar o cotidiano e superar desafios.
No entanto, a vida de quem anda de skate não é isenta de preconceitos. A skatista lamenta que, na cidade, os praticantes sejam frequentemente estigmatizados como "malandros". Essa visão preconcebida, segundo ela, não reflete a realidade da comunidade de skatistas locais.
"É frustrante sentir que somos vistos de maneira negativa simplesmente por andarmos de skate. Não somos 'malandros'; somos apaixonados por esse esporte. Sinto que a prefeitura não nos reconhece, não enxerga o valor que o skate pode ter para a juventude aqui”, desabafa.
A entrevista durou cerca de 15 minutos. Logo após essas palavras, a jovem se desculpou por ter que se retirar porque havia compromissos familiares. Mas o pouco que ela disse, foi possível compreender o (des)incentivo proporcionado pelo poder público de Frederico quando nos referimos ao skate.
Curiosidade
Segundo a Confederação Brasileira de Skateboarding, O skate surgiu nos Estados Unidos, em processo ao longo da primeira metade do século 20. Acredita-se que a modalidade possa ter derivado dos rollers scooters, espécie de patinete fabricado a partir de 1900.
Recentemente, também se descobriu que, em 1918, um então garoto norte-americano chamado de John Doc Heath Ball já havia desmontado eixos e rodas de patins e fixado em uma madeira. No entanto, ele não andava de pé, mas com um joelho apoiado na madeira e outro pé dando impulso.
No final dos anos 50, quando não havia ondas no litoral da Califórnia, surfistas tentavam imitar as manobras que faziam na água usando rodas e eixos fixados em pranchas de madeira.
Em um cenário onde o futebol reina, é crucial questionar: o que realmente é considerado esporte em Frederico? E, mais ainda, quem recebe os tão necessários incentivos? As entrevistas realizadas revelam um fato: a cidade parece enxergar predominantemente o futebol como a prática esportiva de apoio financeiro e social.
O secretário de esportes alega investimento, mas a ausência de uma quadra poliesportiva pública é um reflexo inegável das prioridades. A falta de acesso gratuito a instalações esportivas exclui uma parcela significativa da população, especialmente aqueles do outro lado da BR, os esquecidos pela falta de um transporte municipal abrangente.
A jovem skatista oferece uma perspectiva valiosa: por que alguns esportes são invisibilizados? O que define o esporte em Frederico? O preconceito é a causa ou há algo mais profundo? Essas perguntas não têm respostas fáceis, mas evidenciam a necessidade de uma mudança de mentalidade no município.
A conclusão é clara: o futebol reina, deixando esportes como o patins em segundo plano, e os outros esportes já citados anteriormente nesta reportagem, ainda mais abaixo. Essa disparidade não só perpetua a elitização do esporte na cidade, mas também exclui aqueles que não têm recursos financeiros para participar.
O esporte desempenha um papel fundamental na vida de um ser humano, indo além de competições e medalhas. Ele é um catalisador para a inclusão social, promovendo saúde física e mental, construindo habilidades de trabalho em equipe e ensinando valores essenciais. Negar esse acesso a certos grupos é negar-lhes não apenas oportunidades esportivas, mas também desenvolvimento pessoal e social.
O poder público, ao investir em esportes além do futebol, não só ampliaria o leque de opções para os cidadãos, mas também trabalharia ativamente para combater a segregação e a exclusão social. O incentivo sustentável ao esporte é uma ferramenta poderosa para criar comunidades mais saudáveis, unidas e resilientes.
Portanto, é imperativo que a sociedade frederiquense e suas lideranças repensem o que significa verdadeiramente apoiar o esporte. Inclusão vai além de proporcionar oportunidades financeiras; é sobre criar um ambiente onde todos, independentemente de classe social, possam participar ativamente e colher os inúmeros benefícios que o esporte oferece.