O Estilo Yang de Tai Chi Chuan (Yangshi Taijiquan – 楊式太極拳) é atualmente uma das escolas de Taijiquan mais difundidas em todo o mundo. Caracteriza-se pelos seus movimentos amplos, contínuos e harmoniosos, executados de forma suave e fluida, mantendo uma estrutura corporal estável e uma clara alternância entre vazio e cheio, abertura e fechamento, avanço e recuo.
A origem do estilo está ligada a Yang Luchan (楊露禪, 1799–1872), que estudou a arte da família Chen em Chenjiagou e posteriormente desenvolveu e transmitiu uma abordagem própria. O sistema foi sendo transformado pelas gerações seguintes da família Yang, destacando-se Yang Jianhou (楊健侯, 1839–1917) e, sobretudo, Yang Chengfu (楊澄甫, 1883–1936), cuja forma de execução teve uma influência decisiva no desenvolvimento do Estilo Yang contemporâneo.
Na prática do Estilo Yang procura-se desenvolver uma postura natural e equilibrada, movimentos circulares e contínuos e uma utilização progressivamente mais eficiente do corpo.
A execução das formas é geralmente lenta e uniforme, permitindo ao praticante trabalhar princípios fundamentais do Taijiquan como Song (鬆) — relaxamento ativo sem perda de estrutura —, estabilidade, enraizamento, coordenação global do corpo, consciência do eixo, transferência do peso e continuidade do movimento.
Apesar da aparência suave da sua prática, o Yang Taijiquan conserva a sua natureza de arte marcial interna chinesa. Os movimentos das formas possuem aplicações marciais e os princípios desenvolvidos individualmente podem posteriormente ser aprofundados através de exercícios a dois, nomeadamente o Tui Shou (推手 – Mãos que Empurram).
Uma das principais referências do sistema é a longa sequência tradicional associada à transmissão de Yang Chengfu, frequentemente apresentada com diferentes contagens de movimentos consoante a escola ou linhagem.
Mais importante do que o número atribuído à sequência é a preservação dos princípios que estruturam a prática: continuidade, circularidade, coordenação de todo o corpo, diferenciação entre vazio e cheio, enraizamento, relaxamento ativo e integração entre intenção e movimento.
Além das formas de mãos livres, diferentes linhagens do Estilo Yang preservam igualmente práticas com armas tradicionais, particularmente a espada (Jian) e o sabre (Dao).
No currículo da Escola de Tai Chi Chuan de Viseu integra-se a Forma Tradicional de Yang Taijiquan de 112 movimentos, transmitida no âmbito da YMAA – Yang's Martial Arts Association, fundada pelo Dr. Yang Jwing-Ming (楊俊敏).
Esta sequência representa uma vertente tradicional do Estilo Yang na transmissão da YMAA e constitui uma das formas longas através das quais se aprofundam os princípios estruturais, energéticos e marciais do Taijiquan.
A sua extensão permite desenvolver progressivamente qualidades que dificilmente podem ser exploradas com a mesma profundidade numa sequência curta: continuidade prolongada do movimento, estabilidade, resistência postural, coordenação, concentração, respiração, enraizamento e circulação da intenção ao longo de toda a forma.
Na abordagem da YMAA, o estudo da forma não se limita à memorização de uma sequência coreográfica. Os movimentos são estudados também na sua relação com os princípios marciais e aplicações, permitindo compreender a função das diferentes posturas, transições e métodos de emissão e neutralização de força.
A Forma de 112 movimentos da YMAA ocupa, por isso, um lugar importante no nosso currículo de Estilo Yang, proporcionando ao praticante um percurso de aprofundamento do Taijiquan tradicional para além das formas modernas e simplificadas.
Durante o século XX, sobretudo a partir da década de 1950, foram desenvolvidas na China várias formas padronizadas de Taijiquan, destinadas a facilitar o ensino, a divulgação e a prática desta arte junto de um público mais vasto.
Embora frequentemente chamadas de “formas de Pequim”, estas sequências não constituem propriamente uma nova linhagem familiar de Estilo Yang. São formas modernas normalizadas, elaboradas por especialistas chineses a partir dos princípios e movimentos das escolas tradicionais, tendo o Estilo Yang uma influência particularmente importante nas primeiras sequências.
A Forma Simplificada de 24 movimentos (二十四式简化太极拳) foi criada em 1956 por uma comissão de especialistas chineses.
Baseada essencialmente no Estilo Yang, seleciona e reorganiza alguns dos seus movimentos mais representativos numa sequência mais curta e acessível.
É provavelmente uma das formas de Taijiquan mais praticadas em todo o mundo e constitui uma excelente introdução aos princípios fundamentais desta arte.
A Forma de Espada de 32 movimentos (三十二式太极剑) foi criada como uma sequência padronizada de Taiji Jian.
Permite introduzir o praticante no trabalho da espada chinesa, desenvolvendo coordenação, precisão, continuidade, mobilidade e integração entre o movimento corporal e a arma.
A Forma de 42 movimentos (四十二式太极拳) foi desenvolvida no final da década de 1980 para a prática e competição do Taijiquan moderno.
Combina técnicas provenientes dos principais estilos — Chen, Yang, Wu e Sun — dentro de uma sequência padronizada.
É tecnicamente mais exigente e inclui diferentes qualidades de movimento, mudanças de ritmo e posturas características das várias escolas tradicionais.
Existe igualmente uma Forma de Espada de 42 movimentos, criada no âmbito do Taijiquan moderno de competição.
Na nossa prática procuramos distinguir, mas também compreender, estas duas vertentes.
O Estilo Yang tradicional, representado no nosso currículo pela Forma de 112 movimentos da YMAA, oferece um caminho para o estudo aprofundado dos princípios do Taijiquan, preservando a relação entre forma, estrutura corporal, trabalho interno e aplicação marcial.
As formas modernas de Pequim, por sua vez, constituem uma importante etapa da história contemporânea do Taijiquan e oferecem sequências progressivas e acessíveis que permitiram a milhões de pessoas conhecer e praticar esta arte.
Da Forma de 24 movimentos, adequada à iniciação, à Forma Tradicional de 112 movimentos, destinada a um estudo progressivamente mais profundo, estas diferentes sequências permitem construir um percurso de aprendizagem que articula tradição e modernidade, mantendo como referência os princípios fundamentais do Tai Chi Chuan.