1. AS FACES DA DIÁSPORA: África e Brasil entre escravidão e liberdade, séculos XVIII-XIX
Proponentes
Profa. Dra. Valéria Costa (UFPE)
Prof. Dr. Luiz Domingos do Nascimento Neto (IFAL)
Justificativa
Entendemos que não é mais possível que pesquisadores que se dedicam ao estudo das experiências negras no Brasil, ainda se mantenham afastados de um debate que envolve a própria historicidade do continente africano. O entendimento das conexões históricas amalgamadas nos fluxos e refluxos da diáspora negra, nos oferecem repertórios diversos para a construção de narrativas sobre o passado, que nos deslocam da ótica colonialista. A pertinência desses estudos coaduna com o que está estabelecido na legislação educacional brasileira conforme prevê a lei 11.645/2008, que integra a lei de diretrizes e bases da educação brasileira - lei 9.394/96 e que estabelece a obrigatoriedade nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, o estudo da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena.
Resumo
O Simpósio pretende promover o intercâmbio entre pesquisadores e pesquisadoras que tratem de temas ligados à História e Historiografia da África e da Diáspora. A proposta é oportunizar os diálogos entre as investigações que elencam as experiências negras no período colonial e pós-colonial e que tenham por objetivo estudar as diversas formas como os grupos ou indivíduos negros se organizaram frente a ordem escravista e no pós-abolição. Interessa-nos um amplo leque de temáticas, tais como: História e Historiografia africana, abolição e abolicionismo, alforrias, família negra, trajetórias individuais e coletivas, comunidades remanescentes de quilombos, associativismo negro, elites negras, cotidiano, cultura e sociabilidade, territorialidades, trabalho livre e escravo, lutas e resistências, discriminação e religiosidade, africanidades e outros temas correlatos.
2. Cultura escrita e comunicações nos impérios globais da primeira modernidade: Políticas da informação e os sentidos da transmissão do saber (séculos XV-XIX).
Proponentes
Dr. Kleber Clementino da Silva (UFRPE)
Dr. Arthur Almeida Santos de Carvalho Curvelo (Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa)
Justificativa
A realização do presente simpósio justifica-se pela atração que pretende dar a investigadores em diferentes etapas de suas carreiras, já se inscreve-se numa área temática em franca expansão na historiografia internacional e, particularmente, no Brasil, onde há um número cada vez maior de teses, dissertações, dossiês em revistas acadêmicas e obras coletivas dedicados a tratar da importância da cultura escrita e das políticas da informação, sobretudo na América Portuguesa. A consideração destes temas permite problematizar os mecanismos materialmente disponíveis para de construção do domínio e da soberania das monarquias europeias sobre os espaços conquistados nos quatro cantos do mundo, sendo o palco privilegiado para observar as políticas de controle e de resistência na constante negociação que sustentava os impérios oceânicos da primeira modernidade.
Resumo
A circulação de informações representa um dos pilares de sustentação dos extensos impérios oceânicos formados na primeira modernidade. Mais cedo ou mais tarde, as monarquias e repúblicas que encabeçavam estas complexas formações políticas deram-se conta da importância de fomentar a produção e a circulação da informação no interior das mesmas. Pari passu à crescente afirmação política dos poderes centrais nos territórios cresce também o fluxo e o ritmo com que as informações circulavam de uma a outra margem do oceano. A bem da verdade, talvez não houvesse outros meios materialmente disponíveis para transmitir correspondências, ordens, comunicados, petições, notícias ou levantamentos do que a tinta e o papel. A circulação de manuscritos e impressos possibilitava, com efeito, não apenas a elaboração de representações e ideias políticas, mas também que a ligação entre diferentes partes do mundo ficasse mais estreita e que realidades distintas pudessem ser conhecidas em diferentes margens dos oceanos, tornando as diferentes partes destas formações políticas mais conectadas. Por outro lado, a produção e a circulação de obras históricas, compêndios, relações, informações, recompilações e notícias representa não só um meio de dar a conhecer num lado do mundo o que se passava no outro, mas, sobretudo, uma prática de afirmação política dos interesses das monarquias ou daqueles que, ao buscarem meios de ascensão social, tentavam protagonizar os seus feitos e justificar os seus clamores na opinião pública, ou, no limite, justificar as suas falhas e contar a sua própria versão de acontecimentos importantes. Contudo, sublinhe-se que a circulação de impressos ou manuscritos nem sempre visava a sustentação dos impérios, constituindo esta uma forma materialmente eficaz de promover a crítica e a dissensão, prestando-se a este fim as sátiras, bilhetes e pasquins que inflamavam ânimos revoltosos.
Reconhecendo a crescente afirmação destes temas na historiografia mundial e na brasileira, em particular, o simpósio Cultura escrita e comunicações nos impérios globais da primeira modernidade convoca pesquisadoras e pesquisadores em diferentes estágios de suas carreiras a refletirem sobre os processos, práticas e materialidades que presidem a aquisição, processamento, difusão da informação nos impérios transoceânicos da primeira modernidade, atentando sobretudo, aos seus usos, sentidos e potencialidades. Acolhem-se, com efeito, trabalhos circunscritos aos temas da Cultura Escrita, da Arquivística Histórica, da Comunicação Política, das Políticas da Informação e de outras que possam estar enquadradas nos objetivos da discussão proposta.
3. O ensino do Atlântico global na sala de aula (virtual): diálogos da prática docente com o Estágio, o Pibid e a residência pedagógica.
Proponentes
Justificativa
Esta proposta de simpósio temático parte do chão da escola (e hoje das telas virtualizadas dos smartphones e computadores) para pensar os desafios do ensino de História e os possíveis diálogos com os licenciandos supervisionados no Estágio, no Pibid e na Residência pedagógica, com a temática do Atlântico Global. O que se busca nesta proposta é compartilhar as experiências que circulam nas salas de aula (físicas e virtuais), a partir da percepção de que muitos dos docentes realizaram trajetórias diversificadas em suas formações, e assim, a temática do Atlântico global pode estar presente ou não nas práticas docentes. Bem como, o diálogo desses docentes com os licenciandos em processo de formação, possuidores também de trajetórias diversificadas sob a temática atlântica. Os estudos sobre o Atlântico global foram impulsionados num ponto pelas Leis 10.639 de 2003 e posteriormente pela Lei 11.645 de 2008 que versam sobre a História e Cultura Africana, afrodescendente e dos povos originários. Em outro ponto pelos estudos oriundos da academia estadusinense e inglesa objetivando a superação das visões imperialistas construídas no século XIX, e as visões do establishment que mantiveram a desigualdade social e os racismos como base para edificação de seus poderes. Compõem também este espectro as experiências de trânsito interculturais do Atlântico Sul, em seus fluxos e refluxos. Sugerimos que os textos dialoguem com as pesquisas realizadas por Albert Boahen, Alberto da Costa e Silva, Ali Mazrui, Alison Games, Bernard Bailyn, Bethwell Ogot, Chimamanda Adichie, David Eltis, David Armitage, Djibril Niane, Douglas Chambers, Estevam Thompson, Flávio Gomes, Gamal Mokhtar, Hebe Mattos, Jacob Ajayi, João Fragoso, John Thornton, Joseph Ki-Zerbo, João José Reis, Kátia Matoso, Luís Alencastro, Michael Turner, Manolo Florentino, Milton Guran, Mohammed El Fasi, Mônica Lima, Nathaniel Millett, Nina Rodrigues, Pierre Verger, Philip Morgan, entre outros.
Resumo
Objetivo deste simpósio é dialogar sobre o Ensino de História no que tange a temática do Atlântico global a partir da prática em sala de aula, e das supervisões de estágio, pibid e residência pedagógica. Criar um espaço de apresentação das pesquisas e das práticas de ensino que tratam dos "fluxos e refluxos" no Atlântico na perspectiva global.
4. Contratos, privilégios e ilicitudes: negociantes estatais e a arrematação de rendas e direitos régios no mundo atlântico.
Proponentes:
Justificativa
O simpósio temático visa promover a discursão sobre as redes políticas e familiares fomentadas nas arrematações de contratos de rendas e direitos reais na América portuguesa, durante o século XVIII. O mundo dos contratos era uma área bastante frutífera para as pretensões de enriquecimento e distinção para os homens de negócios deste ou do outro lado do Atlântico. Neste sentido, os contratos funcionavam tanto como um importante meio de acumulação e influência, como promovia uma nova modalidade de homens de negócio, o “negociante estatal”. Estes homens, por meio dos privilégios da arrematação de contratos, reforçavam suas posições no universo mercantil sob a tutela do poder político. Nesta perspectiva, temos o objetivo de reunir trabalhos que lancem o olhar sobre o regaste das estratégias de atuação destes homens nos bastidores das arrematações, vislumbrando o descortinar das ilicitudes ocorridas durante a aquisição e gerência dos contratos. Descortinando as tendências oligárquicas e de “patrimonialização” das rendas e direitos régios amparados pelo próprio Estado português.
5. Histórias de Gente Negra no Século XVI e XIX - Escravizados, Trabalhadores e Sociedade
Proponente
Dr. Gian Carlo de Melo Silva (UFAL)
Justificativa
A História do Brasil vem passando por transformações e novas formas de olhar e interpretar nosso passado colonial e imperial são necessárias. Em vista disso, o ensejo desta proposta de Simpósio Temático é congregar pesquisas, em seus diversos níveis de desenvolvimento, que abordem a inserção de homens, mulheres e crianças pardas, pretas e em seus diversos cromatismos, na formação das sociedades da época em tela. Seja na condição escravizada ou livre, sua contribuição é essencial para entendermos o passado e o foco ampliado para além da condição escrava ou mestiça, parte da compreensão que precisamos entender os entremeios e não somente os opostos. Afinal, as trocas sociais, culturais e econômicas estavam ocorrendo em diversos níveis e limitar o entendimento da época unicamente a existência dos extremos é um fator limitante. O uso de fontes oriunda de diversos acervos, sejam eles eclesiásticos, cartorários, administrativos e/ou normativos, possibilitam uma ampliação da compreensão do Brasil que passou a ser formado no século XVI. Sejam os primeiros escravizados classificados genericamente como “Guiné”, ou os “bantus” na região dos Palmares, seguidos por nominações mais efetivas como Minas e Angolas, estamos diante de uma diversidade de origens e culturas com conhecimentos efetivos que foram somados e mesclados num mundo em contato (GRUZINSKI, 2014). Dependendo das margens Atlânticas que desembarcaram, após serem traficados, mantiveram contatos com indígenas e os mais diversos tipos de habitantes, num caldeirão cultural e social que precisou ser moldado, adaptado e reorganizado para congregar a diversidade. Claro, não esqueçamos que o processo histórico mostra que a escravidão foi, e é até os dias de hoje, elemento essencial na compreensão do Brasil. Uma nação que precisa continuamente entender seu passado, suas negociações, resistências e existências possíveis, todas moldadas na época pela Igreja Católica, o Estado Português e principalmente, pelas necessidades impostas pela sobrevivência.
Resumo
História do Brasil vem passando por transformações e novas formas de olhar e interpretar nosso passado colonial e imperial são necessárias. Em vista disso, o ensejo desta proposta de Simpósio Temático é congregar pesquisas, em seus diversos níveis de desenvolvimento, que abordem a inserção de homens, mulheres e crianças pardas, pretas e em seus diversos cromatismos, na formação das sociedades da época em tela. Seja na condição escravizada ou livre, sua contribuição é essencial para entendermos o passado e o foco ampliado para além da condição escrava ou mestiça, parte da compreensão que precisamos entender os entremeios e não somente os opostos. Afinal, as trocas sociais, culturais e econômicas estavam ocorrendo em diversos níveis e limitar o entendimento da época unicamente a existência dos extremos é um fator limitante. O uso de fontes oriunda de diversos acervos, sejam eles eclesiásticos, cartorários, administrativos e/ou normativos, possibilitam uma ampliação da compreensão do Brasil que passou a ser formado no século XVI. Sejam os primeiros escravizados classificados genericamente como “Guiné”, ou os “bantus” na região dos Palmares, seguidos por nominações mais efetivas como Minas e Angolas, estamos diante de uma diversidade de origens e culturas com conhecimentos efetivos que foram somados e mesclados num mundo em contato (GRUZINSKI, 2014). Dependendo das margens Atlânticas que desembarcaram, após serem traficados, mantiveram contatos com indígenas e os mais diversos tipos de habitantes, num caldeirão cultural e social que precisou ser moldado, adaptado e reorganizado para congregar a diversidade. Claro, não esqueçamos que o processo histórico mostra que a escravidão foi, e é até os dias de hoje, elemento essencial na compreensão do Brasil. Uma nação que precisa continuamente entender seu passado, suas negociações, resistências e existências possíveis, todas moldadas na época pela Igreja Católica, o Estado Português e principalmente, pelas necessidades impostas pela sobrevivência.
6. O Atlântico na modernidade: sociedade, política, instituições e igreja (sécs. XVI - XIX)
Proponentes
Dr. Bruno Kawai Souto Maior de Melo (UFPE)
Dr. George Felix Cabral de Souza (UFPE)
Justificativa
Nos últimos anos, temas considerados tradicionais pela histografia colonial e moderna, foram revisitados por um amplo conjunto de investigadores europeus e não europeus, interessados em produzir estudos distanciadas dos recortes nacionalista – e frequentemente teleológico –, que permitissem o estabelecimento de ligações e aproximações entre espaços antes considerados separadamente. Nesse sentido, assistimos ao aparecimento de trabalhos que não se limitavam a territórios definidos, antes, e de maneira específica, pregaram que o mundo moderno se traduz através do princípio da conectividade, da diversidade e do desraizamento.
Resumo
O simpósio visa reunir investigações que se dediquem à História Atlântica ao longo da Época Moderna. Convida-se para o debate pesquisadores interessados em uma abordagem atlântica pautada nos princípios da conectividade e da diversidade, priorizando o ponto de vista transnacional, com seus sistemas de interação e intercâmbio, caracterizados pelo entrelaçamento e pelas redes.
Referencial bibliográfico
BENJAMIN, Thomas. The atlantic world: europeans, africans, indians and their shared history, 1400- 1900. Cambridge, Cambridge University Press, 2009.
CAÑIZARES- ESGUERRA, Jorge; FERNANDES, Luiz Estevam de O.; BOHN-MARTINS, Maria Cristian (org.). As Américas na Primeira Modernidade (1492-1750). Curitiba: Editora Prisma, 2018.
CONRAD, Sebastian. Historia global. Una nueva visión para el mundo actual. Editorial Planeta: Barcelona, 2017.
FRAGOSO, João; BICALHO, Maria Fernanda; GOUVÊA, Maria de Fátima. O Antigo Regime nos Trópicos: A Dinâmica Imperial Portuguesa (Séculos XVI-XVIII). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
GRUZINSKI, Serge. As quatro partes do mundo. História de uma mundialização. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2014.
SUBRAHMANYAM, Sanjay. Connected Histories: Notes towards a Reconfiguration of Early Modern Eurasia. Modern Asian Studies, Vol. 31, No. 3, Special Issue: The Eurasian Context of the Early Modern History of Mainland South East Asia, 1400-1800. (Jul., 1997), pp. 735-762.