Neste episódio do arquivo de património imaterial da Dyembu Dyetu – Nossa Aldeia, o ancião Gabriel Kanivete (Mbwale), professor reformado natural de Caimbambu, Benguela, partilha um testemunho vivo e detalhado sobre os pilares da cultura tradicional das comunidades rurais de Benguela: a poligamia e os seus fundamentos económicos e sociais; os rituais de casamento e o simbolismo das três pedras; os ritos de passagem feminino e masculino; as cerimónias de nascimento, a atribuição de nomes e a visão da morte como mudança de estado; o papel central do gado bovino como medida de riqueza e símbolo de aliança entre famílias; o Ocintita, canto de louvor ao criador de bois, com os seus rituais e regras de pertença; e, por fim, a distinção fundamental entre o Umbanda — o curandeiro que trabalha as raízes das plantas para curar e salvar vidas — e o Wanga, o feitiço nocturno e oculto que causa sofrimento. Um depoimento de rara riqueza etnográfica, preservado no âmbito do projecto de documentação das tradições orais angolanas.
O principal objectivo deste eixo consiste em identificar elemento com valor científico nas manifestações culturais das comunidades rurais angolanas.
Aqui haverá parcerias com diversas instituições do ensino superior e não só, que têm feito investigações nas comunidades rurais, como é o caso da Faculdade de Humidades, a Faculdade de Ciências Naturais, a Faculdade de Ciências, Departamento de Arquitectura das diversas Universidades, Instituto de Línguas Nacionais e os ISCED.
Algumas das acções que estão a ser desenvolvidas:
- Investigação, ensino e divulgação das línguas nacionais angolanas
- Estudos dos jogos (Kyela)
- Estudo das artes
- Estudo dos rituais de iniciação, de nascimento, casamento, óbitos, caça, pesca…
- Estudo da arquitectura rural
- Estudo da gastronomia (memória de paladar)
- Estudo da onomástica (tomonímia, antroponímia, astronímia, zoonímia, hridronímia, fitonímia… )
- Acompanhamento dos estudantes nas investigações para os trabalhos de fim de curso.
O material produzido no presente está a ser publicado no YouTube: Dyembu Dyetu | Ciência & investigação científica www.youtube.com/channel/UCTx75hWbgFYN1haU_830zIg
Tendo em conta as insofismáveis assimetrias existentes nas infraestruturas sanitárias nos espaços rurais, uma pergunta óbvia, mas humana, que é: como os nossos concidadãos nestas zonas cuidam da sua saúde sem hospitais convencionais?
A necessidade de obtermos respostas deste e demais questionamentos, levou-nos ao Centro de Botânica da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Agostinho Neto, que estuda toda diversidade de toda vegetação de Angola e conversamos com a bióloga e Directora do Centro a Professora Doutora Manuela Paula Constantino Pedro.
De lembrar que, o Centro de Botânica, é um organismo vocacionado à pesquisa e documentação de toda a diversidade de plantas medicinais e alimentares do país. Este estudo é desenvolvido fundamentalmente nas comunidades rurais.
A Doutora Manuela começou por fazer uma panorâmica geral do Centro que dirige, sem esquecer de pontuar o que lhe motivou a estudar Biologia.
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A PRESENÇA DOS PROVÉRBIOS NA CIÊNCIA
Resumo da Entrevista do Professor Doutor Abreu Paxe
Abreu Castelo Vieira dos Paxe, Escritor e Professor Universitário, é natural do Uíge. Tem os seguintes livros publicados: A Chave no Repouso da Porta ( Vencedor do Prémio Literário António Jacinto), O Vento Fede de Luz, e Migrações Factais.
Durante a entrevista concedida ao Dyembu Dyetu, Abreu Paxe, como é conhecido, falou sobre a presença dos provérbios na ciência.
Segundo o escritor, vários factores sociais, culturais, religiosos e políticos, condicionaram o estudo dos provérbios em Angola. A destacar:
a) A invasão eclesiástica que resultou na implementação da cultura ocidental que implicando a adoração de um único Deus em detrimento dos vários deuses que eram adorados em função da importância que cada um significasse na vida de cada um e com a sua língua evangelizar para atender o propósito cultural por eles desejado;
b) A invasão republicana que vai ser o surgimento do Estado e das Nações que culminou com o desaparecimento das formas de governos africanos, porquanto, os instrumentos de poder criados, já não eram os mesmos que haviam antes assentes nos Sobas, Regedores, Reis e demais autoridades;
c) A invasão escolar que é entendida como a projecção das sociedades urbanas e industriais em que a mesma era para a cidade e para a política e tinha acesso a educação quem fizesse parte da polis. Salientar ainda que nesta época, surge o processo de aculturação, isto é, o abandono das línguas, dos hábitos e das tradições africanas;
d) A invasão capitalista que é o lugar onde era produzido os bens de consumo, tendo como principal exemplo, a língua portuguesa, que passou a pertencer ao Estado, à escola, à igreja, e ao país.
O escritor acrescentou ainda que, quando falamos de literatura, é como se o provérbio não tivesse a dimensão de um poema, tem, talvez muito mais, disse o professor.
Por outro lado, Abreu Paxe enfatizou o seguinte: “Os provérbios não podem ser vistos, como algo ligado à tradição, ao mato, aos velhos e nem tão pouco as aldeias, mas sim, como a dimensão da própria vida e da cultura”.
O Professor mencionou ainda algumas áreas do saber onde é possível encontrarmos os provérbios, a saber: na geometria, na histórica, na matemática, na etnomatemática, no teatro, na música e nas disciplinas artísticas e não artísticas, pois para ele, o provérbio é vida.
Questionado se as comunidades sabem sobre a dimensão dos proverbios, Abreu Paxe respondeu que os mesmos vêem os provérbios como a cultura da demanda, e por está razão, é que este género é visto como algo sem conteúdo, mas, o professor reforçou que eles têm ritmo e oralidade e devem ser comparados com os outros textos literários e não literários.
Quanto a questão da ética e do equilíbrio das comunidades, Abreu Paxe destaca os provérbios como um dos factores que contribuem na harmonização das comunidades, pois, entende que o homem deve ser pensado para aquilo que as Instituições tentam o reduzir, isto é, do sujeito e do racional.
Por outro, o professor falou também dos ganhos dos provérbios se forem estudados nas escolas convencionais, uma das vantagens é a contribuição que os mesmos podem dar as artes plásticas, à moralização do indivíduo, e ao desenvolvimento da própria ciência.
Em suma, a entrevista sobre a A PRESENÇA DOS PROVÉRBIOS NA CIÊNCIA concedida pelo escritor e Professor Doutor Abreu Paxe, traz um vasto conhecimento sobre os provérbios e não só, o que sugerimos que acompanhe a entrevista completa nas nossas redes sociais.
Museke Segunda
Dyembu Dyetu