Formação do Turismo na Amazônia
Formação do Turismo na Amazônia
Até a segunda metade do século XIX, o principal interesse dos colonizadores era o de estabelecer uma estratégia de exploração de recursos naturais da região, persistiu ainda o trabalho escravo como elemento estruturante da produção agrícola nas fazendas e engenhos.
A região era vista como destino de aventureiros e exploradores, todavia as condições de acomodação e transportes eram precárias.
Normalmente os viajantes se instalavam nas residências de campo, denominadas de rocinhas, cedidas ou até alugadas.
Ernesto Cruz (1973) destaca diversos relatos de viajantes e cientistas como Alfred Russel Walace e Henri Walter Bates, ingleses e pesquisadores de história natural chegaram a Belém em 1848.
Wallace ao chegar procurou uma casa para acomodações, tendo dificuldades para conseguir esse propósito se instalou em uma rocinha ou casa de campo cedida por um Sr. Miller. Descreve assim suas acomodações:
Não há aqui camas, nem colchões, usando-se em seu lugar as redes, trançadas de fio de algodão, que oferecem bom cômodo para se dormir e que são mesmo muito convenientes, por causa da sua portabilidade. As redes, algumas cadeiras, constituem todo o nosso mobiliário (CRUZ, 1973, p.39)
Theodoro Braga cita as vivendas do Souza, como um pouco de mata que resta próximo de Belém para passar férias ou dias de descanso, mas longe, sugere “ um ´sejour em pontos da Estrada de Ferro de Bragança, com bons banhos de límpida água corrente, caça e fructos para a alimentação frugal e sadia”(BRAGA, 1916, p.88).
Entre os pontos destaca as praias de Pinheiro, atual Icoaraci, e vila de Mosqueiro, onde se encontra a praia do Chapéu Virado. Braga (1916, p. 90) cita que é
“para alli que vão repousar por algums mezes as famílias abastadas de Belém”. O destino mais distante sugerido é Soure, Salvaterra e Salinas, onde se podiam realizar passeios e visitar a praias. Aos poucos já no final do século XIX, a cidade já esboça suas primeiras áreas balneares.
Para a vida exhaustiva de quem trabalha em qualquer ramo da actividade humana, Belém possui alguns recants pittorescos e tranquilos, nos quaes se póde, com, prazer repousar e recupera forças perdidas, bebendo o ar puro das florestas ou o ar salgado do mar (BRAGA, p.87, 191 6).
No período da Borracha, Belém se integrava com várias capitais do mundo, através do transporte marítimo
No que tange a estrutura de serviços, em 1904 eram cerca de 59 estabelecimentos entre hotéis e restaurantes em Belém segundo o Almanack do Pará 1904-105.
Pode ser feita uma referência a um dos primeiros hotéis do período em análise, o Grande Hotel da Paz, localizado em frente o Teatro da Paz citado pelo relatório de Augusto Montenegro (PARÁ, 1908).
O prédio do Grande Hotel, fundado em 1913 apresentava características ecléticas, construído dentre suas finalidades apoiar os voos internacionais da companhia aérea Pan American e Panair do Brasil. Foi a primeira instalação (NASCIMENTO; VIEIRA; SANTOS, 2017).
O sistema viário urbano de Belém e sua integração com o nordeste paraense tem como investimento de maior monta os trilhos da estrada de Ferro de Bragança. De acordo com o que relata o Álbum do Pará (1908), a estrada começou a ser construída em 1887 a partir de São Braz até o centro com 6km.
O ramal do Pinheiro (Icoaraci) foi construído em 1906, onde havia uma bela estação ferroviária e assentada uma ponte metálica. A estrada foi concluída em 1909 pelo governador Augusto Montenegro (SIQUEIRA, 2008).
Em 1906 trabalhou com 17 locomotivas (figura 3), 23 carros de passageiros, 3 de bagagens, 18 de mercadorias, 02 de animais, 15 para carvão e lenha, 06 wagonetes, 34 trollys, 02 carros de luxo e 01 de inspeção ( PARÁ, 1908).