INDICAÇÕES
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Filmografia sobre a Atenção em Tempos de Hiperconexão
Confira produções cinematográficas que se relacionam com a temática abordada:
Em um futuro distópico, pessoas vivem em cubículos e pedalam em bicicletas ergométricas para gerar energia, sendo recompensadas com “méritos”. A única chance de ascensão é participar de um show de talentos, onde tudo — inclusive o protesto — vira entretenimento.
Fifteen Million Merits mostra como a atenção é capturada por telas ininterruptas e como o desejo de reconhecimento é explorado por sistemas que transformam tudo em espetáculo. O episódio critica o ciclo de consumo digital e a falsa sensação de escolha no ambiente online.
Lacie vive em um mundo onde cada pessoa avalia e é avaliada por meio de um sistema de notas sociais. Ao tentar melhorar sua pontuação para acessar uma vida mais privilegiada, ela embarca numa jornada cada vez mais artificial — e desesperadora.
Nosedive retrata com precisão a lógica da curadoria pessoal e da validação constante nas redes sociais, mostrando como a atenção é manipulada por algoritmos e status digital. É uma metáfora direta da sociedade conectada, onde a autoestima e o valor pessoal se confundem com métricas públicas.
Em Ela, Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para seu computador. Para a sua surpresa, ele se apaixona pela voz deste programa, dando início a uma relação amorosa entre ambos.
A relação estabelecida entre o personagem e o digital, ressoa com o cenário atual das mídias digitais, onde as interações virtuais frequentemente substituem os encontros presenciais. O filme de Spike Jonze provoca uma reflexão sobre a busca por autenticidade e conexões genuínas em um ambiente saturado de estímulos digitais, destacando a importância de discernir entre interações superficiais e relações significativas.
Em eXistenZ, a designer de jogos Allegra Geller testa seu novo jogo de realidade virtual. Após um atentado, ela foge com o segurança Ted Pikul e, para verificar a integridade do jogo, ambos se conectam a ele por meio de interfaces orgânicas. À medida que transitam entre camadas de realidade e simulação, a linha entre o real e o virtual se desfaz, debatendo o que é autêntico ou artificial.
O filme questiona a atenção quando a realidade é instável, e os dispositivos, sejam eles digitais ou orgânicos, nos fazem habitar múltiplas camadas ao mesmo tempo? A atenção aqui não é só foco, é construção de mundo. Em tempos de hiperconexão, onde saltamos entre feeds, mensagens e notificações como quem muda de fase ou de identidade, eXistenZ antecipa uma inquietação contemporânea.
Em They Live, John Nada encontra óculos especiais que revelam uma realidade oculta: uma sociedade manipulada por alienígenas através de mensagens subliminares que incitam o consumo, a obediência e a conformidade. O filme de John Carpenter expõe como os meios de comunicação podem domesticar a atenção sem que percebamos, oferecendo uma crítica à propaganda e à dominação ideológica. Na era digital, os óculos de Nada simbolizam a consciência crítica em um mundo saturado de distrações. Em tempos de hiperconectividade, o gesto de prestar atenção é insurgente.
Em Janela Indiscreta, Jeff, fotógrafo imobilizado após um acidente, passa os dias observando seus vizinhos pela janela do apartamento. O que começa como um passatempo se transforma em obsessão quando ele suspeita de um assassinato cometido por um dos moradores. O filme de Alfred Hitchcock, que naquela época não pensava em redes sociais ou controle algorítmico, explora o voyeurismo e a alienação, mostrando como a atenção se fragmenta e nos isola. A narrativa sugere que, ao focarmos excessivamente nos outros, podemos nos distanciar de nossas próprias vidas.
No documentário americano O Dilema das Redes, especialistas em tecnologia do Vale do Silício soam o alarme do perigoso impacto das redes sociais na democracia e na humanidade como um todo. Destacando a necessidade de abordagens conscientes, mostra os desafios éticos e sociais impostos pelas mídias.
VIDEOCLIPES
Explore videoclipes que discutem, de forma criativa e crítica, os desafios da atenção e do comportamento na era digital e hiperconectada.
SPIDER WEB (2024)
No videoclipe de SPIDER WEB, Melanie Martinez constrói um universo alegórico em que humanos são atraídos por um novo dispositivo — o “Fl!Fone” — vendido como solução tecnológica, mas que na verdade é um mecanismo de controle e distração. O clipe combina estética surreal e crítica social para mostrar como o uso compulsivo dos aparelhos aprisiona os indivíduos em uma “teia” de dependência e alienação, literal e simbolicamente. As vítimas vagam desorientadas pela floresta, até serem presas por essa teia — física e mentalmente — por uma aranha gigantesca, metáfora viva dos algoritmos e da lógica de vigilância digital.
Welcome to the Internet (2021)
A música “Welcome to the Internet” de Bo Burnham, lançada como parte do especial Inside (2021), é uma sátira amarga e teatral sobre o excesso de informação, a cultura do entretenimento digital e o vício em tela.
A performance se passa em um quarto escuro com iluminação oscilante, evocando um ambiente de entretenimento sombrio. Burnham canta com ironia e intensidade, guiando o público por uma enxurrada de conteúdos disponíveis online — de memes inofensivos a pornografia, violência, teorias da conspiração e crises existenciais.
POP GIRL (2025)
POP GIRL uma crítica à performance feminina padronizada pelas redes sociais, onde a mulher se torna produto do algoritmo.
No videoclipe, Lixie encarna versões artificiais de si mesma que expõem a obsessão com a autoimagem nas redes, criticando o uso excessivo de filtros, o hábito de rolar infinitamente (doomscrolling) e a constante edição do próprio corpo como forma de agradar algoritmos e padrões irreais. Lixie Liu ironiza o culto à perfeição digital, onde tudo é fabricado — inclusive a própria identidade.
Famous (2015)
O videoclipe de Famous, é uma crítica à cultura da fama digital e ao vício em atenção nas redes sociais. Dirigido por Eric Wareheim, o videoclipe mergulha em um universo visualmente caótico, onde uma jovem viciada em internet perde o controle da realidade ao ficar sem bateria. Entre rostos distorcidos, selfies frenéticas e atmosferas kitsch, Charli encarna versões delirantes de si mesma, simbolizando a desumanização causada pela busca constante por likes, relevância e visibilidade. Um retrato surreal da ansiedade e alienação produzidas pela hiperconexão.
Noir (2019)
Noir, de Sunmi, integra esta seleção por escancarar o esgotamento emocional causado pela busca incessante por atenção e validação online. O videoclipe retrata uma influenciadora digital que encena momentos extremos em busca de engajamento: finge viagens, participa de desafios autodestrutivos e consome “corações” como doces. A estética vibrante e os enquadramentos de “feed” contrastam com o vazio e o colapso emocional da protagonista, que, presa ao ciclo de dopamina digital, transforma sua vida em espetáculo.
O título Noir — termo francês que significa “preto” ou “escuro” — remete ao gênero cinematográfico film noir, conhecido por sua atmosfera sombria, personagens em crise e tramas sobre decadência moral. Essa escolha reforça o contraste entre a superfície colorida do universo digital e a escuridão emocional que ele oculta.
Carmen (2015)
Com um videoclipe animado, Stromae aborda com ironia a lógica predatória das redes sociais e o vício na autoexposição. No videoclipe animado, o artista é seguido por um passarinho azul — símbolo do Twitter — que cresce à medida que ele busca mais engajamento, até consumi-lo por completo. A narrativa denuncia como a busca por likes pode isolar, desumanizar e destruir laços reais, transformando a vida em um espetáculo vazio.
O título faz referência à ópera Carmen, de Georges Bizet, que narra um amor impulsivo e autodestrutivo — paralelos que Stromae atualiza para o contexto digital, onde o desejo por atenção nas redes também conduz à ruína.