A Importância da Corporeidade para Educação Física
A Importância da Corporeidade para Educação Física
28 de outubro de 2025
Prof. Ms. Ícaro Raphael Souza dos Santos
Na grande maioria, os estudantes de educação física não estão interessados na corporeidade, muita das vezes seu foco de estudo está no esporte, na performance e na estética corporal. Porém, se dominarmos os conceitos e perspectivas da corporeidade adotando uma visão mais global, inclusiva e até mesmo resolutiva, de entregar resultados, terão melhores desfechos fazendo com que seus futuros alunos, atletas, pacientes, alcancem seus objetivos, metas, recuperações.
A corporeidade vai além do biológico, ela é fortemente influenciada pela cultura, pela política e práticas sociais.
Pegando o pensamento de alguns autores (MERLEAU-PONTY, 2006; FREITAS, 1999; GONÇALVES, 1994) Eles afirmam que: A Corporeidade que se faz em nós é mutável e transforma-se a cada nova vivência sem abandonar as anteriores; todo contexto por que passamos, as culturas, os hábitos, os costumes vão influenciar nesta Corporeidade, em sua maneira de ser–no–mundo.
A Corporeidade se refere pelo movimento do individuo no mundo, nas relações com o meio que está inserido e os outros indivíduos com quem se relaciona. Polak (1997) afirma que a Corporeidade não é algo objetivo, acabado, mas um processo contínuo de redefinições, é o resgate do próprio corpo, é o deixar fluir, falar, viver, escutar, permitir ao corpo ser ator principal é vê-lo em sua real dimensão humana. Corporeidade é o existir, é a minha, a sua, é nossa história.
Apresento estas definições para que vejam o quanto nossos movimentos são complexos, interligados, dotados de significados e até mesmo poesia.
Quanto mais cedo dominarem estes conceitos e darem a devida relevância e importância sua percepção de si e do outro será diferente e consequentemente sua atuação profissional.
A Corporeidade não deve ser somente aplicada ao campo da licenciatura no desenvolvimento infantil, pode e deve ser empregada no campo do bacharelado e suas áreas de atuação.
Vejam, a corporeidade servirá para as crianças que estão em desenvolvimento em idade escolar, iniciação esportiva. Mas também servirá para aquele individuo que por diversos fatores passou boa parte da vida tendo um comportamento sedentário e que deseja ter hábitos mais saudáveis incluindo uma rotina de movimentos em sua rotina. Servirá também para aquele atleta de rendimento que deseja melhorar sua performance e seus resultados.
Digo que ela servirá para todos estes casos e diferentes indivíduos, pois como vimos, a corporeidade estar no existir, no corpo em movimento e ela vem acompanhada de mais duas outras perspectivas e conceitos, a motricidade e a expressão corporal.
A motricidade e a expressão corporal referem-se a tomada de consciência do esquema corporal, a consciência do corpo como instrumento de expressão no espaço e no tempo, o encontro das possibilidades individuais, a comunicação e o relacionamento interpessoal, o sentido de orientação e sentido rítmico, a coordenação e o equilíbrio (SCHINCA, 1991).
Ou seja, a corporeidade pensa o corpo no espaço, a influência da cultura, da política sob estes corpos. Já a motricidade pensa a intenção do movimento é a corporeidade intencional, corpos conscientes em expressão.
Dessa forma, particularmente penso o quanto é importante como Profissionais de Educação Física despertar essa consciência corporal dos nossos alunos, atletas, clientes, mostrando-o que a cada movimento possui um significado, uma emoção e que saibam a tamanha responsabilidade que é colocar um corpo em movimento.
O movimento ele realmente é transformador e que vocês saibam enxergar essa potência, não se limitar e promover a diferença na vida das pessoas.
Tem uma frase que gosto muito de George Herbet, Ser forte para ser útil, talvez para um atleta essa frase o motivará a melhorar seu tempo, baixar seu peso, enfim. Porém para a grande população em geral, essa frase signifique, caminhar 30’ minutos por dia ou realizar uma sessão de alongamento para poder sentar no chão e brincar com seu filho/neto.
Importante lembrar que a utilidade falada na frase, não é ao molde capitalista de produção, mas sim uma utilidade comunitária, altruísta e que contribua com o meio que se está inserido.
E por fim deixo a reflexão, que pensem para além de seres biológicos, pensem como seres sociais, culturais e emocionais. E coloquem a vida em movimento.
Referências
NEVES, L. A. Corporeidade: uma filosofia de atuação na educação física. Trabalho de Conclusão de Curso-Curso de Bacharelado em Educação Física, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2009.
SCORSOLINI-COMIN, Fabio; DE SOUZA AMORIM, Katia. Corporeidade: uma revisão crítica da literatura científica. Psicologia em Revista, v. 14, n. 1, p. 189 214, 2008.
SOARES, Carmen Lúcia. Georges Hérbert e o método natural: nova sensibilidade, nova educação do corpo. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 25, n. 1, 2003.