Arte de Arjan Martins. Imagem: https://www.lewbenart.com/news/naujas-kurinys-kolekcijoje-2-en-us/.
A pele e o que há de mais profundo:
Arte que aflora como forma de combate ao racismo no Brasil
Conforme já visto, o racismo é uma herança do nosso passado escravocrata e de um pós-abolicionismo que não se preocupou em integrar e incluir a população negra socialmente. Nesse contexto, a arte surge como grito de afirmação contra o racismo, promovendo a quebra de estereótipos, conscientização, valorização da cultura afro-brasileira e a transformação social, além de manter viva a história e acender a centelha do orgulho e do reconhecimento da beleza de um povo. Em seu papel de provocar questionamentos e fazer pensar, a arte de muitos artistas, como o cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil afiança de forma leve e até mesmo divertida a desconstrução de estereótipos tão arraigados na nossa cultura, como podemos perceber ao analisar a canção “A mão da limpeza”, na qual o artista questiona a validade de um dito popular ao destrinchar todo o trabalho realizado por homens e mulheres negros. Além do Gilberto Gil, o Brasil conta com uma grande gama de artistas que abordam de distintas formas a realidade desta parcela da população, entre eles destacam-se nomes como: Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Lázaro Ramos, Emicida, Criolo, Mano Brown, MV Bill, Aline Motta, Eustáquio Neves e Rosangela Paulino.
Música: A mão da Limpeza. Interprete e compositor: Gilberto Gil. Criação do Vídeo: Daniel Lemos.
Arte de Arjan Martins. Imagem: https://artsandculture.google.com/asset/untitled-arjan-martins/OgHvCPLhIhQnCQ?hl=pt-br
Camélias na lapela
(João Gabriel Araújo Pinto)
Combato os olhares de soslaio
Com Camélias na lapela
A ancestralidade me conduz,
A minha pele a traduz
Muitos me disseram “vá procurar seu lugar”
Sem saber que meu lugar é onde eu quero estar
Meus caminhos não serão determinados por outrem
Na estrada-palco exponho uma arte-vivencia
No meu canto-grito disfarço-me das dores, relembro as antigas batalhas,
Transbordando a alegria de Erê, convoco-os à luta.
Nosso exército é gigante, cada membro tem um nome,
Nossas raízes são profundas, arraigadas na mãe África,
Forjadas na luta de Zumbi, de Dandara e de toda uma realeza escravizada.
Até que a exceção se torne regra
Onde a pele, o que há de mais profundo
Não nos limite
Não nos defina.
Arte de Antônio Salvador. Dama das Camélias. Imagem: https://www.facebook.com/mosaicoemcacos/photos/1986922238054016
MARTINS, Rodrigo/ MARTINS, Miguel. Seis estatísticas que mostram o abismo racial no Brasil. cartacapital. Novembro, 2017. Acesso em: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/seis-estatisticas-que-mostram-o-abismo-racial-no-brasil/ .
MACIEL, Camila. Literatura: ausência de negras revela forma distorcida de representar sociedade. agenciabrasil. Local de publicação: São Paulo .Março, 2014. Acesso em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-03/literatura-ausencia-de-negras-revela-forma-distorcida-de-representar-sociedade .
RAMOS. Lázaro. Na minha pele. Editora Objetiva, Ed. 1ª,2017.