Por Fernanda Costa
Publicado em: 16/09/2026
O ConserBio está de cara nova! Além da atualização de seu nome através da substituição da palavra “Sustentabilidade” para os termos “Meio Ambiente”, deixando mais clara a sua atuação, o grupo também alterou a Logo para transmitir pesquisas e ações a todos que observarem cuidadosamente os detalhes.
A nova logo traz a imagem de uma árvore com raízes para deixar evidente a ideia da biodiversidade vegetal e do meio ambiente que representam a base das ações e pesquisas que desenvolvemos. Ao observar os detalhes, é possível entender o simbolismo que marca as nossas linhas de pesquisas, especialmente ilustrado pelos braço e mão que formam o tronco da árvore, remetendo à interação pessoa-ambiente.
A abelha mandaçaia ressalta os trabalhos com abelhas-sem-ferrão e a meliponicultura, enquanto a flor do pau-brasil de frente remete à atração por visitantes que realizam a polinização, representando os serviços ecossistêmicos. Os hexágonos são moléculas de glicose para representar um dos processos bio-químicos mais importantes da natureza: a fotossíntese. Por fim, um olhar cuidadoso verá que as nervuras de algumas folhas são cladogramas ou árvores filogenéticas, para mostrar a relação de parentesco dos seres vivos e as possibilidades de se descobrir como as plantas se organizam na natureza.
Para o professor Jorge (Líder do ConserBio), “essa nova logo representa melhor as ações e pesquisas do grupo de pesquisa e inaugura essa nova fase em que estamos”, tratando das alterações realizadas no nome do grupo e na completa reformulação das linhas de pesquisas que visa tornar os trabalhos do ConserBio mais focado nos projetos que seus integrantes vêem desenvolvendo em diversos ecossistemas Neotropicais.
O designer dessa imagem maravilhosa é Uri Santos, bolsista de Iniciação Científica do ConserBio, que integra o Laboratório de Botânica do CFCAm na UFSB.
Estudo publicado na revista Plant Systematics and Evolution utiliza morfometria multivariada para esclarecer os limites entre espécies do complexo Marcetia formosa e amplia significativamente o conhecimento sobre a diversidade da flora dos campos rupestres da Bahia.
Por Jorge Costa e Fernanda Costa
Publicado em: 21/09/2026
A diversidade de plantas da Chapada Diamantina, na Bahia, acaba de ganhar novas espécies oficialmente reconhecidas. Um estudo publicado em 2026 na revista científica Plant Systematics and Evolution investigou o complexo Marcetia formosa, um grupo de plantas da família Melastomataceae endêmico dos afloramentos rochosos da região, e revelou seis novas espécies para a ciência.
Entre os autores do trabalho está a Dra. Andrea Santos, uma pesquisadora do Grupo de Pesquisa ConserBio, que liderou o estudo dedicado a compreender os limites entre espécies morfologicamente muito semelhantes de Marcetia. O artigo, intitulado Morphometrics of the Marcetia formosa complex (Melastomataceae), endemic to the Chapada Diamantina, Brazil: understanding species boundaries and revealing six new species to this genus, foi publicado online em 6 de julho de 2026.
Quando espécies muito parecidas escondem uma diversidade maior
O gênero Marcetia pertence à tribo Marcetieae, dentro da família Melastomataceae, e possui cerca de 38 espécies reconhecidas, quase todas endêmicas do Brasil. A Bahia concentra a maior diversidade do gênero: são 34 espécies, com aproximadamente 90% delas ocorrendo nos campos rupestres da Chapada Diamantina.
O estudo concentrou-se em três espécies tradicionalmente reconhecidas — Marcetia formosa, M. viscida e M. harleyi — que apresentam grande semelhança morfológica e, por isso, são tratadas em conjunto como o complexo Marcetia formosa. A dificuldade para distinguir essas plantas já havia sido registrada em trabalhos anteriores, inclusive pela existência de formas intermediárias entre as espécies.
Para investigar essa diversidade, os pesquisadores analisaram 417 indivíduos provenientes de 22 populações, utilizando 33 caracteres morfológicos quantitativos, sendo 11 relacionados às estruturas vegetativas e 22 às estruturas reprodutivas. As análises estatísticas multivariadas permitiram identificar padrões consistentes de diferenciação entre as populações.
A morfometria ajuda a revelar diferenças sutis
Um dos principais resultados do trabalho foi demonstrar a importância da morfometria multivariada para a delimitação de espécies de Marcetia. Características que podem parecer semelhantes quando avaliadas individualmente tornam-se mais informativas quando analisadas conjuntamente.
Entre os caracteres que apresentaram maior utilidade para distinguir os táxons estão dimensões e ângulos da folha, comprimento do pedicelo e do pecíolo, características das bractéolas e sépalas, dimensões das pétalas e o ângulo de curvatura das anteras. O estudo também mostrou que o tamanho das flores, tradicionalmente utilizado para diferenciar algumas espécies do complexo, não é um caráter suficientemente consistente quando considerado isoladamente.
As análises de classificação apresentaram taxas de acerto superiores a 89% quando os caracteres vegetativos e reprodutivos foram analisados conjuntamente, evidenciando a capacidade da abordagem em reconhecer diferenças taxonômicas mesmo entre linhagens próximas e recentemente diversificadas.
Para a Dra. Andrea Santos, “o emprego dessas diferentes técnicas para analisar as espécies crípticas, isto é, semelhantes externamente mas com diferenças genéticas significativas, permitem ao cientista entender melhor as espécies e encontrar características mais seguras para reconhecê-las. Conhecer bem as espécies possibilita a identificação das melhores estratégias de conservação e/ou a elaboração de políticas públicas que visem o desenvolvimento sustentável”.
Seis novas espécies reconhecidas
O estudo identificou nove grupos morfológicos principais: três correspondentes às espécies já conhecidas e seis grupos que foram reconhecidos como novas espécies.
As novas espécies são:
Marcetia magnifica;
Marcetia angelae;
Marcetia aurifera;
Marcetia campanulata;
Marcetia anamariae;
Marcetia catolensis.
Esses táxons, anteriormente tratados como diferentes morfotipos dentro do complexo, agora recebem reconhecimento taxonômico formal. A tabela taxonômica do artigo relaciona as novas espécies aos morfotipos analisados e às respectivas populações estudadas.
O trabalho também apresenta descrições taxonômicas, chave de identificação, ilustrações científicas e mapas de distribuição, fornecendo ferramentas importantes para que pesquisadores e especialistas possam reconhecer as espécies em campo e em coleções botânicas.
Biodiversidade e conservação caminham juntas
Além de ampliar o número de espécies conhecidas, os resultados chamam atenção para a vulnerabilidade da flora dos campos rupestres. Muitas das espécies reconhecidas no complexo apresentam distribuição extremamente restrita, ocorrendo em ambientes específicos dos afloramentos rochosos da Chapada Diamantina.
Um exemplo é Marcetia catolensis, encontrada exclusivamente no topo da Serra do Barbado, em Catolés, município de Abaíra, a aproximadamente 2.033 metros de altitude, no ponto mais elevado do Nordeste brasileiro. Para essa espécie, os autores recomendam inicialmente a categoria Dados Insuficientes (DD), devido à existência de apenas uma localidade conhecida.
A distribuição geográfica restrita dessas plantas pode estar relacionada, entre outros fatores, às condições ambientais particulares dos campos rupestres e à limitada capacidade de dispersão de suas pequenas sementes. O estudo destaca que algumas das espécies apresentam separação morfológica e geográfica consistente, reforçando a hipótese de que a dispersão limitada tenha contribuído para a estruturação da diversidade encontrada no complexo.
Os autores ressaltam ainda que a maioria das espécies do complexo é endêmica dos afloramentos rochosos da Serra do Espinhaço na Bahia, encontra-se ameaçada de extinção e ocorre fora de unidades de conservação, o que aumenta a importância de estratégias específicas para sua proteção.
Um passo importante para conhecer e conservar a flora brasileira
O estudo representa um avanço significativo para a taxonomia e a sistemática de Marcetia e demonstra como a integração entre trabalho de campo, coleções de herbário, morfologia e análises estatísticas pode revelar uma diversidade que permanece invisível quando apenas os caracteres morfológicos tradicionais são considerados.
Segundo os autores, este é o estudo morfométrico mais abrangente realizado até o momento para Marcetia e contribui para esclarecer limites taxonômicos que permaneciam sem solução desde estudos realizados nas décadas de 1980 e 1990. O trabalho também praticamente dobra o número de espécies reconhecidas no complexo M. formosa.
A pesquisa reforça, assim, uma mensagem fundamental para a conservação da biodiversidade: conhecer e descrever a diversidade é uma etapa essencial para protegê-la. Em regiões de elevada riqueza e endemismo, como a Chapada Diamantina, novas descobertas taxonômicas podem revelar espécies com distribuições muito restritas e que necessitam de atenção especial antes mesmo que sua biologia e distribuição sejam completamente conhecidas.
O estudo também aponta caminhos para pesquisas futuras, especialmente a combinação dos dados morfológicos com análises filogenéticas e sequenciamento de DNA, que poderão aprofundar o conhecimento sobre as relações evolutivas entre as espécies de Marcetia.
Para leitura completa do Artigo, acesse:
https://link.springer.com/article/10.1007/s00606-026-01997-y
Por Fernanda Costa
Publicado em: 17/09/2026
Temos o prazer de anunciar a publicação do artigo científico intitulado "Phenolic composition, antioxidant activity, and HPLC analysis of phenolic acids in plants collected from the Bahian Hylea forest in eastern Brazil".
O texto conta com a participação do membro e líder do ConserBio, o professor Jorge Costa (UFSB), que contribuiu no projeto do grupo de pesquisadores do laboratório de fotoquímica sob a liderança do professor Luciano Lima, do Instituto Federal da Bahia (IFBA).
Sobre a Pesquisa
O trabalho investigou a composição fitoquímica e a capacidade antioxidante de extratos etanólicos de plantas nativas da Hiléia Baiana, um importante território da Mata Atlântica no leste do Brasil, que possui um enorme potencial fitoquímico ainda pouco explorado e que está sob constante pressão antrópica com a perda de hábitats cada vez maior.
A pesquisa avaliou amostras coletadas na Estação Ecológica Pau Brasil, em Porto Seguro (BA), abrangendo cinco espécies vegetais: Schnella angulosa, Miconia albicans, Croton celtidifolius, Copaifera lucens (quimiotipos branco e vermelho) e Neomarica portosecurensis
Dentre os principais resultados obtidos estão Elevado Contentor Fenólico (TPC), a Descoberta Inédita em Flavonoides, Forte Atividade Antioxidante e o Perfil de Ácidos Fenólicos (HPLC-DAD). Os dados obtidos trazem contribuições valiosas para a quimiotaxonomia das plantas da região e fornecem subsídios científicos fundamentais para futuras investigações que visem validar o uso medicinal e farmacológico dessas espécies. Além disso, a descoberta de biomoléculas ativas em plantas regionais reforça o valor intrínseco da biodiversidade e alerta para a urgência da conservação da flora nativa frente à degradação ambiental.
Para leitura completa do Artigo, acesse:
https://new.scielo.br/j/bjb/a/7wJ6rRcyQTdj3bvMRRXRvzp/?format=html&lang=en&ilang=pt_BR