APRESENTAÇÃO


 

 

O panorama educacional contemporâneo exige uma reconceptualização dos espaços de aprendizagem, pois a necessária rutura paradigmática com o modelo tradicional de educação pressupõe a transição para ecossistemas pedagógicos mais inclusivos e democráticos.


Tal como em Paulo Freire, compreendemos que educar é criar possibilidades para a construção pessoal e social de cada sujeito. Assim, perante a diversidade social, cultural, étnico-racial e de género que caracteriza os contextos educativos contemporâneos, a pedagogia dialógica ganha especial relevância ao valorizar as experiências vividas como herança cultural incorporada de cada sujeito e ao facultar os recursos epistemológicos essenciais à formação de cidadãos críticos e participativos.


Neste contexto, os ambientes de aprendizagem emergentes configuram-se como sistemas adaptativos, complexos e auto-organizados, respondendo dinamicamente às necessidades dos aprendizes numa sociedade digital diversa e interconectada. Estes espaços, progressivamente democratizados e acessíveis a indivíduos de diferentes classes sociais, géneros, raças e etnias, exigem a implementação de uma pedagogia crítica, sensível à interculturalidade e proficiente no domínio das tecnologias, de modo a assegurar uma efetiva inclusão.


Deste modo, o Colóquio Internacional Aprendizagens Emergentes, Diversidade e Inclusão Para O Século XXI e o II Seminário Internacional Abdias Nascimento: Contextos Multiculturais, Resistências Amefricanas e Inovação Pedagógica visam debater, socializar e divulgar a produção académica e as experiências pedagógicas sobre aprendizagens emergentes, diversidade e inclusão no século XXI, bem como sobre Comunidades Multiculturais de Aprendizagem para a educação das relações étnico-raciais, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento/CAPES/UFS/UNIFAP/UMa/U.PORTO.


Na primeira edição destes eventos, emergiram orientações essenciais para a continuidade da discussão e socialização dos percursos de investigação desenvolvidos por estudantes da Universidade da Madeira, em diálogo com as Universidades Federais de Sergipe e do Amapá, evidenciando experiências que se constituíram em práticas de pesquisa, aperfeiçoamento académico e transformações nos cenários inicialmente concebidos. Nesta segunda edição, somamos a partilha e o percurso conjunto de estudantes, professores e outros agentes educativos que assumem a diferença como elemento potenciador de novos saberes; que creem que a diversidade no pensar, dialogar e propor comunidades multiculturais de aprendizagem contribui para uma sociedade solidária, diversa e antirracista.