Poemas de Leandra gravados em vídeo acessível com legenda e Libras durante o Levante Feminista no Museu Vozes Diversas em 2021.
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Significado das palavras...
Escrever e ublicar para mim é exteriorizar cada suspiro de emoção, gesto e significado. Exatamente como eu explico aqui na gravação em Libras do programa Palavra Líquida sobre "Feminismos Corpos Múltiplos - A Escrita Feminina Contemporânea" promovido pelo SESC RJ em 2021 junto com as poetas Luciene Nascimento e Valeska Torres.
#descricaodaimagem: foto colorida da tela do computador dividida em quatro partes. Na primeira do lado superior esquerdo tem a imagem da intérprete de Libras, Estela, uma mulher negra de cabelos e olhos pretos; na parte superior do lado direito tem a imagem de Valeska uma mulher branca de olhos (com óculos de grau) e cabelos castanhos; do lado inferiror esquerdo tem a imagem da Luciene, uma mulher negra de olhos (com óuculos de grau) e cabelos pretos; e do lado inferior direito tem a imagem da Leandra, mulher branca de olhos e cabelos castanhos.
Poemas de Leandra declamados com Libras durante o Sarau das Mulheres promovido pelo Coletivo Mobilização Artística em 2021.
#descricaodaimagem: O convite é ilustrado pelo desenho do rosto de uma mulher negra, de perfil, com cabelos pretos black power bem volumosos. Ela usa um grande brinco laranja de argola. Sobre seus cabelos, os nomes das participantes em verde e suas mini-bios. O título: Sarau das Mulheres está no canto superior direito, com a palavra Mulheres, grande e manuscrita na cor laranja. No rodapé, os símbolos da acessibilidade e logomarcas dos realizadores, parceiros e apoiadores.
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#pratodosverem: O convite com fundo cinza e verde, escrito com letras cinza e laranja, é ilustrado por fotografia colorida, em primeiro plano (do peito para cima), de Leandra falando alegremente ao microfone. Ela é branca, tem cabelos castanhos na altura das orelhas com uma mecha roxa no topete, olhos castanhos pequenos e sorridentes. Usa uma estola de pele bege sobre blusa rosa com mangas longas pretas. O título: Sarau das Mulheres está no canto superior direito, com a palavra Mulheres, grande e manuscrita na cor laranja. No rodapé, os símbolos da acessibilidade e as logomarcas dos realizadores, parceiros e apoiadores. Foto: Flavia Vidal.
#pratodosverem: Leandra aos 31 anos quando participou de um importante Congresso sobre Comunicação no governo federal em 2009. Ela está sentada em sua cadeira de rodas em frente a um cartaz de papel com diversas manifestações dos participantes. Leandra escreve no cartaz com o braço direito de lado para câmera sorrindo. Ela veste uma blusa preta e uma calça jeans azul. Ela tem a pele branca, olhos e cabelos castanhos. Crédito da imagem: arquivo pessoal.
A magia da cadeira imaginária
Autora do texto: Leandra Caleidoscópica
Quando a semente foi fecundada e o embrião surgiu, a magia começa. Com a forma de uma lua crescente em curva, surgimos sentadas. E assim somos carregadas dentro do ventre que habitamos, sentindo a vida, mergulhadas no útero. Acreditam que ficamos a maior parte do tempo de frente, mas podemos virar de cabeça para baixo. Sempre formando uma letra L: como uma cadeira. Mesmo que demore um pouco para conseguir sustentar nossas cabeças, ficamos sentadas. Eu acho que para conseguirmos ver o mundo por um ângulo melhor, passear no carrinho é bem mais interessante do que ficarmos deitadas no berço. O mundo pode ser explorado e está ao alcance dos nossos olhos e mãos, sem o esforço de nos sustentarmos em pé.
A minha cadeira chegou para mim aos 14 anos, época em que uma menina, preferiria se aventurar no mundo com os próprios pés, correndo na beira da praia, sentindo o frescor das matas e o calor do asfalto, brincando de deixar de ser criança. Mas não tive escolha. Minhas pernas enfraqueceram, meu corpo ficou bem pesado… E os colos não conseguiam me carregar mais por aí como cadeiras falantes. A única alternativa foi me sentar nela e sentir sua magia. Mesmo com muito receio, me adaptei às duas rodas grandes e duas menores, e aos olhares de todos que, agora, pareciam ser sempre maiores e mais altos do que eu. Só fui entender a liberdade que essa cadeira me proporcionou, depois que ela passou a fazer parte do meu corpo, e eu a confundir com minhas pernas e pés.
Hoje só não a levo comigo quando vou deitar na cama, cochilar no sofá ou em uma poltrona bem macia. Por que na maioria do tempo, sem ela, não sou ninguém! É com ela que assumo minha personalidade. Mesmo quando o taxista pergunta com discriminação, se ela também vai comigo no carro, porque sem ela não consigo chegar ou sair dos lugares. É com ela que participo de cursos; escrevo; trabalho; vou até a natação; viajo; conheço novos lugares, converso com pessoas; faço palestras; danço, rodopio; carrego mochilas mais pesadas do que meu corpo; enfrento areias macias e difíceis de passar até encontrar as ondas dos mares ou o frescor dos jardins e a beleza dos museus.
Quando chego aos teatros ou salas de cinema, não preciso me preocupar em escolher a melhor cadeira, porque sempre estou com a minha. E mesmo desviando de buracos, subindo em guias íngremes, passando por poças de água, descendo rampas desniveladas, saltitando sobre os pedregulhos; nunca deixo de levá-la comigo porque sem ela não teria acesso ao desfrutar da vida. Hoje não temo mais a prisão que ela supostamente me colocaria quando a imaginava, parada, sozinha em um cantinho da sala assistindo a TV.
Eu vejo o vôo do tempo
Eu vejo a porta do destino
Eu vejo o espelho da vida
Na janela uma saída
Eu sou a cortina do quarto
A flor do sol
Eu sou uma escada amarela
Eu sou a janela
Eu fico à espreita dela.