Poemas de Leandra gravados em vídeo acessível com legenda e Libras durante o Levante Feminista no Museu Vozes Diversas em 2021.
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Poemas de Leandra declamados com Libras durante o Sarau das Mulheres promovido pelo Coletivo Mobilização Artística em 2021.
#pratodosverem: O convite é ilustrado pelo desenho do rosto de uma mulher negra, de perfil, com cabelos pretos black power bem volumosos. Ela usa um grande brinco laranja de argola. Sobre seus cabelos, os nomes das participantes em verde e suas mini-bios. O título: Sarau das Mulheres está no canto superior direito, com a palavra Mulheres, grande e manuscrita na cor laranja. No rodapé, os símbolos da acessibilidade e logomarcas dos realizadores, parceiros e apoiadores.
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#pratodosverem: O convite com fundo cinza e verde, escrito com letras cinza e laranja, é ilustrado por fotografia colorida, em primeiro plano (do peito para cima), de Leandra falando alegremente ao microfone. Ela é branca, tem cabelos castanhos na altura das orelhas com uma mecha roxa no topete, olhos castanhos pequenos e sorridentes. Usa uma estola de pele bege sobre blusa rosa com mangas longas pretas. O título: Sarau das Mulheres está no canto superior direito, com a palavra Mulheres, grande e manuscrita na cor laranja. No rodapé, os símbolos da acessibilidade e as logomarcas dos realizadores, parceiros e apoiadores. Foto: Flavia Vidal.
#pratodosverem: Leandra aos 31 anos quando participou de um importante Congresso sobre Comunicação no governo federal em 2009. Ela está sentada em sua cadeira de rodas em frente a um cartaz de papel com diversas manifestações dos participantes. Leandra escreve no cartaz com o braço direito de lado para câmera sorrindo. Ela veste uma blusa preta e uma calça jeans azul. Ela tem a pele branca, olhos e cabelos castanhos. Crédito da imagem: arquivo pessoal.
A magia da cadeira imaginária
Autora da crônica poética: Leandra Migotto Certeza
Quando a semente foi fecundada e o embrião surgiu a magia começa. Com a forma de uma lua crescente em curva, surgimos sentados. E assim somos carregados dentro do ventre que habitamos, sentindo a vida mergulhados. Acreditam que ficamos a maior parte do tempo de frente, mas podemos virar de cabeça para baixo. Sempre formando uma letra L. Como uma cadeira.
Mesmo que demore um pouco para conseguir sustentar nossas cabeças, ficamos sentados. Eu acho que seja para conseguirmos ver o mundo por um ângulo melhor. Passear no carrinho é bem mais interessante do que ficarmos deitados no berço. O mundo pode ser explorado e está ao alcance dos nossos olhos e mãos, sem o esforço de nos sustentarmos em pé.
A minha cadeira foi apresentada aos 14 anos. Época em que uma menina, preferiria se aventurar no mundo com os próprios pés, correndo na beira da praia, sentindo o frescor da matas e o calor do asfalto, brincando de deixar de ser criança. Mas não tive escolha. Minhas pernas enfraqueceram, meu corpo ficou bem pesado… E os colos não conseguiam me carregar mais por aí como cadeiras falantes.
A única alternativa foi me sentar nela e sentir sua magia. Mesmo com muito receio, me adaptei as suas duas rodas grandes e duas menores, e aos olhares de todos que agora pareciam ser sempre maiores e mais altos do que eu. Só fui entender a liberdade que esta cadeira me proporcionou, depois que ela começou a fazer parte do meu corpo, e eu a confundir com minhas pernas e pés.
Hoje só não a levo comigo quando vou deitar na cama, cochilar no sofá ou em uma poltrona bem macia. Por que na maioria do tempo, sem ela, não sou ninguém! É com ela que assumo minha personalidade. Mesmo quando o taxista pergunta com discriminação, se ela também vai comigo no carro, porque sem ela não consigo chegar ou sair dos lugares.
É com ela que participo de cursos; escrevo; trabalho; vou até à natação; viajo; conheço novos lugares, converso com pessoas; faço palestras; danço, rodopio; carrego mochilas mais pesadas do que meu corpo; enfrento areias macias e difíceis de passar até encontrar as ondas dos mares ou o frescor dos jardins e a beleza dos museus.
Quando chego aos teatros ou salas de cinema, não preciso me preocupar em escolher a melhor cadeira, porque sempre estou com a minha. E mesmo desviando de buracos, subindo em guias íngremes, passando por poças de água, descendo rampas desniveladas, saltitando sobre os pedregulhos; nunca deixo de levar ela comigo porque sem ela não teria acesso ao desfrutar da vida. Hoje não temo mais a prisão que ela supostamente me colocaria quando a imaginava parada, sozinha em um cantinho da sala assistindo TV.