ACORDAR DO DIA

doc | SD | cor | 33 min | 2009

Na manhã da aldeia, uma bruma envolve e desfaz os limites concretos dos corpos, das posições, das idades. A ela junta-se a fumaça dos fogos caseiros e o cheiro do café coado. Os que ali rodeiam, esperam, convivem devagar, com a certeza de que são donos em sua própria casa. No caminhão em direção à cidade de Batinga, estamos todos invadidos por cortes: cercas, sacos, moedas, movimentos bruscos, palavras ríspidas. Todos eles acusam um maior e primeiro corte: os Tikmũ’ũn ultrapassaram a fronteira, estão no mundo dos mestres dos objetos, numa civilização onde cada coisa tem seu lugar. A presença deles na feira expõe a dura relação entre esses dois mundos. Batinga, uma pequena cidade na fronteira entre Minas Gerais e Bahia, é chamada pelos Tikmũ’ũn como Tatoka, 'o tatu está caro', como lhes diziam os habitantes da cidade, antigamente, quando os Tikmũ’ũn lhes traziam tatus para vender.

O filme foi realizado no âmbito do projeto Imagem-Corpo-Verdade – trânsito de saberes entre os Tikmũ’ũn.


Direção e fotografia: Derli Maxakali, Marilton Maxakali, Juninha Maxakali, Janaína Maxakali, Fernando Maxakali, Joanina Maxakali, Zé Carlos Maxakali, Bernardo Maxakali, João Duro MaxakaliMontagem: Mari CorrêaNarração: Marilton MaxakaliProdução: Rafael Barros, Renata OttoRealização: Filmes de Quintal/Catitu Aldeia em Cena/UFMGCoordenação: Rosângela de Tugny