TRAVESSIA
- uma pesquisa [e provocação] sobre gerações
TRAVESSIA
- uma pesquisa [e provocação] sobre gerações
Somos três atores formados pelo Teatro Escola Macunaíma entre 2012 e 2013. Desde então, temos participado de diversas produções profissionais na cidade de São Paulo e também em outras regiões, com apresentações e participações em festivais, explorando diferentes estilos e linguagens — principalmente com a tocARte Cia. Teatral, fundada em 2011.
Em 2025, nos reunimos novamente com o desejo de criar um espetáculo que abordasse o envelhecimento, o etarismo e o lugar das pessoas idosas na sociedade contemporânea.
Nome da peça: Travessia
Roteiro & Texto: Gislaine Mendes
Gênero: Drama (com Comédia)
Duração: 45 minutos
Classificação: a partir de 12 anos de idade
Adaptação & Direção: Thiago Reimberg
Produção: tocARte Cia. Teatral
Figurino: Sandra Crobelatti
Desenho de Luz: Thiago Reimberg
Elenco
Gislaine Mendes, atriz formada pela Recriarte Escola de Arte e Comunicação, atuou em diversas montagens teatrais em diferentes companhias. É também bailarina e possui experiência nas artes circenses, integrando múltiplas formas de expressão corporal em sua pesquisa artística.
Como dramaturga, reúne essa vivência construindo narrativas que investigam o corpo e a potência criativa e poética.
Este espetáculo nasce do encontro com histórias silenciadas, vividas entre paredes de um asilo e ecos de uma sociedade que não sabe — ou não quer — escutar. Em meio ao abandono e à sensação de inutilidade, algo insiste em permanecer vivo: o sonho.
A obra investiga as rupturas entre gerações e questiona a pressa dos jovens frente à espera dos mais velhos. Não busca respostas fáceis, mas tensiona a forma como lidamos com o envelhecimento: como se ele fosse o fim de um trajeto, e não o início de uma outra caminhada.
Aqui, o palco é espaço de resistência, de memória e de reinvenção. Porque enquanto houver sonho, ainda há o que dizer. E talvez o que esteja faltando não seja tempo — mas escuta.
Sobre o Diretor
Thiago Reimberg é ator, dramaturgo, diretor e Licenciado em Teatro pela Universidade Federal da Paraíba. É pesquisador de Teatro Negro e cofundador da Trupe Alurô. Além disso, também possui formação como artista de voz e dublador.
Há 10 anos ininterruptos vem explorando sua potência no campo teatral, tendo sido estagiário na Cia. Paideia de Teatro (SP) e participado de espetáculos como “Vamos para Escola!”, ganhador dos prêmios APCA 2018 - Teatro Infantojuvenil, Grande Prêmio da Crítica e Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem - Categoria Especial. Participou também do espetáculo “KREIDEKREIS”, espetáculo bilíngue (Português/Alemão) em parceria com o GRIPS Theater (Berlim, Alemanha).
Atuou como dramaturgo e diretor do espetáculo infanto-juvenil “A Concha e a Sopeira”, vencedor de 13 prêmios, incluindo melhor direção e melhor espetáculo. O espetáculo também integrou a programação do XVIII Festival Internacional Paideia de Teatro.
No audiovisual, participou como ator do curta “VOX GPT”, foi diretor de “Luz Insistente” e preparador de elenco em “Vínculo”.
A pesquisa e os motivos de fazê-la
Ao longo de nossa pesquisa sobre o envelhecimento, buscamos compreender o distanciamento entre como o idoso percebe a si mesmo – no presente e em seu futuro – e a visão que a sociedade, muitas vezes, projeta sobre ele. Em uma das fases do estudo, visitamos um asilo e nos deparamos com sentimentos marcantes: a sensação de estarem “descartados”, esquecidos por uma sociedade que valoriza excessivamente a juventude e o desempenho físico. Muitos idosos expressaram um sentimento de inutilidade, como se sua participação ativa na vida tivesse sido encerrada.
Mas, ao mesmo tempo, algo muito forte se revelou: o sonho permanece. Os olhos brilhavam ao falar de desejos, de vontades não realizadas, de ideias que continuam vivas, embora muitas vezes ignoradas ou desacreditadas. A questão não é a ausência de sonhos – é a ausência de permissão, de espaço e de incentivo para continuar sonhando.
Optamos por essa pesquisa porque sentimos na pele a transição entre gerações. Estamos em um momento em que refletimos sobre o que é envelhecer – em nossos familiares, em nós mesmos. E o que mais salta aos olhos (e ao coração) é a falta de interação entre as gerações. A juventude corre, o idoso espera. Mas por que não andar juntos?
Envelhecer não deveria ser sinônimo de limitação, mas de transformação. A energia antes investida no físico pode agora alimentar projetos criativos, relações mais profundas, trocas de saberes. O que falta muitas vezes não é tempo, mas oportunidades: de se sentirem úteis, de terem autonomia, de poderem fazer escolhas e seguirem sonhando – como qualquer pessoa.
Nosso objetivo com este trabalho é, acima de tudo, despertar consciência. Trazer à luz o contentamento possível na velhice, que nasce do reconhecimento, da escuta, do respeito. Mostrar que o idoso ainda pode – e deve – ser protagonista de sua própria história. A idade não encerra sonhos; apenas os convida a florescer de um novo jeito.
Afinal, todos estamos nessa travessia. E construir pontes entre gerações pode ser o caminho mais bonito e necessário para um futuro mais humano e mais inteiro para todos.
26/09/2025
Associação São Joaquim de Apoio à Maturidade (Carapicuíba, SP)
03 e 04/10/2025
Paideia Associação Cultural (São Paulo, SP)
15, 16 e 17/05/2026
Teatro Escola Macunaíma (São Paulo, SP)
29 e 30/08/2026
Teatro da Confraria (São Paulo, SP)
https://www.flickr.com/photos/andersonriedel/albums/72177720329351832/
Fotógrafo: Anderson Riedel
Um novo projeto teatral chega à cena com a proposta de provocar reflexão e empatia sobre o envelhecimento, tema ainda cercado de estigmas e silêncios na sociedade contemporânea. Fruto de uma extensa pesquisa artística e social, o espetáculo nasce do contato direto com idosos residentes em asilos e transforma suas vivências, sentimentos e sonhos em matéria cênica.
A obra parte de relatos reais marcados pelo abandono, pela sensação de inutilidade e pelo distanciamento familiar e social. Durante a pesquisa de campo, os criadores se depararam com uma realidade recorrente: muitos idosos se sentem “descartados” por uma sociedade que valoriza excessivamente a juventude, a produtividade e o desempenho físico. No entanto, em meio a esse cenário, algo se mostrou surpreendentemente vivo — o sonho.
“Os sonhos não desaparecem com a idade. O que falta, muitas vezes, é espaço, incentivo e escuta”, aponta a equipe criadora. No asilo visitado, os olhos dos idosos brilhavam ao falar de desejos, ideias e vontades ainda pulsantes, mesmo quando desacreditadas ou ignoradas pelo entorno.
No palco, o espetáculo investiga as rupturas entre gerações e questiona a pressa dos jovens diante da espera dos mais velhos. Sem oferecer respostas fáceis, a montagem convida o público a repensar o envelhecimento não como um ponto final, mas como o início de uma nova etapa de transformação, potência criativa e reinvenção.
A proposta também dialoga com a experiência pessoal dos artistas envolvidos, que vivem a transição geracional em suas próprias famílias e trajetórias. A falta de interação entre jovens e idosos surge como uma das questões centrais da obra. “A juventude corre, o idoso espera. Mas por que não caminhar juntos?”, provoca o espetáculo.
Mais do que uma encenação, o projeto se posiciona como um espaço de resistência, memória e escuta. A montagem defende que envelhecer não deve ser sinônimo de limitação, mas de mudança de ritmo, de aprofundamento das relações e de novas formas de participação ativa na vida.
Com linguagem sensível e forte apelo humano, o espetáculo busca despertar consciência e ampliar o debate sobre autonomia, respeito e protagonismo na velhice. A mensagem é clara: a idade não encerra sonhos — apenas os convida a florescer de outra maneira.
Ao lançar luz sobre histórias frequentemente invisibilizadas, a obra reafirma a importância de construir pontes entre gerações como caminho para um futuro mais humano, mais atento e mais inteiro para todos.
Rider de Luz
Nossa luz teatral nasce da simplicidade. É uma iluminação discreta, direta e descomplicada, pensada para valorizar o essencial: a presença, o gesto e a palavra. Nada de excessos — apenas o necessário para criar atmosfera, destacar intenções e guiar o olhar do público com naturalidade.
Trabalhamos com uma luz que não chama atenção para si, mas que revela. Uma luz que se coloca a serviço da cena, que apoia cada movimento sem roubar o protagonismo. Seu desenho é sutil, porém preciso; sua intensidade é suave, mas eficiente. Ela cria profundidade, sugere emoções e constrói sentidos sem jamais pesar.
É essa simplicidade inteligente que dá identidade ao nosso trabalho. Uma iluminação que respira junto com os atores, acompanha a narrativa e transforma o espaço com pequenos gestos luminosos. A luz que usamos é, antes de tudo, uma parceira da cena — delicada, funcional e profundamente humana.
Com base nas pesquisas realizadas e nos estudos desenvolvidos ao longo deste projeto, adquirimos o conhecimento técnico e metodológico necessário para planejar e oferecer as oficinas descritas a seguir, estruturadas de acordo com os objetivos e resultados identificados.
Oficina 1
O TEMPO EM CENA
Esta oficina terá como foco o estudo e a prática do tempo de atuação — que envolve deslocamentos, falas, pausas, escutas e ações físicas — em relação ao tempo dos atores e atrizes em cena. Serão exploradas formas de trabalhar e organizar esse tempo de maneira consciente, visando fortalecer a construção das cenas e potencializar seu impacto. O domínio do tempo cênico é fundamental para garantir a compreensão do público, manter seu interesse e aprofundar a relação com a peça e os temas apresentados.
Oficina 2
O CORPO EM CENA
O corpo do ator: investigação do que constitui o corpo do ator e de como ele pode ser trabalhado por meio de exercícios e práticas cênicas para que as personagens se tornem mais reais, presentes e críveis em cena.
Diversidade de corpos e personagens: estudo dos diferentes tipos de corpos e de como cada um pode dialogar com distintos perfis de personagens, explorando possibilidades físicas, gestuais e expressivas na construção cênica.
O corpo na interpretação teatral: reflexão e prática sobre o corpo como elemento fundamental da interpretação teatral, compreendendo-o como base da ação, da expressão e da comunicação com o público.
Público-alvo (para ambas as oficinas acima)
Adolescentes, adultos e pessoas da melhor idade com interesse em teatro e sensibilidade para os temas abordados. O conteúdo das oficinas não contempla a faixa etária infantil.
Metodologia (para ambas as oficinas acima)
As oficinas acontecerão em espaços abertos e vazios (palco, salas, pátios, parques etc.), com exercícios que estimulam o corpo, a expressão e a percepção do espaço cênico, promovendo o despertar da presença e da consciência teatral.