Precisamos Enterrar Esse Homem
Precisamos Enterrar Esse Homem
O GRUPO
O que acontece quando três gerações do Teatro Escola Macunaíma se encontram? No nosso caso, o resultado foi uma conexão imediata que atravessa o tempo. Formados em 2012, 2016 e 2024, nossos caminhos se cruzaram através do olhar generoso de uma ex-professora e amiga em comum, que soube identificar o que ainda não sabíamos: que nossas buscas artísticas falavam a mesma língua.
Tudo começou de forma técnica — a procura por um operador de luz para uma peça. Mas, nos bastidores, a afinidade "deu liga". A luz que buscávamos para o palco acabou iluminando o início de uma parceria maior. Logo, o terceiro integrante se juntou ao grupo, convidado para um projeto que, na época, não tinha nome, não tinha estrutura e nem garantias, mas sobrava em vontade e urgência criativa.
Eis que estamos aqui. Unindo a experiência de quem já rodou o palco com o frescor de quem acaba de chegar, fazendo teatro da forma que acreditamos: com entrega, coletividade e, acima de tudo, fazendo o que gostamos muito de fazer.
RELEASE
PRECISAMOS ENTERRAR ESSE HOMEM nasce da urgência de olhar para as estruturas de poder que atravessam a sociedade contemporânea e questionar os discursos que insistem em determinar quem pode existir, ocupar espaços e ser ouvido.
Entre o confronto e a delicadeza, o espetáculo investiga os mecanismos de silenciamento, a masculinidade tóxica, o machismo e a homofobia, expondo comportamentos sustentados pela intolerância e pela necessidade de controle sobre o outro. Em cena, a arrogância dos discursos dominantes é colocada em xeque para dar lugar a outras narrativas: aquelas construídas pela diversidade, pela pluralidade e pela liberdade de ser.
Mais do que denunciar violências, a obra reivindica a potência da existência em todas as suas formas. O palco se transforma em um território de resistência, onde a homossexualidade e as múltiplas identidades deixam de ocupar margens para assumir o protagonismo da própria história.
Resultado de uma pesquisa artística sobre as relações humanas e a ausência de empatia em nosso tempo, o espetáculo propõe uma experiência de encontro e reflexão coletiva. Um convite a abandonar estruturas ultrapassadas e a construir, por meio do diálogo, novas possibilidades de convivência.
PRECISAMOS ENTERRAR ESSE HOMEM é um manifesto cênico sobre a urgência de transformar o mundo em um espaço mais justo, acolhedor e livre. Um chamado para que a diversidade não seja apenas tolerada, mas celebrada como força fundamental da nossa existência.
FICHA TÉCNICA
Nome da peça: Precisamos Enterrar Esse Homem
Gênero: Teatro Contemporâneo / Drama Social
Direção: Lucas Stevanato
Dramaturgia & Textos: Criação Coletiva - tocARte Cia. Teatral
Elenco: Felix Liebrecht e Michael Rocha
Desenho de Luz: Lucas Stevanato
Operação de Luz e Sonoplastia: Lucas Stevanato
Cenografia & Figurino: Criação Coletiva - tocARte Cia. Teatral
Produção & Realização: tocARte Cia. Teatral
Design Gráfico: Felix Liebrecht
Fotografias de Divulgação: Felix Liebrecht
Duração: 45 a 60 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Temáticas: diversidade, pluralidade, enfrentamento ao preconceito, homofobia e masculinidade tóxica.
Proposta Estética: utilização de áudios intercalados, construção de uma atmosfera disforme e foco no trabalho do ator como elemento central da encenação.
ELENCO
Felix Liebrecht
"O teatro entrou na minha vida em 2004, quando iniciei meus estudos na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), no Rio de Janeiro. Desde então, a arte teatral tornou-se muito mais do que uma atividade artística: passou a ser uma forma de compreender o mundo, provocar reflexões e dialogar com questões que fazem parte da vida contemporânea.
Ao longo dessa trajetória, busquei aprofundar minha formação e meu olhar sobre a cena. Em 2012, profissionalizei-me no Teatro Escola Macunaíma, em São Paulo, consolidando uma caminhada dedicada à pesquisa, à interpretação e à criação teatral. A experiência adquirida ao longo dos anos permitiu o desenvolvimento de trabalhos voltados não apenas ao entretenimento, mas também à reflexão crítica sobre o comportamento humano, as relações sociais e os desafios do nosso tempo.
Minha paixão pelo teatro nasce da convicção de que a arte pode ampliar perspectivas e estimular questionamentos. Acredito que o palco é um espaço privilegiado para abordar temas relevantes da sociedade, convidando o público a enxergar diferentes pontos de vista e a refletir sobre aspectos muitas vezes invisíveis do cotidiano.
Mais do que representar personagens, faço teatro porque acredito em seu poder de comunicar, sensibilizar e promover encontros entre experiências, ideias e realidades distintas. É essa busca constante por diálogo e transformação que continua motivando minha trajetória artística."
Michael Rocha
SINOPSE
Em um cenário onde as estruturas de poder, o silêncio e o preconceito tentam ditar as regras, a peça propõe um espelho incômodo e necessário da sociedade atual. Através do contraste entre discursos de discriminação, machismo e homofobia e a busca urgente por espaço, o espetáculo expõe os tipos de comportamento e masculinidade tóxica que não encontram mais lugar em um mundo que exige evolução. É um manifesto cênico que confronta a arrogância daqueles que acreditam estar no topo e isolam as minorias em caixas de silenciamento.
Mais do que apontar as feridas da intolerância, a montagem celebra a pluralidade, a homossexualidade e a aceitação de todas as existências. Abrindo mão do desejo de controle ou de poder opressor, convidamos o público a um mergulho visceral pela liberdade de ser e amar. Trata-se de um chamado urgente ao respeito mútuo e à empatia, transformando o palco em um território de resistência onde a diversidade não apenas sobrevive, mas é a protagonista da cena.
SOBRE O DIRETOR
Ator, diretor e artista-educador, Lucas Stevanato nasceu e cresceu em Pirituba, na zona noroeste de São Paulo. Sua trajetória se constrói no entrelaçamento entre arte, educação, território e comunidade, abrangendo a criação cênica, a formação artística e a mediação cultural.
Graduado em atuação pelo Teatro Escola Macunaíma, iniciou na direção como assistente em montagens infantis e adultas. Essa vivência lapidou sua compreensão da carpintaria cênica, despertando o interesse pela condução de elencos e narrativas. Em 2017, cofundou o grupo de comédia Loucos São Vocês, onde atuou como diretor até 2022 liderando espetáculos autorais que utilizavam o humor como ferramenta de reflexão e conexão popular.
Sua assinatura artística investiga o teatro como potência de expressão crítica e transformação social. Por meio de processos colaborativos, valoriza a escuta de memórias individuais e coletivas para criar montagens que dialogam com dilemas contemporâneos em uma linguagem sensível e acessível.
Na pedagogia, dedica-se ao desenvolvimento de crianças e jovens através de projetos de iniciação teatral, montagens e ações formativas em escolas e centros culturais. Como artista-educador, busca estimular a autonomia, a criatividade e a expansão do repertório cultural dos estudantes.
Hoje, transitando entre palco, sala de aula e comunidade, Lucas reafirma o teatro como território de encontro e democratização, onde arte e educação se fundem para criar novos canais de participação social.
A PESQUISA
Este projeto nasce da urgência de investigar as dinâmicas de opressão, o preconceito e as estruturas de poder que moldam as relações sociais na nossa contemporaneidade. Nosso foco de estudo concentrou-se na análise dos discursos de intolerância — como o machismo, a misoginia e a homofobia —, buscando compreender como a busca por controle e o silenciamento operam no cotidiano. Através do mapeamento dessas condutas e da masculinidade tóxica, o trabalho joga luz sobre o isolamento e a invisibilidade impostos àqueles que não se alinham aos padrões dominantes.
Por outro lado, o cerne da nossa investigação artística reside na contraposição a esse cenário: a resistência, a pluralidade e a busca por liberdade e aceitação de todas as existências. Ao confrontar a arrogância e o conservadorismo, a pesquisa cênica busca dar voz e espaço à homossexualidade e à diversidade, combatendo ativamente as forças que tentam anular o direito à manifestação plena da identidade. O objetivo é compreender o abismo gerado pela falta de empatia para, a partir daí, propor caminhos de transformação.
Propusemo-nos a este estudo para questionar os comportamentos que não toleramos mais em nosso convívio e para transformar o fazer teatral em uma ferramenta de conscientização crítica. Acreditamos que o palco deve funcionar como um território de escuta, autonomia e respeito mútuo, abrindo mão do desejo de controle em prol da igualdade. Este espetáculo é um chamado ao debate coletivo e uma provocação necessária sobre a urgência de construirmos pontes e garantirmos que a diversidade seja a verdadeira protagonista da história.