Se muito vale o já feito, mais vale o que será: 

Unidade e compromisso na defesa do projeto ético-político


O Serviço Social brasileiro chega aos 90 anos de existência enquanto uma profissão compromissada com a defesa da justiça social, pautada pelo projeto ético-político crítico, comprometido com a democracia e os direitos humanos. Tem sua história marcada por uma profunda transformação, evoluindo de uma prática focada na filantropia e no ajustamento social para a consolidação e ampliação dos direitos sociais, amparada na perspectiva crítica da realidade social.


A chapa “Se muito vale o já feito, mais vale o que será: Unidade e compromisso na defesa do projeto ético-político” se constitui do acúmulo histórico, político e coletivo construído no CRESS-MG, em diálogo permanente com as diretrizes do Conjunto CFESS-CRESS e com a direção social crítica do Serviço Social brasileiro. Sua formulação reconhece que a história da profissão é resultado da organização coletiva da categoria, mas também que o projeto ético-político se constrói no enfrentamento cotidiano às expressões da questão social e às condições concretas de trabalho da classe trabalhadora.


A escolha do nome carrega um sentido político-pedagógico profundo. A frase “Se muito vale o já feito, mais vale o que será”, da canção O que foi feito deverá (De Vera), de Milton Nascimento e Fernando Brant, remete à valorização da memória, das lutas e das conquistas históricas, sem perder de vista a necessidade de projetar o futuro. Ela expressa a compreensão de que os avanços alcançados pelo CRESS-MG nas últimas gestões são fundamentais e necessitam de continuidade diante dos desafios que se impõem à categoria no atual contexto de intensificação da precarização do trabalho e do desmonte das políticas públicas.


Em Minas Gerais, as e os assistentes sociais vivenciam de forma aguda a precarização das relações de trabalho, expressa em baixos salários, ausência de piso salarial digno, vínculos temporários, terceirizações, sobrecarga de trabalho, falta de condições éticas e técnicas e adoecimento físico e mental. Essas condições atingem diretamente a classe trabalhadora e impactam de modo particular o exercício profissional, tensionando cotidianamente os princípios do Código de Ética, que afirmam a defesa dos direitos humanos, do trabalho digno e da valorização profissional. Diante desse cenário, “o já feito” precisa ser reconhecido, mas “o que será” exige organização, enfrentamento político e fortalecimento do CRESS enquanto instrumento coletivo da categoria.


A chapa se apresenta também a partir dos desafios enfrentados na execução das políticas públicas, em um estado marcado por profundas desigualdades regionais, subfinanciamento das políticas sociais, ausência de concursos públicos e fragilização da rede socioassistencial. As e os assistentes sociais atuam, muitas vezes, em contextos institucionais instáveis, pressionadas e pressionados por respostas imediatistas, focalizadas e desprovidas de garantias estruturais, o que tensiona a defesa das políticas sociais como direitos e como instrumentos de transformação social.


Esses desafios se agravam diante dos contextos sociopolíticos e das crises estruturais que atravessam Minas Gerais: desigualdade social persistente, concentração de renda, expansão do trabalho informal e precarizado, situações de trabalho análogo à escravidão e impactos sociais de crimes ambientais, como os rompimentos de barragens. Nessas realidades, as e os assistentes sociais são chamadas e chamados a intervir nos limites das políticas públicas existentes, reafirmando o caráter político da profissão, mas também evidenciando que a efetivação de direitos depende de lutas coletivas mais amplas.


É nesse contexto que a chapa se afirma como uma proposta de continuidade crítica e de unidade na diversidade. Ao reunir candidaturas da Sede (Belo Horizonte) e das Seccionais de Juiz de Fora, Montes Claros e Uberlândia, reafirma o compromisso com a descentralização, a participação ampla e o reconhecimento das particularidades regionais de Minas Gerais, compreendendo a unidade como construção coletiva, plural e democrática.


“Mais vale o que será” expressa, portanto, o horizonte político desta chapa: fortalecer o CRESS-MG como espaço estratégico de organização da categoria, de defesa intransigente do projeto ético-político, de enfrentamento à precarização do trabalho e de resistência aos retrocessos sociais. Trata-se de seguir afirmando o CRESS como instrumento coletivo da classe trabalhadora e do Serviço Social, comprometido com a democracia, os direitos sociais e a emancipação humana.


Porque, se muito vale o já construído, mais vale - e nos convoca - o que ainda será: coletivamente, na luta, na unidade e no compromisso ético-político com a profissão e com a classe trabalhadora mineira.