A implantodontia passou por várias fases até que chegássemos ao período contemporâneo e que corresponde à aplicação dos conceitos da osseointegração. Implantes dentários confeccionados com vários tipos de materiais (ouro, vitálio, tântalo, aço inoxidável, entre outros), foram indicados no passado, até que, Branemark, propôs o conceito da osseointegração, passando a indicar, na reposição dos dentes naturais perdidos, apenas, implantes confeccionados em titânio.
Conceitos de osseointegração e fibrointegração
Existe osseointegração quando há uma união anatômica e funcional entre o tecido ósseo do receptor do implante e a superfície deste. O que se busca com a instalação dos implantes é, portanto, a osseointegração. Para que a osseointegração ocorra, deve existir um contato estreito entre o osso e o implante instalado, caso contrário, poderá ocorrer uma fibrointegração, o que não é, evidentemente, desejável. O objetivo da implantodontia é, portanto, a osseointegração.
Porque o titânio é o material de escolha?
O titânio é biocompatível, muito leve, resistente à corrosão, fratura ou desgaste, sendo seu módulo de elasticidade mais próximo ao do osso quando comparado com os outros materiais alternativos utilizados no passado.
Implantodontia em dois estágios, estágio único ou carga imediata.
Durante muito tempo indicou-se a instalação dos implantes em dois estágios, ou seja, na primeira fase (cirúrgica), instala-se o implante, aguardando de dois a seis meses para reabertura. Na segunda fase (protética), procede-se a exposição do implante e colocação do cicatrizador.
No estágio único, o implante e o cicatrizador são instalados na mesma sessão.
Já, na carga imediata, o implante é instalado, é mantido exposto e já é submetido à carga.
Cada caso deverá ser avaliado de modo individual, verificando-se à possibilidade clínica de carga imediata.
É sempre possível a reabilitação com implantes osseointegrados?
Á princípio sim, porém, devemos lembrar que, a instalação dos implantes depende de um bom remanescente ósseo e que permita a instalação dos implantes em uma posição ideal. Caso o paciente não possua um volume ósseo adequado, podemos realizar procedimentos reconstrutivos, solucionando, assim, até casos de reabsorções ósseas extremas e severas. As condições clínicas do paciente podem, também, em certos casos, contra-indicar procedimentos de implantodontia. Doenças tipo diabetes, cardiopatias, hipertensão arterial, entre outras, podem contra-indicar, temporariamente, a implantodontia.
Avanços em Implantodontia
Há cerca de 20 anos, iniciamos as nossas pesquisas na área de fatores de crescimento. Atualmente temos a oportunidade de orientar diversos trabalhos à nível de pós graduação (especialização, mestrado e doutorado), relacionados com o tema. A utilização de materiais osteoindutores (que induzem formação óssea), tipo BMP (proteína óssea morfogenética) ou PRF ( fibrina rica em plaquetas) já são utilizados como rotina no CESFACE.
Cirurgias guiadas, também, representam um avanço em implantodontia, diminuindo a necessidade de procedimentos reconstrutivos pré instalação de implantes e tornando o procedimento cirúrgico mais fácil e predizível.