CAPÍTULO 01 – HOMICIDIO SOCIAL.
Era por volta das 05:00 da manhã quando acordei, parece que o universo me dará um sinal de que algo não estava bem. Como de hábito estiquei minha mão ate o celular, e para minha surpresa tinha 35 mensagens no Instagram. Pensei ser mais algum dos surtos da Maria, ou apenas mais uma discussão dela como o Mike, que por acaso sempre aconteciam. De imediato abria-as e para minha surpresa. Em uma olhada rápida, reconheci alguns rostos de pessoas dos quais tinha me afastado, eram meus ex...
- Haaaaaaaaaaaaaaaa, Mariaaaaaaa. Eu vou ti matarrrr.
Gritei pela janela em direção a casa vizinha, que por sinal era a casa da minha ex, e minha melhor amiga. Talvez? Se você está se perguntando qual o felizardo que tem a sorte de ser vizinho da ex, bem eu sou o felizardo. Era o que eu achava. E sim, a Maria era a minha ex.
A Falta de resposta vinda do outro lado do muro, me fez pensar que Maria estaria se escondendo. Ou dormindo tranquilamente sobre o tumulo que ela cavou para min. Não perdi tempo, e tratei de ler as mensagens e entender do que elas se tratavam o mais rápido possível. E para o choque de 0 pessoas, eu era o assunto no meu grupo de ex. Eu e meu crush não identificado.
- Eu, Maria, Bernado, Leo e Mike. Falei para min mesmo, vendo os integrantes do grupo. Fiquei feliz por ser apenas esses quatro. O excesso de mensagem até o momento se tratava do surto que Mike deu ao ver o grupo, que maria tinha criado. E principalmente a primeira mensagem enviada no grupo.
Mensagem: Bom dia pessoas lindas, e algumas não tão agradáveis (Mike).
Bem esse grupo de imediato, pode assustar muitos de vocês, mas como uma pessoa em posição de fala, bem resolvida e madura. Resolvi criar esse grupo com todos os ex do CAIO para que ti alguma forma possamos ajudá-lo a superar esse crush secreto dele. Ou a pega-lo de vez. Vamos por o pensamento em dia, discutir o porquê de nossos relacionamentos com ele não ter dado certo. E ver o que podemos fazer a respeito. Porque eu não aguento mais ver ele sofrendo e fazendo drama como um canceriano descontrolado.
Conto com a compreensão de todos, e principalmente com a de Mike. Mike por favor seja o suporte presencial do Caio, porque neste exato momento estou bem longe da minha casa, para minha segurança.
Respeitosamente, Maria.
Sem sombra de dúvida, aquela mensagem/epitáfio tão formalmente escrita. Tinha sido feito com a ajuda do site gpt. Maria não se dará nem ao trabalho de pensar sozinha ao escrever o que ficaria eternamente sobre meu tumulo.
Desci correndo em direção da casa da meliante e ver se ela realmente estaria lá ou não, e mal dei bom dia para a Dona Ana, e voei pelas escadas em direção ao quarto vazio de Maria, então desci para a sala, ao encontro de Dona Ana, após ver o quarto de Maria totalmente imaculado.
- Dona Ana, a Maria...
- Ai meu filho que susto você me deu. Nem deu tempo de te avisar, mas Maria já foi para a casa dos avós dela. Ela não ti avisou?
- Pelo amor de Deus. Não, ela não me avisou.
- Que estranho. Você está bem meu anjo? Você está branco, está com frio?
- To bem Dona Ana, foi só um susto. Precisa falar com urgência com a Maria. Quando ela volta?
- Ela não me avisou meu filho. Mas acredito que ela vá demorar um pouco de tempo por lá. Ela ama a casa dos avos.
- TUDO BEM ENTAO... OBRIGADO.
Sai da casa de Maria, como se estivesse despersonificado do meu próprio corpo. A Maria tramara tudo perfeitamente. E ainda tinha uma saída de emergência para não me encarar pessoalmente então me lembrei...
Eu, Maria, Leo, Bernado e Mike. Mike? o MIKEEEE. O Mike não era meu ex, era meu melhor amigo. E por mais que negassem também era amigo de Maria. – Cumplice, traidorrrr... Era pouco mais de 06:00 horas da manhã, e já estava totalmente descompensado. Terapia nenhuma no mundo, me regularia naquele momento. Apenas o sangue dos meus amigos, bebida de canudinho direto do pescoço pálido e sem vida deles.
Tentei me acalmar um pouco, enquanto tomava banho. E esperava ficar mais tarde, para ir a casa de Mike. Evitei ao máximo olhar para o celular, pensei em sair do grupo. Ou bloquear todo mundo. Mas não estava devendo a ninguém, e muito menos pretendia. Então ficaria, para ver o que aconteceria quando meus ex’s se manifestassem. Não esperava nada de briga da parte deles, mas esse e um território perigoso, e pouco explorado pelo bom senso humano.
Quando fui até a cozinha para fazer meu café da manhã me deparei com minha mãe sentada tomando chá. Quando vi a expressão dela, notei a surpresa estampada ao me ver acordado aquela hora. Parece que aquele dia seria assim, cheio de surpresa, ou sustos.
- Bom dia, meu amor. Está se sentindo bem? Acordou cedo demais.
- To acordado desde as 05:00 mãe.
- Ammm? O que foi? Vai Sair?
- Vou sim, mas estou bem. Só um pouco agitado.
- Já tomou a sua medicação meu bem?
Eu tinha ansiedade psicossomática, tinha ataques de pânico constantemente, até iniciar o tratamento e começar a tomar medicação.
- Não, acabou, já tem uma semana. Tem que pedir pro pai comprar mais. Mas a receita venceu. Tem que passar no consultório antes.
- Por que você não avisou antes?
-... E. Desconversei evitando entrar na conversa.
Eu já estava no último ano do ensino médio, estava prestes a completar 18 anos. Mas não tinha mais a confiança dos meus pais, para comprar meus remédios. Ou para tomá-los sem supervisão. Teve uma época não muito tempo atrás, que comecei a viciar nos remédios que me eram receitados para o tratamento da ansiedade. Bem essa era a história oficial que contei na escola. Na minha cabeça prefiro ser olhado como viciado acidental, do que um suicida em potencial. Socialmente e menos visto como coitadinho.