Nasceu a poucos dias de começar a primavera no hemisfério sul, em uma pequena cidade uruguaia chamada Tacuarembó. De família humilde, começou a trabalhar desde cedo em diferentes ofícios (vendedor aprendiz em uma autopeças, no setor administrativo em uma imobiliária, taquígrafo etc.) até poder se dedicar às suas atividades intelectuais, exercendo a profissão de tradutor, jornalista, crítico literário, ensaísta, dramaturgo, contista, romancista e poeta. Sua vasta produção revela a versatilidade do autor e a paixão pela escrita. Devido a sua preferência temática, ficou conhecido como o poeta do amor. Seus versos profundos têm servido de citações anos após anos, em declarações de amor de namorados.
Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos.
Mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible.
(Táctica y estrategia, Mario Benedetti)
Mas além de retratar um sentimento tão intenso como o amor, o poeta também escreveu recorrentemente sobre a solidão, a nostalgia e a monotonia do cotidiano. Como Benedetti era militante, não é de se estranhar que alguns de seus escritos tocassem em temas que denunciavam a desigualdade social, principalmente a de classe e a de poder. Por isso, era também o que podemos considerar um escritor engajado, focado na denúncia, mas principalmente na esperança de dias melhores.
Mario Benedetti morreu no dia 17 de maio de 2009, aos 88 anos de idade.
Para homenagear o escritor, os/as estudantes de espanhol do campus Campos do Jordão, desde os cursos técnicos integrados ao ensino médio, até o curso superior em Gestão em Turismo, produziram vídeos nos quais recitam seus poemas ou contos. A ação faz parte da programação da VIII Semana do Livro e da Biblioteca de Campos do Jordão, organizada pela Biblioteca Pedro Paulo Filho.
Os vídeos podem ser acessados pela página @espanholifspcjo, no Instagram.
A página ficará disponível até final de 2025. Prestigie!
despabílate amor y toma nota
sólo en el tercer mundo
mueren cuarenta mil niños por día
en el plácido cielo despejado
flotan los bombarderos y los buitres
cuatro millones tienen sida
la codicia depila la amazonia
(Despabílate amor)
cantamos porque creemos en la gente
y porque venceremos la derrota
cantamos porque el sol nos reconoce
y porque el campo huele a primavera
y porque en este tallo en aquel fruto
cada pregunta tiene su respuesta
cantamos porque llueve sobre el surco
y somos militantes de la vida
y porque no podemos ni queremos
dejar que la canción se haga ceniza.
(Por qué cantamos)