Receita base para engobe branco:
argila branca 100%
frita alcalina 20 a 30%
Adicione óxidos metálicos ou corantes (estes “mancham” menos que os óxidos) para colorir o engobe branco. Observe algumas sugestões:
verde: óxido de cromo 8% + óxido de manganês 2%
marrom: óxido de ferro vermelho 5% + óxido de manganês 5%
azul: óxido de cobalto 10 a 15%
verde azulado: óxido de cromo 5% + óxido de cobalto 5%
Basicamente um engobe é argila líquida (slip, em inglês) utilizada para revestir e colorir peças modeladas em argila ainda cruas. Assim, o engobe deve ter cor diferente da peça a ser pintada.
Por exemplo, quando se deseja cobrir de branco uma peça terracota que receberá um vidrado azul transparente.
O engobe é aplicado sobre a argila crua e úmida (em ponto de couro) para que ambos encolham juntos durante a secagem. Deve ser da consistência de iogurte mais para líquido, aplicado com pincel macio e “gordinho” duas ou três vezes, em direções diferentes para cobrir bem a superfície. Também podem ser aplicados por imersão, rolagem ou pulverização.
Esta superfície pintada ainda em ponto de couro pode então ser brunida ou polida. Com uma pequena pedra polida você pode brunir a superfície repetidas vezes. Quando mais polida a peça, mais acetinada será após a queima.
Peças engobadas ainda em ponto de couro permitem o emprego de várias técnicas:
sgrafitto: quando o engobe estiver seco, pode-se riscá-lo com uma ponta seca. Os desenhos terão a cor do corpo da peça.
máscaras: com um papel (pode ser jornal) molhado e no formato desejado, cobre-se a peça. Por cima, pinta-se com engobe. As máscaras e os engobes podem ser sobrepostos. Retira-se as máscaras e queimam-se as peças.
incrustação: faz-se riscos grossos no corpo cerâmico ainda em ponto de couro. Aplica-se com pincel o engobe dentro dos sulcos. Quando a peça estiver bem seca, raspa-se a superfície retirando os excessos dos sulcos.
Outra possibilidade é usar o engobe sobre peças cruas e secas (ponto de osso) ou ainda sobre peças biscoitadas. Neste caso, deve-se pesquisar e alterar a composição do engobe que deverá ser aplicado ainda mais líquido. Há sempre o perigo de descascar, pois está se usando uma argila que ainda vai encolher sobre outra que já encolheu.
Outra alternativa mais fácil e não tão econômica, é comprar engobes prontos, ou seja, vendidos pela indústria e observar se podem ser usados sobre peças já queimadas ou somente em peças cruas.
Como manipular engobes: peneirar as matérias-primas secas e em pó; pesar as quantidades indicadas na receita; misturar bem os ingredientes secos dentro de um recipiente fechado para não aspirar sílica e/ ou outros ingredientes; adicionar água e deixar descansar por 24h; misturar bem (eu bato em liquidificador, embora o ideal fosse um moinho-de-bolas ou pistilar demoradamente); peneirar em malha 120 ou 150 (quanto menor as partículas, mais fácil a fusão); adicionar mais água para uma consistência tipo iogurte líquido.
Eu manipulo meus engobes a partir de sobras de argilas brancas (faiança ou porcelana) e óxidos. Pode-se usar qualquer argila, de qualquer cor, desde que tenha encolhimento semelhante ao da peça para evitar descascamentos. A temperatura de queima corresponderá a temperatura de queima da argila empregada na composição do engobe.