Tradução livre do artigo: https://www.creactiviste.fr/2021/07/10-good-reasons-to-start-bal-folk/
No Balfolk, cada música é uma dança diferente: ora se dança em grupo, ora se dança com um par, pode ser em roda ou até a solo. Algumas são mais difíceis que outras, e algumas mais engraçadas que outras. Mas no geral podemos dançar desde a primeira noite, mesmo que tenhamos dois pés esquerdos. As danças são numerosas e simples o suficiente para os dançarinos te explicarem e, no final da noite, divertiste-te em pelo menos metade das danças.
Há danças para todos os gostos e sensações: desde danças energéticas que te vão fazer suar, a doces mazurcas e a sua atmosfera lenta.
Muitos jovens vêm o Balfolk como uma coisa velha com acordeonistas fazendo tzointzoin. E graças a Deus cresci – e envelheci também, o que me fez relativizar e ir além de minhas ideias pré-concebidas. Com a prática do Balfolk, tirei algumas conclusões:
também há muitos (muitos!) jovens
também há pessoas mais velhas, sim, mas também podemos dar boas gargalhadas com eles (além disso, todos nós somos o velho de alguém)
algumas pessoas mais velhas têm uma técnica de dança ou musical que só vai te dar uma bela chapada na cara jovem
A verdade é que uma das grandes qualidades desta dança é ser intergeracional. Haverá jovens, assim como famílias, pessoas de meia-idade, pessoas mais velhas. Vem, em parte, do facto de as danças serem variadas e por isso haver para todos os gostos, mas também da ideia de que não existe uma regra de físico ou estilo a respeitar, todos podem vir como são.
A transmissão de conhecimento de uma geração de dançarinos para a próxima é muito importante no Balfolk. As danças são ensinadas com a ideia de uma herança dançante a ser respeitada (mesmo que seja mais ou menos respeitada) e a ser salvaguardada (sim, sim), e vais ouvir muito sobre aprender 'por impregnação' que diferencia os “autênticos dançarinos locais”, de dançarinos como nós que descobriram o Balfolk mais tarde nas suas vidas.
Eu disse anteriormente que as danças folclóricas são fáceis. É verdadeiro e falso. Algumas danças podem ser muito técnicas, às vezes difíceis de dominar. Se dançar no baile é tolerante com a aproximação, o espaço para o progresso técnico para realmente ser um bom dançarino vai exigir muito tempo e trabalho.
O Balfolk é amplamente composto por danças francesas mais ou menos tradicionais, mas também inclui muitas danças de outros países (italianas, espanholas, suecas, portuguesas, israelenses, irlandesas e assim por diante). Estas danças estão inscritas numa história, num património. É um elo com o passado, seja dos salões austríacos ou poloneses do século XIX, seja dos camponeses berrichons franceses do século XVII.
Porém, o Balfolk não é um ambiente de encenação onde se usam trajes tradicionais. É um ambiente completamente diferente que não tem o mesmo objetivo. O Balfolk permanece maioritariamente num contexto de dança social.
É uma área de criação artesanal
A incrível criatividade da música Balfolk, é um dos seus maiores trunfos: em França, só dançamos TO LIVE MUSIC, por músicos de toda a Europa, amadores ou profissionais, e todos conceberam a sua música para ser dançada. O Balfolk é um campo incrível de criação musical. É um universo riquíssimo, com criações de altíssima qualidade. Nesta escala, não tem equivalente em outras danças.
Como já foi dito, o mundo do Balfolk está intimamente ligado à criação musical, aos músicos profissionais e amadores. Balfolk, também significa muitas jam sessions musicais, em toda a França (e na Europa), e há muitos dançarinos que começam a aprender o acordeão diatónico ou o realejo para poder entrar na jam session.
Também somos multi-dançarinos, acostumados a aprender novas danças, e muitas vezes nossos horizontes são mais amplos que os do Balfolk: dança de contato, tango, ioga … A população dos bailes folclóricos é variada e as influências externas são numerosas. Não é incomum nos festivais encontrar iniciações em outras danças e práticas artísticas.
É uma comunidade acolhedora
Como na vida real, não vamos esconder, também há dificuldades. Pessoas que não se encaixam, outras que têm dificuldade em serem convidadas, iniciantes que têm dúvidas sobre seu nível e bons dançarinos que só dançam com os amigos. Mas no geral, em comparação com outras comunidades de dança, o Balfolk é uma das comunidades de dança mais acolhedoras e inclusivas. E nós gostamos de pubs.
O Balfolk é uma disciplina internacional e os dançarinos e músicos franceses são muito bem recebidos. Existem vários festivais em vários países, e em cada festival partilhamos tanto uma base de danças comuns como descobrimos danças locais desconhecidas.
Para as minhas férias, hesito entre França, Itália, Espanha, Portugal, Bélgica, Holanda, República Checa… ou Polónia, porque não!
Ainda existem muitas outras razões que tornam o Balfolk uma grande comunidade e uma atividade gratificante. É um ambiente onde cada vez mais se fala em consentimento, liderança compartilhada, qualidade de transmissão... Um ambiente que vai quebrando gradativamente as barreiras dos papéis de género na dança, que ensina o respeito entre os parceiros. Uma comunidade de voluntários e apaixonados, que colocam o prazer da música e da dança em primeiro lugar e sem que isso vire um negócio (e mesmo que às vezes se torne difícil ganhar a vida, quando se é músico e não se come “paixão ”). Um ambiente que adoro e que espero que descubram!