Wilhelm Reich (1897-1957), psicanalista austríaco, discípulo de Sigmund Freud, em suas pesquisas, descobriu uma forma primordial de energia; a energia cósmica universal, a qual chamou de “Orgônio Cósmico”, quando em seu estado etéreo, ou livre de massa.
Essa energia, presente em todas as coisas, interpenetra e nutre todas as coisas do Universo Interdimensional, e é aparentemente onipresente e impessoal, permeando praticamente todos os planos de manifestação, assumindo outra forma quando se liga à matéria viva, deixando de ser puramente etérea (invisível) para apresentar-se como forma de vida. A essa forma bioenergética assumida pelo orgone (Energia Cósmica Primordial), quando ligado ao organismo individual, Reich denominou de “Bioenergia”, ou seja: “Energia da Vida”, ou ainda “Energia Vital”.
O nível de vitalidade que um organismo manifesta em seu movimento de vida, aponta para a fluidez, a livre circulação, ou o bloqueio dessa energia, razão pela qual Reich também se referia à bioenergia como: “o movimento expressivo da vida”.
Os termos “bioenergia” e “orgone” são equivalentes a outras denominações dadas à energia vital por diferentes pesquisadores e escolas filosóficas ao longo dos tempos: “Prana”; “Chi”; “Ki”; “Pneuma”; “Munia”, “Luz”; “Sopro Divino”; ou, simplesmente “Energia”, são alguns exemplos e, podemos ver que todos sugerem a ideia de movimento.
A palavra “Bio” significa “Vida” e a palavra “Energia” é derivada do grego "Energes" (ativo) que, por sua vez, deriva de "Ergon" (obra). Assim, pode-se traduzir “Energia” como sendo "Atividade"; "Movimento"; “Força dinâmica que gera movimento”.
Energia implica em movimento e a vida em si é movimento; portanto, é a interrupção do livre fluxo da energia, ou bioenergia, o fator que desencadeia o surgimento de doenças. O rompimento da energia do corpo físico, na qual ela circula, resulta na morte do corpo.
O Método Bioenergético de Tratamento natural, estuda, avalia e trata os seres vivos a partir da Bioenergia e da circulação desta no organismo, sendo, portanto, o objetivo do método, não o de tratar a disfunção (doença), mas sim o doente como um todo, constituído de espírito, mente, emoção e corpo. Quando o fluxo da Bioenergia (energia vital ou vitalidade) é harmonicamente restabelecido, através das diversas terapias naturais e holísticas, o estado de saúde também é restabelecido.
Por isso, não faz parte do método bioenergético, diagnosticar as disfunções (doenças - efeitos), mas sim, promover a saúde integral, através da recuperação da plena vitalidade do doente.
Convém um esclarecimento quanto aos métodos naturais e holísticos de saúde, que ainda hoje, são considerados alternativos. Estes métodos remontam ao oriente, onde há milênios são praticados e passados de geração para geração, com fundamentação em vivências e estudos aprofundados.
Alternativos são, na verdade, os métodos recentes de manutenção e recuperação da saúde, que surgiram como uma alternativa ao que já ultrapassa vários milênios.
Mesmo no ocidente, por longo tempo, em diversas culturas, o ser humano sobreviveu graças à sua forte ligação intuitiva com a natureza, de onde extraía seus meios para manter-se saudável, ou curar-se das enfermidades que se abatessem sobre ele.
Agora, está, simplesmente, sendo resgatado este precioso conhecimento, somando-o com as possibilidades atuais de conhecimento, onde se vê o ser humano de forma integral e holística, como parte de um Todo Universal, no qual vive integrado.
Segundo o pai da medicina, Hipócrates, “que o teu alimento seja teu medicamento e que teu medicamento seja teu alimento”.
Quanto sofrimento poderia nos ser poupado se soubéssemos interpretar a Natureza e suas Leis Universais.
Todos os acontecimentos em nossa vida obedecem a Leis e Princípios pré-estabelecidos desde o início dos tempos, para que a evolução universal aconteça em harmonia.
A partir do momento que tomamos conhecimento disto, ficaremos atentos a tudo, pois sabemos que os beneficiados e os prejudicados somos nós próprios pela obediência ou desobediência a estes “Estatutos Universais”.
Para elucidar, um exemplo conhecido é a LEI DA GRAVIDADE.
Se atirarmos uma pedra para o alto, ela subirá até certa altura e retornará em direção ao solo e, proporcionalmente a altura que ela subiu, será seu impacto ao cair no chão. Neste caso, poderemos reagir de dois modos:
1 - Conhecedor da Lei da gravidade, sairemos de lado para que a pedra ao retornar não caia sobre nossa cabeça.
2 - Desconhecedor, ou ignorando a Lei da gravidade, ficaremos parados olhando a pedra subir e retornar até que ela caia sobre nossa cabeça.
No caso da segunda alternativa, após a pancada, não adiantará nada xingar Deus e a tudo pelo galo que arranjamos na cabeça. A única culpa foi nossa, por desconhecer ou ignorar a Lei da gravidade. Como desconhecedor da Lei, até seremos perdoados, mas no caso de, mesmo sendo conhecedor dela ainda assim termos ficado parados no mesmo lugar, deixando a pedra cair sobre nós, seremos considerado culpados, pois apesar de sermos sabedores das conseqüências, ainda assim a ignoramos e desobedecemos.
A Natureza tem suas Leis e seus Princípios. Não é sua culpa se não nos interessamos em aprendê-las ou se as desobedecemos.
Exemplos de Leis Universais
- Lei da causa e efeito (ação e reação): toda ação conduz a uma reação, no mesmo sentido ou em sentido oposto, ou seja: colhemos o que semeamos;
- Lei da reciclagem: a natureza só se alimenta dela mesma;
- Lei da restituição: tudo que é retirado tem que ser reposto;
- Lei da origem: a energia vital é o princípio básico da natureza;
- Lei da individualidade: cada ser vivo tem sua própria natureza;
- Lei da sintonia: tudo é atraído segundo sua vibração energética;
- Lei da evolução: a natureza não dá saltos; tudo acontece em ciclos;
- Lei da atração: a vida é um estado de consciência.
Exemplos de Princípios Universais
- A Natureza não quebra suas próprias Leis
- A vida na Terra só é possível enquanto houver água
- Só há uma Força no Universo: A vida
- A maior Energia do Universo é o Amor
- As pesquisas científicas são válidas se fundamentadas nas Leis Universais
- Não há criação humana; apenas descobertas
- A Natureza vive sem o ser humano, mas este não vive sem a Natureza
- O que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra
- A ciência sem a espiritualidade é como um corpo sem alma
Estes são apenas alguns exemplos de Leis e Princípios Universais que regem a vida na Terra. A partir do momento que nos conscientizamos delas e as vivemos em nossas vidas, nós as assimilamos e tornamo-las naturais, comuns. Assim, elas deixam de ser Leis e se transformam em Graça, pois sempre saberemos como agir diante de qualquer situação. Não seremos mais tão vítimas das circunstâncias; seremos mais senhores de nosso destino.
TUDO QUE EXISTE, COEXISTE
Não podemos fragmentar a Vida, pois ela é Una e dinâmica, é um constante evoluir, onde as formas são expressões individualizadas, mas não individuais, da Vida Una que as permeia e preenche.
Ao tocarmos em qualquer uma das manifestações da Vida, seja ela mineral, vegetal, animal, humana, nas águas, em tudo que tenha Vida, estamos interferindo, de algum modo, em todo o Sistema Universal e isto terá uma reação equivalente.
Nada existe isoladamente. A mesma Vida que faz viver uma planta, um animal, uma pedra, a água, nos faz viver e faz com que TUDO VIVA. Tudo contém em si a mesma Essência Universal; somos constituídos, todos, da mesma Essência e, portanto, interdependentes, interagentes, unos.
Uma espécie, seja ela mineral, vegetal, ou animal (incluindo o gênero humano), interdepende da outra, não só da mesma espécie, como das outras espécies, para viver. Que seria do leão se não fosse a gazela? Que seria da gazela se não fosse a relva do campo? Que seria da relva do campo se não fossem a microvida do solo? Que seria da gralha se não fosse o pinhão? Que seria do pinhão se não fosse a gralha plantá-lo? Que seria da abelha se não fosse a flor? Que seria da flor se não fosse a abelha? Que seria da minhoca se não fossem as folhas e a relva seca? Que seria das folhas e da relva seca se não fossem as minhocas? Que seria do abutre se não fosse a carniça? Que seria da carniça se não fosse o abutre?
Nesta cadeia toda existe a simbiose, na qual uma espécie é parceira de outra, para ambas se desenvolverem e existe o parasitismo, no qual uma espécie vive da outra para sua sobrevivência. A espécie parasitada não servirá como sustentáculo apenas da espécie parasita, pois seus restos alimentarão, também, outras formas de vida.
Tudo que existe, coexiste.
Na Natureza não existe nada isolado. Tudo está intimamente relacionado entre si, interdependente e interagente. Cada espécie existente age e interage com outras causando e sofrendo ações e consequências decorrentes de seu modo de vida.
Vemos ao nosso redor que todas as espécies seguem um plano pré-elaborado de vivência, segundo uma natureza própria delas. Nenhuma espécie contraria sua própria natureza.
O leão não é vegetariano, nem a ovelha é carnívora. O elefante não vive nas árvores, nem os papagaios no chão. O hábito das corujas e morcegos é noturno e dos pardais e das gralhas é diurno. Cada espécie tem uma Natureza própria dela e a segue sem tentar mudar. Embora cada espécie seja distinta uma da outra, no conjunto, no sistema vital que constitui a vivência na Terra todas são interdependentes, interligadas, pois coabitam o mesmo espaço e na cadeia produtiva e na faixa evolutiva, umas alimentam as outras.
Que seria do leão se não fosse a gazela? Que seria da gazela se não fosse a relva do campo? Que seria da gralha se não fosse o pinhão? Que seria do pinhão se não a gralha para plantá-lo? Que seria da abelha se não fosse a flor? Que seria da flor se não fosse a abelha? Que seria da minhoca se não fossem as folhas e a relva seca? Que seria das folhas e da relva seca se não fossem as minhocas? Que seria do abutre se não fosse a carniça? Que seria da carniça se não fosse o abutre?
Vemos que tudo na Terra tem um sentido, uma forma de união, um elo vital. Até as espécies que nos parecem repulsivas, desnecessárias, insignificantes, desnecessárias, tem uma razão de ser, um sentido holístico, vital, fundamental.
Vemos que desde seus primórdios, há bilhões de anos, a Terra conserva esta harmonia cósmica, este “modus operandi”, sem alteração. Por isso mesmo é que tudo se mantém coeso, equilibrado, vivo, perfeito.
Não podemos, nós, seres humanos, nos julgar à parte desta orquestra afinada e rítmica, nem podemos ousar em ter a pretensão egoísta e equivocada de julgar algo fora do lugar e desnecessário, pois se faltar um componente que seja neste instrumental, a melodia desta sinfonia estará comprometida e a sua música ficará inacabada.
Que será de nós sem o ar puro, sem a água cristalina, abundante e pura? Sem a fruta madura, sem o mel? Que será de nós sem a terra fértil a nos ceder seus frutos? Que será de nós se não sobrar nada além de um deserto sem vida?
Não podemos prescindir nem por um momento do todo em que vivemos, por isso, também, como seres vivos integrantes de um sistema, somos responsáveis por tudo e por todos, pois fazemos parte de uma cadeia evolutiva como as outras espécies.
Das partes isoladas não se pode construir o todo, mas se pode revelar o todo.
O todo é muito mais do que a soma das suas partes, pois Ele é dinâmico, inteligente, vivo. Da soma do cálcio, ferro, fósforo magnésio, enxofre, etc, não se pode formar um corpo humano e muito menos fazê-lo ter vida, andar, pensar, sentir, nem tampouco se pode fracionar o todo totalmente. Mesmo que se consiga dissecar um corpo em partículas subatômicas, não se conseguirá tocar a Vida que o anima, a sua Consciência, o seu Sentir...o seu pensar...a sua essência. (Odilon Beilner)