A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), constituída em 1999, tem como objecto social promover o fim da guerra civil nas estradas portuguesas, advogando um pacto social que valorize a segurança e a cidadania nos transportes. Propõe-se defender os direitos humanos e cívicos dos transeuntes portugueses (sejam eles condutores, passageiros ou peões), e pugnar pela sua mobilização e responsabilização cívica. [Saber mais].
Foi igualmente enviada ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa a carta que fundamenta tecnicamente os pedidos formulados na petição e cujo link se encontra na página da Petição no link acima disponibilizado.
Texto da petição:
Os cidadãos abaixo assinados dirigem a presente petição à Assembleia Municipal de Lisboa, solicitando que recomende à Câmara Municipal de Lisboa a inclusão, no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), de metas concretas, calendarizadas e verificáveis para reduzir a poluição atmosférica causada pelo tráfego rodoviário.
1. A exposição prolongada à poluição atmosférica rodoviária causa mortes prematuras.
Segundo a Agência Europeia do Ambiente (EEA), a exposição prolongada a poluentes como dióxido de azoto (NO2) e partículas finas (PM2.5 e PM10) aumenta o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e cancro, estando associada a milhares de mortes prematuras todos os anos. Em Lisboa (centro urbano), os dados da EEA para 2022 estimam que a exposição prolongada a PM2.5 e NO2 esteja associada a cerca de 656 mortes prematuras relacionadas com PM2.5 e 331 mortes prematuras relacionadas com NO2.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis à poluição atmosférica associada ao tráfego rodoviário, uma vez que os seus pulmões e sistema imunitário ainda estão em desenvolvimento, e respiram proporcionalmente mais ar por quilo de peso corporal do que os adultos. A evidência científica demonstra que a exposição a poluentes como PM2.5 e NO2 contribui para o agravamento de doenças respiratórias, redução da função pulmonar e maior suscetibilidade a infecções respiratórias, com impactos potencialmente duradouros no desenvolvimento e saúde ao longo da vida.
2. Lisboa tem forte risco de incumprimento dos novos limites europeus de qualidade do ar.
A nova Diretiva Europeia da Qualidade do Ar, que Portugal terá de transpor até ao final de 2026, reduz significativamente os limites legais atuais para a poluição atmosférica, aproximando-os das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Estas alterações confirmam que os limites atualmente em vigor são insuficientes para proteger adequadamente a saúde pública, sobretudo em áreas urbanas densamente povoadas e expostas ao tráfego rodoviário.
Dados recolhidos em Lisboa evidenciam a existência de vários eixos urbanos em Lisboa com níveis de poluição atmosférica próximos ou acima dos novos valores-limite e um risco significativo de incumprimento futuro das metas europeias de qualidade do ar em várias zonas densamente urbanizadas da cidade. Por exemplo, a Avenida da Liberdade apresenta o quádruplo da concentração de dióxido de azoto máxima recomendada pela OMS.
3. O PMUS deve integrar o sistema de mobilidade com o ambiente e a saúde pública.
O PMUS terá que ter como objetivo a melhoria significativa da qualidade do ar e da saúde pública da população. A própria Comissão Europeia recomenda que os PMUS devem incluir objetivos mensuráveis, monitorização contínua, uso de indicadores e integração entre mobilidade, ambiente e saúde pública.
Por isso, consideramos essencial que o PMUS de Lisboa inclua:
- Metas concretas para reduzir a poluição atmosférica em conformidade com a nova Diretiva Europeia da Qualidade do Ar até 2030 e as recomendações da Organização Mundial da Saúde em 2040;
- Monitorização reforçada nas zonas com maior exposição da população a poluição atmosférica rodoviária;
- Divulgação ampla, acessível e em tempo real de dados de qualidade do ar da rede municipal de medição, devidamente calibrada, por censor tanto no local como online;
- Relatórios anuais com evolução da qualidade do ar e impacto atribuído a medidas implementadas no âmbito do PMUS.
A carta que desenvolve a fundamentação da petição, dirigida ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pode ser consultada aqui: https://tinyurl.com/yc7t7fma.
A petição é subscrita por várias organizações nacionais das áreas da mobilidade, ambiente, saúde pública, segurança rodoviária e proteção da infância:
- Estrada Viva - Liga de Associações pela Cidadania Rodoviária, Mobilidade Segura e Sustentável
- Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO)
- Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M)
- Conselho Português para a Saúde Ambiental (CPSA)
- Sociedade Portuguesa de Pneumologia Pediátrica e do Sono (S3PS) da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP)
- Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC)
- Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI)
- Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi)
- Bicicultura - Centro de promoção, desenvolvimento & inovação para a mobilidade ativa
Lisboa, 20 de julho de 2026
Os cidadãos subscritores
A Liga de Associações Estrada Viva, da qual a ACA-M é membro fundador, e a Associação GARE convidam todos a estar presentes na cerimónia nacional que assinalará o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada de 2025, no próximo dia 16 de Novembro (3º domingo do mês), em Évora, a partir das 9h00m.
A organização da celebração em Portugal tem sido assegurada desde 2004 pela Estrada Viva, em colaboração com diversas outras entidades.
Esta efeméride é enquadrada na Década Global de Ação para a Segurança Rodoviária 2021-2030, promovida pelas Nações Unidas, sendo o mote internacional da campanha do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada “Lembrar, Apoiar, Agir”.
Lembrar, com a evocação pública da memória daqueles que perderam a vida e a saúde nas estradas e ruas portuguesas significa um reconhecimento, por parte do Estado e da sociedade, da trágica dimensão da sinistralidade, e ajuda os sobreviventes a conviver com o trauma de memórias dolorosas resultantes de desastres rodoviários. Presta também homenagem às equipas de emergência, às forças de segurança, aos profissionais de saúde e outros que diariamente lidam com as consequências traumáticas da sinistralidade.
Apoiar, continuando a pugnar pelo apoio necessário às vítimas diretas e indiretas dos sinistros rodoviários, não esquecendo que o dia em o sinistro rodoviário acontece, pára ou muda o rumo da vida da vítima para sempre, e que cada vítima tem a sua própria história desse dia, que os seus familiares, amigos e conhecidos carregam na memória, com uma carga emocional forte e por vezes traumática, pelo que em 2024, recordamos as histórias deste dia e a necessidade de implementar medidas efetivas e estruturadas de apoio psicossocial às vítimas da estrada.
Agir para tomar medidas de diminuição da sinistralidade, mas também para que sejam encaradas medidas de saúde pública, nomeadamente a criação de gabinetes para apoio às vítimas e famílias, o reconhecimento dos direitos das vítimas da sinistralidade rodoviária, e a necessidade de promover o apoio psicossocial das vítimas, diretas e indiretas. Com esta celebração, pretendemos também criar sinergias para agir, e fazer agir, no sentido de minimizar os impactos sociais, económicos e sanitários da sinistralidade rodoviária.
Neste Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, relembramos em especial o milhão de jovens que em todo o mundo perdem a vida na estrada. Um milhão de jovens com sonhos e talentos para cumprir, que nunca alcançarão todo o seu potencial.
Quando as pessoas morrem ou ficam gravemente feridas na estrada, em idades precoces, o mundo perde mais do que apenas indivíduos — perde o seu potencial, as suas ideias, o seu impacto futuro na sociedade, tornando-se talentos perdidos.
As estatísticas indicam-nos que as lesões por sinistralidade rodoviária continuam a ser a principal causa de mortalidade de crianças e jovens entre os 5 e 29 anos.
Para trás deixam um conjunto de espaços vazios e onde a sua ausência é profundamente sentida, desde casas, escolas, fábricas, ateliers, laboratórios, campos desportivos, palcos e outros.
É nossa responsabilidade manter as estradas seguras e os sonhos dos jovens vivos, para o que apelamos ao compromisso de Lembrar, Apoiar e Agir!!!
Apelamos, assim, a toda a divulgação que possam fazer do mesmo e da campanha do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, deste ano.
Mais informações na Página da Fundação “World Day Of Remembrance” - https://worlddayofremembrance.org/
CONTACTOS
Associação GARE: geral@gare.pt
Liga de Associações ESTRADA VIVA: estradaviva@gmail.com
(clique na imagem para download)
(clique na imagem para download)
Organização: Município da Póvoa de Lanhoso em colaboração com a Destacamento Territorial da GNR da Póvoa de Lanhoso, os Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, a Junta de Freguesia de Covelas, a Unidade Local de Proteção Civil de Covelas.
16 de novembro de 2025, entre as 15h00 e as 17h00
Simulacro estático de um acidente rodoviário na faixa de rodagem, da EN 103, em Covelas. (https://maps.app.goo.gl/7i6kaPphtRsvoS9n9).
“As lesões causadas por acidentes de viação constituem um sério e negligenciado problema de saúde pública a nível mundial, que requer esforços concertados para uma prevenção eficaz e sustentável. De todos os sistemas com os quais temos de lidar diariamente, os sistemas de trânsito rodoviário são os mais complexos e perigosos. Estima-se que, anualmente e em todo o mundo, cerca de 1,2 milhões de pessoas morrem e 50 milhões são feridas em consequência de acidentes de viação. As projecções indicam que estes números vão aumentar em cerca de 65% nos próximos 20 anos, a menos que exista um novo empenho na prevenção. Ainda assim, a tragédia por trás destes números atrai menos a atenção dos media do que qualquer outro tipo de tragédia menos frequente.”
Organização Mundial da Saúde
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A Federação Europeia de Vítimas da Estrada – FEVR iniciou em 1995 a celebração anual do Dia Europeu em Memória das Vítimas da Estrada. Em 2002, o Sumo Pontífice Romano, o falecido Papa João Paulo II, perante o aumento exponencial do número de vítimas de desastres rodoviários no mundo, promoveu a transformação deste Dia Europeu em Dia Mundial.Em 2005, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou em Resolução a adopção oficial, por aquele organismo internacional, do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada. Reconhecimento da Organização das Nações Unidas do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada e da Organização Mundial de Saúde
O Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada é celebrado anualmente no terceiro domingo do mês de Novembro (data móvel).
O espírito desta celebração é de que a evocação pública da memória daqueles que perderam a vida ou a saúde nas estradas e ruas nacionais significa um reconhecimento, por parte do Estado e da sociedade, da trágica dimensão da sinistralidade, e ajuda os sobreviventes a conviver com o trauma de memórias dolorosas resultantes de acidentes rodoviários. A morte e lesão por acidente de viação são ocorrências repentinas, violentas e traumáticas, e o seu impacto duradouro, por vezes, permanente. A cada ano, milhões de enlutados e vítimas de todo o planeta juntam-se aos muitos milhões que já sofrem em resultado de acidentes de viação.
O Dia da Memória responde, assim, à intensa necessidade sentida pelas vítimas e seus entes queridos de verem a sua perda e a sua dor publicamente reconhecidas .É já comemorado um pouco por todo o mundo e o número de países onde é celebrado tem vindo a aumentar a cada ano. Pretende-se que este dia seja adoptado pelos governos dos vários países como comemoração oficial, em sinal do seu empenho na redução da sinistralidade rodoviária.
A organização da celebração em Portugal tem sido assegurada desde 2004 pela ESTRADA VIVA – Liga contra o Trauma, que em 2015 se estabeleceu como Liga de Associações, com a denominação EV - Liga de Associações pela Cidadania Rodoviária, Mobilidade Segura e Sustentável.
Website internacional - worlddayofremembrance.org
(Clique na imagem abaixo)
A ACA-M é membro fundador da Estrada Viva - Liga de Associações pela Cidadania Rodoviária, Mobilidade Segura e Sustentável - www.estradaviva.org .