Pelos grupos de trabalho
Pelos grupos de trabalho
No dia primeiro de novembro de 2024 foi realizada a segunda reunião geral sobre a reestruturação do currículo do curso de Geologia do IGc USP, concluindo-se assim a etapa de diagnóstico do currículo vigente. A reunião contou com uma palestra inicial sobre os aspectos conceituais das Diretrizes Curriculares, ministrada pela Professora Denise Bacci. Em continuidade, foram apresentados os resultados obtidos pelos grupos de trabalho temáticos, que haviam se reunido previamente para avaliar os pontos fortes e as deficiências do currículo vigente. Cada um dos grupos de trabalho respondeu a um formulário específico e teve 15 minutos para apresentar o resumo de seus resultados. As apresentações dividiram-se em três blocos, cada um seguido por debate e respostas a perguntas. A ordem de apresentações foi a seguinte:
1- Geologia Geral e Básicas Externas;
2- Geotecnologias;
3- Geologia Sedimentar e Paleontologia;
4- Mineralogia e Petrologia;
5- Geologia Estrutural, Geotectônica e Mapeamento Geológico;
6- Geoquímica (Geral, Orgânica, Isotópica, Hidrogeoquímica);
7- Geologia Ambiental, Geotecnia, Hidrogeologia;
8- Recursos Minerais e Energéticos;
9- Geoconservação, Geoética e Geocomunicação.
Alguns itens foram destacados por diversos grupos de trabalho nos formulários e apresentações. Outros, ainda que mencionados por um número menor de grupos, foram considerados consensuais durante a etapa de debate. Esses itens, descritos abaixo, compõem a síntese dessa fase diagnóstica. Relatórios dos grupos de trabalho detalhando os aspectos debatidos em suas reuniões sobre esta fase encontram-se em anexo, assim como filmagens da íntegra das apresentações e discussões.
Aspectos positivos da estrutura atual
Os principais aspectos positivos da estrutura vigente mencionados pelos grupos de trabalho foram:
A- Sólida base conceitual em geologia
B- Grande proporção de aulas práticas
C- Integração entre conteúdos teóricos e trabalhos de campo
Adicionalmente, alguns grupos de trabalho mencionaram a disponibilidade de tempo para estudo autônomo nos anos finais do curso e a estrutura do trabalho de formatura como pontos positivos.
Estrutura do curso
Com relação à estrutura geral do curso, os itens críticos ou que requerem mudanças foram:
Falta de encadeamento de disciplinas e conteúdos
Sobreposição de conteúdos
Carga horária total excessiva
Trabalhos de campo insuficientes
Pouco conteúdo de Geologia no 1o ano
Disciplinas básicas externas concentradas no início do curso
Falta de disciplinas que integrem as diferentes áreas de conhecimento
Grade desbalanceada em relação aos créditos das disciplinas de diferentes áreas
Com base nessa parte do diagnóstico, considerou-se que se faz necessário um planejamento detalhado sobre o encadeamento de conteúdos, que minimize lacunas conceituais e sobreposições excessivas. Um maior equilíbrio entre disciplinas geológicas e básicas externas ao longo dos primeiros anos também é desejável, assim como uma avaliação das proporções de carga horária entre diferentes temáticas.
A redução da carga horária global torna-se ainda mais desafiadora face à constante expansão de temas pertinentes à formação de Geólogos (ver abaixo), à necessidade de expansão dos trabalhos de campo, implementação de disciplinas integradoras de conteúdos e práticas profissionais e curricularização da extensão.
Alguns grupos consideraram ainda que o Trabalho de Formatura, em sua concepção atual, teria um número de créditos excessivos. Esse diagnóstico não foi consensual.
Práticas pedagógicas e problemas de aprendizagem
Além das questões estruturais, foram discutidas deficiências do currículo vigente relacionadas a práticas pedagógicas e resultados de aprendizagem, que incluem:
Formação prévia de alunos
Tempo excessivo em sala de aula
Atividades extra-sala excessivas e créditos trabalho não computados
Dificuldade de transferência de conhecimento de uma disciplina para a outra
Dificuldades na apresentação de conteúdos sobre processos e produtos em paralelo, em uma mesma disciplina.
Com relação à formação prévia dos alunos, foi destacada principalmente uma deficiência em química básica. O tempo excessivo em sala de aula e o excesso de atividades extra-sala não computadas como créditos foram apontados como limitadores do tempo de estudo autônomo, ainda que argumentos tenham sido levantados sobre o uso provável do tempo extra para a realização de estágios remunerados.
Dificuldades na transferência de conhecimentos entre disciplinas e na integração entre conteúdos sobre processos geológicos e sobre a descrição e interpretação de seus produtos podem ter como solução a implementação de disciplinas integradoras (item 7).
Conteúdo
O consenso sobre a necessidade de redução da carga horária global do curso e do tempo em sala de aula em cada disciplina contrastam com o diagnóstico sobre a abrangência temática do currículo atual. Nesse sentido, muitos conteúdos foram apontados como importantes para a formação de Geólogos na atualidade e que não são contemplados na estrutura vigente. De fato, alguns grupos apontaram para uma defasagem da grade em relação às temáticas atuais das Geociências, às linhas de pesquisa em desenvolvimento e ao conteúdo profissionalizante do currículo. Entre os temas mencionados destacam-se:
Competências quantitativas e computacionais na coleta e análise de dados integrada ao conhecimento geológico
Uso de tecnologias em campo
Geologia de subsuperfície, interpretação de dados geofísicos e dados de poços
Geologia da zona crítica: processos formativos em Geologia Ambiental, processos geológicos e antrópicos na dinâmica externa, interpretação de alterações antrópicas em materiais geológicos.
Visão integrada e aprofundada da Geoquímica do Sistema Terra como integração entre áreas do conhecimento
Incorporação de técnicas analíticas e interpretação de dados reais às disciplinas geológicas
Práticas de campo e mapeamento geológico aplicado a questões geotécnicas e ambientais
Metodologia científica, escrita científica e história da ciência
Como possível solução para a incorporação de novos conteúdos sem aumento da carga horária global, foi proposto o aumento do número de disciplinas optativas, com a redução dos conteúdos das disciplinas obrigatórias. Também foram sugeridas a criação de disciplinas baseadas em seminários, para fomentar o estudo autônomo e o aprofundamento em temas específicos não contemplados em profundidade nas ementas.
Perfil ideal do Geólogo
Como preparação para a fase dois do processo de estabelecimento de um novo currículo para o curso de Geologia do IGc-USP, foi realizada uma breve discussão prévia sobre o perfil ideal para os Geólogos formados pela nova estrutura curricular, que será aprofundada na etapa seguinte do processo. Nesse debate preliminar chegou-se a alguns pontos consensuais que devem compor o perfil desejado de um formando:
A - Ter autonomia e adaptabilidade às mudanças
B- Ter formação generalista e interdisciplinar com base geológica sólida
C- Ter conhecimento sistêmico não compartimentado
D- Ter contato com práticas profissionais em diferentes áreas de conhecimento
E- Estar conectado aos problemas da sociedade
Encaminhamento da segunda fase
Tendo sido concluída a fase de diagnóstico, deu-se encaminhamento para a fase seguinte, propositiva. Ficou definida a data de 28 de março de 2025 para uma nova reunião plenária, em que os grupos de trabalho trarão propostas amadurecidas sobre dois aspectos também discutidos na primeira etapa:
O estabelecimento de um perfil ideal para os formandos, considerando-se competências e habilidades gerais e específicas desejadas;
O estabelecimento de diretrizes para o novo curso, considerando-se o encadeamento e integração entre disciplinas, estratégias para contemplar conteúdos mínimos e temas especializados e a implementação de abordagens pedagógicas e práticas de ensino consistentes ao longo do curso;
Após a reunião de 28 de março, terá início o processo de estruturação da nova grade curricular, com as seguintes etapas:
3. A determinação das cargas horárias necessárias para cada conjunto de temas, considerando-se os itens 1 e 2;
4. A proposição de disciplinas, a partir de suas ementas, e de uma estrutura ideal que considere a integração e concatenação de conteúdos e a construção integrada das competências e habilidades definidas na etapa 1, além das diretrizes curriculares para cursos de Geologia (CNE 01/2015).