Os santuários, encontrados por todo o Japão, são lugares sagrados onde os deuses são venerados.
Desde os tempos antigos, os japoneses sentem uma força invisível e poderosa em seu cotidiano. Essas forças foram encontradas em vários aspectos da natureza, como rochas, árvores, montanhas, mares, fogo, água, vento e terra, e os deuses passaram a residir nesses diversos objetos e a serem adorados.
Com o tempo, edifícios foram erguidos nos locais onde os deuses eram venerados, e esses locais passaram a ser chamados de santuários.
O xintoísmo é a crença nos deuses japoneses, centrada nesses santuários.
Vestuário
Diz-se que as roupas refletem os sentimentos de uma pessoa em determinado momento. Ainda hoje, toma-se um cuidado especial com o vestuário para ocasiões formais. Os sacerdotes xintoístas vestem-se como se estivessem tratando um superior ao falar com os deuses. Portanto, também devemos tentar nos vestir adequadamente ao visitar um santuário.
Como Atravessar um Portão Torii
Diz-se que os portões torii dos santuários têm a função de barreira, separando os recintos sagrados do público em geral. A maneira correta de atravessar um portão torii é reverenciar-se uma vez, como se estivesse visitando a casa de um superior. Ao terminar a oração e sair do local, também é aconselhável voltar-se para o santuário e curvar-se novamente.
Como Caminhar ao Longo do Caminho Principal
Para demonstrar respeito em um santuário, reserve o centro do caminho (sandō) para os deuses, caminhando pelas bordas. Se cruzar o meio, faça uma leve reverência ou curve-se ao altar antes de avançar.
Etiqueta adequada para lavar as mãos
1 - Uma reverência: Incline-se levemente em frente ao temizuya.
2 - Purificação da mão esquerda: Segure a concha na mão direita, pegue água, despeje sobre a mão esquerda e lave-a.
3 - Purificação da mão direita: Troque de mão que está segurando a concha para a mão esquerda, despeje água sobre a mão direita e lave-a.
4 - Enxágue a boca: Segure a concha novamente na mão direita, despeje água na palma da mão esquerda e use essa água para enxaguar a boca. Tenha cuidado para não colocar a concha diretamente na boca e expila suavemente a água (não a devolva à bacia).
5 - Purificação da mão esquerda novamente: Por fim, despeje água sobre a mão esquerda mais uma vez para purificá-la.
6 - Purificação da concha: Segure a concha na vertical e enxágue o cabo com a água restante, depois incline-a para baixo e retorne-a à posição original.
7 - Uma reverência: Saia do temizuya, incline-se levemente e caminhe-se para o santuário.
Oração em Santuário
Geralmente, os rituais são realizados de maneira adequada à religião e à ocasião, como "duas reverências, duas palmas e uma reverência" em santuários e "uma reverência com as mãos unidas em palmas" em templos. Em particular, diante de um santuário, você se reverência profundamente (hai) e bate palmas, enquanto diante de uma estátua de Buda, você junta as mãos em silêncio (gassho), gesto usado para expressar gratidão e oração.
Oração em um Santuário (Duas Reverências, Duas Palmas, Uma Reverência)
1 - Reverencie-se uma vez levemente em frente à caixa de ofertas e coloque sua oferta em dinheiro.
2 - Toque o sino, caso houver.
3 - Reverencie-se profundamente duas vezes. (Duas Reverências)
4 - Junte as duas mãos na altura do peito, mova levemente para cima as pontas dos dedos da mão direita, abra-as na largura dos ombros e bata palmas duas vezes em gratidão e oração aos deuses. (Duas Palmas)
5 - Por fim, mais uma reverência profunda. (Uma Reverência)
Tochigi - Nikko Toshogu
O Santuário Nikko Toshogu é um santuário dedicado a Tokugawa Ieyasu como uma divindade. Foi fundado em 1617 (Genwa 3) pelo segundo xogum, Hidetada, e posteriormente em 1636 (Kan'ei 13) pelo terceiro xogum, Iemitsu, que realizou a "Grande Renovação Kan'ei", reunindo mestres artesãos de todo o Japão para restaurar o santuário à sua magnífica aparência atual. Essa foi uma grande empreitada que demonstrou a autoridade do xogunato Tokugawa e simboliza o respeito por Ieyasu e a prosperidade do xogunato. O santuário também foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999.
Tokyo - Meiji Jingu
Um passo em uma floresta centenária.
A "Floresta Eterna" do Santuário Meiji Jingu é um lugar onde a agitação da cidade desaparece como um sonho. Criada com 100.000 árvores doadas de todo o Japão, esta vasta extensão de vegetação é verdadeiramente um santuário flutuando no coração de Tóquio.
Ao passar por um dos maiores portões Torii do Japão e caminhar pela trilha de cascalho, certamente sentirá a mente se centrar a cada passo e encontrará a tranquilidade interna e o ruído da cidade grande se dissipando.
Tokyo - Sensoji
O Templo Sensoji é um local sagrado dedicado ao Bodhisattva Kannon, com uma história que abrange quase 1.400 anos.
Atravesse o Portão Kaminarimon e entre no coração da cultura Edo.
Talvez o mais famoso e frequentemente fotografado dos muitos templos de Tóquio, o Templo Sensoji é o templo budista mais antigo de Tóquio. Os jardins, o pagode de cinco andares e o caminho perfumado com incenso até o templo, visitados por peregrinos há séculos, exalam um charme atemporal.
A rua de acesso ao Templo Sensoji também é famosa, conhecida como Nakamise-dori, com cerca de 90 lojas que vendem artesanato, lembrancinhas, bolinhos e biscoitos de arroz, doces com sabor de matcha e muito mais.
Aichi - Atsuta Jingu
Uma visita ao tesouro de Nagoya, onde mito e a história se cruzam.
Atravessando o portão Torii, se encontrará em uma floresta densa de aproximadamente 20.000 metros quadrados. Uma grande árvore de cânfora com mais de 1.000 anos dá as boas-vindas aos visitantes.
Este local, que abriga a Espada Kusanagi, um dos Três Tesouros Sagrados, é reverenciado há muito tempo como um elemento fundamental na proteção da nação. Relíquias que evocam momentos históricos decisivos, como o Muro de Nobunaga, onde Oda Nobunaga orou pela vitória pouco antes da Batalha de Okehazama, também estão espalhadas por todo o santuário.
No Salão Kusanagi, um espaço de exposição de espadas inaugurado em 2021, ficará impressionado com a beleza e o poder das espadas japonesas. Após a sua visita, desfrute de uma refeição tradicional de Nagoya no Miya Kishimen, localizado no recinto do santuário. História, natureza e comida deliciosa — uma experiência especial que irá satisfazer tanto o corpo quanto a mente.
Kyoto - Fushimi Inari Taisha
O Santuário Fushimi Inari Taisha foi fundado em 711, quando Hata Irogu, do clã Hata, consagrou um deus no Monte Inari. É o santuário principal de todos os santuários Inari do país, com uma história de mais de 1.300 anos. Originalmente um deus das colheitas abundantes, a partir da Idade Média ele passou a ser amplamente venerado como um deus da prosperidade nos negócios e da segurança doméstica, sendo venerado desde os tempos antigos do período Heian.
Famoso tanto no Japão como no exterior, é considerado como Patrimônio Cultural Importante. Pelo seu magnífico túnel de 10.000 portões Torii, cuja cor vermelha é para afastar o mal e o azar, simboliza vitalidade e fertilidade (da colheita de arroz) e tem como objetivo aumentar o poder dos deuses. Além disso, desde o período Edo, os fiéis doam esses portões em sinal de gratidão e orações para que seus desejos se realizem.
Recomenda-se tambem consultar a Pedra Omokaru para saber se seus desejos se realizarão, subir a montanha até o topo para apreciar a vista panorâmica da cidade de Kyoto e procurar as estátuas de raposa de pedra espalhadas pelo santuário.
Kyoto - Kiyomizudera
O Templo Kiyomizu-dera (Templo Otowasan Kiyomizu-dera) é um Patrimônio Mundial da UNESCO com aproximadamente 1.200 anos de história, localizado em Higashiyama, Kyoto. É famoso por seu "Palco Kiyomizu" e recebeu o nome em homenagem às águas puras da Cachoeira Otowa.
Entre os destaques do Templo Kiyomizu-dera, estão a vista espetacular da cidade de Kyoto a partir do Palco Kiyomizu (salão principal), a Cachoeira Otowa (com três quedas d'água que oferecem diferentes benefícios), o Santuário Jishu, que dizem trazer boa sorte no casamento, o belo Portão Niomon vermelho-vivo, o simbólico Pagode de Três Andares e o Zuikyudo, onde é possível visitar o interior do templo. O templo também é popular por suas paisagens sazonais (flores de cerejeira e folhas de outono) e por suas vistas noturnas especiais.
Miyazaki - Ama-No-Iwato Jinja
Este santuário ao pé do Monte Kaguyama não possui um salão principal, mas seu objeto sagrado é uma enorme rocha chamada Ama-no-Iwaya ou Ama-no-Iwato, onde a deusa Amaterasu Oomikami se escondeu.
Conta a lenda, que a deusa do sol Amaterasu Oomikami, enfurecida com a violência do seu irmão mais novo, Susanoo-no-Mikoto. Amaterasu se escondeu na caverna, o que fez com que o mundo mergulhasse na escuridão.
E os oito milhões de deuses reuniram-se em frente ao Ama-no-Iwato, e um deus começou a dançar, o que fez os outros deuses rirem e se divertirem. Quando Amaterasu, que estava escondida, ficou curiosa com o que acontecia lá fora e movendo a imensa rocha, Ame-no-Tajikarao pegou-a pela mão guiando-a para fora. E então o mundo voltou a brilhar.
O santuário é reverenciado como um local de poder onde se diz que os deuses se reuniam.
Hiroshima - Itsukushima Jinja
O Santuário de Itsukushima, localizado em Miyajima (Itsukushima) possui uma história de mais de 1.400 anos, é um Patrimônio Mundial da UNESCO, caracterizado por seu edifício laqueado em vermelho-vivo, erguido sobre o mar. Toda a ilha era venerada como sagrada, com o nome Itsukushima significando "ilha onde os deuses são adorados", e por isso o santuário foi construído não em terra firme, mas no local onde as marés se formam.
Dependendo da maré, é possível apreciar diferentes vistas do santuário flutuando sobre as águas, e na maré baixa, pode-se caminhar até o portão torii. Construído por Taira no Kiyomori durante o período Heian, é conhecido como o símbolo de "Aki no Miyajima", uma das Três Vistas Mais Cênicas do Japão. Abrigando as Três Deusas Munakata, acredita-se que traga bênçãos da segurança no mar e bênçãos da vitória, e possui muitos edifícios designados como tesouros nacionais e importantes bens culturais.