As pessoas atribuem vários e diferentes significados para a palavra amor, mas, de forma geral, essa palavra nos remete a um sentimento de afeto por algo ou por alguém. Podemos, no entanto, dizer que o conceito de amor ganha um significado particular e importante dentro do pensamento cristão, especialmente por causa da ênfase cristã no amor de Deus. Foi por causa de seu amor pelo mundo (João 3.16) que Deus enviou seu Filho como sua dádiva suprema a todos nós. Vivendo neste mundo, Jesus encarnou o conceito cristão de amor ao promover a bondade de maneira indistinta e ao considerar o bem do outro como estando acima de seu próprio bem. Jesus tira o amor do campo dos sentimentalismos ou das ideias, e o coloca no campo das atitudes. Aqui, atitude é entendida como resposta interna ao que ocorre dentro de mim. É um chamado para agirmos de maneira a promover o bem na vida do outro indistintamente, partilhando com os outros tudo de bom que recebemos. Na verdade, é nesta doação que se encontra o cerne da nossa essência: conviver, partilhando e recebendo em amor. Assim, somos chamados a assumirmos palavras, gestos e atitudes amáveis tendo por base o amor incondicional (sem limitações e/ou restrições) vivido e ensinado por Jesus.
O amor que vem do alto nos transforma.
O amor nos chama para servirmos uns aos outros, partilhando o que temos recebido. É algo que vai além do sentimento, nos direcionando para uma atitude que promove o bem na vida do outro. Esta é a reflexão desenvolvida pelo Reitor do Centro Universitário Luterano de Palmas, Prof. Marcelo Müller, no vídeo aqui compartilhado.
Numa de suas obras chamada Tratado sobre a Liberdade Cristã, datada a 1520, o reformador Martinho Lutero aponta para esta visão ética cristã ao descrever que "Pela fé a pessoa cristã é levada para o alto, acima de si mesma, em Deus; por outro lado, pelo amor desce abaixo de si, até o próximo, assim mesmo permanecendo sempre em Deus e seu amor."
Podemos resumir esta frase de Lutero na expressão “Somos livres para servir.” Isto pode soar contraditório, não é verdade? Se eu sou livre, por que me colocaria numa posição de servidão? A fé que se apega na promessa divina de perdão nos livra espiritualmente da culpa. Isto é possível por causa do amor de Jesus que veio para servir a todos nós. Este mesmo Jesus declara: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Deste modo, Jesus nos chama para em amor servirmos uns aos outros. Um ouvido atento, um sorriso motivador, uma palavra amiga, a mão estendida num momento de necessidade, todas estas são maneiras através das quais servimos o nosso semelhante em amor. A fé nos liberta do peso da culpa para que em liberdade amorosa, e não pela pressão da obrigação, possamos servir uns aos outros.
Desta perspectiva ética provêm as demais virtudes. O apóstolo Paulo relaciona algumas delas na sua carta aos Colossenses, capítulo 13: a compaixão, a bondade, a humildade, a delicadeza, a paciência, a gratidão e o perdão. Estas e outras virtudes fazem parte do nosso ser a partir do amor. Logo, entendemos o amor como conceito importantíssimo na construção da compreensão da identidade confessional cristã luterana da Ulbra.
Enquanto instituição confessional, estamos comprometidos com o “cultivo de um ambiente organizacional que evidencie o comprometimento com o outro e a vivência do amor como consequência inequívoca da fé cristã.” Apontamos na direção daquele afeto altruísta, com capacidade de doação e amor ao outro. Seja para nos orientar quando surgem momentos de tensão nas relações interpessoais, para nosso comportamento nos momentos de comemoração, de alegria ou nas posturas que elogiam e enaltecem conquistas e boas atitudes. Em qualquer lugar, e também numa instituição confessional, o pecado traz consigo seu poder destrutivo. Tendo o amor como princípio maior, mesmo reconhecendo o mal presente em cada um de nós, queremos caminhar em direção ao bem, à justiça, à equidade, ao respeito, à ajuda mútua, à responsabilidade por si e pelo outro, pois “quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas. Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência” (1 Coríntios 13).
Nossa existência se constitui através do amor e é este amor que deve sustentar nossas atividades diárias. No próximo vídeo, somos convidados a refletir sobre como este conceito é princípio fundamental para nossas vidas.
A essa altura, pode nos ser útil um dos pensamentos de Paul Tillich, teólogo e filósofo da religião, quando escreve sobre o amor: “O amor não pode ser descrito como uma união do estranho, mas como a reunião do separado.” A outra pessoa é uma estranha ou alguém separada de nós. Caso a vejamos como estranha, sua aproximação me trará insatisfação. Porém, se a enxergarmos como um outro ser igual a mim e separado de mim, então, o amor me impulsionará e desejará a reunião. Essa é a função do amor como princípio essencial dentro da nossa identidade confessional. Primeiramente, ele reúne o ser humano a Deus e, como consequência disto, nos reúne uns aos outros. Em sua plenitude, o amor se constitui na ação daquele que pode unir perfeitamente os que estão ou estavam separados, mantendo-os unidos num só propósito. É este princípio que sustenta o nosso simbólico #somosulbra. Assumi-lo é valorizar as virtudes nobres que brotam da identidade confessional da nossa instituição.
Toda e qualquer instituição educacional deve promover os valores nobres da humanidade. Uma instituição confessional faz isto a partir de princípios distintos, os quais ampliam sua responsabilidade ética e social. Sobre este tema nos convida a refletir o vídeo a seguir.
Agora você é convidado a preencher um formulário com apenas 3 questões.
Com ele, você irá refletir sobre o que lemos até aqui e evidenciar sua caminhada neste nosso estudo.
O preenchimento do seu nome completo e e-mail é necessário para registro/envio da certificação.
Não é uma atividade avaliativa, mas participativa.
Suas informações serão utilizadas apenas para interações relacionadas a este curso.
Você concluiu o terceiro de quatro capítulos deste nosso estudo.
Clique no botão abaixo e avance para a quarta seção deste nosso curso: Firmados numa tradição histórica.
Se você quiser conversar com a gente pelo WhatsApp sobre o que aprendeu até agora, clique aqui.