No final de 1969 e início de 1971, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) contratou os cinco primeiros professores de Matemática, marcando o início da consolidação da área na instituição. Esses pioneiros desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento do ensino e da pesquisa, influenciando gerações de matemáticos e contribuindo significativamente para a formação de novos pesquisadores. Conheça mais sobre a trajetória desses professores e o impacto de seu trabalho na matemática brasileira.
O Professor Janey Antonio Daccach foi um dos pilares fundamentais no desenvolvimento da Matemática na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sendo o primeiro matemático contratado pela UFSCar em 1º de dezembro de 1969.
Janey Daccach graduou-se em Matemática pela Universidade de São Paulo (USP) em 1968, aprofundando seus estudos com um mestrado na mesma instituição (1972). Posteriormente, realizou seu doutorado na Rutgers University - New Brunswick (1976), sob a orientação de Peter Landweber, com a tese "The Signature and Kervaire Invariant as Cobordism Invariants", na qual investigou aspectos fundamentais da Topologia Diferencial e da Teoria de Bordismo.
A busca por aperfeiçoamento acadêmico levou-o a dois pós-doutorados: na Universidade de Bonn e na University of Michigan (1983), ambos financiados por bolsas de pesquisa. Em 1987, obteve a Livre-Docência pela USP, consolidando sua posição como um dos principais pesquisadores em Topologia Algébrica no Brasil.
Na UFSCar, Janey Daccach foi essencial na estruturação do Departamento de Matemática, onde permaneceu até 1985, lecionando disciplinas da graduação e pós-graduação. Posteriormente, transferiu-se para a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e, em 1986, passou a integrar o corpo docente do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP-São Carlos, onde permaneceu até 1999. Durante este período, consolidou pesquisas sobre bordismo, grupos de dualidade e ações de grupos em variedades, além de orientar diversos alunos de mestrado e doutorado.
Entre suas publicações, destacam-se trabalhos em periódicos internacionais como Manuscripta Mathematica, Pacific Journal of Mathematics e Proceedings of the American Mathematical Society, além de colaborações com renomados matemáticos, incluindo C. Biasi e Osamu Saeki. Dentre seus artigos mais influentes, estão "A Primary Obstruction to Topological Embeddings and its Applications" e "On R-bordism of Maps and Obstruction to Topological Embeddings".
O Professor Daccach orientou uma geração de matemáticos, muitos dos quais seguiram carreiras acadêmicas de destaque. Orientou dissertações de mestrado e teses de doutorado em temas que abrangiam desde Teoremas de Nielsen e Borsuk-Ulam até Submersões de Espaços Projetivos e Invariantes Cohomológicos.
Alguns de seus orientados tornaram-se professores do DM, como Dirceu Penteado, João Carlos Vieira Sampaio e Pedro Luiz Queiroz Pergher.
Após sua saída da USP em 1999, Janey Daccach atuou como Professor Visitante na Universidade Estadual de Maringá (1999-2000) e, posteriormente, ingressou na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde lecionou Cálculo, Álgebra e Seminários em Matemática, mantendo sua dedicação ao ensino até seus últimos anos de vida.
Adalberto Panobianco Bergamasco iniciou sua trajetória acadêmica na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 1º de janeiro de 1971, sendo um dos primeiros matemáticos a integrar o Departamento de Matemática. Com uma sólida formação acadêmica e interesse em Equações Diferenciais Parciais (EDP), sua atuação foi fundamental para o crescimento da pesquisa na área, tanto na UFSCar quanto no cenário nacional.
Bergamasco obteve dupla graduação pela Universidade de São Paulo (USP), concluindo Matemática e Engenharia Civil em 1970. Seguiu sua formação com um mestrado em Matemática pela USP-São Carlos (1972), orientado por José Barros Neto, com uma dissertação voltada para hipoelipticidade e resolubilidade de equações diferenciais parciais de primeira ordem. Em seguida, partiu para os Estados Unidos, onde obteve seu doutorado em Matemática na Universidade Rutgers - The State University of New Jersey (1977), também sob a orientação de José Barros Neto, desenvolvendo a tese "Parametrices of Elliptic Boundary Value Problems", que abordava tópicos avançados como problemas de contorno, operadores pseudodiferenciais e regularidade das soluções.
Ao retornar ao Brasil, Bergamasco consolidou sua carreira na UFSCar, tornando-se uma referência no estudo de hipoelipticidade global e sistemas de equações diferenciais. Em 1983-1984, realizou um pós-doutorado em Rutgers, aprofundando seus estudos em operadores diferenciais parciais e métodos de Fourier. Sua trajetória acadêmica avançou com a obtenção da Livre-docência pela USP em 1989, com a tese "Hipoeliticidade global para algumas classes de operadores".
Em paralelo à sua intensa atividade de pesquisa, desempenhou um papel essencial na formação de novos pesquisadores. Entre seus orientandos destacam-se Gerson Petronilho, Cezar Issao Kondo e Paulo Antonio Silvani Caetano, que posteriormente se tornaram professores do Departamento de Matemática da UFSCar, perpetuando sua influência na área de Análise e Equações Diferenciais.
Além de suas contribuições na UFSCar, Bergamasco teve uma transição gradual para o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP), em São Carlos, onde se tornou professor titular em 2002 e, mais tarde, professor sênior. Sua atuação acadêmica ultrapassou as fronteiras nacionais, com colaborações e publicações em periódicos de alto impacto, consolidando-se como um dos principais pesquisadores brasileiros na área de Equações Diferenciais Parciais.
Sua produção científica inclui trabalhos sobre resolubilidade global, condição (P), operadores pseudodiferenciais, análise microlocal e métodos de Fourier aplicados a sistemas diferenciais. Participou de diversos comitês científicos, organizou eventos acadêmicos e foi membro do Conselho Diretor da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) em diferentes períodos.
Ao longo de sua carreira, Bergamasco foi reconhecido não apenas por sua produção científica, mas também pelo impacto que teve na formação de gerações de matemáticos no Brasil. Sua dedicação à pesquisa e ao ensino deixou um legado duradouro na UFSCar, na USP e na comunidade matemática como um todo.
Nascido em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, o Professor Cerino morava em um sítio na beira do rio Taquari. Com 12 anos, se mudou para o Rio de Janeiro para estudar em um internato. Em 1962 passou a estudar no Colégio Adventista em Itapecerica da Serra, no estado de São Paulo. Com o auxílio financeiro de um amigo da família veio para São Carlos para fazer cursinho e se graduou em Engenharia Mecânica da USP de São Carlos, entre 1966 e 1970.
Durante a graduação, o Professor Cerino foi bolsista de Cálculo Numérico, orientado pelo Professor Nelson Onuchic, que o incentivou a seguir a carreira acadêmica e, posteriormente, o orientou também no mestrado, entre 1972 e 1973.
Foi contratado pela Universidade Federal de São Carlos no dia 1 de janeiro de 1971, para o antigo Departamento de Ciências Físicas e Matemáticas. Nos contou também que foi o segundo professor a ser contratado para a Matemática na Universidade.
Em 1974 iniciou seu doutorado voltado para Matemática Aplicada na Brown University, nos Estados Unidos, orientado pelo Professor Jack Hale. Concluiu o doutorado em 1978 com uma tese sobre equações diferenciais neutras, assunto que estava aflorando na época.
Ao retornar para São Carlos, o Professor Cerino se dedicou a dar aula como Professor do Departamento de Matemática, e nos contou que se deu muito bem nessa função, até se aposentar em 1996. Durante ese período, o Professor Avellar chegou a ser coordenador do curso de graduação 2 vezes na década do 80, além de vice chefe do departamento (entre 1991 e 1995). Nos contou também que ajudou no processo de reconhecimento do curso de Licenciatura em Matemática em 1975.
Após a aposentadoria, o Professor Cerino passou a dar aula em uma Universidade particar em Rio Claro, onde lecionou até 2008.
Ouça a voz do Professor Cerino
PROFESSOR CERINO FALA SOBRE A ORIGEM DA MATEMÁTICA NA UFSCAR
Décio Botura Filho iniciou sua trajetória profissional como professor no Colégio Diocesano e no Instituto de Educação, ambos em São Carlos. Com uma sólida vocação para o ensino, dedicou-se à formação de jovens na área de Matemática antes de ingressar no ensino superior.
Em 1º de janeiro de 1971, foi contratado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tornando-se um dos primeiros docentes da instituição. Ao lado de colegas como Nelson Onuchic, Antônio Izé, Hildebrando Rodrigues e Lourdes de La Rosa, teve um papel essencial na fundação do curso de Matemática da UFSCar, contribuindo para sua estruturação acadêmica e curricular.
Durante suas duas décadas de atuação na UFSCar, até sua aposentadoria em 1991, dedicou-se à docência e à formação de diversas gerações de estudantes, marcando sua passagem com um legado de compromisso com a educação e o desenvolvimento da Matemática na instituição. Seu trabalho ajudou a consolidar o curso de Matemática como um dos referenciais da universidade, influenciando a formação de pesquisadores e professores que deram continuidade ao seu impacto acadêmico.
Natalino Adelmo de Molfetta obteve o grau de Mestre em Ciências (Matemática) pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1968, com a dissertação A Fórmula Integral de Alekseef e Aplicações em Problemas de Estabilidade, sob a orientação de Nelson Onuchic. Seu trabalho abordou questões em equações diferenciais e estabilidade de sistemas dinâmicos, contribuindo para o entendimento de métodos analíticos na área.
Em 1º de março de 1971, o Professor Natalino foi contratado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tornando-se um dos primeiros docentes da área de Matemática na instituição. Sua chegada coincidiu com um período de intensa construção acadêmica, no qual ajudou a estruturar o ensino de Matemática nos cursos iniciais e a consolidar a pesquisa no departamento nascente.
Seu compromisso com a instituição se refletiu também na atuação administrativa. Com a criação do Departamento de Ciências Físicas e Matemáticas (DCFM) em 1972, foi nomeado chefe do departamento, cargo que ocupou até 1976, quando ocorreu a divisão que deu origem ao Departamento de Matemática (DM). A partir dessa reestruturação, tornou-se o primeiro chefe do DM, posição que manteve por mais de uma década, até 1987. Sua liderança foi fundamental para o crescimento do departamento, incentivando novas contratações, consolidando cursos e estruturando as bases da pesquisa matemática na UFSCar.
Após 21 anos de dedicação à UFSCar, aposentou-se em 1º de setembro de 1992. O Professor Natalino faleceu em 11 de fevereiro de 2007, sendo lembrado não apenas por suas contribuições institucionais, mas também pelo compromisso com o ensino e pela influência que exerceu sobre seus colegas e alunos.
O Professor Natalino Adelmo de Molfetta faleceu em 11 de fevereiro de 2007.