As comunicações serão realizadas todas on line, entre os dias 16 e 18 de outubro, no horário de 19:00h às 21:00h. A apresentação da comunicação deve ser preparada para uma exposição de 20 minutos, com as comunicações distribuídas em grupos definidos; após todas as apresentações de cada grupo, será reservado um tempo adicional para debate.
As submissões devem ser realizadas até o dia 11 de Outubro de 2024 neste link: https://forms.gle/FjxGgUeQfLnLAAaY8
Serão aceitos trabalhos de estudantes de iniciação científica, mestrandos e doutorandos, além de pesquisadores na área, que estejam correlacionados à temática geral do evento, "Desafios contemporâneos para a tradição da ética das virtudes".
Communications will be conducted entirely online on October 16 and 18, from 7:00 PM to 8:30 PM. The presentation of the communication should be prepared for a 20-minute talk, with communications organized into defined groups; after all the presentations within each group, additional time will be allocated for discussion.
Submissions must be made by October 11, 2024, through this link: https://forms.gle/FjxGgUeQfLnLAAaY8
Submissions will be accepted from undergraduate research students, master's and doctoral candidates, as well as researchers in the research fields whose work is related to the general theme of the event, "Contemporary challenges to the tradition of virtue ethics."
PROGRAMA DAS COMUNICAÇÕES
SALA 1 - 16/10/2024 (Quarta-Feira)
Francidilso Silva do Nascimento, UFPI - A crise epistemológica e a tradição científica: uma crítica de MacIntyre à teoria de Thomas Kuhn, 19:00h
Ruan Pedro Gonçalves Moraes, UFPI - Odisseu e o encanto da técnica: tecnologias, identidade e autocontrole, 19:30h
Luis Henrique Carvalho dos Santos, UFPI - Emancipação e democratização da tecnologia no construtivismo crítico de Feenberg, 20:00h
Disponível no Canal YouTube PPGFIL/UFPI
SALA 2 - 17/10/2024 (Quinta-Feira)
Francisco Gomes de Matos, UFPI - A relevância do problema da identidade pessoal na filosofia de Alasdair MacIntyre, 19:00h
Antonio Marcos Vaz de Lima, UFPI - O princípio moral da lei natural e a racionalidade das tradições no pensamento de Alasdair MacIntyre, 19:30h
Marina Giovanna Aires de Carvalho, UFPI - O conceito de "Prática" em Alasdair MacIntyre, 20:00h
SALA 3 - 17/10/2024 (Quinta-Feira)
André Pereira da Silva, UFMG - entre rosas e espinhos: a argumentação sadiana sobre os prazeres carnais, 19:00h
Palloma Valéria Macedo de Miranda, UFPI - A crítica epistemológica de Mary Wollstonecraft: o caráter sexista da razão moderna em Rousseau e Kant, 19:30h
SALA 4 - 18/10/2024 (Sexta-Feira)
José Carlos Moreira, UFMG - A crítica de MacIntyre à modernidade, 19:00h
Francisco Antonio da Silva Filho, UFPI - Públicos fortes e virtudes democráticas: a relação entre competências morais e participação política em Nancy Fraser e Shannon Vallor, 19:30h
Júlia de Andrade Fernandes Francisco, UNESP - Pobreza e dever moral na Metafísica dos Costumes, 20:00h
SALA 5 - 18/10/2024 (Sexta-Feira)
Vinícius Gomes Alves, UFRB - o transe revolucionário: estética e política em Glauber Rocha, 19:00H
Jonatas Tiburtino, UFPE - A ética da virtude e a psicanálise, 19:30h
Denis Oqueli Vilche Amador, UFPI - LA AUTONOMÍA Y EL PRINCIPIO DE LA RESPONSABILIDAD EN LA IDEA DE LA MUERTE DIGNA, 20:00h
COMUNICAÇÕES APROVADAS
Luis Fernando Biasoli, PUCRS - Ética das virtudes aristotélica: Do Individualismo à Eudaimonia [Transferido para apresentação na mesa-redonda do dia 16/10/2024]
O conceito de eudaimonia, traduzido como "vida boa", “felicidade” ou "vida que vale a pena ser vivida", é central na Ética de Aristóteles, que explora como os seres humanos podem alcançar a felicidade e realizar seu telós, ou propósito último. Aristóteles, filósofo grego nascido em 384 a.C., é um proeminente defensor dessa visão, desenvolvendo suas ideias principalmente em sua obra "Ética à Nicômacos". Seu pensamento reflete a premissa de que a felicidade verdadeira está intrinsicamente ligada à vida em sociedade. A questão problematizada nesta apresentação será: é possível atingir uma vida eudaimônica isolado dos outros. Aristóteles acredita que a realização do telós está profundamente conectada com a participação ativa na pólis, ou cidade-estado, indicando que a vida isolada seria inadequada para alcançar a verdadeira felicidade. Por meio de uma revisão bibliográfica, cotejando alguns dos principais comentaristas de Aristóteles, procuraremos apresentar o seu conceito de "Bem" e as condições necessárias para uma vida boa, que, segundo ele, como será sustentado no texto, inclui a interação social e o envolvimento com a comunidade. Aristóteles argumenta que a vida ética e a felicidade são impossíveis sem o contexto social e político. A tradição aristotélica, conhecida como ética teleológica ou ética das virtudes, destaca a importância da vida comunitária para a realização plena do ser humano. Sabe-se que a reflexão sobre se um indivíduo pode atingir a felicidade vivendo de forma isolada é desafiadora e complexa, com interpretações divergentes entre comentaristas aristotélicos. No entanto, cientes dos limites de nosso trabalho, busca-se concluir que a interpretação consolidada da Ética à Nicômacos sustenta que a felicidade verdadeira requer a participação na vida comunitária, refletindo a visão aristotélica de que o homem é, essencialmente, um animal politico e permite perceber uma continuidade argumentativa entre suas obras clássicas de filosofia prática.
Antonio Marcos Vaz de Lima, UFPI - O PRINCÍPIO MORAL DA LEI NATURAL E A RACIONALIDADE DAS TRADIÇÕES NO PENSAMENTO DE ALASDAIR MACINTYRE
O presente trabalho tem como objetivo fazer uma análise filosófica sobre a relação integrativa entre a Lei Natural e a Filosofia Moral de Alasdair MacIntyre. Noutras palavras, se a ideia de "lei natural" que MacIntyre também defende pode ser operada ou funcionar dentro dessa teoria da racionalidade das tradições? Como proposição para refletir a respeito das principais questões éticas e morais frente aos desacordos contemporâneos busca-se identificar convergências e/ou divergências no conteúdo destas, no sentido de se extrair as inferências necessárias à execução deste intento. Sobre a comunidade e tradição moral, MacIntyre destaca a importância da comunidade e da tradição moral na formação do caráter moral e na compreensão da moralidade. O filósofo argumenta que a moralidade é uma prática social enraizada em uma tradição de pesquisa moral compartilhada. A Lei Natural é apresentada aqui como elo essencial sem o qual não é possível o debate e/ou acordo racional entre as várias tradições. Como hipótese central e tese desta pesquisa tem-se que a Lei Natural opera como o elemento dialético, hermenêutico e metafísico necessário dentro da teoria da racionalidade das tradições de MacIntyre, que responde às exigências tanto de universalidade e historicidade da sua teoria, que explica e propõe uma possibilidade de resolução dos desacordos morais entre tradições rivais em conflito. Numa proposta de revisão bibliográfica a pesquisa se dará num caráter analítico e hermenêutico a fim de aprofundar pontos de intersecção entre a Lei Natural e a Filosofia Moral do filósofo e ampliar as suas contribuições para o entendimento do fenômeno do agir humano à luz da Filosofia.
Jonatas Tiburtino, UFPE - A ÉTICA DA VIRTUDE E A PSICANÁLISE
Quando refletimos sobre o contexto da introdução da psicanálise ao Brasil durante as primeiras décadas do século XX, encontraremos razões para problematizar as ressonâncias éticas e políticas da produção de saber por parte da psicanálise e o uso ao qual se expôs a partir disso. Nesse período, desdobravam-se algumas estratégias para modernização do país a fim de abandonar qualquer sinal de atraso e constrangimento por ser a última nação da América Latina a encerrar as atividades de tráfico de pessoas escravizadas e a aderir ao regime republicano. Quando finalmente a abolição da escravatura e a proclamação da república ocorreram, não foram acompanhadas da reparação estatal, ocasionando a perpetuação de resquícios desse constrangimento: debilidades referentes à saúde e à criminalidade com marcante conotação sexual. Diante da confluência desses fatores, a psicanálise despertou o interesse de tais ideais de natureza eugenista e higienista de reforma social através da legitimidade científica da qual já desfrutava nesse período. Contudo, se problematizarmos as concepções sobre ética e política constantes nessas intervenções através dessas noções presentes na psicanálise de Freud, poderemos perceber marcante incongruência. A crítica freudiana vislumbrou ser próprio à política e à ética se tratar de um entendimento do poder nas relações sociais a partir da regulação universalizante através da hegemonia do conhecimento e da racionalidade. Ao favorecem o âmbito universal sobre o particular, tornam-se insolúveis ou unilaterais e ignoram um limite imposto através da característica insubordinação do intrapsíquico que inviabiliza aos fenômenos político e ético abarcar a totalidade da relação entre os sujeitos e entre esses últimos e a sociedade. Com isso, convidamos a refletir a partir da psicanálise de Freud sobre as concepções e intervenções científicas na sociedade contemporânea também a partir da pertinência política e ética.
Francidilso Silva do Nascimento, UFPI - A crise epistemológica e a tradição científica: uma crítica de MacIntyre à teoria de Thomas Kuhn.
Esta apresentação tratará da questão da crise epistemológica desenvolvida no artigo de MacIntyre, "Epistemological Crises, Dramatic Narrative and the Philosophy of Science" (1977) e sua crítica a filosofia de Kuhn sobre as crises que antecedem as revoluções científicas. A problemática é qual a importância da crise epistemológica, como momentos de intensa incerteza e mudança, na vida prática e teórica superando o "parecer ser" por uma vida virtuosa? A crise epistemologia, na perspectiva de MacIntyre, se realiza quando o conjunto de crenças ou visões de mundo se torna inadequado para explicar novos dados. Nossa análise traça paralelos com as ideias de Thomas Kuhn sobre crises científicas, com os pontos críticos que o autor aponta das perspectivas de Michael Polanyi e Paul Feyerabend, sobre a dimensão humana e pluralista da ciência. Considerando a argumentação de MacIntyre que as crises não são apenas rupturas teóricas, mas narrativas que refletem uma reavaliação profunda da compreensão do mundo e das ações das pessoas. Elas envolvem uma transformação dramática, onde o antigo paradigma já não pode mais sustentar a realidade, conforme apresentado por Kuhn. As crises serão consideradas de grande relevância para o pensamento científico e filosófico, apresentando novos problemas que exigirão uma nova narrativa histórica que não só considere a teoria como parte da história, mas a história do desenvolvimento da própria teoria.
Ruan Pedro Gonçalves Moraes , UFPI - Odisseu e o encanto da técnica: tecnologias, identidade e autocontrole
Em 1974 a artista Iugoslava Marina Abramović realizou uma performance artística intitulada "Rhythm 0" em que ela ficara de pé durante seis horas, sem reagir a qualquer tipo de intervenção do público sobre seu corpo. O detalhe intrigante da performance é que ao lado de Marina havia uma mesa em que estavam dispostos diversos objetos, variando desde uma maçã, fósforos, navalhas e uma arma de fogo. Não houve qualquer forma de estímulo para que o público agisse sobre a artista ou que utilizassem os objetos, mas tampouco havia qualquer restrição sobre o que poderia ser feito ou utilizado. O exemplo da performance de Abramović serve para ilustrar que o ser humano não está simplesmente numa relação de poder quando diante de objetos no mundo. A disponível para qualquer tipo de interação ao lado de objetos disponíveis para o uso cria o cenário em que a criatividade humana é convidada à experimentação e realização das possibilidades ali apresentadas. Heidegger, em A questão da técnica (1959), concebe a o condicionamento da percepção da realidade pelos objetos técnicos e pela própria técnica como um processo de encantamento do ser humano. A técnica seria uma espécie de moldura através da qual olhamos para o mundo. Uma lente que envolve nosso modo de ver sobre o mundo, mais especificamente, uma lente que enxerga o mundo como fonte de recursos. Essa moldura nos convida e instiga continuamente à testagem daquilo que é possível realizar através dela. A imagem de Odisseu amarrado ao mastro de seu navio pode ilustrar essa relação. Sabendo de sua incapacidade de resistir aos cantos das sereias e, ao mesmo tempo, instigado a ouvi-los, Odisseu pede para que seus tripulantes usem tampões de ouvido e o prendam com cordas firmes ao mastro central do navio. Odisseu previu sua incapacidade de autocontrole diante dos encantos adiante e restringiu suas próprias ações, ainda que não tenha sido capaz de controlar sua própria curiosidade. Sua saída foi impor a si mesmo restrições que reduzissem os riscos das consequências letais do canto das sereias.
Francisco Antonio da Silva Filho, UFPI - Públicos fortes e virtudes democráticas: a relação entre competências morais e participação política em Nancy Fraser e Shannon Vallor.
Como a distinção entre públicos fortes e fracos, segundo Nancy Fraser, pode ser enriquecida pelas virtudes cívicas de Shannon Vallor, de modo a fortalecer a deliberação política e a participação democrática em lutas por justiça social? Nesse sentido, discuto a relação entre públicos fortes e a necessidade de competências morais para a deliberação política, integrando as ideias de Nancy Fraser sobre participação democrática e a noção de virtudes cívicas de Shannon Vallor, com o intuito de propor uma visão ética que capacite os agentes envolvidos em lutas políticas. O primeiro passo desse trabalho é (i) explorar a distinção entre públicos fracos e fortes na teoria de Nancy Fraser, enfatizando a importância dos públicos fortes para uma participação política eficaz nas esferas decisórias. Em seguida, (ii) analiso as virtudes cívicas propostas por Shannon Vallor, com foco em como essas competências morais podem ser aplicadas ao contexto político e deliberativo, fortalecendo o compromisso democrático e a responsabilidade coletiva. Por fim, (iii) proponho uma articulação entre as teorias de Fraser e Vallor, sugerindo como a inclusão das virtudes cívicas pode aprimorar a capacidade de deliberação dos públicos fortes, assegurando um direcionamento ético nas lutas por reconhecimento e justiça social.
André Pereira da Silva, UFMG - ENTRE ROSAS E ESPINHOS: A ARGUMENTAÇÃO SADIANA SOBRE OS PRAZERES CARNAIS
Escrito em 1795 pelo Marquês de Sade, a obra A filosofia na alcova ou os preceptores imorais afigura-se como um tratado ético oposto à moral socrática, platônica e cristã, que historicamente valorizaram a virtude em detrimento do vício, a alma em detrimento do corpo e o sofrimento em detrimento do prazer. Contrariando esses modelos morais, caracterizados pelo filósofo como antinaturais, Sade construiu uma filosofia baseada na exaltação dos vícios, do prazer e do corpo. Nesse contexto, esse trabalho analisa as potências e as limitações (as rosas e os espinhos) presentes na filosofia de Sade, dado que, se por um lado o filósofo defende o corpo e os prazeres contra os anátemas da moral socrática, platônica e cristã, por outro lado, o filósofo legitima a possibilidade de que os fracos sirvam como meros instrumento para a satisfação dos desejos dos fortes. Em outras palavras, é mister analisar como a ética sadiana libera o corpo e o prazer do campo moral-normativo na mesma medida em que circunscreve o prazer a uma dimensão puramente individual, pois, assim como Sade empreende ao longo de sua obra uma argumentação vigorosa em função da liberdade sexual (bem como, do aborto, da homossexualidade, do adultério, da poligamia, etc.), ele também defende a morte e a destruição física do outro como partes legítimas e até mesmo inevitáveis de uma vivência profunda dos prazeres carnais.
Júlia de Andrade Fernandes Francisco, UNESP - Pobreza e dever moral na Metafísica dos Costumes
A presente pesquisa tem como intuito compreender a relação entre pobreza e dever moral na obra Metafísica dos Costumes (2013) de Immanuel Kant. Com o auxílio de uma bibliografia pertinente ao tema procura-se analisar os conceitos e questão e elucidar alguns pontos importantes discutidos pelo autor. Para cumprir-se os objetivos de pesquisa, a obra Metafísica dos Costumes foi o principal objeto de análise. O método adotado é o de analise estrutural (Goldshmidt, 1963) da obra de Kant e também de outros textos que puderam subsidiar a investigação. A pesquisa visa demonstrar de que forma a noção de dever está ligada ao conceito de pobreza e como contribui para o desenvolvimento de uma teoria que justifique a assistência aos pobres como um dever moral. Em um primeiro momento, a pesquisa fez uma breve análise sobre a obra Metafísica dos Costumes, esclarecendo a necessidade de separação entre a Doutrina do Direito e Doutrina da Virtude, uma vez que a primeira aborda os deveres jurídicos, enquanto a segunda trata dos deveres morais, com especial atenção aos fins que são, simultaneamente, deveres. Nessa etapa, são também apresentadas as definições kantianas sobre o conceito geral de dever e a caracterização daqueles que, segundo Kant, seriam considerados como pobres. Em um segundo momento, a pesquisa se aprofunda na ideia de que os seres humanos devem ser reconhecidos como fins em si mesmos, um dos principais argumentos kantianos para estabelecer o dever de assistência aos pobres como uma obrigação moral. Essa premissa é fundamental para entender como Kant estabelece a relação entre pobreza e dever moral. Em um terceiro e último momento, a pesquisa explora os conceitos de amor ao próximo, respeito, beneficência e dignidade, examinando como esses elementos reforçam a ideia do ser humano como um fim em si mesmo.
Vinícius Gomes Alves, UFRB - O TRANSE REVOLUCIONÁRIO: ESTÉTICA E POLÍTICA EM GLAUBER ROCHA
Esta pesquisa tem por objetivo perscrutar a relação entre filosofia e cinema, a saber, estabelecer o vínculo real possível entre estética e política. Ao confrontar o ato de pensamento e o ato de criação nossa intenção é mostrar o sonho e a revolução em Glauber Rocha. Aqui reconhecemos, sonho e revolução como potências criadoras de mundo e, assim procedendo, inauguram-se a cultura e o povo. Nessa perspectiva, examinamos a obra Revolução do cinema novo (1981), de Glauber Rocha, procurando compreender o que podemos chamar de –, devir estético-político latino-americano e que remete ao Brasil profundo. Investigamos o alargamento da estética para ética e, assim seguindo, em algum sentido sua substância mais fundamental seja oferecer alguma forma de oposição ao intolerável. E, Glauber Rocha, é esta excelência do transe revolucionário, essa insurreição ao deslocar-se a estética em revolução. Desse modo, há demasiada necessidade que nos força a pensar e, então, criar o impensável é o ato de resistência.
Palloma Valéria Macedo de Miranda, UFPI - A CRÍTICA EPISTEMOLÓGICA DE MARY WOLLSTONECRAFT: O CARÁTER SEXISTA DA RAZÃO MODERNA EM ROUSSEAU E KANT
Este estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica que tem como objetivo principal analisar a obra Reivindicação dos direitos da mulher(1792), da filósofa Mary Wollstonecraft, suas críticas acerca do caráter sexista da Razão Moderna. A finalidade é compreender como este mecanismo reforçou a problemática da invisibilização da mulher no campo filosófico.Com base nessa problemática de pesquisa, a investigação visa identificar os mecanismos de produção de uma epistemologia que reforçou narrativas racionais para justificaras desigualdades de gênero;investigar os critérios utilizados para fundamentar a distinção racional entre homem e mulher e a influência sexista dos princípios morais no contexto do século XVIII e, por fim, refletir acerca da atualidade das reivindicações da filósofa, principalmente no que tange a relação entre filosofia e epistemologias feministas.Como desdobramento destes objetivos,a pesquisa também buscará identificar nas obras:Emílio ou da Educação (1762); do filósofo Jean-Jacques Rousseau e Antropologia de um ponto de vista pragmático(1798); de Immanuel Kant, elementos teóricos que possam nortear a investigação acerca da relação entre filosofia e epistemologia feminista e que possam destacar os principais critérios que contribuíram para invisibilizar conhecimentos filosóficos produzidos por mulheres. Através dos estudos filosóficos de Mary Wollstonecraft busca-se discutir uma outra forma de racionalidade cujo eixo central da reflexão sejam os seres sociais em seus aspectos contingentes e existenciais e não uma concepção universalista e abstracta de homem, uma vez que na prática, estes princípios reforçaram as desigualdades de gênero e o predomínio de uma moralidade sexista.
Luis Henrique Carvalho dos Santos, UFPI - Emancipação e democratização da tecnologia no construtivismo crítico de Feenberg
O campo da filosofia da técnica é vasto e complexo e é uma potente ferramenta para compreender uma importante dimensão da vida social, a tecnologia. Uma ética da tecnologia se faz necessária presente em meio aos dilemas tecnológicos do mundo moderno, que após passar por uma drástica transição de paradigmas, de uma realidade onde a tecnologia tinha um impacto limitado dentro de uma cultura/sociedade, para uma realidade onde a tecnologia passou a ser objeto do mundo e conformadora da estrutura da sociedade como um tudo. Feenberg propõe seu próprio método, com forte referência a Teoria Critica da Escola de Frankfurt integrada aos estudos da ciência e tecnologia, que norteiam uma investigação da tecnologia que evita analises unilaterais e divisam a democracia como um importante passo para a resolução de problemas e emancipação da tecnologia.
Marina Giovanna Aires de Carvalho, UFPI - O conceito de "Prática" em Alasdair MacIntyre
Esta pesquisa investiga o conceito de "Prática" na obra de Alasdair MacIntyre, especialmente em "Depois da Virtude". O filósofo critica a fragmentação da moralidade contemporânea e propõe uma ética das virtudes, inspirada na tradição aristotélica. Ele defende que as virtudes devem ser formadas em contextos comunitários. A pesquisa explora a relevância do pensamento de MacIntyre para a ética contemporânea, enfatizando como práticas e tradições sustentam as virtudes e moldam a moralidade dentro de contextos históricos e culturais.
Francisco Gomes de Matos, UFPI - A relevância do problema da identidade pessoal na filosofia de Alasdair MacIntyre
O objetivo deste trabalho é pesquisar a relevância do problema da identidade pessoal na filosofia de Alasdair MacIntyre. Com esse objetivo utilizamos dois livros do autor chamados "Depois da virtude" e "animais racionais dependentes" para embasar nossa pesquisa. De acordo com MacIntyre, os analíticos e os empiristas acabaram esquecendo o contexto histórico ao trabalhar o tema da identidade pessoal e mais ainda na parte ética perfazendo assim a fragmentação do embasamento linguagem moral e fragmentando também a linguagem moral ele descreve os principais sintomas dessa fragmentação moral o primeiro é a incomensurabilidade dos argumentos nos debates; A falsa impressão de impessoalidade quando, na realidade, os argumentos morais escondem expressões de preferências; ademais a multiplicidade histórica desses argumentos que foi esquecida pelos filósofos morais da modernidade traçando um perfil universalista para os argumentos morais acabaram destruindo a harmonia entre o homem as normas e um determinado telos. Outro problema que contribui para a situação é a ideia fragmentada de identidade pessoal trazendo o indivíduo sozinho e sem alicerce moral. A identidade pessoal, segundo o próprio autor, está intimamente ligada à argumentação moral pois o sistema de crenças de responsabilidade a qual a pessoa é imbricada quando é fragmentada acaba também destruindo a harmonia entre o indivíduo e seus direitos e deveres. O referido trabalho busca e explicita a importância do conceito da identidade pessoal para o projeto Macintyreano de reabilitação das virtudes e remédio para os problemas morais contemporâneos e para até o fim analisamos os principais filósofos que desempenharam a função importante para o conceito de identidade pessoal como John Locke, Derek Parfit e Jean Paul Sartre; traçamos em seguida A Crítica de MacIntyre a cada um deles. No segundo capítulo apresentamos o sujeito moral tal como MacIntyre o caracteriza; no terceiro capítulo salientamos a ética das virtudes de MacIntyre e no quarto capitulo também o conceito de identidade pessoal de MacIntyre e a sua relevância para sua filosofia.
José Carlos Moreira, UFMG - A crítica de MacIntyre à modernidade
Nosso objetivo nesta comunicação é, mostrar que em sua obra mais celebrada After Virtue de 1981, o filósofo britânico Alasdair MacIntyre se ocupou com o problema das virtudes, e, para tanto, realizou uma forte crítica à modernidade e seus aspectos culturais e materiais, sobretudo aquele circunscrito ao domínio da ética, porque esta se encarregou de reduzir toda moralidade a um simples interesse particular das emoções expressas pelo homem moderno. Destacaremos que,o que MacIntyre propõe em sua obra celebre é, em certo sentido, um resgate da doutrina ética aristotélica das virtudes como solução para a crise moral que se estabeleceu na modernidade pós-iluminista. Em outros temos, o objetivo é a superação da crise da moral moderna, tendo a filosofia chegado aonde chegou, debatendo-se e girando em falso entre o utilitarismo moral, com foco nas consequências das ações, e o deontologismo kantiano, com foco na reta intenção dos agentes ao fazerem ou deixarem de fazer alguma coisa. Daí a importância de reativar a ética aristotélica das virtudes, porém, este projeto teórico apresenta uma falha importante, posteriormente, reconhecida pelo próprio filósofo.
Denis Oqueli Vilche Amador, UFPI - LA AUTONOMÍA Y EL PRINCIPIO DE LA RESPONSABILIDAD EN LA IDEA DE LA MUERTE DIGNA
El objetivo de plantear a la autonomía y al principio de responsabilidad como elementos del proyecto de la dignificación de la muerte se dirige a ser un aporte sustancial-teórico al discurso jurídico, en cuanto a la posibilidad de permitir decisiones personales sobre las formas de morir o de cerrar el ciclo vital. A nivel metodológico, la problemática exigió ser abordada desde un ejercicio analítico-sintético sobre las fuentes teóricas más especializadas en las categorías principales implicadas en el asunto de la muerte digna. El presupuesto general de una muerte digna es que la autonomía no es suficiente para su efectividad, y que desde esa condición sugiere una legitimidad. La legitimidad es un asunto de responsabilidad, por lo tanto, es bajo esta figura que la heteronomía recoge su vigencia. En el recorrido de la cuestión se encuentra la importancia de asumir el problema de la voluntad, el de la libertad, lo del deber, y, la concepción de la dignidad humana. Como conclusión general, es evidente la configuración de un discurso moral exigiendo una positividad, el proyecto de la muerte digna como efecto moral tiende a ser un fenómeno jurídico en el sentido de aparecer como una exigencia de ser un derecho.