Nesse curso, discutiremos uma variedade de aspectos teóricos e práticos relevantes para a redação de ensaios e outros gêneros de texto filosófico conectados à atividade de pesquisa em filosofia. Começaremos apresentando e discutindo uma taxonomia preliminar de pesquisa, isto é, tipos de roteiro de pesquisa em filosofia que são populares hoje no universo acadêmico. Mostraremos como esquematizar um ensaio para expressar os resultados de cada um desses tipos. Na segunda parte, discutiremos aspectos práticos da composição, isto é, da transformação desses esquemas em textos propriamente ditos, passando pela confecção de rascunhos e outras técnicas no entremeio. Espera-se que, ao final do curso, o participante tenha adquirido uma visão expandida acerca das variedades de formas que uma pesquisa em filosofia pode assumir, das variedades de formas como o resultado da pesquisa pode ser apresentado, e de algumas estratégias úteis para a execução da tarefa de escrever.
Carga horária: 8h
Veronica Campos é professora temporária no Departamento de Filosofia na UFMG e pesquisadora de pós-doutorado na FAJE. Ela publicou, em 2022, o livro Penso, Logo Escrevo, adotado atualmente como manual de metodologia por professores de diversas universidades brasileiras.
Este minicurso é promovido pelo projeto de extensão GRIFA: Grupo Interinstitucional de Filósofas Analíticas, como parte de nossos esforços em estimular a presença e permanência de mulheres na filosofia analítica através de capacitação em pesquisa.
Este minicurso tem como objetivo introduzir a ciência cidadã e apoiar professores do ensino médio na formulação de projetos escolares dessa forma de participação pública na ciência. A primeira parte do encontro será dedicada à apresentação dos principais conceitos relacionados à ciência cidadã, incluindo suas bases filosóficas e históricas, tipologias e resultados de aprendizagem para os envolvidos. A segunda parte será voltada à elaboração de propostas de projetos adequados ao contexto escolar, com base em exemplos nacionais e internacionais de várias áreas científicas. A atividade busca oferecer subsídios teóricos e práticos para que a ciência cidadã possa ser incorporada de forma crítica e criativa nas escolas.
Carga horária: 4h
Pedro Bravo é professor de Epistemologia e Filosofia da Ciência na UFABC. Tem especial interesse pelo desenvolvimento de uma ciência socialmente mais responsável. Atualmente é vice-coordenador da linha de pesquisa "Arcabouço Teórico-Conceitual" do Instituto Nacional de Ciência Cidadã.
Este minicurso é promovido em parceria com o Instituto Nacional de Ciência Cidadã, que busca promover o avanço do conhecimento científico e tecnológico, orientado ao desenvolvimento, à inovação e à disseminação de conceitos, práticas, metodologias e usos da ciência cidadã, cujo um dos objetivos é promover métodos de formação e educação nesse tipo de prática, em diferentes níveis, formatos e espaços.
Com frequência realizamos atribuições de violência a fenômenos que são, sob muitos aspectos, muito diferentes entre si. Num dado momento, criticamos a violência policial; mais tarde, criticamos o caráter violento de um certo esporte (como o Boxe, por exemplo); no mesmo dia, elogiamos o zagueiro do nosso time de futebol por conta de um safanão aplicado em um adversário muito menor e mais leve do que ele (e fazemos isto enquanto vemos o juíz punindo com cartão amarelo tal “entrada violenta”); numa aula de Ciências, descrevemos o impacto de um asteróide com a Terra como um impacto violento - e assim por diante. É possível acomodar estas diferenças substanciais entre fenômenos sob um mesmo conceito de violência? Se sim, como explicar as diferenças significativas entre as situações acima? (Veja Luz, 2024 -- a leitura básica recomendada para o minicurso) Estas são as questões que temos tomado como as questões mais básicas para uma Filosofia da Violência.
Neste sentido, a discussão sobre a violência é deslocada para as atribuições e usos do conceito de violência, antes de uma fenomenologia dos eventos particulares. Este deslocamento ajuda a esclarecer uma série de intuições aparentemente conflitantes sobre a relação dos indivíduos com fenômenos que podem vir a ser classificados como violentos. Este movimenta ajuda, por exemplo, a separar preocupações com as consequências da violência, preocupações com a disseminação de motivações para a prática de certos atos violentos e etc; ajuda também a tornar mais salientes as diferenças entre conceitos que guardam parentesco mas que remetem para fenômenos diferentes, tais como os de “agressão”, “agressividade”, “opressão” e etc. Por fim, isto permite um diálogo mais frutuoso com lugares em que as nuances dos fenômenos e das atribuições de violência são particularmente relevantes - como a clínica terapêutica, por exemplo (veja Luz & Strappazon, 2025; Luz & Schuster, 2025a e 2025b; e Luz, 2025) e com outros conceitos filosoficamente importantes, como o de ignorância (veja Luz, Bispo & Saraiva, 2023).
Referências:
Luz, A. M. (2024). Por uma filosofia da violência. Ethic@, 23(2). DOI 10.5007/1677-2954.2024.e93468.
Luz, A. M. (2025). Are martial arts violent? Discussing the question using a philosophy of violence. Da Luta/On Fight. No prelo.
Luz, A. M., Bispo, L. J. C., & Saraiva, J. M. (2023). Da mera ignorância para a ignorância construída: Sobre a natureza da ignorância e sua relação com a violência. Revista Opinião Filosófica, 14(2), 1–26. DOI 10.36592/opiniaofilosofica.v14.1126.
Luz, A. M., Luz, B. P., & Schuster, J. (2025a). Violence, aggression, and aggressiveness. Submetido.
Luz, A. M., Luz, B. P., & Schuster, J. (2025b). Violence and damage. Submetido.
Luz, A. M., Luz, B. P., & Strappazon, A. L. (2025). Violência: Microviolência e Esquizoanálise. Revista Filosofia Unisinos, 26(1). DOI 10.4013/fsu.2025.261.02.
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Carga horária: 4h
Alexandre Meyer Luz é professor do Departamento de Filosofia na UFSC.