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10 a 12/04/2026
Este workshop tem como objetivo consolidar os bens comuns não apenas como recursos compartilhados, mas como alianças entre habitantes ativos, instituições e territórios.
Organizado por MTD, FAV-UFG, LABSUS, AFD e Politecnico di Torino, o workshop acontecerá na Faculdade de Artes Visuais da UFG e na Ocupação Beira da Mata, como um espaço coletivo de aprendizagem, experimentação e construção de alianças.
Programa - 10 a 12/04/2026 [Sexta-feira (10:00 às 11:40); Sábado (13:30 às 18:00); Domingo (8:30 às 14:00)]
Formulário de Inscrição: https://forms.gle/txr4qzx6dxHf8YV1A
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Junto a cidadãos, comunidades, movimentos sociais e administração pública, demos vida ao workshop “Cuidando dos Comuns”. A iniciativa nasce do desejo de explorar e fortalecer o cuidado dos bens comuns: recursos preciosos que não pertencem nem ao setor público nem ao setor privado, mas que existem e resistem graças ao cuidado compartilhado. Falamos de rios e praças, mas também de festas populares, memórias culturais, solidariedade e saberes ancestrais — tudo aquilo que mantém uma comunidade viva.
Por que “Cuidando dos Comuns”?
O workshop promoveu um modelo de administração compartilhada dos bens comuns inspirado em experiências europeias – em especial italianas – e enraizado no princípio constitucional brasileiro da função social da propriedade e do artigo 225 da Constituição Brasileira, que cita o meio ambiente como bem de uso comum do povo. Essa abordagem reforça a participação democrática, reconhecendo às comunidades um papel ativo na gestão e preservação dos recursos comuns.
Cuidar dos bens comuns significa: criar coesão social; melhorar os serviços e torná-los mais acessíveis; apoiar identidades e memórias coletivas; construir políticas públicas inclusivas e duradouras.
Nesse sentido, a experiência de Goiás e Goiânia – com os moradores do bairro Água Branca, o Quilombo Alto Santana, a ocupação Marielle Franco e os estudantes da UFG – representou um passo concreto rumo ao cuidado compartilhado: um laboratório de futuro, onde comunidade, instituições, pesquisa e arte se encontraram para imaginar novas formas de democracia e bem-estar.
Cinco dias de pesquisa compartilhada
De 25 a 29 de agosto de 2025, cerca de cem participantes entre moradores, associações, comunidades quilombolas, movimentos sociais (como o MTD), representantes institucionais e estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG) se reuniram em Goiás e Goiânia para refletir e agir em torno desses temas.
Os primeiros momentos aconteceram na Faculdade de Artes Visuais (Goiânia) e no Pátio da Igreja do Rosário (Goiás), com uma mesa-redonda pública de abertura. Em seguida realizamos visitas de campo na Região do Água Branca e no Quilombo Alto Santana, para escutar e conhecer de perto o território e seus habitantes. Por fim, os laboratórios participativos possibilitaram a construção coletiva de mapas, cartazes e práticas de gestão compartilhada dos bens comuns.
Um dos momentos mais significativos foi o laboratório com os participantes de Goiás, no qual construímos cartazes que permitiram distinguir os bens comuns materiais (como rios, praças, mercados, igrejas, escolas, bibliotecas, hortas comunitárias) e os bens comuns imateriais (como festas populares, saberes tradicionais, medicina ancestral, solidariedade, mutirões, grupos de mulheres, atividades artísticas e esportivas).
O primeiro mapeamento revelou como os bens comuns são ao mesmo tempo espaços e relações: não apenas lugares físicos, mas também valores, práticas e memórias que fortalecem a convivência e a capacidade de autogoverno da comunidade.
Finalmente a experiência se encerrou, em Goiânia, com uma devolutiva na Câmara Municipal, que conferiu visibilidade e responsabilidade ao processo.
OS GRUPOS QUE ENCONTRAMOS
O Quilombo Alto Santana: raízes e resistência
O percurso do workshop também se entrelaçou com a história do Quilombo Alto Santana, comunidade urbana de Goiás reconhecida oficialmente em 2017 e composta por mais de 230 famílias. Localizado no Morro das Lajes, próximo à Igreja do Rosário, o quilombo é um testemunho vivo da resistência afro-brasileira, de suas tradições e identidades.
Feiras comunitárias, arte urbana, turismo comunitário e práticas de solidariedade demonstram como o cuidado com os bens comuns já faz parte do cotidiano dessa comunidade. Nesse território, a pesquisa encontrou práticas concretas de resistência e inovação social.
O laboratório com os moradores do Água Branca
Em Goiânia, um dos momentos mais significativos foi o laboratório com os moradores do Água Branca, bairro marcado por fortes laços sociais e por uma rica rede de recursos comunitários. Ali os moradores formam um grupo unido pelo reconhecimento legal do Parque Água Branca, que é objeto de uma luta iniciada há mais de 20 anos.
Nesse encontro, pensamos possíveis pactos de colaboração a partir de diferentes temas. Um exercício que revelou as necessidades e interesses daquele espaço e daquelas pessoas, bem como os atores, talentos e os conflitos existentes.
A ocupação Marielle Franco
Outro pilar fundamental dessa experiência foi o envolvimento da ocupação Marielle Franco, em Goiânia, realidade nascida como resposta concreta ao direito à moradia e à luta contra a especulação imobiliária. Nesse espaço, a comunidade, com o apoio de movimentos sociais, deu vida a um exemplo vivo de bem comum urbano, transformando um terreno ocioso em território de convivência, solidariedade e resistência.
A contribuição das famílias e ativistas da ocupação evidenciou como os bens comuns podem nascer “de baixo”, de práticas de autogestão e de cuidado coletivo, tornando-se um laboratório de cidadania ativa e de direitos.
O trabalho em imagens dos estudantes de Arquitetura (UFG)
Uma contribuição criativa e fundamental ao projeto veio também dos estudantes do segundo período de Arquitetura da UFG, que traduziram os conteúdos dos workshops em produções visuais, ilustrações e obras gráficas.
Por meio da linguagem artística, os conceitos discutidos nos laboratórios se tornaram mais acessíveis, imediatos e compartilháveis, transformando-se em imagens capazes de comunicar os bens comuns com força expressiva. Esse trabalho fortaleceu o vínculo entre pesquisa, comunidade e produção cultural, mostrando como a representação gráfica pode se tornar ela própria um bem comum — patrimônio coletivo a ser cuidado e difundido.
Eventos passados
25 e 26/08/2025
Nos dias 25 e 26 de agosto realizaremos na cidade de Goiás o workshop "Cuidando dos Comuns" em parceria com a Associação ARCA, a Secretaria de Igualdade e Equidade Étnico-Racial, o Santuário do Rosário, a UFG e o Politécnico de Turim. Com visitas de campo, oficinas, seminários, laboratórios, e mesas redondas, o evento abre uma roda de participação com o objetivo de trabalhar o tema dos comuns no contexto do Brasil e, mais especificamente, de Goiás. Neste projeto, a parceria com o Politécnico de Turim traz a experiência italiana com a administração compartilhada dos comuns e enriquece o debate que envolverá cidadãos, professores, pesquisadores, estudantes, movimentos sociais, associações e a administração pública.
As vagas são limitadas e as incrições vão até o dia 21/08.
Para se increver bastar preencher este formulário.
27, 28 e 29/08/2025
Nos dias 27, 28 e 29 de agosto realizaremos o workshop "Cuidando dos Comuns", desta vez na cidade de Goiânia, em parceria com o mandato de vereador do prof. Edward Madureira, o Movimento Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), a Associação ARCA, UFG e o Politécnico de Turim. Com visitas de campo, oficinas, seminários, laboratórios, e mesas redondas, o evento abre uma roda de participação com o objetivo de trabalhar o tema dos comuns no contexto do Brasil e, mais especificamente, de Goiânia. Neste projeto, a parceria com o Politécnico de Turim traz a experiência italiana com a administração compartilhada dos comuns e enriquece o debate que envolverá cidadãos, professores, pesquisadores, estudantes, movimentos sociais, associações e a administração pública.
As vagas são limitadas e as incrições vão até o dia 21/08.
Para se increver bastar preencher este formulário.
Projetos paralelos
13-14/06/2024
Nos dias 13 e 14 de junho o projeto de extensão Pensando a regeneração dos rios (in)visíveis na Cidade de Goiás (GO) esteve presente na tenda da Secretaria Municipal do Meio Ambiente a fim de levar a reflexão e a prática sobre a gestão comunitária do espaço urbano, na escala da microbacia hidrográfica do Rio Vermelho, por meio da articulação da UFG, Prefeitura de Goiás e da sociedade civil.
Org:
Wagner Rezende, UFG
Camilo V. De Lima Amaral, DIST
22-31 May 2024
event organised in the framework of the initiatives promoted by the Italian IUCN Committee for the International Day for Biodiversity 2024 “Be part of the Plan”.
Series of seminars and Workshop organized of Master’s degree programme in Urban and Regional Planning School of Planning and Design with supported of CED PPN and IUCN.
Org:
Angioletta Voghera, Daniela Ciaffi, Camilo V. De Lima Amaral, DIST
Wagner Rezende, UFG
17 -21 November 2023
This seminar aims to discuss the social implications of the dynamics between rivers and the city of Goiás. It focus on the conflicts, the social impacts, transformations of social perception, and how people actually live these dynamics on the everyday. It aims to explore critical theories of nature and environmental planing, developing approaches to the Urban Political Ecology, the production of subjectivities, and critical postcolonial approaches to nature.
Methodology
Short lectures and discussions aim to construct a critical view and develop tools for interpreting nature as an object of design. Field trips in Goiânia, Goiás and Brasília are planned for developing photographic derivas. Workshops in a flipped classroom method will develop cartographic representations and utopian explorations of the visited sites. The activities are intended to be highly interactive. Participants will have the opportunity to critically approach the issue and actively explore these contents. Round tables and short presentations will be followed by oriented activities and discussions. Group work is to be developed for problem investigation, theoretical exploration and envisioning new alternatives.
Org:
Prof. Camilo V. L. Amaral [Professor of Architecture and Urbanism at Politecnico di Torino/ Universidade Federal de Goias]
Prof. Wagner Rezende [Professor of Architecture and Urbanism at Universidade Federal de Goias.]
Invited professors:
Prof. Antonio di Campli - Professor of Urban Design and Critical Theory at Politecnico di Torino.
Prof. Camillo Boano - Professor of Urban Design and Critical Theory at The Bartlett Development Planning Unit (University College London).
Prof. Stella González Olmedo - Professor of architecture at Universidad Nacional de Asunción, Paraguay.
Viviana Rubbo and Alessandro Guida - Paesaggi Sensibile, Territorial Narratives Practice at Netherlands.