Licenciatura em Letras
Universidade Estadual de Roraima
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Imagine o mundo sem o professor...
Já pensou?
Quem ensinaria a criança a desenhar a primeira letra do próprio nome no caderno? Quem diria, com a paciência de quem planta, que dois mais dois podem virar um universo?
Se não houvesse professor, onde o engenheiro aprenderia a calcular a ponte? Onde o poeta descobriria que palavra também é casa?
O mundo sem professor seria um mundo de bibliotecas fechadas. De lousas em branco para sempre. De perguntas sem endereço. Seria um mapa-múndi sem legenda, um céu sem constelação. Um silêncio enorme, onde o saber existiria, mas ninguém saberia o caminho até ele.
E o pior: esse mundo não precisa ser imaginado. Ele já ensaia a própria estreia — nas licenciaturas esvaziadas, nas salas que começam o ano sem professor, nos jovens que torcem o nariz quando alguém sussurra "pensa em ser professor?".
Porque ser professor é ser a primeira dobradiça da porta.
É entrar na sala todos os dias carregando o mundo na bolsa: um livro amassado, uma prova para corrigir, uma esperança teimosa. É ser um artesão de gente. O professor não despeja conteúdo: acende lampiões.
Há uma alegria nesse ofício que só quem já viu de perto entende. É o "ahhh, agora entendi!" que ilumina o rosto de uma criança como um nascer de sol repentino. É rir junto, errar junto, recomeçar junto. É fazer da sala um quintal onde o conhecimento brinca de pega-pega.
E o que a gente comemora no Dia dos Professores? Comemora-se a voz que ficou rouca de tanto explicar, mas não desistiu. Comemora-se aquele que foi seu chão e seu empurrão ao mesmo tempo.
Mas há um nó que nem o bolo da sala dos professores desfaz.
Se é tão bonito, por que nossos jovens não querem ser professores? Por que a profissão que forma todas as profissões é a que menos se forma?
Os números respondem. Pesquisa do Instituto Semesp projeta que o Brasil pode chegar a 2040 com déficit de até 235 mil professores na educação básica. Não é falta de encantamento: é falta de condições.
E o dia 16 de outubro? A cartolina vai para a gaveta, a voz continua rouca, o salário continua o mesmo. O país aplaude o professor no dia 15 e o desvaloriza no dia seguinte — e é desse dia que os jovens tiram a conclusão. Chamar de herói é barato: “herói trabalha por amor”. Valorizar com salário digno, formação e respeito é que custa — e é exatamente o que falta.
Os jovens não deixaram de sonhar com a docência porque deixaram de amar o saber. Eles viram o professor cansado demais, mal pago demais, pouco abraçado demais — e entenderam a mensagem. Viram a lousa pesada e não viram a luz que sai dela.
Porque ser professor é nunca parar de ser aluno. O professor estuda quando todos já foram dormir. Faz da própria vida uma biblioteca em obras: termina a graduação, começa a especialização, fecha um livro e abre outro. É peregrino do saber — nunca chega, porque sempre há um horizonte novo. E não busca apenas um diploma na parede: busca a palavra melhor para alcançar o aluno que ainda não entendeu. Professor que para de estudar, para de encantar. E sem encantamento, não há aprendizado.
É bonito. É quase sagrado. Mas sagrado não paga a conta.
O Brasil precisa voltar a fazer seus jovens sonharem em ser professor. Não com discursos de homenagem — com condições de quem se escolhe para ficar.
Porque um país que não deseja ter professores está, aos poucos, desejando não ter futuro.
Imaginou o mundo sem o professor? Eu me recuso a imaginar esse mundo. Prefiro lutar para que ele nunca exista.
Texto de Jairzinho Rabelo. Postado por Isabella Coutinho em 15 de outubro de 2026.
Professora de Letras da UERR é aprovada em edital da FAPERR para pesquisa de excelência na Europa
A produção científica e acadêmica do Estado de Roraima ganha destaque internacional com a aprovação da professora Isabella Coutinho Costa, docente do curso de Letras da Universidade Estadual de Roraima (UERR), na Chamada Pública CONFAP – ERC IA 2026. A conquista do primeiro lugar dentre os candidatos que enviaram propostas, foi confirmada no resultado preliminar de mérito técnico-científico publicado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima (FAPERR) em 13 de outubro.
A chamada integra o Acordo de Implementação (Implementing Arrangement – IA) firmado entre o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), firmado originalmente no âmbito do programa Horizon 2020 e atualmente vigente no programa europeu Horizon Europe (2021–2027).
Com a seleção, a pesquisadora integrará a equipe do projeto internacional "Fluid texts and scholars' digests: (re)production of law in medieval Ireland - FLEXI", sediado na University College Dublin, na Irlanda. O objetivo principal da iniciativa é apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores vinculados a instituições públicas de ensino e pesquisa sediadas em Roraima e no Brasil, viabilizando a inserção de cientistas brasileiros em projetos de ponta financiados pelo ERC e fortalecendo redes globais de excelência científica.
Texto de Cora Gonzalo. Postado por Isabella Coutinho em 14 de outubro de 2026.
Estudo sobre letramento literário e resistência cultural em Roraima destaca-se entre 19 artigos concorrentes; cerimônia de premiação será realizada no dia 26 de novembro.
As docentes Cora Elena Gonzalo Zambrano e Maria Georgina dos Santos Pinho e Silva, do curso de Letras da Universidade Estadual de Roraima (UERR), conquistaram o 3º lugar na segunda edição do Prêmio Milton Nascimento 2026, com o artigo intitulado “A palavra como território: letramento literário, literatura regional e resistência cultural em Roraima”.
A pesquisa concorreu na categoria “Povos e territórios indígenas em transformação: autonomia, superação de conflitos e desenvolvimento sustentável em Roraima”, disputando com 19 artigos científicos inscritos. O resultado representa um importante reconhecimento à produção de conhecimento na área da linguagem, destacando o papel das políticas públicas de letramento literário e da educação indígena no estado.
Realizado pelo Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento (SEPLAN), o Prêmio Milton Nascimento em sua segunda edição busca incentivar pesquisas aplicadas que dialoguem diretamente com os desafios e potencialidades locais, fortalecendo a ciência voltada à realidade amazônica.
A premiação contempla trabalhos divididos em três eixos temáticos prioritários: comércio e integração econômica nas fronteiras de Roraima; recursos naturais, transição ambiental e o futuro de Roraima diante das mudanças climáticas; povos e territórios indígenas em transformação: autonomia, superação de conflitos e desenvolvimento sustentável em Roraima. Os três melhores artigos de cada eixo recebem premiações financeiras e os 12 melhores trabalhos de toda a edição serão publicados em um caderno técnico com registro ISBN, garantindo ampla visibilidade acadêmica e institucional às pesquisas.
Texto de Cora Gonzalo. Postado por Isabella Coutinho em 14 de outubro de 2026.
Professoras do Curso de Letras lançam e-book como resultado de extensão universitária
As professoras Cora Gonzalo e Georgina Silva, a partir de um trabalho conjunto na Disciplina “Letramento: teoria e prática”, lançam o livro “Cartografias do Letramento”, resultado de projeto de extensão universitária desenvolvido no primeiro semestre de 2026. O projeto teve o objetivo geral de ampliar os conhecimentos dos acadêmicos do Curso de Letras sobre os múltiplos letramentos no contexto escolar de Boa Vista-RR, por meio do desenvolvimento de atividades práticas e reflexivas na educação básica, a fim de promover a articulação entre teoria e prática e fortalecer a formação docente crítica, situada e socialmente comprometida. Faça o download gratuito do livro na nossa seção Publicações.
Texto de Cora Gonzalo. Postado por Isabella Coutinho em 24 de agosto de 2026.
Curso de Letras conquista conceito máximo no ENADE
O curso de Licenciatura em Letras da UERR comemora seus 20 de anos existência junto com uma conquista de grande relevância no meio universitário, a nota 5 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE).
A avaliação é realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), por meio do Ministério da Educação (MEC). A partir de 2024, para as licenciaturas, o exame passou a ser aplicado anualmente, com prova teórica e prática, o que demandou um trabalho em equipe entre coordenação de curso, docentes de disciplinas teóricas e docentes dos estágios supervisionados.
Os resultados referentes ao ano de 2025 foram divulgados no dia 20 de maio de 2026 e refletem o trabalho coletivo de professores e acadêmicos de letras por uma formação completa: da teoria à prática pedagógica de qualidade. O conceito máximo da avaliação reafirma a excelência acadêmica e o compromisso com a formação de profissionais altamente qualificados para a educação brasileira.
Os conceitos do ENADE avaliam a qualidade dos cursos de graduação do Brasil, variando em uma escala de 1 a 5. Calculados pelo INEP com base no desempenho dos estudantes concluintes e em um questionário socioeconômico aplicado. Os conceitos 1 e 2 são considerados insatisfatórios, com menos de 60% de alunos proficientes. O conceito 3 remete a um desempenho regular, de 60 a 74,9%; o conceito 4 é considerado bom, de 75 a 89,9% de proficiência; e a nota 5 significa excelente desempenho, com 90% ou mais de estudantes proficientes.
Texto de Cora Gonzalo. Postado por Isabella Coutinho em 28 de maio de 2026.
Colegiado de Letras premia finalistas de concurso literário
Com o objetivo de valorizar o talento da comunidade acadêmica e dos egressos da Universidade Estadual de Roraima (UERR), a comissão organizadora da Semana de Letras 2026, criou o concurso de poemas “No lavrado dos saberes semeamos sonhos: 20 anos de letras na UERR”. A temática buscou estimular o olhar sensível sobre as contribuições do curso e dos professores de Letras da UERR com a sociedade roraimense.
Os poemas participantes do concurso foram publicados no E-book organizado pelos docentes do curso de Letras e os três primeiros lugares serão premiados no último dia da Semana de Letras, 03 de junho de 2026. A comissão julgadora foi composta por um docente da área de literatura e um escritor de Roraima, fazendo as avaliações às cegas.
Com o poema “No lavrado dos saberes, eu me plantei”, Ana Pinheiro dos Santos ganhou o primeiro lugar. Ana é egressa do curso de Bacharelado em Segurança Pública da UERR e afirmou que sua relação com o curso de Letras ocorreu durante a formação em Segurança Pública, por meio de disciplinas ligadas à área da linguagem e produção textual. “Essas experiências contribuíram significativamente para o desenvolvimento da minha escrita, interpretação e forma de expressão, mostrando a importância da literatura e da comunicação em diferentes áreas do conhecimento”, comentou. Atualmente, a profissional atua em iniciativas sociais, educacionais e empreendedoras, utilizando a escrita como ferramenta de expressão, comunicação e transformação social.
O segundo colocado foi João dos Santos Barros, doutor em educação pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e egresso da graduação em Letras UERR no Campus Rorainópolis. Ele venceu com o poema intitulado “Letras no caminho clareiam estradas”. Ao falar da relação com as letras, João emociona contando um pouco de sua trajetória de vida: “sou o 12º filho de uma família retirante do Estado do Maranhão. Desde a infância à adolescência mantive a escrita de pequenas histórias e poemas como um hábito que se mantinha tanto no âmbito escolar como em casa”.
A oportunidade de estudar letras em uma instituição pública transformou a vida de João Barros, conforme afirma em depoimento: “Ao fim do ensino médio, decidi que aproveitaria o vestibular, da recém-criada UERR, para o curso de Letras. A experiência modificou minha perspectiva sobre a vida, além de ter sido a única oportunidade que eu, filho de dois agricultores, pobres, tive para estudar. As Letras calçaram toda a minha caminhada como estudante e como indivíduo. Somente a partir das Letras dei os passos que formaram as sílabas das palavras que dão sentido ao texto da minha história de vida. Sem o curso de Letras da UERR, possivelmente, eu não seria o homem que sou nem estaria no lugar em que estou”.
O terceiro lugar foi conquistado por Rejeane Kellen Castro Siqueira, acadêmica do curso de Ciências Humanas com ênfase em educação indígena (UERR), com o poema “Raiz que insiste”. Emocionada, ela afirma que foi uma honra escrever algo em que conseguiu contar a sua história, “sonho em me formar em letras, porém quando teve o vestibular eu passei em 3 terceiro lugar, mas não pude cursar devido alguns imprevistos... Hoje quando chego na escola, todos lembram - Você conseguiu? Eu lembro que você queria estudar letras. Eu não desisti, eu não sou de desistir dos meus sonhos, porém sei que tenho que ter paciência e fazer cada coisa por vez”, comentou.
Texto de Cora Gonzalo. Postado por Isabella Coutinho em 28 de maio de 2026.
Professoras de Letras vencem o Prêmio Roraimense de Ciência, Tecnologia e Inovação
Duas docentes do curso de Letras da Universidade Estadual de Roraima foram premiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Roraima (FAPERR), sendo consideradas Pesquisadoras Destaques da área de Ciências Humanas.
Cora Elena Gonzalo Zambrano e Isabella Coutinho Costa receberam o Prêmio Roraimense de Ciência e Tecnologia como reconhecimento e valorização de suas trajetórias, iniciativas e contribuições relevantes para o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação no estado. Para as pesquisadoras, o prêmio representa o reconhecimento de anos de dedicação à pesquisa em Roraima.
A professora Isabella é Linguista, com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Há mais de 20 anos desenvolve pesquisas sobre as línguas indígenas de Roraima. Desde 2010 trabalha na Terra Indígena Yanomami, junto ao povo Ye’kwana (Karib) desenvolvendo materiais didáticos e conduzindo pesquisas de descrição e documentação sobre a língua. Sua atuação junto ao povo Ye’kwana foi reconhecida pela FUNAI através do desenvolvimento de um Dicionário Multimídia da Língua Ye’kwana, um projeto PRODOCLIN fruto da parceria do Museu dos Povos Indígenas com a UNESCO.
A professora Cora é pesquisadora da área de Linguística Aplicada, doutora em Estudos Linguísticos pela UFMG, com trabalhos voltados ao ensino-aprendizagem de línguas, acolhimento linguístico-cultural, políticas linguísticas e formação de professores. Seu trabalho vem ganhando destaque pelo impacto social, educacional e científico, com o entrelaçamento entre o ensino, a pesquisa e a extensão.
A cerimônia de premiação ocorreu no passado dia 18 de maio, no Salão Nobre do Palácio de Governo. Também foram premiados professores doutores que se destacaram nas áreas de ciências da vida e ciências da exatas, bem como professores da educação básica na categoria ciência na escola, e profissionais de comunicação que divulgaram pesquisas científicas. Outra categoria premiada foi o de pesquisador inovador, tanto no setor público quanto no privado.
Texto de Cora Gonzalo. Postado por Isabella Coutinho em 28 de maio de 2026.