Minicurso 1: FOUCAULT E A EDUCAÇÃO: UMA INTRODUÇÃO
Prof. Dr. Izaías Serafim de Lima Neto
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA/UERN)
O minicurso pretende apresentar as noções teóricas que envolvem os estudos de Michel Foucault e o dispositivo pedagógico. Também, propõe introduzir as técnicas teórico-práticas de análise documental e netnográfica/etnográfica a partir de enunciados que circulam no dispositivo pedagógico. Ao fim, ensejará exercícios analíticos de materialidades discursivas do arquivo documental do dispositivo pedagógico e de videografias midiáticas produzidas por sujeitos nessa mesma superfície. O objetivo do minicurso é compreender as interfaces atuais dos Estudos Discursivos Foucaultianos com as pesquisas no âmbito da Educação, com foco em análises de documentos e experiências de campo.
Número de vagas: 30
Minicurso 2: A GRAMÁTICA CONTEXTUALIZADA: ANÁLISE E PRODUÇÃO DE ITENS PARA A SALA DE AULA
Prof. Dr. Daniel Soares Dantas (UERN)
O minicurso tem por objetivo discutir o ensino de gramática na perspectiva da análise linguística, compreendendo os fenômenos gramaticais como recursos de construção de sentidos em diferentes gêneros textuais. Busca-se oferecer aos participantes subsídios teórico-metodológicos para a elaboração e análise de itens didáticos que privilegiem a reflexão sobre o funcionamento da língua em contextos reais de uso, superando práticas centradas na memorização de regras e classificações. A proposta fundamenta-se nos pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso e nas contribuições da Linguística Textual e da Análise Linguística para o ensino de Língua Portuguesa, tomando como referência os estudos de Antunes (2007; 2009), Geraldi (1984), Neves (2003; 2010; 2012), Furtado da Cunha, Bispo e Silva (2014), além das orientações do Inep/MEC e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Também serão discutidas estratégias de elaboração de atividades inspiradas em pesquisas voltadas à articulação entre gramática e produção de sentidos.
Número de vagas: 40
Minicurso 3: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Anderson Rany Cardoso da Silva (UEPB)
Fabianne Oliveira de Freiras (UEPB)
Keslon Kevilly Vieira Veras (UEPB)
Ligiane Cardoso de Figueiredo (UEPB)
Luísa Silva de Queiroz (UEPB)
Maria Dulce Marques Ferreira (UEPB)
Maria Eduarda de Araújo Freire (UEPB)
Maria Eduarda Lira Rodrigues (UEPB)
Messias Soares da Silva Almeida (UEPB)
O presente minicurso tem como objetivo apresentar e discutir experiências de ensino de Língua Portuguesa desenvolvidas a partir da elaboração de Sequências Didáticas (SD), conforme a proposta de Dolz, Noverraz e Schneuwly (2014). Partindo dos pressupostos da perspectiva sociointeracionista da linguagem e do trabalho com os gêneros textuais, busca-se evidenciar as potencialidades desse dispositivo didático para o planejamento, a execução e a avaliação de práticas pedagógicas. O minicurso será organizado em torno da socialização de relatos de experiência produzidos por bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a partir das ações desenvolvidas em uma escola pública de Ensino Médio do município de Catolé do Rocha/PB. As experiências apresentadas abordarão o processo de elaboração, aplicação e avaliação de Sequências Didáticas destinadas ao ensino de conteúdos gramaticais articulados às práticas de leitura, produção de textos, oralidade e análise linguística, evidenciando os desafios enfrentados, as estratégias metodológicas adotadas e os resultados observados no processo de ensino e aprendizagem.
Número de vagas: 30
Minicurso 4: DISCURSO, HUMOR E REDES SOCIAIS DIGITAIS
Prof. Me. Vinícius Costa Araújo Lira (UFERSA)
Prof. Dr. Francisco Vieira da Silva (UFERSA)
Nas últimas décadas, as redes sociais digitais se consolidaram como espaços privilegiados de produção, circulação e disputa de discursos, muitos dos quais matizados pelo tom humorístico. Partindo desse apontamento, o presente minicurso busca suscitar reflexões a respeito das configurações do humor em materialidades discursivas que circulam nas redes sociais digitais. Para isso, ancora-se em autores como Michel Foucault, Terry Eagleton, Sírio Possenti, Vladmir Propp, Paulo Ramos, dentre outros, que refletem acerca do discurso e dos mecanismos que engendram o humor. A metodologia do minicurso consiste em discutir alguns conceitos, como discurso, verdade, poder, resistência, governo e subjetividade, a partir da análise de textualidades humorísticas das redes sociais digitais. Buscamos problematizar o modo como o discurso humorístico se constitui como uma estratégia de resistência frente aos efeitos de verdades socialmente construídos.
Número de vagas: 30
Minicurso 5: “PELO DIREITO DE SER E EXISTIR”: BIOPOLÍTICA, GOVERNAMENTALIDADE E OS DISCURSOS SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE
Profa. Ma. Brenda de Freitas (UERN/UFERSA)
Historicamente, os sujeitos homossexuais foram perseguidos, considerados errantes, doentes e anormais. No entanto, estes rótulos foram estabelecidos principalmente por meio de dispositivos de normalização ancorados no saber religioso, responsável por associar as práticas homossexuais ao pecado nefando e à bestialidade. O saber médico, por sua vez, reforçou a ideia de que a homossexualidade estava diretamente ligada à degenerescência e a uma psicopatologia. Contudo, em meados do século passado, a desconstrução dos discursos patologizantes e o entendimento acerca das sexualidades ganharam força. Sendo assim, faz-se necessário entender como os discursos em prol dos sujeitos homossexuais atuam em defesa do direito de ser e existir na sociedade. Diante disso, o presente minicurso objetiva compreender como a produção de discursos de verdade/denúncia contribuiu para o processo de manutenção e gestão da vida da população LGBT+ no Brasil. A metodologia utilizada segue os princípios teóricos dos Estudos Discursivos Foucaultianos, ancorados no método arqueogenealógico, mobilizando os conceitos de discurso, saber-poder, verdade, biopolítica e governamentalidade, a fim de evidenciar a dinâmica histórica da luta por direitos, as práticas de resistência e a conquista de espaço, voz e visibilidade por parte da população LGBT+ no cenário brasileiro.
Número de vagas: 40
Minicurso 6: CORPO, EMOÇÕES E LINGUAGEM: UMA INTRODUÇÃO À ABORDAGEM DOS TRAÇOS DE CARÁTER O CORPO EXPLICA
Profª Ma. Rosângela Félix de Oliveira (UERN)
Este minicurso propõe uma leitura reflexiva das práticas comunicativas a partir das relações entre corpo, emoções e linguagem, tendo como ponto de partida a abordagem dos traços de caráter difundida pelo método O Corpo Explica. Embora não se trate de uma teoria consolidada no âmbito científico, essa perspectiva constitui um saber amplamente difundido em diferentes espaços sociais, o qual mobiliza interpretações acerca da constituição da personalidade, da expressão emocional e das relações interpessoais. O objetivo do minicurso consiste em apresentar o percurso formativo dos cinco traços de caráter, a fim de discutir como experiências da infância são compreendidas por essa abordagem como elementos constitutivos dos modos de sentir, comunicar e estabelecer vínculos na fase adulta, além de refletir sobre seus potenciais e desafios na percepção de corpos plurais. A perspectiva teórica fundamenta-se na compreensão do discurso como prática social/ dialógica (Bakhtin, 2016), em diálogo com a Análise Textual dos discursos (Adam, 2011), a Análise do Discurso Digital (Paveau, 2022) e a noção de interdiscurso. A abordagem dos traços de caráter será apresentada a partir da sistematização proposta por Euler (2023), especialmente na obra O Corpo Explica as três funções do excesso de peso, compreendida, neste minicurso, como um saber em circulação que produz efeitos de sentido sobre as formas de compreender corpo, emoção e comportamento (Oliveira, 2026). Metodologicamente, o minicurso articula exposição dialogada, análise de exemplos, atividades de autorreflexão e discussão coletiva, com o propósito de promover uma leitura crítica da abordagem e implicações diante dos marcadores sociais de subjetividade.
Número de vagas: 30
Minicurso 7: LITERATURA NIPO-BRASILEIRA: AUTORAS, TEMAS E PROPOSTAS PARA SALA DE AULA
Francisca Lailsa Ribeiro Pinto – (CAP/UERN)
Do final do século XX ao longo do século XXI, a literatura nipo-brasileira com personagens japoneses e seus descendentes foi sendo construída quase que, exclusivamente, por escritores brasileiros. Diferentes perspectivas apresentam os nipo-brasileiros na produção literária nacional. Nas décadas de 1920-30, as narrativas brasileiras mostram o imigrante japonês com dificuldade de integração a nova pátria. No entanto, a partir das publicações em comemoração aos 80 anos de imigração japonesa para o Brasil, as escritoras amarelas vão construir uma literatura que busca tematizar a memória imigrante, as dificuldades de adaptação nas fazendas de café, o desequilíbrio da divisão de trabalho relacionada ao gênero, como exemplo: Sob dois horizontes, de Mitsuko Kawai (1988), Sonhos bloqueados, de Laura Honda-Hasegawa (1991), Eu também sou brasileira, de Marília Kubota (2020). Neste minicurso, temos como objetivo apresentar algumas produções literárias nipo-brasileiras escrita por mulheres amarelas, apontar os temas principais em oposição à visão dócil e submissa sobre elas em algumas obras (dentre os temas, destacamos os serviços nas lavouras e no cuidado com os filhos, a maternidade estrangeira). Também sugeriremos procedimentos metodológicos de abordagem dos textos literários para estudo escolar. De forma metodológica, trabalharemos a leitura oral com trechos de romances/contos/crônicas, discussão de temas e aspectos teóricos narrativos e a elaboração de sugestões para o manuseio das narrativas em sala de aula. A fundamentação teórica compreende as reflexões de Dalcastagnè (2012), Faedrich (2022), Lesser (2015), Massey (2015), Nakasato (2009), Zolin (2019).
Número de vagas: 20
Minicurso 8: A CONDIÇÃO FEMININA NA LITERATURA TEATRAL BRASILEIRA PÓS-MODERNA
Lucas Maia Gomes (PPGL/UERN)
Wyslania Elizia Nascimentos dos Santos (PPGL/UERN)
Beatriz Pazini Ferreira (UERN)
O movimento feminista, desde o final do século XIX até meados do século XX, contribuiu para constituir a mulher escritora como sujeito de ousadia e transgressão, sobretudo no que se refere à ocupação dos espaços da escrita, do trabalho e da representação. Esse processo implicou a contestação da concepção que restringia a experiência feminina ao âmbito doméstico e à maternidade, concebidos como únicos destinos possíveis para as mulheres. Nesse contexto, as mulheres passaram a ocupar espaços que lhes eram historicamente vedados, como o teatro, atuando como atrizes, diretoras e dramaturgas. Tal inserção possibilitou novas formas de representação e de (re)interpretação dos papéis de gênero e das relações sociais. Segundo Vincenzo (1992), a potência do movimento feminista, em fins dos anos 1960, faz emergir uma literatura teatral produzida inteiramente por mulheres e que abre caminhos para outras futuras dramaturgas. As produções teatrais destas escritoras do pós-modernismo, como Consuelo de Castro, Renata Pallottini, Hilda Hilst, Lourdes Ramalho, entre outras, tematizam a condição feminina de maneira que ampliam os estudos de gênero, ao abrangerem os olhares sobre o que é ser e tornar-se mulher na sociedade contemporânea, enquanto sujeita atravessada por discursos hegemônicos e pluriviolentos. Outrora aponta-a como sujeita da autodescoberta e de auto-afirmar-se no mundo a partir de uma perspectiva da própria mulher. Objetivamos com esta temática o estabelecimento de discussões voltadas às personagens femininas na literatura teatral pós-moderna produzida por mulheres no século XX, alinhadas à proposta teórica da crítica feminista de Roudinesco (2003), Saffioti (2015), Perrot (2019), Lerner (2019), Del Priori (2020), Bourdieu (2025) e Butler (2026).
Número de Vagas: 30
Minicurso 9: DA FIGURAÇÃO HISTÓRICO-SOCIAL AO REALISMO ANIMISTA: TRAVESSIAS PELA LITERATURA NIGERIANA QUEER
Pedro José Garcia de Menezes (PPGEL/UFRN)
As Literaturas Africanas Queer de língua inglesa constituem um campo emergente no qual sujeitos queer são representados em espaços ficcionais atravessados pela criminalização da homossexualidade e de outras dissidências de gênero e sexualidade. No interior desse campo, a Literatura Nigeriana Queer tem se afirmado como um segmento particularmente expressivo, reunindo projetos estéticos diversos que representam tais experiências. Sem a pretensão de reduzi-la a um conjunto homogêneo, objetiva-se examinar duas tendências estéticas por meio das quais tais sujeitos e experiências são inscritos nos campos do narrável e do reconhecível. Na primeira, marcada pela figuração histórico-social das queeridades, as personagens são construídas em confronto com estruturas familiares, religiosas, jurídicas e comunitárias que regulam suas dissidências, como ocorre, por exemplo, em Under the Udala Trees, de Chinelo Okparanta (2015) e Blessings, de Chukwuebuka Ibeh (2024). Na segunda tendência, aproximada da estética do Realismo Animista, espiritualidade, ancestralidade e cosmopercepções africanas não operam como alegorias ou elementos fantásticos, mas como dimensões constitutivas das queeridades das personagens, conforme se observa em Freshwater e The death of Vivek Oji, de Akwaeke Emezi (2018; 2020). A perspectiva teórica articula a compreensão de Mikhail Bakhtin (2015) do discurso romanesco como fenômeno histórico-social à formulação de Harry Garuba (2012) sobre o real-animista. Metodologicamente, o minicurso combinará exposição dialogada, contextualização histórico-literária e leitura comparativa de excertos selecionados, atentando para a construção das personagens nos projetos literários de cada escritor/escritora/escritore.
Número de vagas: 20
Minicurso 10: UMA TRILHA SONORA PARA HAMLET: ATIVIDADE DE LEITURA DA PEÇA DE WILLIAM SHAKESPEARE ATRAVÉS DE MÚSICAS CONTEMPORÂNEAS
Prof. Dr. José Vilian Mangueira (UEPB)
Como formadores de leitores, entendemos que o trabalho com o texto literário deve despertar o gosto dos alunos pela obra de arte, sem que o ato de ler seja visto como um exercício que visa responder questões preestabelecidas pelo professor. Além disso, é necessário oferecer ao aluno o entendimento de leitura como uma prática social, que deve fazer sentido fora e dentro da escola. Ao discutir o processo de leitura, Micheletti (2000, p. 17) destaca que, “se ela ocorre na escola, o professor pode atuar como mediador, complementando aspectos da organização do discurso e transmitindo informações que possam auxiliar o aluno a enveredar por esse intrincado mundo das letras”. Com base nesse pensamento, essa proposta de minicurso tem como objetivo oferecer uma leitura mediada da peça Hamlet, de William Shakespeare, utilizando uma seleção de músicas contemporâneas que criam diálogo com cenas da peça, mostrando como temas levantados pelo dramaturgo inglês podem ser discutidos através do diálogo com canções modernas de língua inglesa. A metodologia de trabalho consiste na leitura de trechos específicos da obra literária que dialoguem com o eu-lírico de músicas de língua inglesa, mostrando que a criação teatral de William Shakespeare não está distante dos discursos da modernidade, desenvolvendo, assim, o que destaca Paulo Ricardo Moura da Silva, ao pontuar que “[...] o letramento literário torna a literatura um bem coletivo por meio de interações sociais constituídas pelo e no compartilhamento de sentidos” (Silva, 2022, p. 15).
Número de vagas: 30
MINICURSOS ( REMOTOS )
Minicurso 1: LINGUAGEM, CÉREBRO E ALFABETIZAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLINGUÍSTICA
Prof. Dr. Daniel Soares Dantas (UERN)
A compreensão dos processos envolvidos na aprendizagem da linguagem e da alfabetização tem sido ampliada pelas contribuições da Psicolinguística, da Psicologia Cognitiva e da Neurociência, cujas investigações evidenciam como mecanismos cognitivos e linguísticos participam da aquisição da linguagem oral, da leitura e da escrita. Nesse contexto, este minicurso propõe discutir os principais modelos explicativos do processamento da linguagem e suas implicações para a prática pedagógica, aproximando resultados de pesquisas científicas das demandas da formação docente. A discussão fundamenta-se em estudos clássicos e contemporâneos da Psicolinguística e das Ciências Cognitivas, com destaque para os trabalhos de Fodor (1983), McClelland e Rumelhart (1986), Coltheart et al. (2001), Maia (2015), Vygotsky (2007) e Snow (2001), articulados às pesquisas sobre alfabetização e desenvolvimento da linguagem. A metodologia privilegiará exposições dialogadas, análise de estudos de caso e discussão de situações de ensino, favorecendo a articulação entre fundamentos teóricos e práticas educacionais.
Número de vagas: 40
Minicurso 2: HUMOR, IRONIA E OUTRAS ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA NA OBRA LITERÁRIA DE TERESA D’ÁVILA
Maria Graciele de Lima (UFPB)
O minicurso proposto tem como objetivo explorar a obra de Teresa d’Ávila (1515-1882) oferecendo uma leitura crítica de escritos produzidos na interface entre valores medievais e uma antecipação da estética barroca, no Siglo de Oro espanhol. Serão destacadas obras externas ao perfil mais conhecido da autora, notadamente os Solilóquios (conhecidos como Exclamaciones) e Vexame (Vejamen), nas quais são encontradas características como humor, ironia e aspectos de uma tônica profundamente ígnea, repleta de antíteses e paradoxos, o que é próprio da mística feminina medieval. Tais marcas podem ainda ser consideradas como estratégias de sobrevivência mediante as perseguições inquisitoriais direcionadas às mulheres intelectuais do Medievo (concepção alargada do período sob a ótica da História crítica). Oferecendo uma leitura crítica e contextualizada dos escritos de Teresa d’Ávila, objetiva-se propor uma abertura no cânone literário, embora a leitura da obra teresiana, assim como de outras místicas, exija uma consideração sempre interdisciplinar. Nesse sentido, a aproximação aos escritos considerados no minicurso será voltada ao recorte mais específico do universo dos Estudos Literários, reconhecendo o protagonismo de Teresa d’Ávila e de seu pensamento no âmbito artístico, portanto, para além das questões religiosas. Para fortalecer as considerações, os estudos de Le Goff (2010), Weber (1990), Troch (2013) e Flotow (2013), além de outros igualmente relevantes, nortearão os aspectos contemplados nas leituras. O minicurso comportará um total de vinte inscritas/os, na modalidade remota.
Número de vagas: 20
Minicurso 3: ANÁLISE DIALÓGICA DO DISCURSO FACE AO PLURAL E AO DIVERSO NA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO ACADÊMICO
Prof. Dr. Anderson Salvaterra Magalhães (PPGL/UNIFESP)
Esta proposta de minicurso integra as atividades do Projeto de Extensão Letramentos em Pesquisa: linguagens do saber acadêmico-científico (SIEX 23224), que conta com colaboradores da UNIFESP e da UERN. Neste minicurso, o objetivo geral é identificar em que medida aquilo que tem se configurado como Análise Dialógica do Discurso (ADD) se alinha a uma episteme que atenda à demanda contemporânea de agregar saberes diversos na produção de conhecimento acadêmico. Para tanto, detalham-se três objetivos específicos: (i) delinear objetos de estudo possíveis em ADD; (ii) identificar o dialogismo como princípio epistemológico; (iii) descrever desafios que perspectivas plurais e diversas trazem à produção acadêmica. Metodologicamente, o minicurso se vale de abordagem dedutiva para alcance do objetivo específico (i) e de abordagem indutiva para o alcance dos objetivos (ii) e (iii).
Número de vagas: 30
Minicurso 4: VELHICE EM VOZES POÉTICAS FEMININAS CONTEMPORÂNEAS
Profa. Dra. Ana Maria Remígio Osterne (UERN- DLV – FALA)
A concepção de velhice, desde a Grécia antiga, apresentou duas figurações básicas na poesia: a honrada (que traz em si a consideração pela experiência de vida) e a depreciativa (que encara a idade avançada como um estorvo e uma morte em vida) – ambos aspectos considerando, basicamente, a figura masculina de destacado papel militar e/ou sociopolítico. A poesia contemporânea feminina brasileira apresenta uma ruptura nesses padrões, refigurando a velhice como vida possibilitada (ainda que dentro de limitações físicas) no amor, na concepção e efetivação de projetos, na aprendizagem, na mobilidade... enfim, na dinâmica do próprio “viver”. Destacamos, nesta concepção refigurada, a fala de mulheres que, saindo do secular silenciamento, emergem também para expressar o envelhecer, que se distancia da passividade e da negação social. A proposta é efetivada pelos versos de Adélia Prado, Cora Coralina, Conceição Evaristo, Rita Lee e Adriana Calcanhotto. Pela exiguidade do tempo, este minicurso concentra-se na apresentação e leitura analítica dos versos que abordam a temática proposta. Elementos teóricos podem ser fornecidos àquelas/es que demonstrarem interesse em um aprofundamento.
Número de vagas: 20
Minicurso 5: TRAJETÓRIAS ESPIRALARES DA CRÔNICA HISPANO-AMERICANA: MARÍA MORENO, LEILA GUERRIERO E MARÍA SONIA CRISTOFF
Dnda. Josivânia da Cruz Vilela ( PPGLI - UEPB)
Prof. Dr. Wanderlan Alves (UEPB)
Nesse minicurso, analisaremos, como corpus de base, os livros Falsa Calma: un recorrido por los pueblos fantasma de la Patagonia (2005), de María Sonia Cristoff, Black out (2016), de María Moreno, e Frutos Extraños: crónicas reunidas (2020), de Leila Guerriero, todas escritoras argentinas. Buscamos pensar como as crônicas contemporâneas escritas por essas cronistas possibilitam a reflexão sobre um conjunto de tensões relacionadas à configuração do gênero que emergem reconfiguradas depois do ano 2000, como a fusão entre realidade e ficção, literatura e crítica (literária/cultural), relato e experiência, por exemplo. A partir da análise desses três livros, sugerimos que o trabalho criativo dessas três cronistas ativa uma memória cultural em torno da crônica hispano-americana que potencializa uma revisão e atualização de seus arquivos temático-formais e das problemáticas sócio-culturais neles inscritos, especialmente quando postas em relação com outros/as cronistas do passado, tais como: Manuel Gutiérrez Nájera, José Martí, Roberto Arlt, Rubén Darío, Carlos Monsiváis, Rodolfo Walsh, Elena Poniatowska, Gabriel García Márquez, María Enriqueta Camarrillo, José Carlos Mariátegui, Juana Paula Manso, Alfonsina Storni. Nesse sentido, nos propomos pensar a crônica contemporânea a partir de três aspectos: 1) sua capacidade de funcionar como arquivo literário que comprende nuances (temas, estilos, formas, estéticas) de crônicas de um passado próximo ou distante, abrindo e mobilizando, pois, um grande arquivo literário hispano-americano constituído de crônicas e cronistas; 2) suas inscrições e (im)pertinências em relação a genealogias e tradições, o que resulta em uma relação de continuidades e descontinuidades com o gênero que a singulariza; e 3) a relativização do caráter de novidade desses textos, ao mesmo tempo em que eles instauram uma dinâmica de ruptura e transgressão, reafirmando a configuração anfíbia do gênero. Para tanto, dialogaremos com concepções como precursor (Borges, 1957), arquivo (Derrida, 1994), modos de ler (Didi-Huberman, 1998; Alves, 2021), rizoma (Deleuze, Gattari, 1995), territorialização e desterritorialização (Deleuze, Guattari, 1995), dimensão fantasmática (Lacan, 1966; Derrida, 1994), interdiscursividade e polifonia (Bakthin, 1963), além de fazermos uso do recurso da imaginação conectiva (Ludmer, 2021) como ferramenta da leitura crítica.
Número de vagas: 20
Minicurso 6: FICÇÃO E PSICANÁLISE: A NARRATIVA COMO FERRAMENTA DE INVESTIGAÇÃO DA VERDADE DO SUJEITO
Prof. Me. Daniel Silva Guedes (UERN)
Partindo da premissa lacaniana de que "a verdade tem estrutura de ficção", esta oficina propõe explorar o estatuto da narrativa literária como uma via rigorosa de acesso e interrogação da verdade do sujeito. O objetivo central é discutir o encontro dialógico entre a ficção e o dispositivo analítico, evidenciando como ambos os campos operam a partir da centralidade da palavra e do endereçamento a um Outro. Abordaremos os contornos e os limites entre a dimensão ficcional e a dimensão testemunhal, refletindo sobre o modo como a literatura tateia e contorna o Real — aquilo que insiste em escapar à simbolização. Por meio de uma exposição teórico-prática e da análise de fragmentos textuais, a oficina visa instrumentalizar estudantes e pesquisadores a utilizarem chaves de leitura psicanalíticas, demonstrando que a análise literária pode ir além da hermenêutica tradicional ao incluir em seu escopo de análise o ato falho, o não-dito e o silêncio que compõem a trama narrativa.
Número de vagas: 30
Minicurso 7: DISCURSOS DE RESISTÊNCIA: LINGUAGEM, MÍDIA E ATIVISMO INTERSECCIONAL NAS PLATAFORMAS DIGITAIS
Débora Mayanne Rocha Dantas (UERN)
Thâmara Soares de Moura (UERN)
O minicurso propõe uma leitura discursiva das plataformas digitais como materialidade histórica de enunciação política contemporânea, tomando o discurso, na perspectiva foucaultiana, como prática que produz objetos, sujeitos e regimes de verdade, e não como expressão de conteúdos ideológicos. Rejeitando a oposição simples entre discurso dominante e discurso de resistência, a proposta parte da tese de que poder e resistência são relacionais e coextensivos, examinando como TikTok, Instagram e X operam simultaneamente como dispositivos de controle e como superfícies de emergência de contradiscursos feministas, antirracistas, LGBTQIA+, de povos do campo e tradicionais. O objetivo geral é instrumentalizar participantes para a leitura discursiva de práticas de ativismo digital, mobilizando categorias da Análise do Discurso foucaultiana em diálogo com o pensamento decolonial e interseccional. Especificamente, discute-se o discurso como prática que produz sujeitos e verdades em ambientes algorítmicos; analisam-se hashtag, trend, vídeo curto e comentário como novos gêneros discursivos; e exercita-se a leitura crítica de casos reais de ativismo digital interseccional. Metodologicamente, o curso combina aula expositivo-dialogada, com exemplos visuais projetados a cada conceito, e oficina de análise de corpus em pequenos grupos, cada um responsável por um caso real, orientados por roteiro de perguntas-guia. Participantes são convidados a trazer exemplos próprios de suas observações em redes sociais, enriquecendo a discussão coletiva e ancorando as categorias teóricas em materialidades concretas de enunciação digital contemporânea.
Número de vagas: 30