O documento de 2010, Plano Nacional de Astronomia, elaborado na época pela Comissão Especial de Astronomia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), permanece como a referência mais abrangente no que se refere à formulação de diretrizes e políticas públicas unificadas para o desenvolvimento da Astronomia no Brasil. No decorrer dos anos, percebemos que o planejamento estratégico da nossa área científica vem sendo continuamente atualizado e complementado por outras iniciativas institucionais. Entre elas destaca-se o Plano Diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (PDU–LNA 2030), que apresenta o Direcionamento Estratégico 2024–2030, enfatizando a modernização da infraestrutura científica, o fortalecimento da formação de recursos humanos e a ampliação da inserção internacional da Astronomia brasileira.
Nota-se, também, a crescente participação do Brasil em grandes consórcios e projetos internacionais, os quais viabilizam o acesso a telescópios de grande porte e a levantamentos astronômicos de larga escala (large surveys). Logo, como resultado direto, passamos a produzir volumes sem precedentes de dados observacionais e, como consequência, novas fronteiras de investigação em diversas áreas da Astronomia.
Paralelamente a esse cenário de grandes infraestruturas (observatórios, telescópios, instrumentação) e dos mais variados resultados associados, emerge uma questão para reflexão: qual é o papel dos telescópios de pequeno porte, tipicamente com diâmetros inferiores a 2,0 metros, no ecossistema científico atual? Em diversas partes do mundo, tais instrumentos continuam desempenhando funções científicas fundamentais, como o estudo de objetos do Sistema Solar, monitoramento de fenômenos transientes e variáveis, follow-up, espectroscopia de baixa e média resolução, astrometria de alta precisão e a realização de projetos de longo prazo que exigem grande flexibilidade observacional e o tempo necessário para monitorar a dinâmica do Universo local.
No Brasil, podemos identificar algumas IES que possuem observatórios equipados com pequenos telescópios que, além de contribuírem para a formação de estudantes em níveis de graduação e pós-graduação, também podem desempenhar um papel científico relevante ao integrar redes observacionais, ao desenvolver programas de monitoramento sistemático e ao explorar nichos de pesquisa que complementem as grandes infraestruturas internacionais.
Diante desse cenário, torna-se oportuno promover um espaço de discussão dedicado ao papel dos pequenos telescópios na Astronomia contemporânea. A organização do I WAPT (Astronomia com Pequenos Telescópios), ancorado nessa temática, busca reunir pesquisadores(as), estudantes e gestores de observatórios para discutir estratégias de uso científico desses instrumentos, promover a articulação entre instituições e explorar oportunidades de integração (sinergias) com os grandes levantamentos astronômicos atualmente em operação ou em desenvolvimento.
Os pequenos telescópios combinam um custo operacional moderado com a capacidade de realizar pesquisas científicas contínuas que seriam "complicadas" em telescópios gigantes (de 8m+), mais apropriados para observar objetos fracos (alta magnitude) ou de céu profundo.