A função principal de um roteador é encaminhar e receber os pacotes que chegam à ele. Para executar tal tarefa é necessário conhecer as redes (ou sub-redes) . O processo de descoberta das redes e por onde encaminhar o pacote para chegar até o destino é feito pela técnica de roteamento. Apenas um roteador L7 conhece qual é o fim da comunicação, isto é, sabe qual é aplicação para onde se deve chegar - muitas vezes roteadores L7 usam este artifício para bloquear/restringir uma aplicação. Em geral , quando não há uso de artifícios como NAT, um roteador conhece apenas o host de destino-origem via endereço IP.
Uma sequência de encaminhamentos entre um host de origem e um host de destino pode implementado de três maneiras não mutuamente exclusivas: automática, estática e dinâmica - como já dito em A Camada de Rede da Internet e Tal texto em breve. Ao endereçar interfaces de um roteador, de maneira automática, as redes serão aprendidas e inseridas na tabela FIB (Forwarding Information Base). De maneira estática, um administrador de rede, por exemplo, pode configurar um caminho de origem até o destino configurando todos os nós da rede (os roteadores) com um caminho único - é possível também criar rotas alternativas para criar redundâncias, essas rotas utilizam distâncias administrativas maiores do que a rota principal e são chamadas de rotas flutuantes (floating route). Rotas podem ser estabelecidas de maneira dinâmica utilizando protocolo de roteamento. Os protocolos de roteamento utilizam suas próprias regras e métricas para escolher por onde encaminhar os pacotes que, ao fim do processo, criam rotas de encaminhamento. Alguns protocolos de roteamento quando conhecem todas as redes de destino, inserem-as na RIB (Routing Information Base) e, após o processo de roteamento dinâmico, as melhores saídas são inseridas na FIB.
Para compreender melhor a ideia do roteamento estático será utilizado cenário mostrado na Figura 1. Como pode ser aí visto, existem seis redes, todas são /24 (195.10.20.0/24, 195.10.21.0/24, 195.10.22.0/24, 195.10.23.0/24, 195.10.24.0/24 e 195.10.25.0/24) - explicações em As Sub-Redes texto em breve -, três computadores, três switches e, além disso, estão destacadas as interfaces e seus endereços IP (por exemplo em R1 existem quatro interfaces - pos2/0 com IP 195.10.24.1, pos4/0 com IP 195.10.25.1 e f1/1 com IP 195.10.21.254. As interfaces PA-POS-OC3 operam de maneira ponto-a-ponto e fazem parte do padrão serial de conexão da Hierarquia Digital Síncrona (Synchronous Digital Hierarchy, SDH) - Hierarquias Digitais e Suas Características texto em breve, com taxas de aproximadamente 155 Mbps/s e MTU padrão de 4470 bytes.
Para configurar uma rota estática no IOS cisco, é necessário utilizar o comando ip route. Sua implementação deve ser feita no modo de configuração global e possui a seguinte sintaxe - mais informações da cisco aqui e Sobre Sintaxes em breve:
ip route
Router(config)# ip route {ip-prefix | ip-addr ip-mask} {[next-hop | nh-prefix] | [interface next-hop | nh-prefix]} [tag tag-value [pref]]
Se houver indisponibilidade no próximo salto, é necessário que haja um próximo salto alternativo. Uma, ou mais, Rota Flutuante (Floating Route) deve ser configurada. Duas rotas para alcançar a rede de destino são diferenciadas por meio da distância administrativa (Administrative Distance, AD), a rota que possuir menor AD será incluída na FIB. Para configurar as rotas estáticas, há três formas de básicas:
R1 - Rota Principal
R1(config)# ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 195.10.24.2
R1 - Rota Flutuante
R1(config)# ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 195.10.25.2 150
R1 - Rota Principal
R1(config) # ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 pos2/0
R1 - Rota Flutuante
R1(config) # ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 pos3/0 150
R1
R1(config) # ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 g2/0 195.10.24.2
R1 - Rota Flutuante
R1(config) # ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 pos3/0 195.10.25.2 150
Figura 1: Topologia Lógica com as redes, interfaces e endereços IP.
Em uma configuração de rotas estáticas é necessário estabelecer para onde encaminhar o pacote que chega em um roteador específico. No exemplo aqui utilizado, o conjunto R de roteadores R1, R2, R3 devem saber por onde encaminhar os pacotes para as sub-redes que não estão diretamente conectadas à eles, isto é, R1 deve conseguir encaminhar pacotes para 195.10.20.0/25, 195.10.23.0/24 e 195.10.22.0/24; R2 para 195.10.21.0/24, 195.10.22.0/24 e 195.10.25.0/24; e, finalmente R3 para 195.10.20.0/24, 195.10.21.0/24 e 195.10.24.0/24. Os roteadores são da linha c7200 da cisco e cada configuração é listada a seguir:
R1
enable
conf t
interface pos2/0
ip address 195.10.24.1 255.255.255.0
description R1-p-R2
no shutdown
exit
interface pos3/0
ip address 195.10.25.1 255.255.255.0
description R1-p-R3
no shutdown
exit
interface f1/1
ip address 195.10.21.254 255.255.255.0
description R1-p-50Hosts
no shutdown
exit
ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 195.10.24.2
ip route 195.10.22.0 255.255.255.0 195.10.25.2
ip route 195.10.23.0 255.255.255.0 195.10.25.2
ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 195.10.25.2 150
ip route 195.10.22.0 255.255.255.0 195.10.24.2 150
ip route 195.10.23.0 255.255.255.0 195.10.24.2 150
R2
enable
conf t
interface pos2/0
ip address 195.10.24.2 255.255.255.0
description R2-p-R1
no shutdown
exit
interface pos4/0
ip address 195.10.23.1 255.255.255.0
description R2-p-R3
no shutdown
exit
interface f1/1
ip address 195.10.20.254 255.255.255.0
description R2-p-100Hosts
no shutdown
exit
ip route 195.10.21.0 255.255.255.0 195.10.24.1
ip route 195.10.22.0 255.255.255.0 195.10.23.2
ip route 195.10.25.0 255.255.255.0 195.10.23.2
ip route 195.10.21.0 255.255.255.0 195.10.23.2 150
ip route 195.10.22.0 255.255.255.0 195.10.24.1 150
ip route 195.10.25.0 255.255.255.0 195.10.24.1 150
R3
enable
conf t
interface pos3/0
ip address 195.10.25.2 255.255.255.0
description R3-p-R1
no shutdown
exit
interface pos4/0
ip address 195.10.23.2 255.255.255.0
description R2-p-R3
no shutdown
exit
interface f1/1
ip address 195.10.22.254 255.255.255.0
description R2-p-28Hosts
no shutdown
exit
ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 195.10.23.1
ip route 195.10.21.0 255.255.255.0 195.10.25.1
ip route 195.10.24.0 255.255.255.0 195.10.25.1
ip route 195.10.20.0 255.255.255.0 195.10.25.1 150
ip route 195.10.21.0 255.255.255.0 195.10.23.1 150
ip route 195.10.24.0 255.255.255.0 195.10.23.1 150
Para testar as rotas, dois comandos são importantes lembrar: ping e traceroute (ou trace ou tracert). Para saber se o host 195.10.21.1 alcança host 195.10.20.1, um ping e um trace (comando em um computador genérico fornecido pelo GNS3) foram executados no PC1:
No PC1
ping 195.10.20.1
Resultado do ping
Resultado trace PC1 até PC2
Agora, usando um ping continuo de PC1 até PC2 e desabilitando a interface POS2/0 em R1, segue:
No PC1
ping 195.10.20.1 -t
Resultado do ping contínuo
R1
conf t
int pos2/0
shutdown
Resultado do ping contínuo após desligar a interface POS2/0 em R1
Resultado trace PC1 até PC2
Agora, usando um ping continuo de PC1 até PC2 e habilitando novamente a interface POS2/0 em R1, segue:
Resultado do ping contínuo
Resultado trace PC1 até PC2
Problemas com rotas estáticas: