Por Vladimir Homobono Soares
Palavras-chave: ciência, mudança de paradigmas, ceticismo
É interessante como somos impenitentes ao tentar reconhecer a importância histórica de algum personagem (fictício ou de carne e osso). Geralmente os famosos estão na mídia tocando canções de guerra ou salvando uma bela moça de cair de uma ponte. Esquecemos porém de alguns mitos divulgadores e lutadores da ciência brasileira.
Para iniciar é importante reconhecer de como a ciência ajuda ao desenvolvimento do pensar no ser. Ao longo dos anos a quebra de vários paradigmas se deram por se executar o método cientifico da forma mais branda possível. Mudanças bruscas nos paradigmas sempre causam repercussões e, como se sabe, em algumas épocas a sentença do pensamento divergente era a morte. Alguns casos bem famosos como a mudança do ponto de vista Geocêntrico para o Heliocêntrico, ou Terra plana para redonda finalizavam com uma fogueira ou a perseguição aos seguidores de Pitágoras por acharem que o argumento dedutivo-demonstrativo teria um envolvimento com o misticismo, associando números a tudo, que inclui desde música à Deus.
Os pensadores Pitagóricos estavam certos ao associarem os números à tudo, ou seja, ao physis (φύσις), à natureza e, até hoje, não se sabe se à Deus está correto. Na verdade, uma das definições de Deus afirma que, nada mais é, a forma de expressar a harmonia em meio ao caos do natural. Logo, nessa vertente, estão corretos. Penso que a busca por Deus é feita de forma errada, não culpo ou critico quem segue a linha pois cresci numa família com princípios cristãs e muito desses princípios me moldaram. Entretanto muitos pensadores poderiam ter traçado filosofias similares de como se comportar eticamente na sociedade. Porém na filosofia das religiões o debate não está em questão, diferentemente do que ocorre na ciência.
Voltando à busca de Deus de forma errada, quem sabe Deus exista e, devido à sua bondade, nos foi dado inteligência suficiente para que, por exemplo, compreendamos perfeitamente como funciona a dualidade onda-partícula da matéria e, por meio disso, encontramos um padrão, que ao ser decodificado, signifique algo como "EU CRIEI VOCÊS". Ou então, estudando a evolução, criação e modificação das espécies por meio da análise genética encontrarmos um padrão de características que indiquem que fomos criados à imagem e semelhança da forma "VOCÊS SÃO MINHA CRIAÇÃO".
É incrível o que a matemática pode proporcionar, algumas sequências se encaixam na natureza perfeitamente, poderia citar vários exemplos, porém lhes cito um: A sequência de Fibonacci. Uma sequência de números em que o próximo é a soma do dos últimos números. Esse número foi atribuído à Leonardo de Pisa, o Fibonacci, que escreveu um livro em 1202 a respeito do tema. Contudo se sabe que os Incas utilizavam um instrumento de contagem utilizando o padrão, e com isso, mostra-se como a matemática é, de fato, uma linguagem universal. O aparelho inca está ilustrado na figura 1.
A sequência de Fibonacci se encaixa tão perfeitamente na natureza que podem-se descrever vários eventos por meio dessa família de números. Desde uma pessoa balançando o cabelo, até o padrão de crescimento dos galhos em árvores, mostrado na Figura 02. Como disse, Pitágoras não estava errado, os números formam a base para análise da Natureza. As ciências naturais não seriam nada sem ela.
Figura 1: Yupana usada pelos Incas.
Figura 2: Exemplos da sequência de fibonacci
Ao falar de cientistas ou pesquisadores atualmente, muitos pensam que essas pessoas possuem a verdade absoluta. Porém ao se achar que se é uma verdade absoluta, o método cientifico cai por terra. Ciência não é dizer "ISTO É UMA VERDADE!" e sim perguntar "ISTO É UMA VERDADE?". É claro que muitas vertentes são consideradas intocáveis pela ciência moderna, transformando-as, praticamente, em uma religião, o que é uma pena.
Ser cético é perguntar-se sempre se o correto é realmente correto, estar disposto a mudanças de paradigmas. Quando, por exemplo, a mecânica quântica surgia em meio à filosofia determinística, o impacto tão grande que as maiores mentes do mundo se confrontavam em acalorados debates e, algumas vezes, utilizando-se de experimentos mentais para tentar refutar ou confirmar a teoria.
Os dois principais nomes eram Einstein, determinístico, e Niels Bohr, positivista, mostrados na figura 03. Na realidade os defensores da mecânica quântica, que utilizava conceitos probabilísticos para determinar posição e velocidade de um ente físico chamado de Princípio da incerteza de Heisenberg, por exemplo, estavam concentrados na Alemanha, tendo nomes como Erwin Schrödinger, Heisenberg e Max Planck como colaboradores.
Figura 3 : Niels Bohr e Albert Einstein em fotografia de 1925.
Alguns exemplos de embates refletem a experimentos mentais e frases como:
· "Deus não joga dados" - Albert Einstein.
· O experimento do gato de Schrödinger. Em que o mesmo está vivo e morto até que alguém abra a caixa em que o gato está.
Qual o objetivo de citar esse exemplo? Simplesmente a pessoa que era contraria ao modelo probabilístico, Albert Einstein, foi um dos que fundaram as bases da teoria quântica. O que se percebe é, você pode não concordar com o resultado, porém não se pode ir contra a Natureza e só lhe resta mudar o paradigma até que alguém apareça mudando tudo novamente.
Outro exemplo é o caso de Charles Darwin durante os estudos a respeito da teoria da evolução das espécies. Charles Darwin era cristão, chegou a estudar Teologia Anglicana, ao perceber que existia um processo evolutivo dependente da seleção natural, teoria diferente daquela que lhe foi apresentada a vida inteira, relutou em publicar seus estudos. Porém como grande cientista foi, o fez mudando radicalmente a forma de se pensar no mundo, virando piada entre alguns religiosos.
Se estamos dispostos a pensar de forma crítica (método cientifico), devemos nos atentar para possíveis mudanças de paradigmas. Isso significa poder se perguntar sempre se o padrão está correto, mesmo que, para isso, seja necessário mudar de opinião ao perceber que, de fato, não está. As implicações vão desde a política, mudando a visão de um candidato que você votou ou um partido político, até em hábitos que antes não eram saudáveis e hoje possam se tornar a ser. Isso nada mais é que o método cientifico.