Carlos Pedro Gonçalves
Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa
5-12-2014
O conceito de finanças exponenciais refere-se a transformações do sistema financeiro decorrentes das tecnologias exponenciais, com expressão particular no que se refere a:
Novas formas de organizacionais, alternativas ao sistema financeiro tradicional;
Ciberfinança (impacto das TIC e, em particular, da Internet (online trading));
Economias virtuais e mundos virtuais;
Inteligência Artificial e Finanças Computacionais.
Ao nível da teoria financeira destaca-se a importância das finanças exponenciais, em particular na vertente do risco enquanto problema estratégico empresarial.
O risco enquanto problema estratégico empresarial
A noção de risco tem origem no latim medieval resicum enquanto noção do direito marítimo medieval que sintetiza simultaneamente as noções de periculum (ameaça, perigo), fortuna (sorte, destino) e incerteza. No contexto da ciência geral do risco, a noção de risco permite sinalizar, numa situação concreta sistémica, uma ideia de jogo de sobrevivência em que se joga para sobreviver em situações de exposição a ameaças e com um resultado em aberto (Gonçalves, 2010).
No contexto empresarial, a necessidade de desenvolver uma governance para o risco implica o reconhecimento de um imperativo de valor e de risco expresso do seguinte modo:
Uma empresa deverá gerir os recursos obtidos de tal modo que se consiga acrescentar valor, gerindo a exposição às ameaças quer externas à actividade da empresa quer internas, geradas pela actividade da empresa, para que esta (actividade) seja economicamente, estrategicamente e socialmente sustentável.
O imperativo acima expresso remete-nos para a noção de triple bottom line (tripé da sustentabilidade), isto é, com o desenvolvimento de uma estratégia empresarial visando as pessoas (sustentabilidade social), o ecossistema (sustentabilidade ecológica) e a performance financeira.
O compromisso com o tripé implica uma conjugação da sustentabilidade económica (garantir presentemente as condições de continuidade futura da actividade económica), sustentabilidade estratégica (garantir presentemente a sustentabilidade da empresa no cumprimento da sua missão, core business, preservação da cultura empresarial e expansão dos seus factores chave de competitividade) e sustentabilidade social (contribuir para um desenvolvimento socialmente e ecologicamente sustentável).
A gestão da exposição às ameaças, torna-se central para garantir a sustentabilidade empresarial, e pode ser orientada em torno de uma noção central de resilience enquanto capacidade para recuperar dos obstáculos, eventos disruptores e concretização de cenários com impacto negativo sobre a organização.
As tecnologias exponenciais são centrais para o desenvolvimento da resilience empresarial permitindo o desenvolvimento de:
Soluções de sustentabilidade a custo mais baixo (questão que se conecta com a noção de lei dos retornos acelerados introduzida por Ray Kurzweil (2001));
Novas formas de organização empresarial e de agilidade;
Expansão da cooperação entre Estado, Empresas e Universidades (tripla hélice), na criação de conhecimento, no desenvolvimento de pólos tecnológicos e/ou de grupos de apoio a soluções de sustentabilidade e de risk governance, conduzindo ao desenho e implementação de políticas em ciência e tecnologia com impacto nas políticas económica, financeira e social do Estado, estabelecendo a base para a expansão da triple bottom line, com efeitos ao nível do emprego e condições de expansão da resilience nacional em relação a crises económicas e financeiras;
Sistemas de apoio à gestão integrada do risco (nomeadamente, na vertente da antecipação de cenários, gestão da exposição ao risco e construção de planos de resposta a crises).
Em cada um dos pontos acima os quatro pilares da terceira revolução industrial (Nanotecnologia, Biotecnologia, TICs e Inteligência Artificial, Vida Artificial e Robótica) desempenham papéis centrais.
Bibliografia
Gonçalves, Carlos P. (2010), "Contributos para os fundamentos categoriais da matemática do risco", Tese de Doutoramento, ISCTE-IUL, ISCTELinkTeseCPG.
Gonçalves, Carlos P. (2012), "Risk Governance - A Framework for Risk Science-Based Decision Support Systems", Gonçalves, C.P., 2012, http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2085482.
Kurzweil, Ray (2001), "The Law of Accelerating Returns" http://www.kurzweilai.net/the-law-of-accelerating-returns.
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