Palestras/Conferências
DIVERSIDADE CULTURAL E BIODIVERSIDADE:
UMA ANÁLISE ANTROPOLÓGICA DE EXPERIÊNCIAS COMUNITÁRIAS NO BRASIL
Dr. José Rogério Lopes
Doutor em Ciências Sociais, Prof. Titular do PPG Ciências Sociais da Unisinos, RS.
Resumo: A apresentação expõe registros etnográficos de projetos comunitários localizados em diversos estados do país, no quadro do LAPCAB-Laboratório de Políticas Culturais e Ambientais no Brasil: gestão e inovação (www.facebook.com/lapcab ). Os registros descritos buscam evidenciar os agenciamentos identitários realizados por comunidades e coletivos, organizados ou não, que se inscrevem na lógica de superação da dicotomia natureza-cultura e se explicitam em processos de criação de produtos de marcação social, com utilização de tecnologias patrimoniais. Palavras-chaves: Diversidade cultural, biodiversidade, agenciamentos identitários, produtos de marcação social.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL, UNIVERSIDADE E ESCOLA:
UMA DISCUSSÃO SOBRE AS PONTES QUE ESTAMOS CONSTRUINDO
Dra. Carmen Roselaine de Oliveira Farias
Professora do Departamento de Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da UFRPE
Resumo: Esta apresentação procura expor um ponto de vista sobre experiências de educação ambiental em contextos escolares a partir de uma visada nos trajetos de um programa de extensão universitária com rebatimento em pesquisa e ensino. A discussão se situa no âmbito do Programa Capivara de Educação Socioambiental na Bacia do Capibaribe, criado em 2011 e desenvolvido nos anos de 2012 e 2013. Este programa inscreve-se como uma ação de extensão universitária com objetivos de fortalecimento da educação ambiental escolar por meio da interação entre professores, pesquisadores, colaboradores comunitários e estudantes de escolas e da universidade. Com duas edições concluídas, o Programa Capivara nos oferece agora a oportunidade de refletir sobre alguns de seus percursos pelos caminhos da formação inicial e continuada de professores, assim como das práticas e do currículo da educação ambiental produzido para e pela escola. Palavras-chave: educação socioambiental, currículo, educação básica, extensão universitária.
AMBIENTALIZAÇÃO E SUAS INTERFACES COM O URBANISMO E A ARQUITETURA
Dra. Alessandra Pavesi
Pesquisadora Associada e Professora Voluntária no Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Resumo: Assim como vem ocorrendo em outros campos de produção cultural, também na Arquitetura a crise ambiental deu origem, desde os anos 70, a um debate pautado, de um lado, pelas críticas aos pressupostos teóricos, valores e práticas que se firmaram e institucionalizaram na modernidade. Por outro lado, a incorporação da preocupação com o ambiente – particularmente com a base dos recursos naturais que garantem o funcionamento e a qualidade de vida em uma sociedade que caminha, talvez irreversivelmente, para a urbanização global – deu lugar a outras formas de pensar a arquitetura e de construir as nossas casas, escolas e cidades. Na minha intervenção, procurarei apresentar e dialogar sobre esses dois aspectos da questão da ambientalização do campo da Arquitetura: particularmente a resistência da tradição arquitetônica moderna a se propor “temas mais vastos que sua própria autodefesa” (como acusava Bruno Zevi, historiador e crítico da arquitetura); e as possibilidades de conceber a arquitetura e as cidades a partir de ideias, práticas culturais e atitudes alheias ao campo de produção teórica da arquitetura e desvalorizadas pela racionalidade dominante.
(Para acessar o arquivo com as referências, disponibilizado pela Profa. Alessandra Pavesi, clique aqui)
OLHARES SOBRE O CONFLITO SOCIOAMBIENTAL DA EXPLORAÇÃO DE AREIAS
EM LEITO DE RIOS DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
Dr. Ricardo Braga
Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
e presidente da Associação Águas do Nordeste (ANE). E-mail: ricardobraga.jc@gmail.com
Resumo: O conflito de caráter socioambiental que se estabelece no leito seco de rios intermitentes do Semiárido brasileiro decorre de duas tradicionais atividades de exploração de recursos naturais: da areia, para construção civil e obras públicas; e da água, para atendimento às demandas da população local, sobretudo nos períodos de estiagem. A areia de deposição no leito aluvial, proveniente do carreamento pelas enxurradas durante as concentradas chuvas na região, é acumulada naturalmente ao longo de décadas e séculos no leito seco desses rios, constituindo-se em áreas potencialmente mineráveis, para uso direto local e para comercialização. Por outro lado, as águas das chuvas que chegam à calha do rio infiltram na areia, mantendo-se no lençol freático após o período chuvoso, servindo como manancial para uso doméstico, na agricultura e na pecuária pela população rural, além de atender a populações urbanas abastecidas por caminhões-pipa, nos momentos críticos de seca. A relação entre a conservação de areia e água se configura na medida em que a água do freático é protegida pela permanência da camada de areia, uma vez que evapora e sofre salinização quando esta areia é retirada e a água fica exposta ao sol e ao vento, típicos do clima regional. Com o crescimento econômico da região, a demanda de areia aumentou muito nos últimos anos, levando à exploração mecanizada e intensa, ao mesmo tempo em que a necessidade de água tornou-se maior, em decorrência das mudanças climáticas que se tem verificado. Assim, a partir deste conflito socioambiental, o autor exercita olhares sob o viés da ciência, da tecnologia e da sociedade, buscando a compatibilização com as consideradas necessidades da conservação ambiental.
Para ilustrar a discussão será apresentado um documentário de 11 minutos intitulado Semiárido: Areia ou Água, que pode ser acessado no site da ANE: http://www.aguasdonordeste.org.br/website/ , ou no youtube:
Painel 1
Ambientalização do Espaço Escolar:
Desafios e Perspectivas
1. A EA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: A PROPOSTA DA AÇÃO DE EXTENSÃO “EDUCAÇÃO AMBIENTAL: EXPERIÊNCIAS NO MORRO SANTANA”
Ms. Taís Cristine Ernst Frizzo
Licenciada em Ciências Biológicas e mestre em Ecologia pela UFRGS. Atua como professora do Colégio de Aplicação da UFRGS desde 2007 e é doutoranda no PPG em Educação da PUCRS. E-mail: taisfrizzo@hotmail.com
Resumo: Desde 2008, a ação de extensão “Educação Ambiental: experiências no morro Santana” vem sendo editada, a fim de integrar as escolas localizadas no entorno do morro Santana às práticas relacionadas ao uso da área do morro Santana. Os principais objetivos da ação foram: propor práticas de Educação Ambiental para a Educação Básica; incentivar a reflexão sobre as relações humano/natureza, repensando atitudes e contrução de valores; propor outras metodologias de ensino/aprendizagem de conteúdos escolares, buscando a integração de diferentes áreas do conhecimento; e valorizar a REVIS-Morro Santana, promovendo sua conservação, de forma sustentável. Após um levantamento de conhecimentos prévios e de percepção ambiental dos participantes da ação, foram oferecidas oficinas com diferentes atividades e caminhadas por trilhas interpretativas no morro Santana, quando foi possível problematizar as ações e as relações humano/natureza e construir conceitos vivenciados na prática. A Educação Ambiental possibilita a integração de diversos conhecimentos, antes fechados em gavetas, com a finalidade do bem comum e do ambiente. O trabalho na escola possibilita a multiplicação da conscientização ecológica, pois se acredita que a formação desenvolvida nesses espaços será levada para além dos muros escolares. Assim, entende-se a importância da Educação Ambiental para a formação de sujeitos ecologicamente orientados e para a problematização da separação humano/natureza. Ainda há muitos desafios na escola, que passam por currículos a serem cumpridos, pela carga horária excessiva dos professores e pela flexibilidade dos gestores. Por parte da universidade, cabe investir cada vez mais na oitiva da comunidade, nas trocas de saberes e na valorização da extensão universitária.
2. ESCOLA SUSTENTÁVEL COMO PROPOSTA DE POLÍTICA PÚBLICA NO BRASIL
Sandra Lilian Silveira Grohe
Pedagoga pela Universidade da Região da Campanha (URCAMP), Especialista em Psicopedagogia pelo Instituto Brasileiro de Pós - Graduação (IBEPX), Especialista em Educação Ambiental pela Universidade Federal de Rio Grande (FURG), mestranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do RS. Atua no Grupo de Pesquisa: Cultura, Ambiente e Educação (PUCRS) como bolsista CAPES. Email: sandragrohe@gmail.com
Resumo: Esta pesquisa investigará como o conceito de Escola Sustentável passou a ser difundido dentro do campo da Educação Ambiental, e como ele vem se firmando como política pública no Brasil. Para isso, pretende-se realizar pesquisa documental sobre as políticas voltadas para este conceito em nível local, regional e nacional. A pesquisa documental será complementada pelo estudo do processo de construção do projeto político-pedagógico de uma Escola Sustentável.
Palavra-chave: Educação Ambiental; Escolas Sustentáveis; Políticas Públicas.
3. A “CONSCIÊNCIA MUITO GRANDE” DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: A EXPERIÊNCIA ESCOLAR NO MUNICÍPIO DE GAROPABA/SC
Ms. Ananda Casanova
Licenciada em Pedagogia pela Universidade Luterana do Brasil (2011). Mestre em Educação, na linha Teorias e Culturas em Educação, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS/CNPq), com Mestrado Sanduíche na Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, Universidad Nacional de La Plata, Argentina (Capes, 2012). Integra o Grupo de Pesquisa Cultura, Ambiente e Educação (PUCRS/CNPq) coordenado pela Profa. Dra. Isabel Cristina de Moura Carvalho e o grupo interdisciplinar Sobrenaturezas (PUCRS/UFRGS). E-mail: ananda.casanova@gmail.com
Resumo: A partir da dimensão que a temática ecológica atingiu nas últimas décadas, a educação ambiental tem atuado como um código de conduta moral que indica certas atitudes e comportamentos apropriados para repensar a relação entre sociedade e ambiente, traduzindo certos modos de se posicionar no mundo. Nesse contexto, o presente estudo aborda a tensão entre a normatividade do discurso pedagógico da educação ambiental e os aspectos formativos dessa mesma educação, a produção de novos sujeitos ecologicamente orientados e as maneiras com as quais a instituição escolar – ela mesma revestida de um caráter prescritivo – vem desenvolvendo projetos de formação ambiental. Este trabalho apresenta os resultados de um estudo qualitativo, realizado a partir de um olhar etnográfico, que procura caracterizar como se configuram as práticas ambientais em três escolas da rede municipal de Garopaba (Santa Catarina), a fim de identificar elementos da cultura escolar que pretendem contribuir na formação de sensibilidades ambientais. O cotidiano pedagógico das instituições foi acompanhado durante o ano de 2013, com enfoque em turmas de 4º e 5º séries dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Os resultados permitem afirmar que a concepção de meio ambiente e educação ambiental das educadoras é influenciada por um discurso que padroniza o entendimento e a necessidade de promover mudanças de comportamento, ideia que assume configurações específicas no contexto de Garopaba em função da problemática do turismo, do imaginário em torno da cidade como um “paraíso ecológico” e da diferenciação entre alunos nativos e não-nativos. Em termos pedagógicos, observa-se que a educação ambiental é associada predominantemente a atividades práticas, realizadas em ambientes externos à sala de aula, e que sua abordagem interdisciplinar ainda é um desafio cotidiano para as educadoras.
4. PRÁTICAS DOCENTES EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA A ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO BANHADO GRANDE, CAMINHOS E DESCAMINHOS
Aurici Azevedo da Rosa
Licenciada em Ciências Biológicas pela PUCRS, Especialista em Educação Ambiental pela Universidade Federal de Santa Maria- UFSM. Também possui Especialização em Educação Sexual pela UPIS/ISOF em Brasília. É membro da ONG Grupo Maricá a qual representa no Conselho Deliberativo APA do Banhado Grande. Além disso, tem experiência em Projetos de Educação Ambiental e em palestras e oficinas de Educação Sexual. É mestranda na Pós-Graduação em Educação da PUCRS, na linha de pesquisa Teorias e Culturas em Educação. Atualmente professora na Rede Municipal de Viamão. E-mail: auricidarosa@gmail.com
Resumo: Essa pesquisa tem como foco as práticas de educação ambiental em quatro escolas do município de Viamão, localizadas no perímetro de duas unidades de conservação a Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande – APABG. Essa unidade compreende uma área de 137.000 hectares, abrangendo quatro municípios do RS (Glorinha, Gravataí, Santo Antônio da Patrulha, Viamão). Apesar de existir a quase quinze anos foi recentemente efetivada e ainda não possui seu plano de manejo. Dentro da APABG encontra-se outra unidade de conservação o Refúgio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, localizado em Águas Claras no município de Viamão. Toda essa área compreende um mosaico de ecossistemas, tais como mata atlântica, mata de restinga, banhados; turfeiras, etc. E alguns animais em sérios riscos de extinção, como por exemplo, o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus). Em pesquisa recente foram mapeadas as ações de educação ambiental desenvolvidas nas escolas inseridas ou próximas a APABG e o Refúgio, nos quatro municípios que a compõe. Entretanto, com essa investigação não foi possível avaliar como se constituem essas práticas e o que permeia esse atuar docente voltado à educação ambiental. Neste sentido, pretende-se analisar como se estabelecem essas práticas, quais os eixos norteadores de educação ambiental, que princípios as orientam, que relação existe com a unidade de conservação e tudo que possa determinar a sua práxis.
5. PRÁTICAS EDUCATIVAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL: REFLEXÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS DE ESCOLAS PÚBLICAS DE PERNAMBUCO
Ma. Renata Priscila da Silva
Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2010) e Mestra em Ensino de Ciências pela referida universidade (2013). Participa dos grupos de pesquisa Cultura, Ambiente e Educação (PUCRS) e Educação e Sustentabilidade (UFRPE). E-mail: renata_priscila@yahoo.com.br
RESUMO: Nessa pesquisa objetivamos trazer algumas reflexões sobre as experiências educativas em educação ambiental (EA) em três escolas públicas de Pernambuco. Compreendemos que a EA pode ser tanto agente quanto produto de um processo maior que é a ambientalização das esferas sociais, por isso, embora o trabalho enfoque práticas educativas de EA, ele suscita discussões sobre a ambientalização do campo educativo. Partimos do pressuposto que essa ambientalização se dá na interface entre o campo ambiental e o educacional. São através das negociações, acordos e rupturas que ocorrem entre esses campos e suas expressões através dos atores sociais envolvidos no processo que as práticas educativas de EA ocorrem e se constituem na e da escola. A pesquisa foi realizada em instituições situadas no Agreste Pernambucano nos municípios de Santa Cruz do Capibaribe e Brejo da Madre de Deus. A abordagem metodológica baseia-se na etnografia através da observação participante, construção de relatos e entrevistas, para a construção dos dados contamos com os docentes que, em cada instituição, desenvolviam as práticas de EA. A partir dessa experiência de campo buscamos compreender como as práticas educativas de EA são geradas nessas instituições e que significados possuem para os atores que as desenvolvem. Entre outras reflexões os resultados apontam que a EA se constitui, muitas vezes, como uma atividade extracurricular cujas práticas aparentam ser pontuais e solitárias, contudo obedecem às dinâmicas e logicas de funcionamento da escola a qual pertence. Sua efetivação está intimamente ligada à prática docente e a relação que o professor idealizador das práticas estabelece com a equipe escolar, e é por isso vulnerável a mudanças na escola.
Painel 2
Práticas Religiosas e Processos de Ambientalização:
enlaces cotidianos e estratégias pedagógicas
1. EDUCAÇÃO AMBIENTAL E RELIGIOSIDADE NEW AGE EM ECOVILAS
Luciele Nardi Comunello
E-mail: lucielecomunello@yahoo.com.br
Resumo: Este projeto de pesquisa tem como tema a apropriação de elementos da religiosidade new age como constituintes de processos de educação ambiental no contexto das Ecovilas. Busca-se, com isso, compreender como esses elementos participam da atribuição de sentidos à relação humano-natureza neste contexto social, político, histórico específico. As ecovilas aqui referidas são comunidades rurais ou urbanas que objetivam integrar um ambiente social com baixo impacto ambiental, agregando elementos como design ecológico, permacultura, utilização de energia limpa, construções ecológicas etc. São de nosso interesse aquelas que se tornaram polos em educação ambiental, no sentido de buscarmos compreender como se articulam as estratégias de educação nesse contexto, enfocando o aspecto da espiritualidade, como dimensão desse processo. O Movimento New Age, por sua vez, apesar de não possuir fronteiras muito claras, apresenta características comuns tais como: não considerar as hierarquias entre as religiões, entendendo que todas conduzem à uma “Verdade”; interessa-se pelas religiões da imanência, daí sua inclinação pelas tradições orientais; recusa confinar a dimensão religiosa aos limites da fé, por isso a retomada das tradições esotero-ocultistas (alquimia, espiritismo, magia) imprimindo um caráter intelectual como virtude salvadora própria. Assim, possui um forte apelo à ideia de religar, através de uma relação de conhecimento e de um modo ambientalmente orientado de habitar o mundo que tende a postular relações simetricas entre humanos e não-humanos. A pesquisa consiste em uma etnografia comparada, com imersão em duas Ecovilas de diferentes contextos culturais e tempos de existência, com objetivo de estabelecer relações (afastamentos e aproximações) entre múltiplos pontos de duas experiências diversas entre si.
Palavras-chave: Psicologia Ambiental; Educação Ambiental; Movimento New Age.
2. A AMBIENTALIZAÇÃO EM PROCESSOS EDUCATIVOS NA IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL.
Carlos Alberto Genz
Licenciado em Ciências Biológicas pela UFRGS, Especialista em Educação Ambiental pela Unilasalle, Mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia de São Leopoldo-RS e Doutorando em Educação na PUCRS. Professor de Biologia do Colégio Militar de Porto Alegre. Interesses de pesquisa: ambientalização da religião, educação ambiental, ambiente e sociedade. E-mail: betogenz@yahoo.com.br
Resumo: Esta pesquisa procura analisar as transformações que a Questão Ambiental tem provocado na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil ( IECLB ) e principalmente como ela tem influenciado a Educação de seus membros e a formação de suas lideranças jovens. Para tanto, procura analisar as cartilhas produzidas pela IECLB e pela Federação Luterana Mundial ( LWF) relativas às questões ambientais, bem como se há um discurso ambiental que influencie práticas ambientais e uma internalização de saberes ecológicos entre seus membros. A metodologia utilizada neste trabalho é a etnografia, tanto para a análise das cartilhas quanto para o acompanhamento de um grupo de jovens que participaram da Cúpula dos Povos na Rio+20 em um projeto de formação de lideranças identificadas com a temática ambiental. A análise do material recolhido busca se inserir numa perspectiva da antropologia fenomenológica e da antropologia ecológica, identificada com autores como Merleau-Ponty, Csordas e Ingold.
3. PLANTAS E RELIGIOSIDADES POPULARES: REFLEXÕES SOBRE FLUXOS DE MATERIAIS RELIGIOSOS EM GUARANI DAS MISSÕES, RS
Juliano Florczak Almeida
Mestrando em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul-RS. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria-RS. Atualmente, está vinculado ao Núcleo de Estudos da Religião (NER) e ao grupo interdisciplinar de pesquisas SobreNaturezas. Na área da antropologia, tem experiência nos seguintes temas: catolicismo popular, identidade étnica polonesa, fluxo imigratório polonês. Atualmente, tem pesquisado fluxo de materiais religiosos no catolicismo popular. E-mail: juliano-florczak@hotmail.com.
RESUMO: Este trabalho objetiva apresentar uma etnografia na qual se tentou seguir os fluxos de plantas em práticas das religiosidades populares em Guarani das Missões, RS como modo de pensar sobre as relações entre humanos e não humanos em interface com antropologia da religião. Para tanto, foi realizada observação participante, manteve-se diário de campo e foram feitas entrevistas semi-estruturadas. A partir desse trabalho de campo, é possível, por um lado, perceber que as plantas testemunham movimentos das religiosidades populares e, por outro, vislumbrar uma noção de material que enfatiza não as estabilizações ou os invólucros, mas os movimentos e os entrelaçamentos das coisas.
4. No “Caminho de Sepé Tiaraju”: interfaces entre ecologia e religião a partir de uma “peregrinação ciclística e popular”
Doutoranda Stella Pieve
Bacharelado e Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Mestre em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PGDR/UFRGS). Doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS). Bolsista de doutorado Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). E-mail: stellapieve@gmail.com.
Resumo: Neste trabalho procuro entender as interfaces entre ecologia e religião a partir do “Caminho de Sepé Tiaraju: peregrinação ciclística e popular em busca da Terra Sem Males”, um ritual criado pelo Irmão Marista Antônio Cechin e organizado com apoio e participação de grupos religiosos, associações de bairro, sindicatos e movimentos sociais. O Caminho de Sepé é uma peregrinação ciclística que vai de Rio Pardo a São Gabriel, entre os dias 1 e 7 de fevereiro, em memória da possível última rota percorrida por Sepé Tiaraju. Quem pedala são jovens das periferias urbanas de Porto Alegre e Canoas. Sepé Tiaraju foi um indígena Guarani que lutou entre 1750 e 1756 junto aos seus companheiros contra os exércitos Espanhol e Português pelo território dos Sete Povos das Missões. A última batalha foi travada em 10 de fevereiro de 1756, no atual município de São Gabriel, na localidade do Caiboaté, três dias depois da morte de Sepé na Sanga da Bica, também localidade de São Gabriel. Na ocasião foram mortos 1500 guaranis. A “pedalada” passa por espaços importantes na rota de Sepé tais como as Tranqueiras, prisão de onde Sepé fugiu e atual município de Rio Pardo, a gruta na qual ele se escondeu no atual município de São Sepé, o Caiboaté e a Sanga da Bica. Além de promover encontros entre a juventude urbana e agricultores familiares e quilombolas, encontros inter-religiosos entre católicos e umbandistas e a divulgação da bicicleta como um meio de transporte saudável, não poluente e importante tanto no interior quanto no centro da cidade. Para finalizar o ritual, o grupo de ciclistas se encontra com indígenas Guarani que nesta data se reúnem para discutir políticas públicas estaduais e federais a eles direcionadas e fazer um ritual de homenagem aos seus antepassados mortos em combate. Sabendo que Sepé Tiaraju também é reconhecido como um santo popular e empoderador de movimentos sociais no Rio Grande do Sul, meu objetivo aqui é entender como as pautas religiosas, sociais e ambientais vem sendo articuladas e quais as consequências deste processo.
Palavras-chave: ambientalização da religião, rituais, peregrinação.
Painel 3
Educação Ambiental, Produção de Conhecimento e a Ambientalização na Universidade Brasileira
1. AMBIENTALIZAÇÃO UNIVERSITÁRIA E A SALA DE AULA DO PONTO DE VISTA ETNOGRÁFICO
Amanda Nascimento da Silva
Bacharel em Meio Ambiente e Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialista em Educação Ambiental pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) – linha de pesquisa Teorias e Culturas em Educação. Bolsista de mestrado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Integra o Grupo de Pesquisa Cultura, Ambiente e Educação (PUCRS/CNPq), coordenado pela Profa. Dra. Isabel Cristina de Moura Carvalho, e o grupo interdisciplinar Sobrenaturezas, que reúne professores e estudantes de graduação e pós-graduação vinculados a PUCRS e ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS. Educadora socioambiental. Endereço eletrônico: amanda.ndsilva@gmail.com.
Resumo: Esta dissertação se propõe a analisar a trajetória do processo de ambientalização no ensino superior na PUCRS, particularmente, a internalização das preocupações ambientais neste ambiente educativo. Neste sentido, temos como indicadores do processo de inovação e ambientalização curricular as disciplinas de graduação ambientalmente orientadas e determinadas iniciativas extracurriculares. Quanto à metodologia, estou realizando uma observação participante com inspiração etnográfica em sala de aula, a qual contribuirá com um ensaio exploratório para descrever o papel deste espaço na problematização de questões ambientais no âmbito da economia. Além disso, buscarei identificar a percepção dos agentes envolvidos na disciplina de Economia da Sustentabilidade (alunos e docente) no que se refere à importância da inserção da temática sustentabilidade no currículo acadêmico da Faculdade de Administração, Contabilidade, Economia, Hotelaria e Turismo (FACE) da PUCRS. Desta forma, serão realizados um grupo focal com alunos dos cursos de administração, economia, serviço social, engenharia e direito; uma entrevista com o docente da disciplina; e um questionário com perguntas objetivas e dissertativas a todos os estudantes matriculados nesta disciplina. Os dados quantitativos sobre iniciativas ambientais em curso serão obtidos a partir da análise de um dos três formulários que estão sendo preenchidos por representantes das 22 Unidades Universitárias. Na modalidade de iniciativa extracurricular identifico o espaço do CriaLab (Laboratório de Criatividade do Tecnopuc) como exemplo de ambiente inovador, com isto, quero compreender como aspectos ligados à sustentabilidade estão associados à concepção deste Laboratório, através da observação participante de atividades como cursos, palestras e oficinas.
Palavras-chave: Ambientalização curricular; sustentabilidade na universidade; etnografia em sala de aula.
2. PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS USUÁRIOS DO CENTRO DE PESQUISAS E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA PRÓ-MATA - PUCRS
Rita Paradeda Muhle
Bacharel e Licenciatura em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Especialista em Diversidade e Conservação da Fauna pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bolsista de doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Educadora socioambiental. E-mail: rpmbio@hotmail.com
Resumo: O Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza Pró-Mata é uma área particular de preservação pertencente a PUCRS, localizada no Município de São Francisco de Paula (RS). O objetivo primordial deste local é a pesquisa ambiental e atividades didáticas do curso de Ciências Biológicas. Atualmente vem iniciando um processo de inclusão em suas atividades de alunos do Ensino Básico de São Francisco de Paula e funcionários da PUCRS, além dos alunos, professores e pesquisadores desta universidade e demais universidades credenciadas. A ideia do presente trabalho é analisar a percepção ambiental dos diferentes grupos que frequentam o local e identificar as potencialidades da área para além das pesquisas científicas, além de contribuir com o diagnóstico socioambiental da PUCRS. O Pró-Mata possui grande beleza cênica em seus mais de 3 mil hectares, sua frequentação proporciona uma experiência estética capaz se sensibilizar seu usuário para modos de engajamento ambientalmente orientados. Através da aplicação de questionários abertos e observação participante de nove diferentes grupos, os resultados apontam para corroborar com as hipóteses de que a ida ao local transcende as expectativas criadas pelo contrato pedagógico e pode sensibiliar o usuário para questões de reposicionamente frente a natureza e seu comprometimento com a preservação ambiental.
Palavras-chave: Percepção Ambiental; Experiência Estética; Ética Ambiental.
3. ESCOLA E LUTAS AMBIENTAIS: INVESTIGANDO PROCESSOS DE AMBIENTALIZAÇÃO A PARTIR DE UMA COM-VIDA
Cassiana Maria do Santos
Possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela UFRPE (2011). Atualmente é bolsista de extensão da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Integrante do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental e Sustentabilidade (GEPES/UFRPE). E-mail: cassibiologa@gmail.com.
Resumo: A integração da dimensão ambiental no currículo é uma demanda originada tanto pela crescente crise socioambiental que vivenciamos, quanto pela necessidade de desenvolver ações de educação ambiental como uma política pública de educação prevista na Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA (Lei 9.795/99). Atualmente existe um consenso em torno da educação ambiental de que essa prática, quando desenvolvida por instituições de ensino, não deve estar baseada em ações pontuais sejam teóricas ou práticas, mas num compromisso institucional, o que demandaria mudanças administrativas e estruturais para que fosse efetivamente implementada. Neste cenário de busca por alternativas para as problemáticas ambientais, no Brasil, o Ministério do Meio Ambiente em Parceria com o Ministério da Educação idealizaram o “Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas” durante a I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente no ano de 2003. Nesta conferência, foi proposta pelos estudantes a criação de “Coletivos Jovens de Meio Ambiente” que são grupos informais de jovens e organizações juvenis existentes que atuam em torno de questões socioambientais. Essa mobilização deu origem à “Comissão do Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola”, a qual tem por objetivo integrar a Educação Ambiental em todas as disciplinas e projetos da escola e propor parcerias com outras organizações da comunidade, como processos de agenda 21 locais, as associações de bairros e moradores, as organizações não governamentais, a prefeitura, e outras. No presente trabalho, procuramos destacar elementos que participam de processos de ambientalização de uma escola de ensino médio de Recife (PE) por meio da análise das perspectivas de professores e alunos que atuam em uma COM-VIDA. Essas perspectivas nos deram acesso a um conjunto de informações que nos permitem pensar a formação de subjetividades ecológicas, ligadas às demandas sociais e ambientais do local onde está inserida a escola, bem como às estruturas e práticas socioambientais internalizadas pela instituição.
4. DISCUSSÕES DE PROFESSORES SOBRE A NATUREZA DISCIPLINAR OU INTERDISICPLINAR DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Everaldo Nunes de Farias Filho
Licenciado em Ciências Biológicas pela UPE; Especialista em Ensino da Biologia pela UPE; Mestrando em Ensino das Ciências pela UFRPE; Professor Efetivo do Instituto Federal de Pernambuco - IFPE; membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sustentabilidade – GEPES-UFRPE. Área de Pesquisa: Educação Ambiental, Currículo e Formação de Professores. E-mail: everaldo_nnf@hotmail.com.
Resumo: A ambientalização da sociedade tem sido amplamente difundida devido à internalização das questões ambientais por diversos setores sociais, entre eles, pela educação. Neste processo, a Educação Ambiental (EA) constitui efeito e agente da ambientalização social, ao buscar desenvolver valores, habilidades e atitudes individuais e coletivas para a conservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, pautado numa visão socioambiental. A partir das discussões que inseriram as questões ambientais em diversos movimentos sociais, órgãos públicos e políticas educacionais, a EA passou a permear os espaços escolares de modo a fazer parte do processo de construção de políticas curriculares nesses contextos. Baseados no ciclo de produção das políticas curriculares de Stephen Ball, Lopes (2004) e Macedo (2006) descrevem que a produção de tais políticas curriculares – dentre elas, as de EA – passam pelo contexto de influência, onde as políticas são discutidas e construídas, pelo contexto da produção de textos das definições políticas e chegam ao contexto da prática, onde as propostas são reinterpretadas pelos agentes educacionais (instituições, gestores, professores). Dessa forma, para que se avance na compreensão do fenômeno da ambientalização curricular dentro das instituições de ensino, é importante compreender de que modo os professores deliberam e recontextualizam as políticas educacionais de EA como, por exemplo, a Lei Federal nº 9.795/99, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) e a Resolução do Conselho Nacional de Educação nº 02 de 15 de Junho de 2012 que apresentam as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Ambiental (DCNEA) para o currículo escolar. Dentre as orientações e diretrizes abordadas nessas políticas curriculares, estimulamos os professores a refletirem sobre a inserção da EA em suas práticas educativas numa abordagem disciplinar ou interdisciplinar. Diante disso, esta pesquisa visa compreender de que forma os professores reinterpretam as formas de inserção da EA abordadas pelas políticas educacionais de EA para a construção do currículo em face de suas realidades cotidianas na escola. Para a coleta de dados, utilizamos a técnica do grupo focal com 11 professores de uma escola pública de ensino fundamental do município de Carpina (PE), cuja análise foi orientada por uma perspectiva fenomenológica dos significados atribuídos pelos sujeitos. Após a análise dos dados, constatamos que mesmo apresentando concepções diferentes de EA, a maior parte dos professores afirma que a EA deve ser inserida na escola de forma interdisciplinar através de projetos interdisciplinares e contínuos devido, principalmente, à abrangência de conhecimentos de várias áreas do saber necessários para resolver os problemas ambientais, em oposição à minoria dos docentes que defende a criação de uma disciplina específica de EA no currículo escolar.
5. AMBIENTALIZAÇÃO DA UNIVERSIDADE: UM OLHAR A PARTIR DAS ATIVIDADES DE EXTENSÃO DA UFRPE
Constance Majoi Fabrício de Melo
Graduada em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco- UFRPE, em 2011. Durante a graduação, envolveu-se com trabalhos de Educação Ambiental na comunidade e em escolas do estado de Pernambuco, correspondendo ao período entre 2007 e 2011. Atualmente é Mestranda em Ensino das Ciências pela UFRPE, buscando investigar e compreender o processo de ambientalização da universidade. E-mail: constancemelo@gmail.com
Resumo: Entende-se por ambientalização o processo que consiste na internalização das questões ambientais nas distintas esferas sociais, bem como nas práticas e discurso dos indivíduos. É pertinente a investigação desse fenômeno na universidade visando compreender-se o modo como o ambiental é produzido nesta instituição. O trabalho configura-se uma pesquisa de abordagem qualitativa, constituindo uma pesquisa exploratória e documental, pela qual se objetiva analisar o processo de ambientalização das ações de Extensão da Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE, Campus Dois Irmãos, sendo a análise dos dados guiada pela perspectiva fenomenológica. A preferência pelas atividades de Extensão foi motivada pelas experiências da autora vividas nesta área, bem como pelo fato de estudos apontarem para a extensão como um pilar que se apresenta mais permeável às temáticas ambientais. Assim, nosso problema de pesquisa gira em torno das seguintes questões: diante do processo de ambientalização da universidade, como este fenômeno se constitui na extensão? Que sentidos ganha o ambiental nesta esfera da atividade universitária? Que fatores o influenciam e produzem? A extensão universitária se caracteriza por tratar de atividades que apresentam um contato mais direto com a comunidade, na busca de ações transformadoras da realidade, constituindo-se de um processo educativo, cultural e científico, no qual se articula o ensino e a pesquisa. Neste sentido, busca-se analisar os perfis e tendências das atividades de extensão, bem como as expressões da educação ambiental e os significados a ela atribuídos, além dos desafios e possíveis contribuições da extensão universitária no processo de ambientalização da educação superior. Como resultados preliminares, observou-se que as ações de Extensão na UFRPE, se sobressaem nas abordagens com temáticas ambientais, apresentando-se mais permeável à Educação Ambiental, quando comparadas às atividades de Ensino e Pesquisa da universidade, apresentando maior ênfase em atividades voltadas para ações socioambientais e de conservação dos recursos naturais. Acredita-se que a realização deste trabalho, venha a contribuir para a percepção da realidade da universidade quanto ao seu processo ambientalização, bem como à identificação das lacunas que aí existam.
Painel 4
Ativismo, política e conflitos ambientais
1. ANÁLISE DAS PERSPECTIVAS DE PROPRIETÁRIOS RURAIS DO ALTO CAPIBARIBE SOBRE O USO DA ÁGUA DE ALUVIÃO
Cleópatra Maria do Ó
Licenciada em Ciências Biológicas (GEPES/UFRPE)
Resumo: As águas de aluvião têm sido consideradas uma alternativa importante para a sustentabilidade hídrica de populações rurais em regiões semiáridas, onde os níveis pluviométricos costumam ser baixos e irregulares no tempo e no espaço. Esse trabalho teve por objetivo entender melhor as perspectivas de proprietários rurais do Alto Capibaribe, no Agreste pernambucano, sobre o acesso e o uso das águas de aluvião em localidades rurais, bem como seu entendimento sobre a prática de extração de areia e seus possíveis impactos na disponibilidade hídrica. A pesquisa foi desenvolvida com uma abordagem qualitativa articulada a uma postura hermenêutica e fenomenológica. O trabalho de campo foi realizado nas seguintes localidades do interior de Pernambuco: Poço da Lama e Poço Fundo em Santa Cruz do Capibaribe; Poço Comprido em Brejo da Madre de Deus; e Sítio Apolinário em Jataúba. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com seis proprietários que são usuários da água de aluvião e têm suas propriedades adjacentes ao leito de rio intermitente. As entrevistas foram realizadas com o auxílio de gravador de voz e caderno de anotações e, posteriormente, foram transcritas e submetidas a uma análise fenomenológica. Após a análise, foram encontradas categorias que revelam perspectivas dos entrevistados sobre a problemática focalizada: categoria 1. A água pode sofrer influência negativa da extração de areia; categoria 2. A extração de areia deve atender a objetivos sociais; categoria 3. Água e areia constituem uma problemática controversa no semiárido; categoria 4. Regular a extração de areia é necessário. Também foi encontrada uma categoria divergente: As normas jurídicas tendem a não ser cumpridas. Ao final, com base no trabalho realizado, propomos algumas ações de educação ambiental que podem vir a ser desenvolvidas com objetivo de ampliar o debate sobre o conflito entre água e areia na região.
2. REDES, EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUAS MEDIAÇÕES COM O LUGAR
Dr. Marcelo Gules Borges.
Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas (UFRGS), Mestre em Ecologia (Ciência Ambiental) (UFRGS) e Doutor em Educação (PUCRS). Pós-Doutorando em Educação pela PUCRS (PNPD/CAPES). E-mail: marcelogulesborges@gmail.com
Inspirada pelas práticas de educação ambiental em contextos escolares realizadas por duas redes locais de educação ambiental no sul do Brasil – a Teia de Educação Ambiental da Mata Atlântica (rural) e a Rede de Educadores Ambientais de Porto Alegre (urbano) – a apresentação analisa os modos pelos quais o lugar se torna a base conceitual e material para encontros de formação e atuação político-pedagógico destes coletivos. A partir dos resultados de uma etnografia realizada durante o doutorado (2010-2011), explora-se como as noções de historicidade, corporeidade, conhecimento científico e saberes populares dialogam com os modos de ação das educadoras ambientais no universo da escola. A rede, enquanto forma de organização social e categoria topológica, e o lugar, como categoria pedagógica, são tomados como parte descritora de um modo particular de pensar as questões socioambientais enquanto fundamento para a educação. Por fim, destacam-se as potencialidades do ativismo por uma educação ambiental que acontece desde as redes nos/através dos lugares.
3. “ENTRANDO EM CAMPO” NA PESQUISA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA ESCOLA RURAL NO SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO
Raquel Eufrázio de Santana
Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Especialista em Ciências Ambientais pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (FUNESO); Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências ( PPGEC/UFRPE); Bolsista de mestrado do CNPq; Colaboradora do Programa Capivara: Educação Socioambiental na Bacia do Capibaribe; Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Sustentabilidade (GEPES/UFRPE). E-mail: eurakel@hotmail.com
Resumo: Esta comunicação trata da aproximação da autora ao seu contexto prático de pesquisa, uma escola municipal localizada na região do Alto Capibaribe, mais especificamente na zona rural do município de Santa Cruz do Capibaribe, em um trecho de leito seco de rio, onde as questões relacionadas com a água são urgentes. A pesquisa de mestrado em que esta primeira fase se insere propõe-se a investigar processos de aprendizagens da população local referentes às diferentes formas de acesso e uso da água na região, buscando com isso discutir possibilidades educativas e contribuir com práticas pedagógicas que integrem o enfoque nas relações entre ciência-tecnologia-sociedade-ambiente (CTSA) e educação ambiental (EA) no ensino fundamental II. Essa aproximação inicial foi marcada pela busca por perceber algumas particularidades da instituição escolar e de seus agentes, buscando descrevê-las a partir das referências do lugar. Para isso, foi realizado um diagnóstico com o objetivo de conhecer o contexto em que a escola está inserida, seu funcionamento, estudantes atendidos, estrutura física, forma de gestão, currículo e relação da escola com a comunidade escolar. Foram empregados os seguintes procedimentos de investigação: entrevista com dois professores, merendeira, motorista, coordenadora, bibliotecária e gestora; observações; consulta documental referente ao quadro de funcionários da escola envolvida na pesquisa; e registros fotográficos. Esta incursão nos permitiu, além da “entrada em campo” e do levantamento de informações básicas sobre a instituição escolar, o estabelecimento de vínculos pessoais para a continuidade da pesquisa e a percepção de alguns elementos sobre as relações das pessoas com seus ambientes.
4. RELAÇÕES ENTRE HUMANOS E NÃO-HUMANOS EM UMA COOPERATIVA DE CATADORES: COMUNICAÇÃO DE APRENDIZAGENS A PARTIR DE FOTONARRATIVAS
Tiago de Mello Cargnin
Possui graduação em Letras/português pela Universidade Luterana do Brasil (2006), mestrado em Teologia pelo Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Teologia (2007) e é doutorando em Educação pela PUCRS, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superio (CAPES)r. Atuou como pesquisador em projetos vinculados ao tema reciclagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência nas áreas de Pesquisa em Educação, Educação Popular e Ambiental e Reciclagem. Atualmente é professor no Centro Universitário La Salle em Canoas/RS. E-mail: tiago_cargnin@yahoo.com.
Resumo: O presente projeto se propõe a pesquisar, junto às cooperativas de catadores de Canoas, de que forma as experiências de aprendizagem são comunicadas, tendo como ênfase os materiais (não-humanos) enquanto agentes ativos no processo e de que maneira isso se dá a partir da perspectiva da educação da atenção (GIBSON, 1979 e INGOLD, 2010). Assim, buscamos verificar processos inovadores de aprendizagem dentro dessa dinâmica de relação com os materiais, partindo do pressuposto de que as relações estabelecidas entre os materiais e os trabalhadores da reciclagem transcendem o nível operativo que se estabelece na atividade de separá-los por tipos, ou seja, que existe uma relação entre os sujeitos no decorrer do processo laborativo. Para tanto, utilizaremos como metodologia de pesquisa a fotoetnografia, por meio de fotonarrativas produzidas pelos sujeitos do estudo.
Palavras-chave: Educação da Atenção, Humanos, Não humanos, Fotoetnografia.
5. PERCEPÇÕES DO AMBIENTE ENTRE MORADORES DO ALTO CAPIBARIBE: DISCUTINDO RELAÇÕES ENTRE PESSOAS, ÁGUAS E AREIAS.
Thais Karoline Ferreira da Silva
Graduanda de Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, bolsista PIBIC/FACEPE e voluntária no Programa Capivara de Educação Socioambiental na Bacia do Capibaribe. É membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Sustentabilidade (GEPES/UFRPE). E-mail: taatahferreira@gmail.com
Resumo: Em Pernambuco, mais precisamente na região do Alto rio Capibaribe, a baixa pluviosidade anual e os solos rasos, característicos da região Agreste do estado, levam à precária condição natural de acumulação de água, agravada pela intensa insolação e baixa umidade relativa do ar. Além disso, a pouca chuva se concentra em alguns meses do ano e a evaporação dificulta a conservação da água acumulada nos açudes, repercutindo diretamente na vida doméstica e produtiva de quem vive nas zonas rurais. Neste cenário, se instaura uma controvérsia sobre a extração de areia de aluvião para a construção civil e o abastecimento hídrico das populações locais, visto que tradicionalmente é utilizada a água reservada nos leitos dos rios intermitentes para atividades domésticas e produtivas. Tal controvérsia tem desencadeado reflexões envolvendo vários setores, entre eles o governo, uma organização não governamental e moradores de localidades próximas ao leito seco do rio Capibaribe. A partir de problematizações em torno das relações entre pessoas e os lugares onde vivem, este trabalho buscou conhecer as percepções do ambiente de moradores da região, bem como discuti-las à luz de uma abordagem fenomenológica que nos permita interpretar seus significados. Para tal, foram entrevistados seis moradores de dois municípios, seguindo-se a transcrição das entrevistas e a análise ideográfica e nomotética para a formação de categorias emergentes. Os dados obtidos nos permitiram perceber que os entrevistados atribuem real importância à areia de aluvião, sendo esta vista como um recurso necessário à manutenção dos mananciais hídricos e à qualidade da água. Por outro lado, a extração de areia tem representado, em alguns casos, uma fonte de renda para o proprietário rural, sendo útil socialmente quando serve à construção de tecnologias para captação de água e outros usos locais. Por manterem relações estreitas com o ambiente, foram relatadas também histórias e tradições que revelam como a natureza orienta a vida no meio rural. Plantas, animais e experiências foram mencionados como formas de prever o tempo, anunciando as épocas de chuva e de estiagem. Por ser um trabalho em andamento, são necessários ainda aprofundamentos empíricos e teóricos. Espera-se que nossas análises possam contribuir para reflexões no âmbito da educação ambiental e do ensino de ciências na escola, compreendendo que tais práticas devem estar fundamentadas no diálogo de saberes.
6. ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O CONTEXTO DE PRODUÇÃO DE POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ESTADO DE PERNAMBUCO
Manoel Sérgio de Oliveira Neto
Graduando do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFRPE) e colaborador do Grupo de Gestão Ambiental em Pernambuco (Gampe-UFRPE). Pesquisador dos grupos GEPES (UFRPE) e Cultura, Ambiente e Educação (PUCRS). Foi aluno da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde foi idealizador, co-autor e tutorando do Programa de Educação Tutorial (PET) Intervenção Socioambiental em Uruçuí-Una. Atualmente dá continuidade ao curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas na UFRPE onde é bolsista do Programa Capivara: Educação Socioambiental na Bacia do Capibaribe/UFRPE. Também foi bolsista PIBIC/CNPq através do projeto A educação ambiental no contexto de produção das políticas curriculares: análises e interpretações no Recife, PE. Atua principalmente nos seguintes temas: educação e intervenção socioambientais e políticas curriculares. E-mail: manoel_n@hotmail.com.
Resumo: O trabalho aqui apresentado decorre de atividades de pesquisa e extensão em andamento sobre políticas de educação ambiental no estado de Pernambuco. Indagamos como as políticas nacionais de EA são interpretadas e recontextualizadas no âmbito estadual e, particularmente, nas instâncias governamentais em que são desencadeados processos formativos para a implementação da educação ambiental nos contextos e currículos escolares. Como referencial teórico, tomamos por base as discussões sobre o Ciclo de Políticas proposto por Stephen Ball e Richard Bowe e seus intérpretes brasileiros, o qual envolve pelo menos três contextos interligados: o de influência, o de produção de textos e o da prática. Os procedimentos metodológicos utilizados foram: pesquisa bibliográfica; pesquisa documental; trabalho de campo, lançando mão de técnicas de observação participante; e participação nas reuniões da Comissão Organizadora Estadual da II Conferência Estadual Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (II CEIJMA), um dos espaços de produção das políticas de educação ambiental do estado. Os resultados da nossa análise parcial nos permitem dizer que instâncias como a Secretaria Estadual de Educação (SEDUC) e o Coletivo Jovem contribuem para a formulação de políticas educacionais praticadas atualmente em Pernambuco. Contudo, enquanto um processo de definição política, não acontece sem disputas e conflitos sobre os sentidos da ação jovem na esfera da educação ambiental.