DIAGNOSE DE ENFERMIDADES VEGETAIS
1. INTRODUÇÃO
2. SINTOMATOLOGIA
2.1. CONCEITO
2.2. CLASSIFICAÇÃO DE SINTOMAS
2.2.1. CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA A CLASSIFICAÇÃO
2.2.2. CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA
3. TESTES UTILIZADOS NA DETECÇÃO E DIAGNOSE DE FITOPATÓGENOS
3.1. BIOLÓGICOS
3.2. FÍSICO – QUÍMICOS
3.3. SOROLÓGICOS
3.4. MOLECULARES
4. REGRAS DE PATOGENICIDADE (POSTULADOS DE KOCH)
ATENÇÃO: Os textos abaixo estão relacionados ao teor resumido das aulas devendo, portanto, serem complementados com a Bibliografia recomendada (http://sites.google.com/site/paulobrioso/bibliografia)
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1. Introdução:
Em Fitopatologia são conhecidos 5 (cinco) períodos:
- Período Místico, da Predisposição, Etiológico, Ecológico e Atual.
Os três últimos períodos foram os quais os testes diagnósticos mais evoluíram.
Existem 2 (dois) tipos de Diagnose:
Indireta - Baseada exclusivamente nos Sintomas
Direta - Baseada nos Sintomas e Sinais
A coleta, acondicionamento e remessa das amostras para a análise são atividades de fundamental importância e variam com o tipo de fitopatógeno a ser pesquisado e com o sintoma apresentado pela planta.
2. Sintomatologia:
2.1. Conceito:
É a ciência que estuda os sintomas decorrentes das enfermidades dos vegetais.
2.2. Classificação de Sintomas:
2.2.1. Critérios utilizados para a Classificação:
Na classificação dos sintomas podem ser utilizados os seguintes critérios:
I – Localização dos Sintomas em relação ao agente etiológico
· Sintoma Primário
· Sintoma Secundário
II – Alteração a nível celular (Sintomas Histológicos)
· Granulose
· Plasmólise
· Vacuolose
III – Alteração a nível da fisiologia da célula (Sintomas Fisiológicos)
· Respiração
· Transpiração
· Síntese de Carbohidratos
· Síntese de Enzimas
· Síntese de Proteínas
IV – Alteração a nível de anatomia ou forma do Orgão (Sintomas Morfológicos)
2.2.2. Classificação Morfológica (Link):
Observação: Veja o Glossário para definição dos Termos abaixo.
- Sintomas Necróticos:
São os sintomas que antecedem a morte ou a morte propriamente dita dos tecidos.
·Plesionecrótico - Amarelecimento, Anasarca ou Encharcamento, Murcha.
Holonecrótico - Cancro, Canelura ou "Stem Pitting", Crestamento ou Requeima, “Damping Off” ou Tombamento, Escaldadura, Estria ou Listra, Fendilhamento ou Rachadura, Gomose, Mancha, Mumificação, Necrose Vascular, Perfuração, Podridão, Pústula, Resinose, Seca, Seca dos Ponteiros ou “Die Back”
- Sintomas Plásticos:
Envolve um subdesenvolvimento ou super desenvolvimento dos tecidos ou de função dos mesmos.
Hipoplástico - Albinismo, Afilamento foliar, Clareamento de Nervura, Clorose, Enfezamento ou Nanismo, Mosaico, Mosqueado, Roseta.
Hiperplástico – Bronzeamento, Calo Cicatricial, Enação, Encarquilhamento ou Encrespamento, Epinastia, Espessamento de Nervura, Fasciação, Galha, Superbrotamento, Verrugose.
2.2.3. Sintoma X Sinal:
Infecção Latente – Infecção sem apresentar sintoma visível
Estímulo a Exteriorização do Sinal (Câmara Úmida associada a temperatura ótima)
3. Testes utilizados na Diagnose de Fitopatógenos:
3.1. Testes Biológicos (Exemplos):
- Iscas Biológicas (por exemplo: Batatinha, Folha de Mamona, Maçã, Pimentão, Tomateiro, etc) (principalmente, para Bactéria, Fungo, Nematóide, Straminipila) exemplificado através da Instrução Normativa número 28 (MAPA).
- Enxertia (principalmente, para patógenos sistêmicos ou de não transmissão mecânica)
- Plantas Indicadoras (principalmente, para Vírus e Viróide)
- Plantas Diferenciadoras (principalmente, para Fungos, Vírus e Nematóides)
- Transmissão por Cuscuta sp. (principalmente, para Vírus e Fitoplasma)
- Vetor (Ácaro, Chytrídeo, Inseto, Nematóide, Plasmodiophorideo)
3.2. Testes Físico - Químicos (Exemplos):
I - Microscopia Ótica
- Lâmina e Lamínula - Montado em Água (Alga, Bactéria, Chytrídeo, Espiroplasma, Fungo, Nematóide, Plasmodiophorideo, Protozoário, Straminipila) ou Corante (Fungo).
- Secções Histológicas associadas a Corantes Específicos – Alga, Bactéria, Chytrídeo, Espiroplasma, Fitoplasma, Fungo, Nematóide, Plantas Infestantes e Parasitas, Plasmodiophorideo, Protozoário, Straminipila, Vírus (agregados protéicos).
II - Microscopia Eletrônica
- Secções Histológicas associadas a Corantes Específicos – Alga, Bactéria, Chytrídeo, Espiroplasma, Fitoplasma, Fungo, Nematóide, Plantas Infestantes e Parasitas, Plasmodiophorideo, Protozoário, Straminipila, Vírus.
III - Eletroforese
- Proteína - Bactéria, Chytrídeo, Espiroplasma, Fitoplasma, Fungo, Nematóide, Protozoário, Straminipila, Vírus
- DNA – Alga, Bactéria, Chytrídeo, Espiroplasma, Fitoplasma, Fungo, Nematóide, Plantas Infestantes e Parasitas, Plasmodiophorideo, Protozoário, Straminipila, Vírus
- RNA – Viróide, Vírus
3.3. Testes Sorológicos (Exemplos):
Os testes abaixo usam Anticorpos contra Proteína (s) específicas relacionadas a fitoparasitas (Bactéria, Chytrídeo, Espiroplasma, Fitoplasma, Protozoário, Vírus). Sendo, atualmente, mais utilizado em Vírus e para alguns gêneros de Bactéria (por exemplo, Ralstonia solanacearum).
- Difusão Dupla em Gel de Agar
- ELISA (“Enzyme Linked Immunosorbent Assay”) e suas modalidades
- “Western Blot”
Anticorpos específicos contra Proteína (s) - Bactéria, Chytrídeo, Espiroplasma, Fitoplasma, Protozoário, Vírus. Sendo, atualmente, mais utilizado em Vírus e para alguns gêneros de Bactéria (por exemplo, Ralstonia solanacearum).
3.4. Testes Moleculares (Exemplos):
“Northern Blot” (usado para RNA)
“Southern Blot” (usado para DNA)
“PCR” (“Polymerase Chain Reaction”) e suas modalidades (usado para DNA)
“RT – PCR” (“Reverse Transcriptase - Polymerase Chain Reaction”) (usado para RNA)
“Dot Blot”
“RFLP” (“Restriction Fragment Length Polymorphism”)
Sequenciamento de Nucleotídeos
Para a diagnose de Alga, Bactéria, Chytrideo, Espiroplasma, Fitoplasma, Fungo, Nematóide, Plantas Infestantes e Parasitas, Plasmodiophorideo, Protozoário, Straminipila, Viróide, Vírus.
Na Tabela 1 são listados os principais testes adotados na detecção e diagnose dos fitopatógenos e parasitas
Tabela 1. Principais testes utilizados na detecção e diagnose dos fitopatógenos
Alga
Isolamento em Meio de Cultura (parasita facultativo); Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão, Microscopia Eletrônica de Varredura; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos ou degenerados, multiplex PCR, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Bactéria
Exsudação bacteriana, Teste de Enxertia, Teste de Hipersensibilidade em Fumo ou em Tomate, Teste de Isolamento com Plantas Iscas, Transmissão por inseto-vetor (cigarrinha - específico para Xylella sp.); Isolamento em Meio de Cultura, Teste de Crescimento em Meios Específicos, Teste de Gram, Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão; ELISA e suas modalidades, Imunocromatográfico; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos, Bio PCR, multiplex PCR, nested PCR, Real Time PCR, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Chytrideo
Teste de Isolamento com Plantas Iscas; Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão, Microscopia Eletrônica de Varredura; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Espiroplasma
Isolamento em Meio de Cultura, Transmissão por inseto-vetor (cigarrinha); Teste de Gram, Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão; ELISA e suas modalidades, Imunocromatográfico; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos, multiplex PCR, nested PCR, Bio-PCR, Real Time PCR, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Fitoplasma
Teste de Enxertia, Transmissão por Cuscuta sp., Transmissão por inseto-vetor (cigarrinha ou psilídeo); Microscopia Ótica com corantes específicos, Microscopia Eletrônica de Transmissão; ELISA e suas modalidades; nested PCR, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Fungo
Isolamento em Meio de Cultura (parasita facultativo), Teste de Inoculação em Plantas Indicadoras ou de Isolamento com Plantas Iscas, Teste de Enxertia; Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão, Microscopia Eletrônica de Varredura; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos ou degenerados, multiplex PCR, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Nematóide
Testes de Inoculação com Plantas Iscas ou Diferenciadoras; Teste de Trituração, Fragmentação, Peneiramento e Sedimentação de Material Vegetal, Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão, Microscopia Eletrônica de Varredura; Eletroforese de Isoenzima; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos ou degenerados, multiplex PCR, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Plantas Infestantes e Parasitas
Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos ou degenerados, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Plasmodiophorídeo
Testes de Inoculação com Plantas Iscas; Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos ou degenerados, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Protozoário
Teste de Enxertia, Transmissão por Inseto-Vetor (percevejo); Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão, Microscopia Eletrônica de Varredura;; ELISA e suas modalidades, ISEM, Western Blot; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos ou degenerados, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Straminipila
Isolamento em Meio de Cultura (parasita facultativo), Teste de Inoculação em Plantas Indicadoras ou de Isolamento com Plantas Iscas; Microscopia Ótica, Microscopia Eletrônica de Transmissão, Microscopia Eletrônica de Varredura; Dot Blot, Southern Blot, PCR com primers específicos ou degenerados, PCR-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
Viróide
Testes de Transmissão Mecânica (em Plantas Indicadoras ou Diferenciadoras), Teste de Enxertia; Eletroforese em Gel de Poliacrilamida (Bidirecional); Dot Blot, Northern Blot, RT-PCR com primers específicos, multiplex PCR, Real Time PCR, Sequenciamento de nucleotídeos
Vírus
Testes de Transmissão Mecânica (em Plantas Indicadoras ou Diferenciadoras), Teste de Enxertia, Transmissão por Cuscuta sp.; Transmissão por Vetores (ácaro, chytrídeo, inseto, nematoide, protozoário); Microscopia Eletrônica de Transmissão; ELISA e suas modalidades, ISEM, Teste Imunocromatográfico, Western Blot; Dot Blot, Northern Blot, Southern Blot, PCR ou RT-PCR com primers específicos ou degenerados, Lamp PCR, multiplex PCR, Real Time PCR, RCA, RCA-RFLP, Sequenciamento de nucleotídeos
4. Regras de Patogenicidade (Postulados de Koch):
Conjunto de regras a se utilizar para estabelecer cientificamente que um fitoparasita é um patógeno.
I - Associação constante sintoma e sinal
II - Isolamento, do organismo observado, em cultura pura
III - Inoculação, de cultura pura do organismo observado, em indivíduo suscetível e sadio
IV - Re-isolamento, do organismo inoculado, em cultura pura
Observação: No caso de parasitas obrigatórios, só se utiliza o item I e III para cumprir os Postulados de Koch
Parasita Facultativo – Alga, Bactéria, Espiroplasma, Fungo, Protozoário, Straminipila.
Parasita Obrigatório - Chytrídeo, Fitoplasma, Fungo, Nematóide, Plantas Infestantes e Parasitas, Plasmodiophorideo, Viróide, Vírus (Não se realizam os Postulados: Isolamento do organismo observado em cultura pura; Re-isolamento do organismo inoculado em cultura pura).
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BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
A lista bibliográfica para estudo dos tópicos acima listados pode ser acessada no endereço eletrônico http://www.fito2009.com/fitop/fitoppat.htm ou http://sites.google.com/site/paulobrioso