Arpejo 
por Michel Debost

Em um arpejo, a nota fundamental deve ressoar um pouco. Portanto sustentá-la um pouco, ou mesmo vibrá-la, não significa fugir de um bom estilo.

Sobretudo quando ligado, não devemos considerar um arpejo como uma escada onde cada degrau é empurrado um a um com força das mandibulações (fig. 1), mas como uma corrente (fig. 2) onde os elos seriam as notas entrelaçadas em um fluxo sonoro ininterrupto.



Quando um arpejo atinge um agudo, parece sempre que a última nota é a mais difícil de atingir; isso é puramente psicológico, porque esta mesma nota pode encontrar-se dentro de um arpejo em uma afinação mais alta; a nota parecerá, então, sair mais facilmente.

Não devemos esquecer de duas coisas:

- Quanto mais alta a nota, mais baixo é o centro da gravidade. Quando o arpejo se eleva, deve-se sentir como se ele fosse empurrado do chão. A força que se sente na cintura abdominal provém inclusive das pernas, como quando se levanta um objeto pesado. Se estivermos sentados, a parte inferior das costas também contribui como apoio. Tal apoio pode estar acompanhado de um ligeiro movimento dos lábios, mas a mandibulação torna-se desnecessária, ou até mesmo prejudicial para a concentração da sonoridade, pois ela fica exagerada em situação de stress;

- Os dedos, sobretudo o “Diabinho nº. 1”, nossa chave de oitava, são de uma importância crucial para um arpejo bem envolvente. É necessário frasear com as mãos, antecipando o movimento dos dedos a fim de que sua ação não seja retardada. Nenhum golpe com força dos dedos substituirá essa antecipação. Além disso, golpear os dedos com força desloca ou movimenta a embocadura, o que é um problema a mais dentro de um arpejo.

É excelente trabalhar os arpejos ligados de três notas, lenta e livremente, fraseando com os dedos sem golpear as chaves e sem mandibular.


Sempre ligado, livre e mp/mf, sem mandibulação.


Trata-se de todos os acordes de três notas e suas inversões (o acorde de quinta aumentada possui as mesmas notas de suas inversões).

Em um intervalo difícil, é a nota inferior que alimenta (serve como um trampolim, literalmente sendo um elástico vertical), e não somente um esforço para a nota que está para chegar. Esta é de algum modo um alívio após o esforço realizado no penúltimo degrau, como o último passo ao chegar no cume de uma montanha é a recompensa do alpinista depois de uma longa escalada.


EM POUCAS PALAVRAS
Envolva todo o seu corpo na ação, dos pés à cabeça. O som é o resultado de tudo. Não confundir uma correção oportuna dos lábios com uma mandibulação contínua.


Autor: Michel. Debost - DEBOST, Michel. Une simple flûte. Editions Van de Velde, Paris, 1996. (p. 30-2)
Tradução: STEFANO FRUGOLI PEIXOTO - Especiais agradecimento a Stefano por essa tradução.


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