A 21 de dezembro de 1975 Portugal vivia tempos conturbados do PREC e da Revolução de Abril.
Menos de um mês antes tinham tido lugar os acontecimentos do 25 de novembro.
A direção de um futuro de democracia e liberdade estava em construção ...
Pelo mundo:
Comecemos pelo mundo. 1975 foi um ano com mudanças profundas que muito afetaram o nosso mundo. Recordemos alguns dos acontecimentos mundiais mais importantes desse ano, e capas da influente revista americana TIME, desse mesmo ano:
- em Espanha, morre Francisco Franco e o novo rei Juan Carlos inicia um processo de transição democrático que era quase impensável pouco tempo antes e cujo sucesso constituiu um dos pilares da Europa contemporanea
- em Portugal, acaba o império colonial na sequencia do 25 de abril de 1974 e têm lugar as primeiras eleições democráticas, para a assembleia constituinte, e que ditam a maioria às forças democráticas
- no Vietnam, cai o regime de Saigão, os Estados Unidos retiram e a cidade passa a chamar-se Ho Chi Minh
- no Líbano começava uma guerra civil que viria a durar décadas
Por Portugal
Nesse dia 21 de dezembro de 1975, enquanto celebravamos o casamento, estavam a aconteceram coisas importantes no mundo.
Dias antes, os acontecimentos graves em Lourenço Marques (agora Maputo) anteviam o drama da descolonização em Moçambique.
Uma ação terrorista contra a reunião dos ministros do petróleo da OPEC, liderada por Carlos, o Chacal (Ilich Ramirez Sanchez) com um comndo pró palestiniano, põe o mundo em polvorosa. Morrem 3 pessoas e outras 11 são feitas reféns. Os ministros da OPEP foram levados para o norte de África num avião assaltado. Um drama com um resgate de 1 bilião de dólares.
O semanário O Jornal titulava nesse fim de semana, na sua primeira página: Natal 75: a última ceia?. Vale a pena recordar o texto de abertura da peça:
"Uma crise económica que não se sabe aonde nos vai levar, desemprego crescente, a chegada maciça de retornados de África, medidas de austeridade prestes a concretizarem-se em aumentos de preços, subida de impostos, limitações às melhorias de salários - tudo isto coloca no horizonte deste Natal uma perspetiva pouco animadora. Mesmo quando as zonas comerciais das maiores cidades portuguesas estão cheias de gente manifestando febre de comprar que, aparentemente, nada tem a ver com a conjuntura económica. Resta saber quanto essa febre de consumir não é ditada, afinal, pelo receio de que, daqui a a algum tempo, já não seja possível ganhar o dinheiro que, nesta época, algumas classes desbaratam, com uma total indiferença pelos reais problemas vividos pela maioria dos portugueses, assumindo uma posição já classificada de anti-social".
Sinal dos tempos era, por exemplo, o título de um artigo, Um país à beira do confronto?, assinado por José Manuel Barroso nesse mesmo numero do semanário:
"... As demonstrações da semana passada e os eventos do fim de semana são a dura expressão da realidade política portuguesa: os campos delimitam-se, os adversários ameaçam-se, o povo português divide-se (é dividido) em dois países, a independência nacional periga ..."
Desde setembro, o primeiro ministro do VI Governo Provisório era o Almirante Pinheiro de Azevedo.
No principio desse mês de dezembro, no dia 7, a Indonésia tinha invadido Timor. Dois dias depois, Ramalho Eanes foi nomeado novo CEME, chefe do Estado Maior do Exército.