História

No início do séc. XX, Torres Novas ainda não podia contar com um Corpo de Bombeiros, no entanto há muito que se lutava pela sua criação. É a 29 de Março de 1914, pela mão do Sr. Armando Costa, que se organiza um primeiro Corpo de Bombeiros, depois de várias tentativas. Contudo, este projeto não vingou. Dois anos volvidos, a Delegação da Cruz Vermelha em Torres Novas concebeu uma comissão destinada a criar um Corpo de Bombeiros. Porém, esta tentativa também não foi bem sucedida.

Eis que, em 1927, deflagra um violento incêndio numa fábrica de grudes da qual não restou nada, apesar dos esforços da população e do Corpo de Bombeiros privativos da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos. Esta tragédia deu origem a uma subscrição pública e lutou-se pela criação de um Corpo de Bombeiros.

Os Bombeiros Voluntários Torrejanos (doravante designados por BVT) surgiram numa época em que o associativismo não era visto com bons olhos naquela (então ainda) vila. Isto ditou o princípio e o fim de muitas Associações. Virgílio Maia dos Santos e Manuel Ferreira Jr. são considerados os fundadores devido à sua ação e forte iniciativa.

No dia 05 de Outubro de 1931 foi fundada a Associação dos Bombeiros Voluntários Torrejanos e a primeira Assembleia Geral realizou-se no dia 02 de Abril de 1932. É a 14 de Setembro desse mesmo ano, que o Governo Civil de Santarém aprovou os estatutos, através de um alvará, tornando, desta forma, a Associação oficial. É a 17 de Dezembro desse mesmo ano que é realizado o primeiro piquete de serviço. Todavia, só em 1933 é que os BVT iniciaram a sua atividade, tendo o seu ‘batismo de fogo’ no combate ao incêndio da Fábrica de Refinação de Azeite (08 de Janeiro de 1933).

Nos dias 26 e 27 de Agosto de 1932 é levado a cabo uma inspeção de elementos para o corpo ativo sob a Direção do Dr. Sousa Dias, resultando no apuramento de 25 do total de 35 homens que se apresentaram. A recusa dos outros dez elementos deveu-se a problemas de ordem física. Os elementos apurados iniciaram a recruta sob orientação de um elemento que já havia sido bombeiro em Lisboa. Somente nos finais do ano de 1932 é que foi contactado um chefe de Batalhão de Sapadores de 10 Bombeiros de Lisboa que se deslocava a Torres Novas ao domingo a fim de ministrar a preparação prática adequada. É em Outubro de 1933 que este grupo de homens é considerado apto para o exercício das funções constituindo, assim, o primeiro corpo ativo. Somente em Março de 1935 é que receberam capacetes e estandarte. Em Março desse ano é criado, também, o corpo auxiliar.

Corria o ano de 1949 quando, pelo quartel, haviam passado 178 bombeiros, sendo o corpo ativo constituído por 35 elementos. Em 1985 este número sobe para os 37 havendo já funções e uma hierarquia bem definidas: subchefe, bombeiros de 1ª, 2ª e 3ª classes, médico e enfermeiro. Do corpo auxiliar faziam parte os motoristas, músicos, clarins, aspirantes e cadetes, perfazendo um total de 54 elementos. Existia, ainda, o quadro honorário – que contava com 11 elementos – do qual faziam parte todos aqueles que tinham mais de quinze anos de bons serviços e que estivessem impossibilitados de exercer funções no ativo por várias razões.

Os BVT foram a primeira corporação nacional a ter um corpo de cadetes, motivo que muito os orgulha. Impulsionada pelo Dr. Sousa Dias, nasce em Setembro de 1935 a primeira escola. O Corpo de Cadetes era composto por rapazes com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos e foi oficialmente aprovado no IV Congresso dos Bombeiros Portugueses que decorreu em Portalegre em 1938. São detentores de variadíssimos reconhecimentos como, por exemplo, medalhas e fitas. Tinham a Lei do Cadete (1) e o Hino dos Cadetes.

Anos mais tarde – em 1941 – também por iniciativa do Dr. Sousa Dias organizou-se um curso de enfermagem e puericultura destinados a senhoras, que decorreu durante um ano. Porém, esta iniciativa não teve continuidade. As senhoras que abraçaram esta iniciativa, habituadas ao convívio, formaram um Corpo Auxiliar Feminino, em Dezembro de 1942. As suas funções eram tratar das roupas do quartel e organizar festas a favor dos bombeiros, especialmente no Natal. Por esta altura, no seu primeiro ano de existência, realizaram um peditório pelas casas comerciais de brinquedos e roupas que seriam distribuídos aos filhos dos bombeiros. No ano seguinte, o peditório já foi monetário. Com o dinheiro angariado compraram as roupas e os brinquedos e o restante era entregue à Direção da Associação. Mais tarde, resolveram comprar o material e confecionarem, elas próprias, enxovais para bebés, os quais iam sendo oferecidos aquando do nascimento de um filho de bombeiro com dificuldades.

A 20 de Maio de 1935 é registado um caso único e preocupante: um bombeiro é despedido pela entidade patronal por ter abandonado o local de trabalho para ir combater um incêndio. Tal acontecimento foi gerador de protesto.

O regulamento dos Corpos de Bombeiros define os seguintes serviços para os bombeiros: incêndios – atuar em caso de incêndios, inundações, desabamento e outros sinistros idênticos – saúde – primeiros tratamentos a feridos e doentes, condução ao hospital quando necessário – e socorro a náufragos – sinistros marítimos e fluviais. Os BVT têm como lema ‘Vida por Vida’, seguindo em frente na defesa de pessoas e bens com risco da própria vida.

Em 82 anos de serviço há uma morte a lamentar. A 7 de Agosto de 1979 morreu um bombeiro em consequência de um acidente sofrido durante o combate a um incêndio na serra d’Aire. O primeiro transporte de doente para Lisboa efetuou-se em 1934.Em Março de 1932 foi assinado um contrato de arrendamento de uma antiga oficina, tendo sido este o primeiro quartel dos BVT.

Atravessando várias dificuldades, apenas em Janeiro de 1982 foi iniciada a construção do novo quartel e a sua inauguração teve lugar no dia 07 de Julho de 1985.

(1) Lei do Cadete

1º - O CADETE é verdadeiro, a sua palavra é sagrada

2º - O CADETE é obediente e respeita-se a si próprio

3º - O lema do CADETE é "vida por vida"

4º - O CADETE é cortês e leal, todos os CADETES são seus Irmãos

5º - O CADETE é generoso e valente

6º - O CADETE ama os animais e as plantas

7º - O CADETE está sempre alegre e bem disposto

8º - O CADETE tem iniciativa e toma a responsabilidade dos seus actos

9º - O CADETE é económico, sóbrio e respeitador do bem de outrem

10º - O CADETE é puro no pensamento, nas palavras e nas acções