ENRIQUEÇA SUA ESTANTE COM OUTRAS OBRAS SUGERIDAS.
ENRIQUEÇA SUA ESTANTE COM OUTRAS OBRAS SUGERIDAS.
Lançado em 1980 e adaptado ao cinema na mesma década, tornou-se o maior “best-seller” daquele período e despertou o interesse mundial pelos estudos sobre a Idade Média e a Semiótica, a ciência dos símbolos. Claramente inspirado nas narrativas de investigação de Sherlock Holmes, personagem criada pelo britânico Arthur Conan Doyle para protagonizar diversos contos e romances, envolve o leitor pela mesma estratégia: uma série de crimes misteriosos ocorridos no confinamento de um monastério deixa um rastro de evidências e pistas falsas que se tornam um fascinante jogo de hipóteses.
Publicado dois anos após São Bernardo, o terceiro romance do autor mantém a proposta do narrador anti-herói, contudo a atmosfera é dessa vez mais sufocante porque, ao contrário da melancólica retrospectiva de Paulo Honório, o protagonista, Luís da Silva, descreve sua rotina solitária de funcionário público medíocre e sem sonhos, convicto de que nada a seu redor pode dar-lhe esperanças quanto ao futuro, daí o sintético título da obra. Sua existência, porém, entra em turbilhão quando conhece Marina, uma das mulheres de sua vizinhança, por quem se apaixona a ponto de pensar na possibilidade de cometer… um crime.
Na efervescente São Paulo da década de 1920, avança exponencialmente a classe burguesa industrial, ávida de patrimônio, mas também de prestígio social. Não foge a essa regra a família tradicional de Felisberto Sousa Costa, preocupado com os arroubos de juventude do filho adolescente, Carlos Alberto.
Para assegurar uma tranquila iniciação sexual do rapaz, Felisberto contrata os serviços da experiente imigrante alemã, Elza, a rigor uma competente governanta e professora particular do idioma de Goëthe. Apesar da inicial resistência da esposa, Fräulein segue a morar na casa dos patrões para dar conta de sua “missão”.
O idílio, devidamente programado para começar e um dia chegar ao fim, complica-se, contudo, à medida que Carlos Alberto realmente se crê apaixonado por Elza. Esta, por sua vez, confronta-se com o desafio íntimo de sobrepor a razão às emoções, de manter-se impassível enquanto simula a paixão. Até que ponto isso será possível?
A faceta do Mário contista é tão interessante e rica quanto a do Mário romancista, por isso vale muito a pena conhecer as narrativas curtas reunidas nessa obra, publicada vinte anos após Amar, verbo intransitivo, já de forma póstuma. Escritos ao longo de vários períodos da vida do autor, os contos registram a vida doméstica da classe média paulistana, o cotidiano do trabalhador braçal e humilde, as transformações urbanísticas da futura megalópole, sempre com o frescor da espontaneidade linguística, muito próxima da oralidade.
Romance lançado em 2013 e premiado com o National Book Critics Circle Award, uma das mais prestigiosas distinções do panorama literário internacional, mantém pontos de contato com Hibisco roxo, tais como o protagonismo de jovens negros nigerianos, a transformação econômica do país conforme o capitalismo industrial e a especulação imobiliária avançam e os contrastes entre a África e os Estados Unidos, para onde imigra a protagonista, Ifemelu, em busca de liberdade civil e oportunidades de estudo e trabalho, sem imaginar que lá também conhecerá o racismo e a xenofobia.
Publicado em 1972, este segundo e último romance da autora coincide com a reta final de sua vida, quando experimenta o ostracismo provocado tanto pela cassação de seus direitos políticos, em função da ditadura militar, quanto pelo isolamento intelectual a que fora relegada pela crítica e pelo mundo acadêmico, os quais a associavam, injustamente, ao seu segundo marido, diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda de uma ditadura anterior, a de Getúlio Vargas. Atente ao simbolismo da narrativa: a protagonista é uma mulher que, devido a uma doença, perde sua voz; em contrapartida, ganha coragem para devassar a hipocrisia de sua própria família, uma horda de aproveitadores.
Estamos em plena Corrida do Ouro, no coração selvagem do Canadá e do Alasca e suas montanhas de neves eternas. No entanto, não é o olhar de algum ser humano que guiará o leitor por esse universo inóspito, mas sim o de Caninos Brancos, um animal metade lobo, metade cão, bisneto de Buck, um cachorro domesticado que fora reintegrado à natureza e protagonizara o romance anterior de Jack London. Este romance, portanto, propõe a continuação de uma obra pregressa, mas não só.
Ao ser capturado por um daqueles homens envolvidos na frenética e gananciosa corrida pelas pepitas douradas, o jovem Caninos Brancos é obrigado a fazer parte de uma das matilhas treinadas para puxar trenós pelas vastas distâncias cobertas de branco. Conhece, assim, a brutalidade humana e a aversão de outra espécie, já que os cães o rejeitam. Quando é transformado, mais tarde, em um cão de rinha de apostas, a violência a que é exposto se intensifica e sua luta pela sobrevivência se torna dramática.
Para chegar, enfim, à redenção, Caninos Brancos depende não só da descoberta da bondade humana (sim, ela existe, mesmo nos ambientes mais desoladores), mas sobretudo de um ato derradeiro, no clímax da história, em que demonstre toda sua força, coragem e ímpeto de viver.
Em algumas versões também intitulado O chamado da floresta, este é o romance precursor de Caninos brancos, publicado três anos antes, em 1903. Sua trajetória narrativa é praticamente inversa à do outro livro, pois o leitor acompanha o processo de integração de Buck, um cão domesticado, à vida selvagem, tendo de adaptar-se à hierarquia e aos hábitos de uma alcateia. Assim como na obra derivada, o cenário é o inóspito Alasca; outro ponto em comum é o paralelo entre a experiência dos animais protagonistas e a biografia do autor, também ele um aventureiro contumaz.
Menina Tereza, órfã de pai e mãe, descobre logo cedo que os laços de família podem ser as cordas que enforcam: criada por tia Filipa, antes o fosse por estranhos, já que a parenta não hesitou em trocar a sobrinha pelo dinheiro oferecido por Capitão Justo, dono de muitas terras na zona fronteiriça entre Sergipe e Bahia e de tantas outras almas virgens, seus brinquedos sexuais. O estupro, porém, é apenas a primeira das várias cicatrizes que a protagonista acumulará pela vida.
Presa por cravar uma faca nas costas do fazendeiro pedófilo, quando este ameaçava matar Daniel, jovem estudante que fora o primeiro amor dela, Tereza enfrenta o cárcere. Resgatada por um protetor, experimenta o breve sabor da felicidade em Aracaju, porém, após a morte dele, se vê novamente sozinha no mundo. A prostituição é a única morada que lhe oferece abrigo.
Tereza Batista, líder das meretrizes de Salvador, organiza a greve do sexo e o mutirão contra a epidemia de bexiga negra. Tereza devota, filha de Iansã, orixá dos ventos e raios, e de Omolu, orixá das curas para toda moléstia. Tereza apaixonada, deixa seu coração nas mãos de um pescador. Tereza artista, sobe ao palco dos cabarés e solta a voz na noite boêmia. Tereza de luta e resistência. Tereza Batista cansada de guerra.
Fogosa pastora de cabras e namoradora de homens, a adolescente Tieta é surrada pelo pai e expulsa de Santana do Agreste graças à delação de suas aventuras eróticas por parte da irmã mais velha, a pudica e reprimida Perpétua. Um quarto de século depois, rica quarentona, Tieta retorna em triunfo ao vilarejo, no interior da Bahia. Com dinheiro e influência política, ajuda a família e traz benefícios à comunidade, entre eles a luz elétrica. Para os parentes e amigos de Agreste, Tieta enriqueceu no sul ao se casar com um industrial e comendador. Mas aos poucos o narrador vai plantando no leitor a dúvida, o descrédito, até revelar a história oculta da protagonista: Tieta se prostituíra e virara cafetina em São Paulo, razão de sua riqueza e de seu trânsito entre os poderosos. Nesse acerto de contas com o passado, ela acaba se envolvendo na acirrada disputa em torno do futuro do lugarejo. Publicado em 1977, o romance foi adaptado com sucesso para a televisão e o cinema. A narrativa descontínua, feita de avanços, recuos e mudanças do ponto de vista, atesta a maturidade literária de Jorge Amado e mantém até hoje o impacto e o frescor.
Um dos romances mais populares de Jorge Amado, levado com êxito ao cinema, ao teatro e à televisão, Dona Flor e seus dois maridos conta a história de Florípedes Paiva, que conhece em seus dois casamentos a dupla face do amor: com o boêmio Vadinho, Flor vive a paixão avassaladora, o erotismo febril, o ciúme que corrói. Com o farmacêutico Teodoro, com quem se casa depois da morte do primeiro marido, encontra a paz doméstica, a segurança material, o amor metódico. Um dia, porém, Vadinho retorna sob a forma de um fantasma capaz de proporcionar de novo à protagonista o êxtase dos embates eróticos. Por obra da fantasia literária de Jorge Amado e da intervenção das entidades do candomblé, Flor consegue conciliar no amor o fogo e a calmaria, a aventura e a segurança, a paixão e a gentileza. Lançada em 1966, esta narrativa ousada e exuberante, plena de humor e ironia, é uma saborosa crônica de costumes da Bahia da primeira metade do século XX e um retrato inventivo das ambigüidades que marcam o Brasil.
O romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela, um dos mais sedutores personagens femininos criados por Jorge Amado, tem como pano de fundo, em meados dos anos 1920, a luta pela modernização de Ilhéus, em desenvolvimento graças às exportações do cacau. Com sua sensualidade inocente, Gabriela não apenas conquista o coração de Nacib como também seduz um sem-número de homens ilheuense, colocando em xeque a lei que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue. Publicado em 1958, o livro logo se tornou um sucesso mundial. Na televisão, a história se transformou numa das novelas brasileiras mais aclamadas mundo afora.
Publicado em 1955 e adaptado para o cinema em 1958 e 2002, esta obra integra a vasta série de romances que Greene dedicou aos temas da geopolítica, espionagem e multiculturalismo. Seu protagonista e narrador, um jornalista inglês expatriado, é uma espécie de alter ego do autor, cuja movimentada biografia, entre inúmeras vivências no exterior e passagens pelo serviço secreto britânico, assemelha-se à dessa personagem. Estamos na Indochina, antigo nome colonial do atual Vietnã, durante a luta por sua independência da França - este cenário de convulsão política e militar é o pano-de-fundo para o triângulo amoroso entre o protagonista, sua bela e jovem namorada vietnamita e o agente secreto americano Pyle, a quem o título faz uma irônica referência.
Publicado em 1967, um ano antes de Memórias de um gigolô, este livro de contos contempla o mesmo universo, habitado por seresteiros, gatunos, prostitutas, viciados de toda espécie, malandros, vítimas incautas, enfim a numerosa fauna noturna paulistana que tão alto falava ao coração de seu autor. O leitor encontrará, além da mesma temática do submundo da metrópole, um estilo bem semelhante ao da narração de Mariano: jocoso, irreverente, amoral, apaixonado e de uma sincera picardia. Foi laureado com o Prêmio Jabuti, na categoria “Contos, crônicas e novelas”, no ano seguinte.
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