A escrita faz parte da vida das crianças mesmo antes do processo de alfabetização chegar, elas leem o mundo através das imagens, dos sons e, por isso, trabalhamos atividades que envolvessem registros de nomes, de frutas, de animais, dentre outras possibilidades.
Nós chamamos de escrita espontânea pelo fato da criança registrar do seu modo, de acordo com a fase em que se encontra e não de acordo com o código de escrita estabelecido. Esse registro favorece a compreensão sobre a escrita antes de escreverem convencionalmente. Devemos olhar para ela vendo não apenas o que já está e sim, o que descobrem, compreender o que pensam e como essas ideias evoluem.
Além disso, a escrita espontânea é utilizada no 1° ano para que a professora possa fazer o diagnóstico sobre qual fase de desenvolvimento da aquisição do código escrito a criança está e para que ela possa elaborar intervenções que colaborem para a construção de hipóteses em torno da escrita de palavras e sistema alfabético.
Normalmente, chamamos uma criança de cada vez para que a professora possa observá-la adequadamente, entender como escreve, observar as letras que escolhe e como lê as palavras.
Pedimos à criança que escreva do melhor jeito que puder, nas atividades deixamos claro para a criança que não existe o “certo ou o errado” e sim, o jeito que ela acha que é a palavra, é isso que a encoraja quando se sente insegura.
A sondagem é uma lista de palavras do mesmo campo semântico (mesmo assunto ou mesma área do conhecimento) contendo 4 palavras e uma frase (precisa repetir uma palavra presente na lista). Exemplo: Brigadeiro / Pipoca / Bolo / Chá / Eu gosto de comer pipoca.
Depois da sondagem classificamos conforme as hipóteses pré-silábica, silábica, silábica-alfabética e alfabética, vamos conhecer sobre um pouco sobre cada uma:
Esta hipótese a criança não busca correspondência com o som. A relação com a escrita é estabelecida com o tipo e quantidade de grafismos.
Principais características:
Desenhar e escrever tem o mesmo significado;
Não estabelece relação entre a escrita e a fala;
Escrita desordenada, sem distinção de letras, números e desenhos;
Garatujas (desenhos e/ou rabiscos ilegíveis );
As palavras representam os objetos e são proporcionais a eles (exemplo: formiga = palavra pequena, girafa = palavra grande);
Decora a palavra para a leitura;
Usa as letras do próprio nome em tudo;
Utilizam escritas iguais para palavras diferentes.
Nesta hipótese a criança já entende a escrita como representação gráfica da fala. A relação com a escrita é estabelecida com o uso de uma letra para cada som.
Principais características:
Registra com uma letra ou outro sinal cada sílaba;
Escreve com uma quantidade mínima de letras e pouca variedade entre elas;
Não atribui valor sonoro ao que escreve.
Nesta hipótese a criança compreende que existe diferença nos sons das palavras e que são escritas de maneira diferente. A relação com a escrita é estabelecida com a correspondência de uma ou mais letras para cada sílaba de uma palavra.
Principais características:
Relaciona quantidade de letras a quantidade de sílabas;
Utiliza vogais ou consoante/vogal equivalente a alguma sílaba da palavra;
Pode ler silabando.
Nesta hipótese a criança compreende que as letras correspondem os sons de forma silábica. A relação com a escrita é estabelecida com o uso de vogais e/ou consoantes na escrita de palavras.
Principais características:
Faz uso de vogais e consoantes;
Pode omitir ou acrescentar letras;
Atribui o valor do fonema em algumas letras (kneta = caneta);
Nesta hipótese a criança compreende a função social da escrita onde se escreve para alguém ler.
Principais características:
Reconhece o valor sonoro de todas ou quase todas as letras;
Percebe que a escrita não é uma representação fiel da fala e que por vezes pode haver variações (S/Z, C/S, J/G);
Pode omitir letras de determinada palavra (exemplo = Armário- Amario);
Pode trocar letras por sons parecidos (exemplo = Fivela – Vifela);
Pode inverter algumas letras numa determinada sílaba ( exemplo = Escada – Secada);
Preocupa-se com a ortografia;
Escreve frases sem segmentação (sem espaço entre uma palavra e outra).