ESCOLA ESTADUAL ELZA SARAIVA MONTEIRO
ROTEIROS DE ESTUDOS COMO FERRAMENTA METODOLÓGICA
A E.E. Prof.ª Elza Saraiva Monteiro, em sua busca incessante por projetos inovadores, há alguns anos, vem experimentando métodos e fomentando práticas que possam reorientar as maneiras de ensinar e aprender nas alamedas do século XXI. No entendimento de que inovações educacionais não são resultados, mas, sim, processos, as transformações vividas na escola são engendradas e gestadas pelos sonhos, pelas inquietações - e incertezas - protagonizadas pelo pensamento e trabalho coletivo de toda a comunidade escolar.
A fundamentação do processo de inovação da escola se deu por meio da incorporação de práticas educacionais exitosas, inspiradas em escolas não tradicionais de referências no Brasil, Portugal, Chile e Cuba. Vale dizer que as iluminações destas escolas não partiram apenas de estudos em trabalhos acadêmicos ou de literaturas, mas de visitas presenciais de professores, outras vezes, de grandes grupos de docentes e estudantes, sob a coordenação pedagógica do professor Paulo Cezar dos Santos e apoio, incondicional, da diretora Valdenice de Oliveira Rodrigues Moura.
A primeira escola visitada, em 2016, foi a EMEF “Desembargador Amorim Lima. A partir daquele encontro com práticas diferenciadas, os professores visitantes começaram a desenhar o sonho da nova Elza Saraiva Monteiro. Nascia ali os traços do desejo da mudança.
A execução do sonho, no entanto, consolidou-se apenas dois anos depois. Com a mudança da gestão da escolar, 2018, os desenhos da nova escola saíram, efetivamente, da prancheta.
A proposta da inovação foi pensada e repensada em uma alameda dialética, no engajamento dos professores, na troca de experiências e hábitos, dialogados consoante as necessidades do lugar e objetivando, sempre, auxiliar os estudantes em sua jornada pessoal - e coletiva - nos caminhos da cidadania plena.
Funda-se, então, uma gestão democrática que delineia e permeia o processo ensino-aprendizagem, em todos os âmbitos da escola.
No caminhar das mudanças estruturais e metodológicas, estabeleciam-se muitas interrogações e enfrentamentos, manifestados por alguns docentes e estudantes. Inovar é também isso.
A segunda visita, em 2018, foi à EMEF “Campos Salles”. Professores e estudantes tiveram contato com uma escola que já conheciam em seus projetos, especialmente, em relação a organização e aos roteiros de estudos. As contribuições das metodologias das escolas do Chile, Cuba e Portugal (Escola da Ponte – roteiros de estudos) vieram de uma das docentes da Unidade Escolar, que as havia visitado. Todo o arcabouço de conhecimento advindo das visitas às escolas somou-se às formações pedagógicas nas reuniões de Aulas de Trabalhos Pedagógico Coletivo (ATPC) e nas Assembleias formadas por gestores, professores, estudantes, familiares e funcionários da escola.
A “pedagogia do invisível” parecia agora dissolvida. Tudo começava a fazer sentido. Vale ressaltar, os enfrentamentos, os receios pelas rupturas e o agarramento nas permanências continuavam; e continuam. Assim caminha uma escola democrática; acreditamos.
Na trajetória das transformações, foram implantados os roteiros de estudos, as salas ambientes, a extinção dos portões dos corredores internos, as assembleias e Conselhos de classe/série participativos.
Neste momento da pandemia pela COVID-19, com aulas suspensas, recesso escolar e férias, os roteiros de estudos, já utilizados na escola Elza Saraiva, cumprem o objetivo das conjunturas educacionais atuais: a continuidade do ensino de forma autônoma, com responsabilidade. A partir do compromisso de a Educação não ser prejudicada, a única ação dos docentes da escola se deu pela adaptação dos roteiros de estudos com a ausência do material didático, mas com uma ferramenta que estabelece a suplantação do espaço e do tempo: as tecnologias.
Os estudantes, professores, assim como a sociedade, precisam enfrentar o superdesafio do combate, com solidariedade e cooperação, na luta contra o coronavírus. Desse enfrentamento, surgirá uma sociedade fortalecida pela empatia e alteridade entre todos.
Roteiros de Estudos (elaboração)
Os roteiros de estudos devem ser pensados a partir das habilidades específicas de cada disciplina – Currículo Paulista
Objetivos
Auxiliar os estudantes na organização dos estudos e do tempo de trabalho;
Estimular a pesquisa, investigação, o autoconhecimento, a reflexão; despertar interesse pelos estudos de maneira significativa e estimular o trabalho em grupo; estimular a coletividade, a curiosidade a partir de situações desafiadoras.
Justificativa
Cada vez mais no mundo contemporâneo, educar exige preparação e compreensão dos fatores que afetam diretamente o estudante de hoje. No ambiente escolar os desafios são constantes e obrigam o educador a conhecer variadas práticas de ensino e aprendizagem. Fato esse determinante, que serve como instrumento reflexivo para autoavaliação docente. Sendo assim, o desenvolvimento do trabalho educativo a partir dos roteiros pode auxiliar o trabalho dos professores em sua organização, preparação, realização e avaliação do que esteve previsto durante o tempo reservado para tal trabalho. Além de orientar os estudos dos discentes a partir dos conteúdos, habilidades e da verificação do tempo e dos prazos para entrega das atividades determinadas pelo documento.
Metodologia
Estudar materiais de apoio: livros didáticos, livros paradidáticos, livros literários, dicionários, revistas, jornais, mídia digital, sites, vídeos etc.
A partir das habilidades específicas que precisam ser desenvolvidas, reunir as informações pesquisadas nos materiais de apoio, e transcrever (de maneira didática) para o quadro/tabela (padrão) fornecido pela coordenação escolar. Entregar aos estudantes esses roteiros e dar as instruções necessárias.
Aos estudantes
Fornecer os subsídios necessários de caráter formativo e informativo sobre como realizar e/ou executar os roteiros de estudos: tempo de realização e entrega das atividades, estabelecendo prazos e limites para tal tarefa; orientar sobre técnicas de pesquisas com fontes confiáveis e científicas; realizar práticas de leitura e escrita, compreensão, interpretação e argumentação da produção textual; definir rotinas de estudos com tempo de dedicação exclusivo, suas atribuições e benefícios.
Em resumo, a orientação deve ser bem feita ao educando, caso contrário, não se obterá o desempenho desejado pelo professor.
Avaliação
A avalição deve ser acompanhada de critérios bem definidos e com clareza. O estudante deve tomar ciência dos instrumentos avaliativos utilizados em seu processo de aprendizado:
Avaliação formativa – avalia o processo de aprendizado do estudante
Tem como objetivo perceber e corrigir as dificuldades e os possíveis “erros” durante o caminho percorrido pelo estudante, ou seja, dar subsídios ao professor.
Avaliação somativa – instrumentos usados pelo docente com a finalidade de somar pontos no final do processo de aprendizagem
A autoavaliação – pode ser escrita e oral. Tem por finalidade desenvolver a autorreflexão do estudante em relação ao seu aprendizado.
Para a construção dos roteiros é importante definir quais serão os tipos de avaliações utilizadas: quantidade, tipos etc. Por exemplo: análise de atividades em cadernos, provas testes, seminários, relatórios, produção escrita a partir de pesquisas científicas, avaliação oral etc.
Referências:
TEIXEIRA, Anísio. A escola parque da Bahia. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, 47 (106): 246- 253, abril/jun 1967. - _______. Educação
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 6ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978. - _____ . Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática pedagógica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
ALVES, Rubem. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas: Editora Papirus.
Escola Básica da Ponte – Portugal; Escola Municipal Desembargador Amorim Lima; Escola Municipal Campos Salles; Escola Projeto Âncora.
Em 2019, Paulo Cezar e Shirley Nascimento iniciaram na escola estadual Elza Saraiva Monteiro o projeto Cinescadão 2.0 (estúdio e audiolivro).
Batizado na escola de "Contando Histórias, Descobrindo Mundos", o projeto tem como principal objetivo o protagonismo juvenil. Durante o ano de 2020 grande parte dos estudantes da escola passarão pelo estúdio. Uma iniciativa da escola em parceria do Programa VAI (Secretaria Municipal da Cultura) e o grupo de rap CAGEBÊ (Cada Gênio do beco). Cada estudante escolherá um livro na biblioteca da escola e fará uma gravação de voz, narrando o livro escolhido, no estúdio escolar.