BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR – BNCC
Competência 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
Disponível em:<https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/8/competencia-4-comunicacao >acesso em 10 de maio de 2020.LiEgE mAiRa RoDrIgUeZ
2019
Para o estudioso Arlindo Machado (2010) a palavra “arte mídia”, deriva da tradução do inglês ’media arts’, e engloba as expressões artísticas que se apropriam de recursos tecnológicos das mídias e da indústria do entretenimento.
Então vem a pergunta: Qual é o papel do artista transgressor e das instituições culturais ao propor e discutir sobre as tendências tecnológicas na web arte, em espaços públicos ou expositivos?
Produções como videoarte, animação, performance, instalação, exposição imersiva, teatro digital, jogos e recursos digitais da internet, movie-drome, entre outros, circulam pela internet por meio de diversidade de meios (vídeos, textos, fotos, sons, desenhos, mapas, gráficos e infinitas possibilidades de combinações artísticas). O interessante da web art ou dessas ferramentas é a ideia da interatividade, onde o espectador faz parte do processo artístico deixando de ser mero contemplador tornando-se co-autor da produção. Do efêmero para eternização do projeto através do recurso tecnológico. Atualmente através de um click temos acesso as produções de vários artistas multimidias na internet. Destacando a produção do Hélio Oiticica com seus parangolés, Lygia Clark com a Babá Antropofágica (1973), obras como Campo – Ocupação e a Arte de Desenhar (1980) da Regina Silveira, Otavio Donasci com suas performances multimidias utilizando diversas videocriaturas (1984), entre outros.
O artista com o intuito de promover novas formas poéticas explora esse universo tecnológico e cabe aos espaços expositivos disponibilizar informações para despertar o interesse do público para o campo das artes. Atualmente fala-se da exposição imersiva "Paisagem de Van Gogh” realizada no shopping Higienópolis em São Paulo. A arte hibrida propõe o cruzamento de várias linguagens criando novas matrizes. Normalmente, esse tipo de produção artística ocorre por meio da seleção das linguagens, tendo em vista uma temática a ser produzida em música, artes, vídeo, poesia, outros.
Qual a relação da arte com o público? E o papel do setor educativo nessa esfera? Caberia ao arte educador propor uma investigação dos processos de criação utilizados atualmente pelos artistas multimídias, refletindo sobre o contexto abordado, as combinações utilizadas, a exibição e o produto final.
Pensando no panorama sensorial, experimental e no caráter multimídia lembrei das performances do artista mineiro Paulo Nazareth, que remetem a algo multidisciplinar – da arte, antropologia, filosofia, história, geografia, turismo, entre outras áreas do conhecimento. Normalmente, nomeamos uma produção de acordo com as características das linguagens artísticas: música, teatro/performance, artes visuais (videoarte/fotografia) e a dança. Nota-se o cruzamento das linguagens tradicionais e convergentes (publicidade/propaganda – homem sanduíche), moda (pedaços de carne) com as produções híbridas (teatro/performance – artes visuais: manifestos, a fotografia e a videoarte). Em 2018, realizei uma proposta com meus alunos inspirada na série – Objetos para tampar o sol de seus olhos – 2010. Ao utilizar a câmera do celular para o registro fotográfico, o aluno pode explorar suas ideias sem qualquer custo, além da facilidade de transmitir e apresentar a sua visão, algo que custaria muito com o processo de fotografia tradicional.
Outro exemplo de arte hibrida seria o conceito de paisagem sonora criado pelo estudioso canadense Murray Schafer na década de 70, e empregado nas produções do artista contemporâneo Mark Shepard. O trabalho de Mark resulta na interligação da audição e da visualização como é o caso do site Tactical sound Garden (2007). O projeto iniciado em Nova Iorque consiste em plantar um som em um parque que tenha sinal de wireless.
Para fechar a ideia de trabalho imersivo pensei na exposição Obsessão Infinita da artista japonesa Yayoi Kusama realizada em 2014 no Instituto Tomie Ohtake. Pinturas, performances, vídeos, apresentação de slides e instalações foram explorados nos espaços expositivos.
Quanto ao setor educativo, temos alguns projetos envolvendo arte e tecnologia circulando pelas redes sociais, destaco os projetos ofertados pelas escolas italianas, entre elas, o trabalho: ‘Segni mossi” que agregam e mesclam as linguagens e os diferentes suportes para criar Arte.
No ciberespaço aparecem vários dispositivos para os diferentes públicos enquanto na vida real, faz-se necessário a divulgação dos eventos realizados para atrair determinado público. Na cidade de São Paulo, ocorre anualmente o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) com uma variação enorme de plataformas criativas, com propostas tanto interativas quanto contemplativas.
Analisando essas produções, percebe-se o caráter democrático e o intuito de tornar acessível os recursos utilizados pelos artistas. Em relação aos desafios pela frente, teremos que lidar com as diferentes ferramentas tecnológicas cada vez mais presente no nosso entorno e as possibilidades que elas oferecem.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BULHÕES, Maria Amelia. Web arte e poéticas do território. Porto Alegre, RS: Zouk, 2011.
Webgrafia:
Baba Antropofágica.<https://www.youtube.com/watch?v=_47gID1FwLc> Acesso em 25 de agosto de 2019.
Formas Hibridas. <http://tvbrasil.ebc.com.br/brasilvisual/episodio/formas-hibridas-da-videoarte> Acesso em 25 de agosto de 2019.
Obsessão Infinita. <https://www.institutotomieohtake.org.br/exposicoes/interna/obsessao-infinita-de-yayoi-kusama> Acesso em 24 de agosto de 2019.
PAULO Nazareth. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa425936/paulo-nazareth>. Acesso em: 25 de ago. 2019. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
Parangolé. < https://www.youtube.com/watch?v=dJTr8I2M6Ps&t=24s> Acesso em 25 de agosto de 2019.
Regina Silveira. <https://reginasilveira.com/A-ARTE-DE-DESENHAR-1>Acesso em 25 de agosto de 2019.
Segnimossi. <https://www.segnimossi.net/en/videos.html?start=20> Acesso em 24 de agosto de 2019.
Tactical Sound Garden. <http://tacticalsoundgarden.net/>Acesso em 25 de agosto de 2019.
Van Gogh. < https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/o-que-fazer-em-sao-paulo/post/2019/08/16/exposicao-inspirada-em-telas-de-van-gogh-comeca-neste-sabado-no-shopping-higienopolis.ghtml> Acesso em 25 de agosto de 2019.
Videocriaturas. <https://www.youtube.com/watch?v=Vu_HGf_OhEs> Acesso em 25 de agosto de 2019.
Projetos desenvolvidos na Rede Estadual de Ensino:
Referência: Objetos para tampar o sol de seus olhos – 2010. Paulo Nazareth.
<https://www.facebook.com/walkerdacostabarbosa/videos/426674974819937/> Acesso em 25 de agosto de 2019.
Arte e Tecnologia.
<https://www.facebook.com/walkerdacostabarbosa/videos/388471314896582/> Acesso em 25 de agosto de 2019.
a TeCnOlOgIa MoVe.