Greenwashing consiste na adoção de estratégias e campanhas publicitárias enganosas por uma empresa, com o objetivo de criar uma falsa impressão sobre suas práticas ambientais.
Fonte: Criado por IA
A discussão sobre o greenwashing é relativamente recente na literatura. O termo surgiu em 1986, quando o biólogo e ativista americano Jay Westerveld criticou a indústria hoteleira por incentivar o reuso de toalhas como medida para “salvar o meio ambiente”, enquanto mantinha políticas ambientais frágeis em outros setores do negócio.
Esse tipo de prática ocorre, principalmente, porque formar uma empresa verdadeiramente sustentável exige investimentos, mudanças profundas e responsabilidade corporativa. Para muitas organizações, é “mais fácil” ocultar ou distorcer informações a fim de apenas parecer ambientalmente responsável.
A expressão em português pode ser traduzida como “maquiagem verde” ou “pintura de verde”. Deriva da frase environmental whitewash, termo usado para denunciar disfarces corporativos (KARLINER, 1997). Essa expressão representa a promoção falsa de campanhas, produtos e discursos que se apresentam como ecologicamente corretos e inclusivos, mas que, na prática, não são concretizados. Isso confere à marca uma boa imagem pública e a identidade de quem “preserva o meio ambiente”. Porém, o resultado real é o incentivo ao consumo, aumentando o lucro da empresa ao mesmo tempo em que ilude o consumidor, que acredita estar fazendo uma escolha consciente.
A publicidade “verde” frequentemente adota estratégias questionáveis para convencer o público de que um produto é sustentável. Entre os principais recursos utilizados, podemos destacar:
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Palavras vazias como eco-friendly, natural ou sustentável, sem definições técnicas ou comprovação real;
Imagens sugestivas (folhas verdes, paisagens naturais, animais silvestres) que criam uma ilusão visual de impacto positivo;
Certificações falsas ou não reconhecidas, inseridas apenas como parte do design publicitário;
Comparações enganosas, como dizer que o produto é “mais verde que os concorrentes”, o que não significa que seja realmente benéfico — apenas que os outros são ainda piores;
Informações incompletas, como divulgar uma característica ecológica sem mencionar outros danos associados;
Linguagem hermética, difícil de ser compreendida pelo consumidor médio, dificultando a avaliação real do impacto ambiental.
Exemplos de Greenwashing
Diante disso, percebemos que a mídia, que antes servia para transmitir informações, hoje atua na produção de conceitos e na construção de desejos. A ideia vendida é a seguinte: ao consumir determinado produto, o indivíduo estaria automaticamente demonstrando preocupação com o meio ambiente. No entanto, essa associação é ilusória.
As empresas têm plena consciência de seus impactos, mas optam por disseminar discursos ambientalmente engajados para conquistar um público cada vez mais sensível à sustentabilidade. Assim, a linguagem publicitária é estrategicamente usada de forma persuasiva e manipuladora, consolidando o greenwashing como uma das principais armadilhas do consumo contemporâneo.
No entanto, o uso da linguagem para criar engajamento vai além da ecologia. Empresas também têm recorrido a causas sociais como forma de construir uma imagem ética e progressista. Mas até que ponto essas campanhas são autênticas? Na próxima página, vamos analisar o Marketing de Causa.