Refletindo sobre os frutos que queremos ver como bons semeadores, sabemos que “nem quem planta conta nem quem rega, mas Deus que faz crescer”13. Com Ele, gostaríamos de imaginar e sonhar o futuro que é possível. Queremos que nossos ambientes educativos sejam lugares que facilitem a cada pessoa a busca e o fortalecimento do sentido e objetivo de sua vida; e que os cristãos aprofundem sua vocação de discípulos missionários14. Gostaríamos de ver em cada obra lassalista uma mentalidade, uma sensibilidade e uma prática educativa que ajudem cada pessoa no processo de reconhecer sua vocação como o sentido de sua vida. Mais concretamente, gostaríamos que todas as comunidades e obras lassalistas tenham um plano de cultura vocacional que inclua todos os Lassalistas envolvidos e esteja dirigido a todos.
Uma “cultura vocacional” requer uma mudança cultural e nos desafia a comprometer-nos com essa mudança. No contexto da Família Lassalista, esta mudança cultural apresenta três desafios: participação, colaboração e intencionalidade.
PARTICIPAÇÃO: Temos o desafio de superar uma visão redutiva da Pastoral Vocacional como algo que pertence exclusivamente a e para algumas pessoas. Precisamos abrir-nos a uma visão inclusiva e universal na qual todas as vocações sejam reconhecidas, valorizadas e empoderadas e na qual todos estejam envolvidos. Trata-se duma “cultura vocacional” na qual toda a comunidade lassalista sabe que está comprometida e a reconhece como parte da missão da Igreja. Portanto, é necessária uma mudança de mentalidade.
COLABORAÇÃO: Existe o desafio de colaborar com a Igreja local ou com as entidades locais de desenvolvimento humano. Trata-se de uma colaboração com quem contribui para promover o sentido da vocação entre os seres humanos. Trata-se de uma mudança de sensibilidade, de um sentimento que nos ajuda a superar as tendências “autorreferenciais” que nos isolam em nós mesmos. Por exemplo, há organizações muçulmanas, budistas e outras sem filiação religiosa (por exemplo, Médicos sem Fronteiras, Save the Children, etc.) que interpretam a vocação como um serviço aos mais necessitados, com as quais os Lassalistas estão envolvidos. Daí a necessidade de um maior sentido de colaboração.
INTENCIONALIDADE: Finalmente está o desafio de compreender a “cultura vocacional” como conceito em todos os nossos projetos educativos e programas de formação. Não se trata de uma “questão” a mais, mas que deve estar presente de forma transversal e explícita. Daí a necessidade de mudar as práticas educativas.
Oferecemos como exemplos, e com a intenção de estimular respostas criativas às necessidades locais, alguns meios concretos de abordar esses desafios nos diversos níveis.
As comunidades de Irmãos e as comunidades lassalistas podem:
- Incluir em seu projeto comunitário anual alguns compromissos específicos que fomentem uma “cultura vocacional” no seu ambiente local15.
- Criar espaços acolhedores e que promovam a construção de comunidades com pessoas do local de trabalho.
- Participar em atividades e iniciativas vocacionais organizadas pela Igreja local ou outras instituições.
- Oferecer-se voluntariamente a acompanhar jovens e adultos em seu caminho de discernimento vocacional.
- Expressar claramente a alegria e a esperança de seu próprio chamado vocacional para ser quem são: Irmãos.
As obras educativas podem:
- Revisar a lista de boas práticas neste capítulo e examinar quais dessas práticas poderiam ser adaptadas à realidade local.
- Estabelecer um plano específico de cultura vocacional.
- Promover a formação em torno a uma “cultura vocacional” em toda a comunidade educativa, de forma que contribua para compreendê-la com maior profundidade.
- Trabalhar em equipe, em rede e em colaboração, tanto dentro como fora da obra lassalista, especialmente com a Igreja local.
As Províncias podem:
- Promover a formação intencional de coordenadores e/ou animadores que ajudem no desenvolvimento de uma “cultura vocacional”, bem como a formação de uma pessoa especializada neste campo.
- Colaborar com a Igreja e com outras congregações em tal formação.
- Criar ou reforçar estruturas adequadas que respondam às necessidades e exigências da Pastoral Vocacional atual.
- Informar o centro do Instituto dos progressos realizados no informe anual da Província.
As Regiões podem:
- Fomentar as redes de colaboração entre as equipes locais e provinciais.
- Desenvolver uma estrutura geral para a promoção de uma “cultura vocacional” adaptada a sua realidade.
- Apoiar as Províncias com dificuldades para que possam se beneficiar das boas práticas da Pastoral Vocacional de outras Províncias.
O Centro do Instituto pode:
- Proporcionar recursos adequados para promover uma “cultura vocacional”.
- Oferecer oportunidades de formação que promovam uma “cultura vocacional” segundo as necessidades das Províncias, das Regiões e da Família Lassalista em geral.
- Melhorar e fortalecer a publicação “Vocações”, para que inclua elementos mais específicos e partilhe as boas práticas de uma “cultura vocacional”.
- Assegurar que todas as publicações da Casa Generalícia tenham sempre um componente vocacional.
- Colaborar com outros institutos religiosos e organizações eclesiais para clarear a compreensão de uma “cultura vocacional” e enriquecer-se mutuamente no processo.
13 1Cor 3, 7
14 Papa Francisco. Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), 119-121.
15 Cf. 45º Capítulo Geral. Circular 469. Proposição 23.