Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica
Tal qual no ensino e na pesquisa, uma ação extensionista focada na formação integral do aluno, necessita, como princípio, possibilitar a participação e o envolvimento deste aluno de maneira contínua e efetiva ao longo de todo o processo extensionista. O IFFar demonstra em seus preceitos legais e em suas práticas normativas a preocupação com o envolvimento, a participação e o impacto das ações extensionistas na formação dos alunos, tal como pode-se constatar em seu caderno de extensão, utilizado no curso de formação em extensão:
"As atividades de Extensão constituem aportes decisivos à formação do estudante, seja pela ampliação do universo de referência que ensejam, seja pelo contato direto com as grandes questões contemporâneas.
Esses resultados possibilitam enriquecimento da experiência discente em termos teóricos e metodológicos, ao mesmo tempo em que permitem a reafirmação e materialização dos compromissos éticos e solidários da educação pública brasileira."
IFFar, 2019, p.19
A grande maioria dos projetos explicita, em suas propostas, de forma clara e objetiva, uma relação que impacta significativamente na formação dos alunos e os coloca em um patamar de atores destas ações, propondo a problematização e construção coletiva de respostas a demandas profissionais e sociais, dentro de um contexto vivenciados por eles, não na perspectiva do mercado e sim na função social deste conhecimento e desta formação, procurando formar, conforme Frigotto afirma, um indivíduo em suas múltiplas capacidades: “de trabalhar, de viver coletivamente e agir autonomamente sobre a realidade, contribuindo para a construção de uma sociedade de fraternidade e de justiça social”.
A participação e envolvimento dos alunos nos projetos de extensão, voltadas para uma formação integral, passa pela superação da formação de preparação do trabalho, tal como ressalta Ciavatta (2005), dando a estes alunos possibilidades de uma formação completa para a leitura de mundo e para atuação não só como profissional, mas também, como cidadão que participa das decisões sobre os rumos da sociedade, participando ativamente de movimentos sociais, partidos politicos e outras agremiações coletivas.
Participar, desta forma, não reduz o aluno como mero operacionalizador de tarefas nas ações extensionistas ou mero observador de práticas ofertistas e propagandistas da instituição, colocando-o como sujeito ativo e participante desde o princípio no (re)conhecimento desta realidade, na interação dialógica e problematização, planejamento e execução destas atividades.
Nas entrevistas também é possível verificar a relação direta entre a participação dos alunos nos projetos de extensão com sua formação acadêmica e humana, buscando significar as aprendizagens construídas em sala de aula na prática e a partir da prática em sociedade trazendo concepções para serem estudadas e desenvolvidas, tais como Saviani (2003) nos aponta ao indicar o trabalho como princípio educativo e ao afirmar que trabalho manual e intelectual são desenvolvidos concomitantemente e que é a partir dessas relações homem e natureza e entre si que os homens se constituem.
Ainda, é possível ratificar nas falas a importância de conhecer e fazer-se integrante de uma sociedade, em um processo de desconstrução de processos individuais e fragmentados e a socialização dos alunos a partir desses processos, bem como a importância da socialização entre seus pares, por exemplo, na formação de grupos de trabalho e a formação deles a partir destas relações. Saviani (2003, p.135) afirma que “os homens não transformam a natureza individualmente, isoladamente, mas relacionando-se entre si” e que “o homem transforma a natureza ao mesmo tempo em que se relaciona com os outros homens”.
O trabalho como princípio educativo, conforme Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005), precisa formar o aluno para entender, inserir-se e modificar esta realidade, pois o processo educativo na construção de saberes se origina e se finaliza na sociedade, tendo as escolas como mediadoras desta formação humana e integral. Curricularizar este processo extensionista é integrá-lo ao processo de ensino e pesquisa, alinhando-se a visão de formação integral no sentido de necessidade de um currículo integrado, que possibilita o entendimento de que todos os fazeres, sujeitos e espaços de uma instituição de ensino são capazes de produzir conhecimento e transformar realidades.
...buscamos dialogar neste texto sobre as contribuições da extensão na formação não só de um sujeito profissional, como também político, histórico e cultural, de forma integral, capaz de coletiva e contribuitivamente impactar, incluir e transformar a realidade que está inserido.
Quais as contribuições da extensão para a formação humana?
CAMBRAIA, A. C. ; ZANON, L. B. Formação docente: recriação da prática curricular no ensino superior. Curitiba; Appris, 2019.
GADOTTI, Moacir. Extensão universitária: para quê?. Instituto Paulo Freire, São Paulo - SP, 15 fev. 2017. Disponível em: <http://www.paulofreire.org/noticias/557-extensao-universitaria-para-que>. Acesso em: 13 ago 2020.
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FARROUPILHA - IFFAR. Plano de Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal Farroupilha 2019-2026. Santa Maria - RS, 2019. Disponível em <https://www.iffarroupilha.edu.br/documentos-do-pdi/item/13876-pdi-2019-2026> Acesso em: 17 nov 2019.
SANTOS, B. S. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1986.
SCHOR, I.; FREIRE, P. Medo e Ousadia - o cotidiano do professor. Traduzido por: Adriana Lopez. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
SERRANO, R. M. S. M. Conceitos de extensão universitária: um diálogo com Paulo Freire. Grupo de Pesquisa em Extensão Popular, v. 13, n. 8, 2013.