Amizade
O alfabeto de curiosidades de Ruth não poderia começar com outra palavra. Com letras maiúsculas, muitos amigos, um álbum de fotografias da casa cheia e bochechas doendo de tanto sorrir.
A caixinha apresenta fotos dela com sua amiga Ana Maria Machado na livraria Capitu, em São Paulo, em 1982, e imagens de Ruth com Ziraldo, Nélida Piñon, Luis Fernando Veríssimo e Caio Fernando Abreu, em Berlim, Alemanha, em 1988, para uma feira do livro.
Borboleta
A primeira história escrita por Ruth Rocha, no fim da década de 1960, foi Romeu e Julieta, uma história protagonizada por borboletas amarelas e azuis e que falava sobre discriminação.
Entre 1957 e 1972, Ruth era orientadora educacional do Colégio Rio Branco, em São Paulo. Nesse período ela escrevia sobre educação para a revista Cláudia, da editora Abril. Sua amiga Sonia Robatto, que dirigia a revista infantil Recreio, sempre pedia a Ruth que escrevesse uma historinha voltada para as crianças, mas a história nunca vinha.
Certo dia, Sonia convidou Ruth para ir à piscina e tomar sol em seu sítio, mas, chegando na casa, ela prendeu a amiga no escritório para que saísse de lá só com a primeira historinha escrita. Foi assim que nasceu Romeu e Julieta, que chegou a ser publicada em 1969 na revista Recreio.
Canto
Nem só de literatura vive uma escritora. Ruth sempre foi apaixonada por música e chegou a se apresentar em palcos de casas tradicionais de São Paulo, como o Café Piu Piu, no bairro do Bixiga. Cantava e tocava violão nas reuniões familiares, para amigos e crianças.
Nesta caixinha tem fotos de Ruth Rocha com aproximadamente 18 anos, no clube da rádio Gazeta, com uma orquestra formada por alunos de engenharia do Rio de Janeiro, em 1946. Também tem imagem dela no palco do Opus 2004, casa de jazz em São Paulo, localizada na Rua 13 de Maio, esquina com a Santo Antônio, em 1986. E, ainda, um vídeo em que a escritora aparece cantando e sua filha Mariana tocando pandeiro, na Granja Viana em 2025.
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Com o artista visual Otávio Roth, Ruth apresenta a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em uma adaptação do documento original, de 1948, adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os direitos humanos são tão importantes quanto o ar, a água, o amor e a risada.
Eduardo
Em sua época de faculdade, quando ainda cursava Ciências Políticas e Sociais na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Ruth conheceu seu grande amor: Eduardo Rocha. Eles namoraram, casaram e tiveram uma filha, Mariana. Os dois viveram bem juntinhos por 56 anos, até o falecimento de Eduardo, em 2012.
Aqui tem uma foto dos dois no dia do casamento, em 3 de fevereiro de 1956, na Igreja São José, Jardim Europa, em São Paulo. O modelo do vestido de Ruth foi bastante inovador para a época.
Felicidade
Aqui, o foco está na coleção Coisinhas à toa que deixam a gente feliz (editora Salamandra, 2017).
São quatro livros que celebra os pequenos prazeres do cotidiano, que a gente esquece no dia-a-dia, como estourar plástico bolha, tomar banho de chuva, colinho da vovó, cheiro de mato molhado, comer espaguete al dente, começar um caderno novo.
Genealogia
Como nesta forma de organizar as informações sobre nossos antepassados e os antepassados dos antepassados, ao longo da vida Ruth foi organizando fotografias e informações da família Sampaio Machado, especialmente da sua mãe Esther Sampaio Machado e seu pai Álvaro de Faria Machado.
Nesta parte são exibidas várias fotos do acervo da família: Rosa Sampaio (vovó Neném), nascida em Barbacena, Minas Gerais, em 1885; Francisco Sabino Coelho de Sampaio Neto (vovô Ioiô), nascido em Belém do Pará, em 1883; Esther e Álvaro Coelho Sampaio, em 1988, na comemoração do aniversário de 60 anos de casamento, na Granja Viana, em São Paulo; Ruth Rocha, com os irmãos, Eliana, Alexandre, Rilda e Álvaro, na casa de Eliana, na Granja Viana, em 1989; Ruth com o marido Eduardo e a filha Mariana, na casa da irmã Eliana, na Granja Viana, em 1989, e com os netos Pedro e Miguel, em sua casa no Jardim Paulista, São Paulo, em 2003.
Hora da leitura
Às 4 horas da tarde, o telefone na casa de Ruth toca: é sua irmã Rilda. Essa é hora delas para ler em voz alta uma para a outra. Em dezembro de 2025, a revista Piauí, como se vê na instalação, publicou reportagem sobre o hábito das irmãs. O público também poderá ver um vídeo de Rilda lendo trechos de Marcelo, marmelo, martelo.
Infância
Ruth também foi criança e, aqui, se vê muitas fotos dela nesse período: bebê, em 1931 em São Paulo; com Rilda, quando ambas tinham cerca de 5 e 7 anos; na piscina da Faculdade de Medicina de São Paulo, com cerca de 6 anos; e na casa da família, na Vila Mariana, em São Paulo, com cerca de 9 anos, em 1940; e aos 12 anos de idade, em 1943.
Jabuti
Ruth coleciona em sua trajetória muitos prêmios, entre eles, oito prêmios Jabuti. Por isso, tem um jabutizinho de madeira neste nicho.
A autora também foi considerada destaque internacional, em 2025, pelo United States Board on Books for Young People (USBBY), com a versão Marcelo, martello, marshmallow, a tradução em inglês de Marcelo, marmelo, martelo.
O nicho apresenta duas recomendações muito importantes nos Estados Unidos para o livro O menino que aprendeu a ver: na lista do USBBY e o Children's Books Council. Ainda, ela recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e entrou na lista de honra do Prêmio Hans Christian Andersen IBBY, em 1980, com Reizinho mandão.
Kiowy Kaataxoky
Em 2010, Ruth recebeu da Escola Estadual Indígena Xinui Mỹky, da Aldeia Myky, na cidade de Brasnorte, em Mato Grosso, uma edição do seu livro A primavera da lagarta traduzida para a língua da terra indígena Japuíra e ilustrada pelas crianças. Aqui se vê uma carta escrita para Ruth por crianças indígenas dessa aldeia Mỹky.
Larousse
Ruth tem muito orgulho de ter feito parte das edições da Grande enciclopédia Larousse cultural (120 fascículos, 8 volumes), na década de 1970, ao lado de grandes amigos, como Maria Adelaide Amaral.
Certa vez, ela precisava de uma palavra que pudesse traduzir o “espírito brasileiro” e, à época, a palavra que encontrou para exprimir esse sentimento foi “festa”.
Macaco
A autora tem tanta curiosidade sobre os macacos que, em sua trajetória, produziu seis livros sobre macacos. Entre eles, Um macaco pra frente e O macaco bombeiro. Um dos seus mais recentes títulos é O grande livro dos macacos, lançado pela editora Salamandra, com tudo que ela aprendeu sobre eles pelo caminho.
Nicolau
Aqui tem a narração da história do livro Nicolau tinha uma ideia por Ruth Rocha, junto do exemplar do livro publicado pela editora Salamandra para manuseio do público
Odisséia
Odisséia e Ilíada, de Homero, são clássicos da literatura mundial e na carreira de Ruth e Eduardo Rocha. Com texto adaptado por Ruth e ilustrações de Eduardo, o casal foi premiado pela Academia Brasileira de Letras, em 2001.
Palavras, muitas palavras
O primeiro livro de Ruth, Palavras, muitas palavras, foi publicado em 1976 pela editora Abril. Lúdica, a obra transforma a alfabetização em uma descoberta de associação de letras a palavras e conceitos. Em exposição está o exemplar publicado pela Editora Salamandra (2013).
Aqui também tem uma série de palavras que Ruth usa neste livro reunidas para que cada visitante que quiser leve uma para casa.
Quem vem, vem
Todo domingo, Esther Sampaio Machado, mãe de Ruth, fazia um almoço para a família. “Quem vem, vem; quem não vem, não vem”, era o jeitinho de deixar o convite aberto aos filhos, genros, noras, netos e amigos dos amigos, sem fazer desse encontro uma obrigação familiar, mas sim um momento gostoso da família.
Ao fim dos encontros ela sempre se despedia dos convidados com a frase “Muito obrigada por abrilhantar minha festa”. Aqui aparecem duas fotos em ocasiões como esta, com a família reunida em 1980 e 1989.
Recreio
Na década de 1970, Ruth foi colaboradora, depois orientadora pedagógica, e chegou a ser coordenadora de redação da revista Recreio, da editora Abril. Nesta parte, o visitante pode ver exemplares da revista.
Saracura
Desde jovem, Eduardo Rocha amava velejar e, nas bodas de prata do casamento com Ruth, ele comprou um veleiro: o Saracura. Sozinho, Eduardo velejava no mar; em família, eles velejavam na Represa de Guarapiranga. Ruth chegou a participar de competições, mas, achava difícil pois gostava mesmo era aproveitar esses passeios para tomar sol.
Aqui se vê uma réplica da embarcação feita a partir do modelo Day Sailer (o'day 16).
Tatuzinhos
Quando Mariana teve seus filhos, Miguel e Pedro, tanto ela quanto o pai das crianças, Gilberto Colzani, trabalhavam fora. Um dia Miguel, o neto mais velho de Ruth, estava muito triste, ele ainda não tinha seu irmãozinho. Ele ligou para Ruth, mas ela não pôde ir ao encontro do neto de imediato, então, fez uma história e enviou por fax.
Anos depois, ela teve a ideia de fazer uma coleção da família com ilustrações de Eduardo Rocha, grande artesão de couro e desenhista, que retratou os netos como pequenos tatus. São oito livros da coleção Comecinho, da editora Melhoramentos: O dia em que o Miguel estava muito triste (2006), Meus lápis de cor são só meus (2006), Meu irmãozinho me atrapalha (2006), Quando Miguel entrou na escola (2006), O monstro do quarto do Pedro (2009), Pedro e o menino valentão (2009), As férias de Miguel e Pedro (2010) e Os amigos do Pedrinho (2010).
São exibidos os dedoches que foram produzidos para acompanhar a edição da coleção Comecinho, em 2007.
Uma mão (não um mamão)
Nesta página do Almanaque Ruth Rocha, publicado pela Editora Salamandra, em 2004, vemos a interação proposta para ser feita com os dedoches, que deveriam ser produzidos por meio de modelos de papel da edição.
Tem também um fac-símile da página 96 do Almanaque: a reprodução de duas mãos e um mamão, com os dedoches nos dedos de uma mão e a fruta na outra.
Vovó Neném
Ela não era uma avó muito convencional, mas era muito engraçada e amorosa. Excelente costureira de roupas de bonecas (costurava até as calcinhas). Foi inspiração de Ruth para o livro A cinderela das bonecas, de 2004.
Waldisney
Aqui a referência é Waldisney: o menino que quase morreu afogado no lixo, livro lançado em 2015 pela editora Salamandra. O menino era tão preguiçoso que acumulava lixo no quarto durante a ausência dos pais, até que quase é soterrado.
Xixi
Ilustração do trecho “AI QUE BOM!”, do livro Eu gosto muito, de Ruth Rocha & Dora Lorch, com ilustrações de Walter Ono, publicado pela editora Salamandra em 2022.
O livro aborda as pequenas alegrias, descobertas e a rotina prazerosa da primeira infância, como aprender a controlar o xixi, o cocô e a descobrir o próprio corpo.
Uma portinha que poderá ser aberta pelo público revelará a imagem de um menino aliviado fazendo xixi.
Yoyô
Paraense, morador da zona norte do Rio de Janeiro, o ferroviário Ioiô – ou Yôyô como ele assina na carta – é avô materno de Ruth. Contador de histórias, misturava clássicos dos irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e outros com paisagens brasileiras e temperos populares. Encantava todas as crianças da família. Nesta carta que se vê na instalação, ele cumprimenta a neta Ruth, às voltas com pinturas, mas confessa que o que ele desejava mesmo é que ela fosse da literatura. A carta é de 25 de outubro de 1946.
Ziraldo
Parceiros de longa data, Ziraldo fez presenteou Ruth com a caricatura que se vê neste nicho. Posteriormente, o desenho foi publicado junto de texto escrito por Ruth em homenagem a Ziraldo, no livro 90 maluquinhos por Ziraldo – Histórias e Causos, organizado pela Edra. Editora Melhoramentos, e lançado em 2023.
Ainda neste espaço, se encontra o livro Um cantinho só pra mim (2026), editado pela Salamandra, com texto de Ruth Rocha e ilustrações de Ziraldo.
Abertura
9 de maio de 2026, às 11h
Visitação
até 2 de agosto de 2026
terças-feiras a sábados, das 11h às 20h
domingos e feriados das 11h às 19h
Piso térreo
OCUPAÇÃO RUTH ROCHA
Concepção e realização
Itaú Cultural
Curadoria
Equipe Itaú Cultural
Projeto expográfico
Érica Pedrosa, Iago Germano, Rodrigo Auba e Sofia Gava (terceirizada)
Projeto de acessibilidade
Equipe Itaú Cultural
ITAÚ CULTURAL
Avenida Paulista, 149 – próximo à estação Brigadeiro do metrô | Entrada gratuita
Espaços acessíveis
o prédio do Itaú Cultural apresenta facilidades para pessoas com deficiência física
Estacionamento
Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
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